Bolsonaro avalia e conversa com marqueteiros sugeridos por ministros e por Valdemar Costa Neto

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Agência Estado
 

 (crédito: Renan Olaz)

(crédito: Renan Olaz)

A intenção de profissionalizar o marketing da campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro esbarrou no vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Ao filho “zero dois” é atribuída a estratégia da campanha digital vitoriosa do presidente nas redes sociais em 2018. Por influência da ala política do governo, no entanto, Bolsonaro avalia e conversa com marqueteiros sugeridos por ministros e por Valdemar Costa Neto, mandachuva do PL. Um dos cotados para assinar os programas do presidente é o publicitário Duda Lima, homem da confiança de Costa Neto.

Mesmo assim, Bolsonaro já deixou claro que Carlos vai manter a comunicação digital sob seu controle. Enquanto políticos do Centrão que participam do núcleo da campanha defendem contratar um marqueteiro do ramo, os bolsonaristas mais ligados à “direita raiz” e o próprio presidente confiam no tino de Carlos, a quem já respondiam os integrantes do grupo conhecido no Palácio do Planalto como “gabinete do ódio”.

Ministros palacianos dão como certo que, mesmo com um profissional de publicidade do agrado de Bolsonaro, o comando da comunicação será compartilhado com Carlos. A ideia é que o vereador continue desempenhando papel central nas redes sociais do presidente, estimulando a guerra virtual para atacar opositores e desafetos do governo.

 Bolsonaro tem 43 milhões de seguidores em perfis e contas oficiais no Facebook, Instagram, YouTube, Twitter, Tik Tok e Telegram. Conta, ainda, com um emaranhado de páginas apoiadoras, batizadas internamente de “satélites”, além de grupos de aplicativos de mensagens no WhatsApp e redes mais recentes adotadas pela direita, como o Gettr, e a Bolsonaro TV.

Com frequência, o monitoramento de adversários políticos e empresas do ramo identifica o uso de contas automatizadas pró-Bolsonaro, os robôs, com disparos de mensagens favoráveis ao presidente ou de conteúdo difamatório contra rivais, a partir de países da Ásia ou do Leste Europeu. Essa rede digital chegou a ser alvo de apurações no Supremo Tribunal Federal, na CPMI das Fake News e também no Tribunal Superior Eleitoral.

Mambembe

O presidente resiste a dar poder a um marqueteiro que não seja próximo de seu círculo mais íntimo. Nas conversas com aliados, ele sempre repete que conseguiu chegar ao Planalto, em 2018, a partir de uma estratégia “amadora”. À época, tudo deixava transparecer ações de improviso e estética mambembe. Para Bolsonaro, isso pode dar certo novamente.

Em dezembro, o presidente garantiu que não pretendia contratar um marqueteiro experimentado. “Não vou contratar marqueteiro, não é essa a intenção. Devo ter produtores de imagens. Nós temos imagens para mostrar armazenadas das minhas viagens pelo Brasil todo”, argumentou ele.

A cúpula da campanha bolsonarista, no entanto, deu sinais de que o presidente vai ceder à contratação de um profissional, algo de que seus principais adversários não abrem mão. Além de Costa Neto, insistem nessa tese os ministros Fabio Faria (Comunicações) e Ciro Nogueira (Casa Civil).

A principal justificativa para que um marqueteiro de renome seja chamado é a demanda de produção de programas eleitorais e inserções para rádio e TV. Há agora a previsão de uma aliança com partidos do Centrão, e não mais os 7 segundos da época em que Bolsonaro era filiado ao PSL.

A exposição aumentará ainda mais se o chefe do Executivo disputar o segundo turno. “Vai ter, sim, uma coordenação profissional. O presidente Valdemar tem estudado bastante isso e trabalhado”, disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao canal CNN, citando o presidente do PL.

Assim como Costa Neto, Duda Lima é de Mogi das Cruzes e tem parentes no PL. Costuma dar cursos e orientar candidatos do partido a cargos no Legislativo e já trabalhou em campanhas para prefeituras do Estado de São Paulo. Em 2016, ele foi marqueteiro do deputado Celso Russomanno (Republicanos-SP), então candidato a prefeito de São Paulo.

Ao Estadão, Duda disse que ainda não foi procurado para tratar da campanha do presidente. “Ninguém do partido falou comigo. Faço trabalhos pontuais para o PL há bastante tempo”, afirmou.

Na semana passada, Bolsonaro conversou com o estrategista pernambucano Paulo Moura, da Exata Inteligência Política, levado pelo ministro do Turismo, Gilson Machado. As conversas, porém, não deslancharam. Moura disse ao Estadão que não recebeu nenhuma proposta após o encontro com o presidente.

Sérgio Lima, publicitário da agência S8.Wow, também é lembrado para a função. Lima atuou no projeto do Aliança pelo Brasil, partido que não saiu do papel, mas ainda não teve conversas com Bolsonaro e Costa Neto.

Rivais

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem no comando de comunicação da campanha o jornalista e ex-ministro Franklin Martins, mas o PT ainda negocia a contratação dos publicitários Raul Rabelo ou Sidônio Palmeira, ambos baianos.

O nome de maior cacife e experiência no páreo presidencial é o de João Santana, marqueteiro contratado por Ciro Gomes (PDT). Santana assinou campanhas petistas no passado, como as de Lula e Dilma Rousseff. Após ser preso, virou colaborador da Lava Jato.

Já o governador de São Paulo, João Doria, pré-candidato do PSDB, é orientado pelo marqueteiro Daniel Braga. O publicitário Fernando Vieira, que atende o Podemos, colabora com a campanha de Sérgio Moro. Nada, porém, está fechado, tanto que Moro ainda avalia contratar outro profissional.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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(Vitor Hugo Soares)

jan
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Posted on 24-01-2022
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DO SITE O ANTAGONISTA
Ninguém vai se esquecer
 

O Estadão, em editorial, diz que “parte do eleitorado está se esquecendo de quem é Lula”.

Não é verdade. Não houve esquecimento. A memória do mensalão e do petrolão jamais será cancelada. O que houve foi uma campanha imunda para minorar os crimes do lulismo. Em parte, porque os crimes do bolsonarismo foram mais perversos. Em parte, porque os próprios bolsonaristas se engajaram na campanha para emporcalhar a imagem de Sergio Moro e da Lava Jato, perfumando a folha corrida de Lula.

 

Neste momento, de fato, o lulismo nem precisa atacar diretamente Moro – o bolsonarismo se encarrega disso, em conluio com os apadrinhados dos quadrilheiros empoleirados em órgãos institucionais.

O bolsonarismo, estupidamente, acredita que, para derrotar Lula, parte do eleitorado vai se esquecer de quem é Bolsonaro. Mas ninguém vai se esquecer de nada.

jan
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DUKE no jornal O Tempo (MG)

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DO CORREIO BRAZILIESE

Dayana Bárbara dos Santos, a Danda, morou na rua durante 12 anos. Hoje, ela comemora sua aprovação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro

AL
Ana Luisa Araujo
 

 (crédito: Arquivo pessoal)

(crédito: Arquivo pessoal)

Moradora do Rio de Janeiro há sete meses, Dayana Bárbara dos Santos, 36 anos, viveu em Brasília por muitos anos. Durante esse tempo, por não se dar bem com o pai, que bebia muito e morava em Santo Antônio do Descoberto (GO), entorno de Brasília, acabou indo parar nas ruas da capital brasileira. Danda, como gosta de ser chamada, diz que sempre foi uma moradora de rua diferente. Ela sempre estudou e, graças a esse esforço, os estudos a levaram a uma conquista fenomenal, a recente aprovação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) no curso de letras.

“Eu sempre quis a UnB [Universidade de Brasília], mas ela não me quis”, conta, sorridente, ao falar de sua aprovação na estadual carioca.

Natural do Maranhão, Danda afirma que não se lembra de como veio parar em Santo Antônio do Descoberto (GO), distante apenas 50 km do Plano Piloto. “Não me pergunte como, porque uma parte da minha família conta uma história, mas a outra parte diz outra”, revela.

A vendedora ambulante só se lembra de que, por volta de oito anos, decidiu sair de casa por causa dos conflitos com o pai e passou a frequentar as ruas de Santo Antônio do Descoberto. Tempos depois, ela estava em Brasília, em situação de rua, onde ficou por 12 anos.

De acordo com a universitária, a liberdade das pessoas que viviam na rua era algo com que ela se identificava. Ela queria experimentar essa sensação, principalmente porque sofria violência em casa. “Fui embora sem contar com nenhuma pessoa”, afirma. Aqueles que viviam em situação de rua estavam sempre alegres, lembra ela. Não existia tristeza ou espaço para vida pacata.

Na primeira noite, porém, Danda não dormiu, teve tanto medo que foi para o conselho tutelar. De lá, seguiu para um abrigo de Taguatinga, de onde, depois de um mês, fugiu. Ela queria achar seu lugar; fez, então, da rua sua morada. Mas, diferentemente de outros indivíduos em situação de rua, não usou drogas durante um bom tempo, porque tinha medo de perder o controle de si mesma, e estava sozinha naquele local.

“Demorei um pouco a entrar nesse universo, na verdade, fiquei sempre com muito medo de coisas que não conseguia ter o controle”, conta. “Eu ficava na rua, mas quando via que estava apertado demais, a polícia reprimindo muito a galera ou sendo muito violenta,dava um jeito de correr para o abrigo”, continua.

A vendedora ambulante diz que nunca sofreu violência de pessoas que moram na rua, mas de policiais, sim. “Tanto na questão da violência física quanto sexual”, afirma. “O Estado sendo o Estado”, lamenta.

“Na rua, a gente só pernoita”, afirma. Segundo a caloura de letras da Uerj, quando a situação apertava e ela corria para o abrigo, era para se libertar um pouco desse mundo. O abrigo era um local para dormir, comer bem e estar em segurança.

A mudança

Desde os 14 anos, Danda dos Santos frequentou a Escola Meninos e Meninas do Parque, situada no Parque da Cidade Sarah Kubitschek, no centro de Brasília. A instituição é destinada especialmente a pessoas em situação de rua. Foi nela que a vendedora ambulante conseguiu concluir o ensino médio e tirar seu diploma. Como foi dito, ela vivia nas calçadas, mas era diferenciada, pois sempre estudou.

Ela sempre buscou estudar, ler e, principalmente, escrever. Apesar de ter estudado na Escola do Parque, Danda também passou por uma escola de Taguatinga, enquanto estava no abrigo, e lá se formou no ensino médio, em 2014.

“Sempre gostei de estar por dentro das coisas que me moviam e a educação é uma dessas coisas”, afirma. Na visão dela, o sonho de entrar em uma universidade não é para ela como é para outras pessoas, para ela o cenário era mais difícil. Geralmente, saindo do ensino médio, o estudante ingressa no ensino superior, por volta de 18 anos, mas essa não era a realidade de Danda.

Segundo conta, a preparação que fez não foi para a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), mas para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Todo ano ela fazia o Enem, e melhorava suas notas.

Ela alugava celular para poder estudar duas horas por dia por meio de vídeos no YouTube. Vendedora ambulante durante o dia, durante à noite estudava, mas ainda ajudava seu filho com as atividades da escola.

“Entrei por cotas. Fiquei em sexto com minha nota do Enem, o que me ajudou muito foi a nota da redação, eu consegui tirar 770”, lembra.

Danda também considera injusto o ensino superior no país, uma vez que aqueles que tiveram acesso a escolas particulares conseguem entrar sem muitas dificuldades numa universidade pública, e quem estudou toda a vida em colégios públicos tem um desafio maior.

Vendedora

Apesar de ser um destaque, ainda vivenciava os mesmos problemas que seus companheiros. Danda vendia drogas para conseguir um trocado, e quando completou 17 anos, ela começou a usar. Só parou quando descobriu que estava grávida, aos 20 anos. Foi nesse momento também, que ela decidiu se movimentar e sair da situação de rua.

“Comecei a entender que precisava de uma fonte de renda, de onde eu pudesse tirar sustento para existir, e aí fui atrás”, conta. Desde então, ela passou a comprar doces e vender como ambulante na Rodoviária do Plano Piloto. No entanto, sempre teve o sonho de ser técnica de futebol, uma vez que gostou, durante toda a vida, de esporte.

Para conceber seu filho, ela diz que foi uma dificuldade, uma vez que gostaria de ser mãe, mas só se relacionava com mulheres. Na época então, por volta de 2008, ela se envolveu com um rapaz e conseguiu realizar sua vontade de gerar uma criança.

“Hoje, a minha vida é toda por conta dele”, afirma. “Busco alternativas de mudança, de crescimento, tanto meu, quanto dele”, conta Danda, que se mudou para o Rio de janeiro com a promessa de ser técnica em um time. Ao chegar na cidade, o clube de fato existia, mas não era bem como havia prometido, Arthur, seu filho de 14 anos, ficou um tempo vivendo no alojamento, mas ele não estava em boas condições. Até que eles conseguiram receber proposta de outro time.

“Prefiro comprar um doce do que voltar ao tráfico, não volto”, conta. Danda não quer voltar aquele mundo de forma alguma, e ainda afirma que conseguiu se sustentar assim durante todos esses anos.

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