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ARTIGO/JB

Centenário de Brizola

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Por EVERTON GOMES

Neste 22 de janeiro, Leonel Brizola faria 100 anos. Brizolistas, em todo o país, vão lembrar da data. Aquariano e festeiro, Brizola, se estivesse vivo e com saúde, iria comemorar o seu centenário com os amigos e com sua família.

Como aconteceu com o arquiteto Oscar Niemeyer (amigo de Brizola e criador de vários projetos inaugurados nos dois governos do ex-governador pedetista), que, em 2007, quando completou 100 anos, perfeitamente lúcido e ativo, recebeu a mais alta condecoração do governo francês (Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra) pelo conjunto de sua obra, a Ordem da Amizade, pelo governo da Rússia, entre outras homenagens.

Por causa do agravamento pandemia, a celebração oficial pelo centenário de Leonel Brizola, em Brasília, foi adiada. Mas, muita gente vai homenagear o político pelas redes sociais e virtualmente.

Nascido em 22 de janeiro de 1922, no povoado de Cruzinha, que pertenceu a Passo Fundo e, depois, à jurisdição de Carazinho, no Rio Grande do Sul, Brizola sempre considerou sua data de nascimento como um sinal. Ele adorava o número 22. E, ficava feliz, também, pelo fato de ter nascido no ano da revolucionária Semana da Arte Moderna, que aconteceu em São Paulo.

Apaixonado pelo futuro, Brizola teve uma infância difícil, passou por muitas limitações, desde que nasceu. Mas, nada impediu que ele se tornasse grande estadista, visionário, apaixonado pelo trabalhismo que aprendeu, na teoria e na prática, em sua convivência com Getúlio Vargas e João Goulart, além de outras lideranças.

Brizola não era um homem só. Carismático, vivia rodeado de amigos e seguidores. Tanto nas horas de grandes vitórias, como nos momentos de derrotas eleitorais. Ele nunca estava sozinho. Sempre tinha com quem dialogar e conversar sobre novos caminhos, novos projetos.

Tradicional e moderno, apaixonado pela juventude, pelo povo, pela educação, Brizola foi um menino pobre. Quinto filho do agricultor José de Oliveira Brizola e de Oniva de Moura Brizola, perdeu o pai quando tinha um ano de idade.

O pai de Brizola foi morto por tropas governistas, ao final da guerra civil de 1923, que aconteceu em resistência à eleição de Borges de Medeiros para o quinto mandato na presidência do Rio Grande do Sul.

O nome de batismo de Brizola era Itagiba. Em homenagem ao líder da revolução de 1923, quando já tinha idade para decidir sobre sua própria vida, o ex-governador mudou seu nome para Leonel (ao invés de Itagiba) Brizola.

Casada pela segunda vez, com o agricultor e viúvo João Gregório Estery (que também tinha 5 filhos), dona Oniva e a família passaram por muitas dificuldades financeiras.

Brizola começou a trabalhar, ainda menino. Foi alfabetizado pela mãe. Mais tarde, mudou-se com a irmã, Francisca, para Passo Fundo. Estudou em escola pública municipal. Voltou para Carazinho (onde estava sua mãe) e concluiu o curso primário em colégio da igreja metodista.

Aos 14 anos, o menino pobre mudou-se para Porto Alegre. Com uma carta de recomendação do prefeito de Carazinho, Albino Hillebrand, correu atrás de trabalho e estudo.

Diplomou-se como técnico rural, pela atual Escola Técnica de Agricultura (que, na época, se chamava Instituto Agrícola de Viamão), em 1939. Aos 17 anos.

Arrumou emprego em uma refinaria de petróleo, na capital gaúcha, e, mais tarde, foi nomeado funcionário do Departamento de Parques e Jardins da Prefeitura de Porto Alegre.

Brizola sempre foi disciplinado com os estudos. Fez o curso supletivo, e, em 1945, entrou para a Escola de Engenharia da Universidade do Rio Grande do Sul.

Foi nessa época que ele conheceu João Goulart e, logo depois, Getúlio Vargas.

Levado por Jango, visitou muitas vezes Getúlio Vargas, desde que o ex-presidente, deposto em outubro de 1945, isolou-se em seu sítio, em Itu ( perto de São Borja). E criou (em maio e abril de 1945) os históricos PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e PSD (Partido Social Democrático).

Brizola filiou-se ao PTB de Getúlio Vargas e João Goulart em agosto de 1945. Ao lado de líderes sindicais e operários. A principal linha ideológica do PTB era a defesa dos direitos do trabalhador e do povo.

Embora deposto em outubro de 1945, Getúlio foi eleito senador pelo PTB do Rio Grande do Sul e de São Paulo, além de deputado federal por 20 estados do Brasil (a lei eleitoral era mais flexível, nesse ponto).

Estudante de engenharia, foi eleito pela primeira vez (deputado estadual), nas eleições de janeiro de 1947.

 O ex-governador casou-se com dona Neuza Goulart em 1950. Getúlio Vargas foi padrinho de casamento.

Junto com João Goulart, Brizola foi um dos principais articuladores da campanha “Ele vai voltar”, criada por lideranças populares para que Getúlio Vargas voltasse ao poder, nas eleições diretas de 1950.

Getúlio foi eleito presidente da República, em 1950, com ampla maioria de votos. Derrotou o Brigadeiro Eduardo Gomes (que articulou a derrubada de Vargas em 1954).

Em outubro de 1954, meses após a morte de Vargas, Brizola foi eleito deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul.

No cenário nacional, tornou-se o grande adversário político de Carlos Lacerda. E, combateu a UDN (partido criado pelos opositores de Getúlio Vargas) até o fim.

 Ele sempre dizia que Getúlio Vargas era o seu grande mestre político.

Depois da morte de Vargas, Brizola foi eleito prefeito de Porto Alegre, em 1955 (mesmo ano em que Juscelino Kubitschek e João Goulart venceram as eleições para presidente e vice-presidente da República).

Deu apoio ao Marechal Henrique Lott, quando ele garantiu a posse de JK, em 1956.

Eleito governador do Rio Grande do Sul, em 1958, consolidou sua trajetória em favor da Educação e Saúde Pública, do saneamento básico e da defesa das classes trabalhadoras.

Nacionalista e contra o imperialismo, governante com vontade política, Brizola fez algumas encampações, quando esteve à frente do governo gaúcho.

Pelo preço simbólico de um cruzeiro, encampou a Companhia de Energia Elétrica Rio-Grandense, filial da Bond & Share, proprietária da rede de distribuição na Grande Porto Alegre. Grande parte da população vivia às escuras. Brizola alegou ineficiência da empresa, após várias tentativas de negociações, e anunciou a expropriação da CEE e a criação de uma estatal para assumir suas atribuições.

Líder da Campanha da Legalidade, que garantiu a posse de João Goulart na presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, Brizola deixou seu nome na história brasileira, antes mesmo de enfrentar os militares e as classes conservadoras, a partir de 1964, quando foi deposto o ex-presidente João Goulart e o país passou a ser governado por ditadores, sem o voto popular.

São muitas as histórias sobre Leonel Brizola

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