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Olavo de Carvalho morre, aos 74 anos, nos Estados Unidos

Informação foi dada pela família nas redes sociais

O professor, jornalista e escritor Olavo de Carvalho morreu na noite dessa segunda-feira (24), aos 74 anos, nos Estados Unidos, onde vivia. A informação foi dada pela família nas redes sociais do escritor. 

“Com grande pesar, a família do professor Olavo de Carvalho comunica sua morte na noite de 24 de janeiro, na região de Richmond, na Virgínia, onde se encontrava hospitalizado”.

Natural de Campinas, São Paulo, ele deixa a esposa, Roxane Andrade de Souza, oito filhos e 18 netos. A causa da morte não foi divulgada. Recentemente, Olavo esteve internado em hospital no Brasil com problemas cardíacos.

No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro lamentou a morte do escritor. “Nos deixa hoje um dos maiores pensadores da história do país, o filósofo e professor Olavo Luiz Pimentel de Carvalho. Olavo foi gigante na luta pela liberdade e farol para milhões de brasileiros. Seu exemplo e seus ensinamentos nos marcarão para sempre”, afirmou.

No seu currículo, Olavo Luiz Pimentel de Carvalho apresenta-se como “filósofo, escritor, jornalista e conferencista”.

Olavo de Carvalho diz, também em seu currículo, que desde jovem se interessava por “filosofia, psicologia e religiões comparadas”, mas que “não tendo encontrado, na época, cursos universitários de boa qualidade sobre os tópicos que eram de seu interesse, abdicou temporariamente dos estudos universitários formais e buscou professores particulares e conselheiros qualificados que o orientassem”. Ele não concluiu o curso de filosofia, iniciado no Conjunto de Pesquisa Filosófica da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

Durante anos, foi um estudioso da astrologia. O interesse pelo tema ganhou força a partir de 1975, quando concentrou seus esforços no “estudo das Artes Liberais”, que tinha, segundo ele, “sete disciplinas básicas para a formação dos letrados na Europa Medieval: Lógica, Retórica e Gramática; Aritmética, Música, Geometria e Astrologia”.

A astrologia, por sinal, foi tema reincidente entre livros e publicações assinados por ele. Seu primeiro livro, Questões de Simbolismo Astrológico, foi publicado em 1983. O último, publicado em 2018, foi Os Histéricos no Poder. Cartas de Um Terráqueo ao Planeta Brasil.

Os primeiros trabalhos na imprensa foram na empresa Folha da Manhã, antes mesmo de completar 18 anos de idade. Trabalhou também no jornal A Gazeta; na revista Atualidades Médicas; no semanário Aqui, São Paulo; no Jornal da Semana, e no Jornal da Tarde. Foi colaborador de veículos como Folha de S.Paulo, Zero Hora, O Globo, Primeira Leitura e Bravo!

Carvalho recebeu, do Comando do Exército, em 1999, a Medalha do Pacificador. Em 2001, recebeu a Medalha Mérito Santos Dumont, conferida pelo Comando da Aeronáutica.

A Secretaria Especial da Cultura e a Secretaria Especial de Comunicação Social emitiram nota de pesar pela morte do escritor. “O governo do Brasil lamenta a perda do filósofo e professor Olavo de Carvalho e manifesta seu pesar e suas condolências a familiares, amigos e alunos”, diz a nota.

“Intransigente defensor da liberdade e escritor prolífico, o professor Olavo sempre defendeu que a liberdade deve ser vivida no íntimo da consciência individual e na inegociável honestidade do ser para consigo mesmo”, complementa o texto.

Olavo de Carvalho nasceu em Campinas (SP) no dia 29 de abril de 1947. Foi o segundo filho do advogado Luiz Gonzaga de Carvalho com Nicéa Pimentel de Carvalho.

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 DO CORREIO BRAZILIENSE
AE
Agência Estado
 

 (crédito: AFP)

(crédito: AFP)

Em entrevista à José Luiz Datena, o pré-candidato à presidência do PDT, Ciro Gomes, voltou a fazer acenos à Marina Silva (Rede), que tem sido considerada para integrar sua chapa. O pedetista repetiu que a ex-ministra “tem todos os talentos para ser uma grande presidente do Brasil”. Seguindo o mote de sua campanha, Ciro declarou que tem confiança de que Marina “vai nos ajudar à essa rebeldia da esperança que o Brasil precisa”

Antes de fazer os elogios a Marina, o pedetista brincou com a possibilidade de escolher Datena como um nome para a vice-presidência. “Eu queria era o Datena sabe, aquele grande comunicador?” brincou durante sua entrevista à Rádio Bandeirantes. “Estou brincando, estou brincando, não posso fazer isso”, comentou em seguida.

Datena, que foi um dos nomes considerados para a corrida presidencial antes de PSL, seu partido, se unir o DEM no União Brasil, respondeu a brincadeira: “Eu não estou brincando, seria uma honra ser vice seu, porque eu gosto de você e você é um cara honesto pra caramba”.

Em pouco mais de uma hora de conversa com o apresentador, Ciro voltou a criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), os dois nomes que lideram as corridas presidenciais. Ciro criticou ainda a possibilidade de que ambos possam estar considerando não participar de debates. Ciro acusou os adversários de terem firmado um acordo para “fugir dos debates”.

O ex-governador se dispôs ainda a debater com qualquer candidato, inclusive o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), que, desde que anunciou sua pré-candidatura, tem ganhado o espaço de Ciro na chamada terceira via.

“O retrato fiel da Bahia”, Riachão:

 
Êta saudade retada, meu rei! Viva o grande Riacho, que balança o céu agora!
BOM DIA!
(Gilson Nogueira)

 

 

 

 

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25
Posted on 25-01-2022
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  • Carlos Graieb
    Carlos Graieb
Se a CPI for vista como aquilo que é – uma revanche do establishment ou um “todos contra um” – o ex-juiz poderá crescer politicamente
O tiro da CPI contra Sergio Moro pode sair pela culatra
Foto: Adriano Machado/Crusoé

A CPI que o PT, o Centrão e o bolsonarismo estão tentando instaurar contra Sergio Moro (foto) não é inevitável, e pode até se transformar num tiro pela culatra. 

Tudo dependerá da reação de Moro, de seu partido, o Podemos, e dos grupos que o apoiam, como o MBL

 Se a CPI for vista pelos eleitores como aquilo que é, ou seja, um “todos contra um”, um ataque do establishment a um indivíduo que hoje não dispõe de foro privilegiado ou qualquer outro tipo de proteção especial, Moro poderá crescer politicamente. Vítimas dos políticos de Brasília costumam contar com a simpatia da opinião pública.

Há fartos elementos para mostrar que não há pretextos justos para a instauração da comissão de inquérito. Em seus dez meses como consultor do escritório de advocacia Alvarez & Marsal, Moro não trabalhou nos casos de empresas que condenou como juiz. Além disso, sua remuneração, que os inimigos tratam como se fosse pecado, não envolveu um tostão sequer de dinheiro público. 

A CPI também quer incorporar ao seu rol de argumentos a tese “Mariz-Lewandowski”, assim batizada em homenagem ao advogado e ao ministro do STF amigos de Lula. Ela sustenta que punir a corrupção política é um erro, porque não resolve nada, e que a Lava Jato é culpada pelos problemas financeiros enfrentados por empreiteiras como a Odebrecht, que cresceram por décadas graças à cartelização de seus serviços e aos subornos pagos a autoridades. Não poderia ser mais absurdo.

Vamos repetir: a instauração da CPI não é inevitável. Se ela for instaurada, não é impossível virar o jogo. Quaisquer que sejam as circunstâncias, não se pode acreditar que o ódio à Lava Jato vai se extinguir com as eleições. Ele vai perdurar, até mesmo num eventual governo Moro, que será repleto de enfrentamentos e ameaças de CPI. O ex-juiz e sua equipe precisam cerrar os dentes e revidar, porque o jogo é mesmo bruto.

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Posted on 25-01-2022
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A jornalista entrou com a ação trabalhista em março de 2021 após ter sido dispensada do canal onde trabalhou por quase dez anos

CS
Cecília Sóter
 

 (crédito: SBT/Divulgacao)

(crédito: SBT/Divulgacao)

Rachel Sheherazade está processando o SBT por um comentário de Silvio Santos durante o Troféu Imprensa de 2017. A justiça de São Paulo considerou que o dono da emissora praticou agressão moral contra a jornalista pela fala misógina.

Na ação judicial movida pela jornalista, que corre na 3ª Vara do Trabalho de Osasco, em São Paulo (onde o SBT está localizado), a emissora foi condenada a pagar uma indenização para Sheherazade.

O juiz do caso, Ronaldo Luís de Oliveira, declarou em sentença que Silvio Santos fez comentário misógino contra a então apresentadora do SBT Brasil, durante Troféu Imprensa de 2017.

“Advertência pública, manifestada na premiação conhecida como ‘Troféu Imprensa’, onde o notório apresentador Senor Abravanel (conhecido popularmente como Silvio Santos) fez questão de ‘lembrar’ a reclamante, em cadeia nacional, com tons nitidamente misóginos, que a sua contratação se deu por sua beleza e por sua voz, apenas para ler notícias e não dar a sua opinião”, escreveu o magistrado.

Na decisão, ele ainda reproduziu a fala de Silvio. “Você [Sheherazade] começou a fazer comentários políticos no SBT e eu pedi para você não fazer mais porque não pode fazer. Você foi contratada para ler notícias e não para dar a sua opinião. Se você quiser fazer política compra uma estação de televisão e vai fazer por sua conta, aqui não”.

O magistrado salientou que a situação constrangeu a apresentadora. “E, após, discordando de uma opinião feita pela reclamante, manifestada em tom baixo de voz e nitidamente constrangida, o referido apresentador completou enfaticamente: ‘Não, chamei para você continuar com a sua beleza, com a sua voz, foi para ler as notícias no teleprompter e não foi para você dar a sua opinião’”.

O juiz ainda repreendeu a emissora, afirmando que, caso Sheherazade tivesse descumprido a linha editorial, o SBT deveria tê-la advertido por meios institucionais, não publicamente.

“Ora, se a reclamante, em tese, descumpriu regra de comportamento, exacerbando a sua liberdade de opinião além dos limites fixados pelo empregador, em sua linha editorial, caberia a este, simplesmente, através dos meios legalmente colocados à sua disposição, em espaço institucional próprio e adequado, adverti-la, orientando-a para que situações do tipo não mais ocorressem ou, simplesmente, sem abusos, resolver o contrato de trabalho”, pontuou.

Ronaldo Luís considerou o episódio lamentável e disse na sentença que o fato de Silvio Santos ser idoso e brincalhão não justifica comentários preconceituosos.

“Chegam a ser, aliás, cansativas as desculpas que são dadas a comportamentos similares. Ser idoso ou ser ‘brincalhão’, já se disse, não pode servir de passe para a prática de atos nitidamente preconceituosos, para falar o menos. A desculpa sempre repetida de que, ‘ah, ele é assim mesmo, não liga’, não pode ser aceita, de forma alguma, para justificar um ataque ao profissionalismo de uma mulher. Precisamos evoluir como nação, com respeito a todos”, afirmou na decisão.

Por fim, o magistrado considerou que houve agressão moral por parte de Silvio contra Sheherazade e sentenciou o SBT a pagar uma indenização por danos morais à jornalista no valor de R$ 500 mil.

“Para este Juízo, está claro que houve evidente agressão moral, agravada por ter ser praticada em momento totalmente inoportuno, num evento público e que, em tese, deveria ter servido para homenageá-la como profissional. Fica esta, reclamada, condenada a pagar à reclamante uma indenização por danos morais, pelo valor ora arbitrado, de R$ 500.000,00“, determinou Luís Ronaldo de Oliveira.

A decisão é em primeira instância e a emissora irá recorrer. A ação teve início em março de 2021 após a jornalista ser dispensada do canal onde trabalhou por quase dez anos.

Bolsonaro avalia e conversa com marqueteiros sugeridos por ministros e por Valdemar Costa Neto

AE
Agência Estado
 

 (crédito: Renan Olaz)

(crédito: Renan Olaz)

A intenção de profissionalizar o marketing da campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro esbarrou no vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Ao filho “zero dois” é atribuída a estratégia da campanha digital vitoriosa do presidente nas redes sociais em 2018. Por influência da ala política do governo, no entanto, Bolsonaro avalia e conversa com marqueteiros sugeridos por ministros e por Valdemar Costa Neto, mandachuva do PL. Um dos cotados para assinar os programas do presidente é o publicitário Duda Lima, homem da confiança de Costa Neto.

Mesmo assim, Bolsonaro já deixou claro que Carlos vai manter a comunicação digital sob seu controle. Enquanto políticos do Centrão que participam do núcleo da campanha defendem contratar um marqueteiro do ramo, os bolsonaristas mais ligados à “direita raiz” e o próprio presidente confiam no tino de Carlos, a quem já respondiam os integrantes do grupo conhecido no Palácio do Planalto como “gabinete do ódio”.

Ministros palacianos dão como certo que, mesmo com um profissional de publicidade do agrado de Bolsonaro, o comando da comunicação será compartilhado com Carlos. A ideia é que o vereador continue desempenhando papel central nas redes sociais do presidente, estimulando a guerra virtual para atacar opositores e desafetos do governo.

 Bolsonaro tem 43 milhões de seguidores em perfis e contas oficiais no Facebook, Instagram, YouTube, Twitter, Tik Tok e Telegram. Conta, ainda, com um emaranhado de páginas apoiadoras, batizadas internamente de “satélites”, além de grupos de aplicativos de mensagens no WhatsApp e redes mais recentes adotadas pela direita, como o Gettr, e a Bolsonaro TV.

Com frequência, o monitoramento de adversários políticos e empresas do ramo identifica o uso de contas automatizadas pró-Bolsonaro, os robôs, com disparos de mensagens favoráveis ao presidente ou de conteúdo difamatório contra rivais, a partir de países da Ásia ou do Leste Europeu. Essa rede digital chegou a ser alvo de apurações no Supremo Tribunal Federal, na CPMI das Fake News e também no Tribunal Superior Eleitoral.

Mambembe

O presidente resiste a dar poder a um marqueteiro que não seja próximo de seu círculo mais íntimo. Nas conversas com aliados, ele sempre repete que conseguiu chegar ao Planalto, em 2018, a partir de uma estratégia “amadora”. À época, tudo deixava transparecer ações de improviso e estética mambembe. Para Bolsonaro, isso pode dar certo novamente.

Em dezembro, o presidente garantiu que não pretendia contratar um marqueteiro experimentado. “Não vou contratar marqueteiro, não é essa a intenção. Devo ter produtores de imagens. Nós temos imagens para mostrar armazenadas das minhas viagens pelo Brasil todo”, argumentou ele.

A cúpula da campanha bolsonarista, no entanto, deu sinais de que o presidente vai ceder à contratação de um profissional, algo de que seus principais adversários não abrem mão. Além de Costa Neto, insistem nessa tese os ministros Fabio Faria (Comunicações) e Ciro Nogueira (Casa Civil).

A principal justificativa para que um marqueteiro de renome seja chamado é a demanda de produção de programas eleitorais e inserções para rádio e TV. Há agora a previsão de uma aliança com partidos do Centrão, e não mais os 7 segundos da época em que Bolsonaro era filiado ao PSL.

A exposição aumentará ainda mais se o chefe do Executivo disputar o segundo turno. “Vai ter, sim, uma coordenação profissional. O presidente Valdemar tem estudado bastante isso e trabalhado”, disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao canal CNN, citando o presidente do PL.

Assim como Costa Neto, Duda Lima é de Mogi das Cruzes e tem parentes no PL. Costuma dar cursos e orientar candidatos do partido a cargos no Legislativo e já trabalhou em campanhas para prefeituras do Estado de São Paulo. Em 2016, ele foi marqueteiro do deputado Celso Russomanno (Republicanos-SP), então candidato a prefeito de São Paulo.

Ao Estadão, Duda disse que ainda não foi procurado para tratar da campanha do presidente. “Ninguém do partido falou comigo. Faço trabalhos pontuais para o PL há bastante tempo”, afirmou.

Na semana passada, Bolsonaro conversou com o estrategista pernambucano Paulo Moura, da Exata Inteligência Política, levado pelo ministro do Turismo, Gilson Machado. As conversas, porém, não deslancharam. Moura disse ao Estadão que não recebeu nenhuma proposta após o encontro com o presidente.

Sérgio Lima, publicitário da agência S8.Wow, também é lembrado para a função. Lima atuou no projeto do Aliança pelo Brasil, partido que não saiu do papel, mas ainda não teve conversas com Bolsonaro e Costa Neto.

Rivais

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem no comando de comunicação da campanha o jornalista e ex-ministro Franklin Martins, mas o PT ainda negocia a contratação dos publicitários Raul Rabelo ou Sidônio Palmeira, ambos baianos.

O nome de maior cacife e experiência no páreo presidencial é o de João Santana, marqueteiro contratado por Ciro Gomes (PDT). Santana assinou campanhas petistas no passado, como as de Lula e Dilma Rousseff. Após ser preso, virou colaborador da Lava Jato.

Já o governador de São Paulo, João Doria, pré-candidato do PSDB, é orientado pelo marqueteiro Daniel Braga. O publicitário Fernando Vieira, que atende o Podemos, colabora com a campanha de Sérgio Moro. Nada, porém, está fechado, tanto que Moro ainda avalia contratar outro profissional.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

“Piensa en mi”, Los Panchos: clássica e imortal interpretação de Los Pancho para uma obra prima do bolero do notável mexicano que o mundo inteiro aclamou, Agustin Lara. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

jan
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DO SITE O ANTAGONISTA
Ninguém vai se esquecer
 

O Estadão, em editorial, diz que “parte do eleitorado está se esquecendo de quem é Lula”.

Não é verdade. Não houve esquecimento. A memória do mensalão e do petrolão jamais será cancelada. O que houve foi uma campanha imunda para minorar os crimes do lulismo. Em parte, porque os crimes do bolsonarismo foram mais perversos. Em parte, porque os próprios bolsonaristas se engajaram na campanha para emporcalhar a imagem de Sergio Moro e da Lava Jato, perfumando a folha corrida de Lula.

 

Neste momento, de fato, o lulismo nem precisa atacar diretamente Moro – o bolsonarismo se encarrega disso, em conluio com os apadrinhados dos quadrilheiros empoleirados em órgãos institucionais.

O bolsonarismo, estupidamente, acredita que, para derrotar Lula, parte do eleitorado vai se esquecer de quem é Bolsonaro. Mas ninguém vai se esquecer de nada.

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24
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DUKE no jornal O Tempo (MG)

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DO CORREIO BRAZILIESE

Dayana Bárbara dos Santos, a Danda, morou na rua durante 12 anos. Hoje, ela comemora sua aprovação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro

AL
Ana Luisa Araujo
 

 (crédito: Arquivo pessoal)

(crédito: Arquivo pessoal)

Moradora do Rio de Janeiro há sete meses, Dayana Bárbara dos Santos, 36 anos, viveu em Brasília por muitos anos. Durante esse tempo, por não se dar bem com o pai, que bebia muito e morava em Santo Antônio do Descoberto (GO), entorno de Brasília, acabou indo parar nas ruas da capital brasileira. Danda, como gosta de ser chamada, diz que sempre foi uma moradora de rua diferente. Ela sempre estudou e, graças a esse esforço, os estudos a levaram a uma conquista fenomenal, a recente aprovação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) no curso de letras.

“Eu sempre quis a UnB [Universidade de Brasília], mas ela não me quis”, conta, sorridente, ao falar de sua aprovação na estadual carioca.

Natural do Maranhão, Danda afirma que não se lembra de como veio parar em Santo Antônio do Descoberto (GO), distante apenas 50 km do Plano Piloto. “Não me pergunte como, porque uma parte da minha família conta uma história, mas a outra parte diz outra”, revela.

A vendedora ambulante só se lembra de que, por volta de oito anos, decidiu sair de casa por causa dos conflitos com o pai e passou a frequentar as ruas de Santo Antônio do Descoberto. Tempos depois, ela estava em Brasília, em situação de rua, onde ficou por 12 anos.

De acordo com a universitária, a liberdade das pessoas que viviam na rua era algo com que ela se identificava. Ela queria experimentar essa sensação, principalmente porque sofria violência em casa. “Fui embora sem contar com nenhuma pessoa”, afirma. Aqueles que viviam em situação de rua estavam sempre alegres, lembra ela. Não existia tristeza ou espaço para vida pacata.

Na primeira noite, porém, Danda não dormiu, teve tanto medo que foi para o conselho tutelar. De lá, seguiu para um abrigo de Taguatinga, de onde, depois de um mês, fugiu. Ela queria achar seu lugar; fez, então, da rua sua morada. Mas, diferentemente de outros indivíduos em situação de rua, não usou drogas durante um bom tempo, porque tinha medo de perder o controle de si mesma, e estava sozinha naquele local.

“Demorei um pouco a entrar nesse universo, na verdade, fiquei sempre com muito medo de coisas que não conseguia ter o controle”, conta. “Eu ficava na rua, mas quando via que estava apertado demais, a polícia reprimindo muito a galera ou sendo muito violenta,dava um jeito de correr para o abrigo”, continua.

A vendedora ambulante diz que nunca sofreu violência de pessoas que moram na rua, mas de policiais, sim. “Tanto na questão da violência física quanto sexual”, afirma. “O Estado sendo o Estado”, lamenta.

“Na rua, a gente só pernoita”, afirma. Segundo a caloura de letras da Uerj, quando a situação apertava e ela corria para o abrigo, era para se libertar um pouco desse mundo. O abrigo era um local para dormir, comer bem e estar em segurança.

A mudança

Desde os 14 anos, Danda dos Santos frequentou a Escola Meninos e Meninas do Parque, situada no Parque da Cidade Sarah Kubitschek, no centro de Brasília. A instituição é destinada especialmente a pessoas em situação de rua. Foi nela que a vendedora ambulante conseguiu concluir o ensino médio e tirar seu diploma. Como foi dito, ela vivia nas calçadas, mas era diferenciada, pois sempre estudou.

Ela sempre buscou estudar, ler e, principalmente, escrever. Apesar de ter estudado na Escola do Parque, Danda também passou por uma escola de Taguatinga, enquanto estava no abrigo, e lá se formou no ensino médio, em 2014.

“Sempre gostei de estar por dentro das coisas que me moviam e a educação é uma dessas coisas”, afirma. Na visão dela, o sonho de entrar em uma universidade não é para ela como é para outras pessoas, para ela o cenário era mais difícil. Geralmente, saindo do ensino médio, o estudante ingressa no ensino superior, por volta de 18 anos, mas essa não era a realidade de Danda.

Segundo conta, a preparação que fez não foi para a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), mas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Todo ano ela fazia o Enem, e melhorava suas notas.

Ela alugava celular para poder estudar duas horas por dia por meio de vídeos no YouTube. Vendedora ambulante durante o dia, durante à noite estudava, mas ainda ajudava seu filho com as atividades da escola.

“Entrei por cotas. Fiquei em sexto com minha nota do Enem, o que me ajudou muito foi a nota da redação, eu consegui tirar 770”, lembra.

Danda também considera injusto o ensino superior no país, uma vez que aqueles que tiveram acesso a escolas particulares conseguem entrar sem muitas dificuldades numa universidade pública, e quem estudou toda a vida em colégios públicos tem um desafio maior.

Vendedora

Apesar de ser um destaque, ainda vivenciava os mesmos problemas que seus companheiros. Danda vendia drogas para conseguir um trocado, e quando completou 17 anos, ela começou a usar. Só parou quando descobriu que estava grávida, aos 20 anos. Foi nesse momento também, que ela decidiu se movimentar e sair da situação de rua.

“Comecei a entender que precisava de uma fonte de renda, de onde eu pudesse tirar sustento para existir, e aí fui atrás”, conta. Desde então, ela passou a comprar doces e vender como ambulante na Rodoviária do Plano Piloto. No entanto, sempre teve o sonho de ser técnica de futebol, uma vez que gostou, durante toda a vida, de esporte.

Para conceber seu filho, ela diz que foi uma dificuldade, uma vez que gostaria de ser mãe, mas só se relacionava com mulheres. Na época então, por volta de 2008, ela se envolveu com um rapaz e conseguiu realizar sua vontade de gerar uma criança.

“Hoje, a minha vida é toda por conta dele”, afirma. “Busco alternativas de mudança, de crescimento, tanto meu, quanto dele”, conta Danda, que se mudou para o Rio de janeiro com a promessa de ser técnica em um time. Ao chegar na cidade, o clube de fato existia, mas não era bem como havia prometido, Arthur, seu filho de 14 anos, ficou um tempo vivendo no alojamento, mas ele não estava em boas condições. Até que eles conseguiram receber proposta de outro time.

“Prefiro comprar um doce do que voltar ao tráfico, não volto”, conta. Danda não quer voltar aquele mundo de forma alguma, e ainda afirma que conseguiu se sustentar assim durante todos esses anos.

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