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Em entrevista coletiva, Rui Costa disse que ainda não é possível dizer quando começará a reconstrução das áreas destruídas pelas enchentes que atingem o estado neste mês; enquanto isso, de férias e pescando, o presidente da República vira assunto mais comentado do Twitter: ‘Bolsonaro vagabundo’

 Foto: Reuters/Amanda Perobelli
Credit… Foto: Reuters/Amanda Perobelli

Por JORNAL DO BRASIL

O governador da Bahia, Rui Costa , disse nesta terça (28) que o estado atravessa “o maior desastre natural da história”. Em entrevista coletiva, Costa disse que ainda não é possível dizer quando começará a reconstrução das áreas destruídas pelas enchentes que atingem o estado neste mês.

“A Bahia está devastada e ainda não é possível estipular quando as estradas vão ser recuperadas. Não sabemos a extensão. Vamos ter que olhar, caso a caso, a solução técnica. Em alguns lugares vamos ter que mudar a opção. Uma ponte de 50 metros de largura, por exemplo, que foi levada pela água pode ser um pouco maior, com 70 metros, para facilitar a passagem do rio”, adiantou.

Ainda segundo Costa, não será permitido que casas voltem a ser construídas em áreas de risco, próximas a rios ou em terrenos propensos a deslizamentos. O governador esclareceu que a prioridade das obras serão pontes e estradas essenciais que ligam os municípios a outras regiões e que estejam em locais de mais fácil acesso.

Números

Já são 116 municípios afetados e o número de cidades que decretaram situação de emergência chega a 100. Segundo a Defesa Civil da Bahia, até o momento, 470 mil moradores foram prejudicados de alguma maneira pelos temporais. As enchentes do estado já deixaram 20 mortos e mais de 31 mil desabrigados.

“A sensação que nós temos é, pelas imagens que vemos, de um grande bombardeio em todo o estado”, disse o governador. Ele acrescentou que pelo menos 50 cidades tem casas embaixo d’água. “Agora que a água começa a baixar, a gente vê o estrago que foi feito em casas de pessoas simples, que fizeram um esforço danado para erguê-las.”

Auxílio

Sem adiantar quanto será dado a cada família, Rui Costa reiterou o apelo feito ontem (27) para que prefeitos façam os cadastros das pessoas afetadas pelas enchentes. “Vamos fazer um valor de auxílio financeiro para essas famílias, mas precisamos primeiro entender quantas pessoas foram prejudicadas.”

O governador está em Ilhéus, onde estão centralizadas as operações para atender a população afetada. Na entrevista, ele agradeceu a ajuda de diversos estados entre eles Maranhão, Ceará, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso e o Distrito Federal, que já anunciaram ajuda com recursos, donativos e até envio de bombeiros para socorrer a população.

Sobrevoo

Na manhã desta terça-feira (28) está previsto um sobrevoo de três ministros – João Roma (Cidadania), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Marcelo Queiroga (Saúde) – sobre as áreas mais afetadas pelas chuvas e enchentes no sul da Bahia.

“Todo Sentimento”: linda canção de um tempo da delicadeza em exuberante interpretação das baianinhas do Quarteto em CY. Formidáveis todas elas, mesmo quando apenas uma delas canta a música inteira, praticamente. Mas o final, todas juntas, é simplesmente sensacional. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

TCU determinou que empresa divulgue o valor recebido por Moro na rescisão de contrato. MP acusa o ex-juiz de ajudar empresas envolvidas na Lava-Jato

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Ana Mendonça – Estado de Minas
 

 (crédito: PODEMOS/REPRODUÇÃO)

(crédito: PODEMOS/REPRODUÇÃO)

O pré-candidato à Presidência Sergio Moro (Podemos) repudiou a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) para que a consultoria Alvarez & Marsal divulgue o valor recebido por ele na rescisão de contrato.

O ex-juiz da Lava-Jato deixou a empresa em 31 de outubro deste ano para poder iniciar uma carreira política.

“Trabalhei 23 anos na carreira pública. Lutei contra a corrupção neste país como ninguém jamais havia feito. Deixei o serviço público e trabalhei honestamente no setor privado para sustentar minha família. Nunca paguei ou recebi propina, fiz rachadinha ou comprei mansões”, publicou em suas redes.

No post, Moro também disse que não enriqueceu no setor público e nem no privado, não atuando em casos de conflito de interesses. “Repudio as insinuações levianas do Procurador do TCU a meu respeito e lamento que o órgão seja utilizado dessa forma”, afirmou.

Decisão do TCU

Mais cedo, o TCU determinou que a consultoria americana Alvarez & Marsal divulgue quanto o candidato à Presidência Sergio Moro (Podemos) recebeu ao deixar a empresa.

A decisão foi do ministro Bruno Dantas, que determinou que a firma deve enviar “toda a documentação relativa ao rompimento do vínculo de prestação de serviços” com o ex-juiz Sérgio Moro, incluindo “datas das transações e valores envolvidos”.

O ministro acatou um pedido deito pelo Ministério Público, que argumentou que a Corte deve obter as informações para avaliar se houve suposto conflito de interesses ou ainda “favorecimentos, manipulação e troca de favores entre agentes públicos e organizações privadas”.

Moro ficou conhecido por comandar, entre março de 2014 a novembro de 2018, em primeira instância, os processos relacionados aos crimes identificados na Operação Lava-Jato, envolvendo grande número de políticos, empreiteiros e empresas.

O ex-juiz começou a trabalhar na Alvarez & Marçal depois que deixou o cargo de ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL). Na empresa, Moro trabalhou para a recuperação de companhias afetadas pela Lava-Jato.

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Posted on 29-12-2021
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Charge do Amarildo
Amarildo, no Blog do Noblat (Política)

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Posted on 29-12-2021
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DO CORREI BRAZILIENSE/ ESPECIAL: E AGORA, BRASIL?

Identificação com Bolsonaro permanece, mas aliança com Centrão e candidatura de Moro influenciam mudança de voto

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Ingrid Soares
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Cristiane Noberto
 

 (crédito: Marcos Corrêa/PR)

(crédito: Marcos Corrêa/PR)

Berço de formação de Jair Bolsonaro, as Forças Armadas compõem uma parcela importante da base política do presidente da República. A tendência, nas eleições do próximo ano, é de que o ex-capitão continue com o apoio dos militares. Entretanto, uma parte dos fardados busca uma alternativa, em reação à aproximação do presidente com o Centrão, bloco até então criticado por ele próprio. Se em 2018 militares bolsonaristas cantarolavam “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”, em 2021, o presidente cerrou fileiras com o PL de Valdemar Costa Neto, condenado no caso mensalão.

A parcela de militares decepcionada com Bolsonaro tende a apoiar um ex-colaborador do presidente: o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos). Um outro grupo, menor, pode ainda votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A fim de evitar a sangria eleitoral, Bolsonaro tem se empenhado em manter a adesão dos fardados de baixa patente, além das polícias militares e federais. O reajuste salarial incluído no Orçamento de 2022, manobra que enfureceu diversas categorias do funcionalismo público, faz parte desse movimento.

Para os bolsonaristas, no entanto, essas flutuações não alteram o quadro geral. Na avaliação do deputado federal Capitão Augusto (PL-RS), o apoio dos militares ainda é majoritário ao presidente. “Os militares se identificam demais com o presidente, não é de agora. São mais de 30 anos da vida pública dele. Bolsonaro vai ter total apoio novamente. Não acredito que militares deixariam de votar no Bolsonaro para votar no Moro”, avalia.

“Vejo que, internamente, na caserna, o pessoal tem uma admiração muito grande por Moro pelo período em que ele esteve à frente da Lava Jato. Mas daí achar que o pessoal vai deixar de votar no Bolsonaro para votar em Moro, é um longo passo. Para a reeleição, Bolsonaro vai continuar contando com o total apoio dos militares, não só das Forças Armadas, mas das polícias militares e bombeiros do país”, acredita o parlamentar.

Interlocutores do Ministério da Defesa ouvidos pelo Correio, em caráter reservado, apontam que ainda não há uma alternativa na terceira via que se sustente. “O Bolsonaro parece bobo, mas é um excelente estrategista. Cada vez mais os militares irão se inserir na política. Não raciocinamos com desgaste da instituição”, descreve um oficial.

Para Raquel Borsoi, analista de risco político da Dharma Politics, não é possível determinar com precisão a forma como as Forças Armadas irão se comportar em 2022. “Podemos pensar em representantes das Forças que estão bem envolvidos no universo da política e que, provavelmente, permanecerão alinhados ao presidente, como é o caso do ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Mas não é o retrato fiel de todo o grupo, como se ele fosse homogêneo”, argumenta.

 

Ela cita, por exemplo, o general Santos Cruz, que se juntou a Sergio Moro. “Ele é um contraponto ao consenso errôneo de que as Forças Armadas, em sua integralidade, estão alinhadas a Bolsonaro. Santos Cruz será um interlocutor entre Moro e parte do setor que, assim como ele, tem certa frustração com Bolsonaro”, acredita Borsoi. “É importante lembrar que candidatos à esquerda também têm estabelecido diálogos com as Forças, como Lula e Ciro, o que confirma o fato de que elas se tornaram atores relevantes no processo político”, observa.

O cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, também considera forte o vínculo de Bolsonaro com militares, mas não vê politização nos quartéis. “Uma coisa são as pessoas que ocupam posições no governo, por escolha do presidente; outra coisa são as Forças Armadas serem usadas politicamente, o que não acho que esteja acontecendo. Não tem uso político das Forças Armadas como instituição”, acredita Noronha. “Elas não têm se envolvido em batalhas ou apoios políticos do presidente de forma ostensiva. Existe sim, participação grande, mas não quer dizer maior politização da instituição como um todo”, acrescenta.

Ele também aposta em uma fissura nas eleições, mas não crê em erosão de votos na candidatura do presidente. “Uma parte (dos militares) deve aderir à campanha de Moro, mas, majoritariamente, vai com Bolsonaro. A tendência é de que, independentemente do resultado da eleição, as Forças mantenham o comportamento institucional. Isso significa respeitar o resultado das urnas sem qualquer tipo de problema ou posicionamento contrário ao que for manifestado pelas urnas”, ressalta Noronha.

Na visão de Pedro Célio Borges, sociólogo e analista político, o comportamento de Bolsonaro nos últimos tem sido nocivo para as Forças Armadas. “Durante um bom tempo, até o 7 de setembro deste ano, Bolsonaro atacou a ordem democrática e procurou subordinar as Forças Armadas a um ditame”, opina. “Porém, tentou fazer isso utilizando os membros mais decisivos e importantes e não as Forças Armadas como instituição. Esse envolvimento não tem sido bom e fez com que militares se sintam incomodados”, avalia.

Segundo Borges, os fardados se dividem entre apoio e desgaste da imagem do presidente dentro dos quartéis. “Bolsonaro continua com grande apoio no meio militar, mas não é irrestrito, nem absoluto como vinha sendo. Vão começar a surgir vozes dissidentes”, frisa.

Frequência nas solenidades

Além de contar com diversos integrantes das Forças Armadas, Bolsonaro frequentemente demonstra apreço com a corporação que serviu durante 15 anos. Segundo levantamento do Correio, Bolsonaro esteve em 43 solenidades militares este ano. Ele intensificou a frequência nos meses de agosto (nove participações) e novembro (oito). Em dezembro, até o dia 17, Bolsonaro compareceu a cinco cerimônias.

A predileção pelos militares ocorre até nos momentos de lazer. Pela terceira vez, Bolsonaro passará os festejos de fim de ano em uma instalação castrense. Ele e família ficarão hospedados no Forte Marechal Luz, localizado na Praia do Forte, Santa Catarina.

A agenda deixa claro a preferência e o compromisso central do presidente às Forças Armadas em detrimento à pandemia de covid-19.

Em 11 de dezembro, durante cerimônia de Declaração de Guardas-Marinha, que formou 197 aspirantes da força, disse que com seu governo, as Forças Armadas “voltaram ao cenário nacional”. “As Forças Armadas, há pouco tempo esquecidas, hoje voltam ao cenário nacional. O nosso trabalho cada vez mais vem sendo reconhecido por toda a nação”, discursou na data.

Outro gesto do presidente em favor dos militares foi o reajuste das carreiras de policiais. Segundo a proposta aprovada no Congresso, o reajuste terá um custo de R$ 2,8 bilhões para os cofres públicos apenas no primeiro ano.

O chefe do Executivo destacou que a reestruturação é uma forma de “corrigir injustiças” e que é necessário a valorização das polícias. As mudanças deverão englobar integrantes da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e valerão a partir de 2022.

Seis perguntas para General Santos Cruz (Podemos)

Como vê a aproximação das Forças Armadas na política? Há um desgaste institucional?

Como instituição, as Forças Armadas têm que ficar sustadas da política. Não são instrumento de jogo político, como o Bolsonaro quis. A cultura das Forças Armadas é bem forte e nada tem a ver com política. Não há desgaste, pois as Forças Armadas, como instituição, estão completamente fora da política. Aqueles que estão expostos não representam as Forças.

Por quê?

O fato de levar o título, patente, é ligado ao nome da pessoa. Isso pode dar essa percepção institucional. Mas os militares não têm lado. Uma coisa é o militar como eleitor, como cidadão. Mas institucionalmente, ele não adota lado nenhum. Não tem a mínima chance ou abalo por candidato a B ou C.

Moro terá força entre os militares?

Não posso falar pelos militares, pois estou sem contato com o Exército. Mas é uma tendência normal que o nosso eleitorado vá votar em uma pessoa equilibrada. A decepção com Bolsonaro é geral, para o eleitorado dele como um todo.

O que aconteceu?

Ele traiu o país inteiro, os eleitores, o discurso dele. Falou que era contra reeleição, discursou sobre combate a corrupção porque a Lava-Jato estava em alta. No final, não fez nada. Prometeu que ia acabar com o toma lá dá cá, velha política, mas nunca falou o que era a nova política.

Como enxerga a aproximação de Bolsonaro com o Centrão a filiação dele ao PL?

É uma contradição com o que ele falou, o descumprimento de sua palavra. O Centrão não é um partido político; é um grupo de pessoas que só têm interesses pessoais. É claro que alguns partidos se confundem mais com isso, mas na prática, são apenas pessoas defendendo os próprios interesses, custe o que custar.

Quais bandeiras o senhor quer levar ao Congresso, caso seja eleito?

Ainda estou sem definição [para qual cargo], pois vou discutir com o Podemos para ver o plano do partido, não sou cacique. O meu primeiro objetivo político é que a gente não eleja de novo nem o Bolsonaro nem o Lula, pois já tiveram a oportunidade deles.

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