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Postado em 25-12-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 25-12-2021 01:50
Gabriel Boric, candidato progressista do Chile , é eleito presidente - CUT - Central Única dos Trabalhadores

Gabriel Boric, 35 anos, roqueiro, de esquerda,

vai governar o Chile.

ARTIGO DA SEMANA

Boric, Lula, Bolsonaro: novos sinais sopram do Chile

Vitor Hugo Soares

Partiu de Gabriel Boric, eleito no Chile, domingo 19, com 55% dos votos válidos, – ex-líder estudantil, 35 anos, fã dos roqueiros K-Pop e Taylor Swift, com tatuagens no braço e anunciando investimentos maciços na área Cultura, depois de ter recebido menos votos que o ultra direitista José Antonio Kast, no primeiro turno – o grito inesperado e cheio de signos políticos e de comunicação que vem dos novos ares que sopram de Santiago, ao pé da Cordilheira dos Andes. Sinais de comportamento e de fala que repercutem no Brasil, a caminho de eleições do ano que vem: “Sou da Patagônia Austral, onde começa o mundo e onde se fundem todos os contos e o imaginário do planeta, no Estreito de Magalhães, que inspirou tantos romances” disse Boric, ao comemorar a chegada ao mando, como mais jovem mandatário da história de seu País. Sinalização que vale para Lula, Bolsonaro, Moro, Miro, Dória, Simone…

E não ficam nisso os sinais andinos merecedores de atenção na campanha brasileira. A começar pelo líder nas pesquisas, ex-presidente Lula, que, domingo mesmo fazia discurso na base do “já ganhou”, – na eleição que ainda se dará em 2 de outubro de 2022 – em jantar com o tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo. Outro sinal do vitorioso chileno, depois da larga caminhada pelas ruas e palanques de todas as regiões: ”Vou ser presidente de todos os chilenos. Acho importante ter interlocução com todos e os acordos devem ser entre todas as pessoas e não entre quatro paredes”, disse Boric, que chega limpo, solteiro e sem amarras aparentes ao comando da nação andina.

Mal (ou bem?) comparando, o joven presidente eleito parece saído das páginas do livro autobiográfico do poeta Nobel de Literatura, Pablo Neruda, “Confesso que Viví”. Em particular no caítulo em que o poeta fala das mudanças em seu destino e na sua obra, a partir de seu ingresso na política, quando foi eleito senador. Á política veio como um trovão desviar-me dos meus trabalhos. Regressei uma vez mais à multidão. A multidão humana foi a maior lição da minha vida… Solidão e multidão: Na solidão, a minha vida enriqueceu-se com a batalha da ondulação no litoral chileno, mas aprendi muito mais com a grande maré das vidas, com a ternura vista em milhares de olhos que me viam ao mesmo tempo. Esta mensagem pode não ser possível a todos os poetas, mas quem a tenha sentido guarda-la-á no coração e na sua obra. É memorável e desvanecedor para o poeta ter encarnado para muitos homens, durante um minuto, a esperança”.Ponto.

Ex-líder acadêmico, roqueiro que gosta e fala de música, poesia e cultura, seguramente Boric terá bebido desta motivadora inspiração intelectual e política, marcante em seu País e no continente. O jovem presidente eleito, porém,  representa uma esquerda renovada e revitalizada, desde os grandes protestos da classe média e baixa sufocada no Chile, endividada, “ para pagar a educação, a saúde e a previdência privada”, como denunciou Boric, nas ruas que agora o consagram.Experiência individual, sim. Mas o exemplo e os signos são continentais. Válidos para candidatos diversos nas presidenciais de 2022 por aqui: de Lula a Bolsonaro, de Moro a Ciro, de Dória a Tebet e Pacheco. É como ensina Paulinho da Viola em seu samba: “As coisas estão no mudo, só que é preciso aprender”.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitors.h@uol.com.br


 


 


 


Boric, Lula, Bolsonaro: novos sinais sopram do Chile

Vitor Hugo Soares

Partiu de Gabriel Boric, eleito no Chile, domingo 19, com 55% dos votos válidos, – ex-líder estudantil, 35 anos, fã dos roqueiros K-Pop e Taylor Swift, com tatuagens no braço e anunciando investimentos maciços na área Cultura, depois de ter recebido menos votos que o ultra direitista José Antonio Kast, no primeiro turno – o grito inesperado e cheio de signos políticos e de comunicação que vem dos novos ares que sopram de Santiago, ao pé da Cordilheira dos Andes. Sinais de comportamento e de fala que repercutem no Brasil, a caminho de eleições do ano que vem: “Sou da Patagônia Austral, onde começa o mundo e onde se fundem todos os contos e o imaginário do planeta, no Estreito de Magalhães, que inspirou tantos romances” disse Boric, ao comemorar a chegada ao mando, como mais jovem mandatário da história de seu País. Sinalização que vale para Lula, Bolsonaro, Moro, Miro, Dória, Simone…

E não ficam nisso os sinais merecedores de atenção na campanha brasileira. A começar pelo líder nas pesquisas, ex-presidente Lula, que, domingo mesmo fazia discurso na base do “já ganhou”, – na eleição que ainda se dará em 2 de outubro de 2022 – em jantar com o tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo. Outro sinal do vitorioso chileno, depois da larga caminhada pelas ruas e palanques de todas as regiões: ”Vou ser presidente de todos os chilenos. Acho importante ter interlocução com todos e os acordos devem ser entre todas as pessoas e não entre quatro paredes”, disse Boric, que chega limpo, solteiro e sem amarras aparentes ao comando da nação andina.

Mal (ou bem?) comparando, o joven presidente eleito parece saído das páginas do livro autobiográfico do poeta Nobel de Literatura, Pablo Neruda, “Confesso que Viví”. Em particular no caítulo em que o poeta fala das mudanças em seu destino e na sua obra, a partir de seu ingresso na política, quando foi eleito senador. Á política veio como um trovão desviar-me dos meus trabalhos. Regressei uma vez mais à multidão. A multidão humana foi a maior lição da minha vida… Solidão e multidão: Na solidão, a minha vida enriqueceu-se com a batalha da ondulação no litoral chileno, mas aprendi muito mais com a grande maré das vidas, com a ternura vista em milhares de olhos que me viam ao mesmo tempo. Esta mensagem pode não ser possível a todos os poetas, mas quem a tenha sentido guarda-la-á no coração e na sua obra. É memorável e desvanecedor para o poeta ter encarnado para muitos homens, durante um minuto, a esperança”.Ponto.

Ex-líder acadêmico, roqueiro que gosta e fala de música, poesia e cultura, seguramente Boric terá bebido desta motivadora inspiração intelectual e política, marcante em seu País e no continente. O jovem presidente eleito, porém,  representa uma esquerda renovada e revitalizada, desde os grandes protestos da classe média e baixa sufocada no Chile, endividada, “ para pagar a educação, a saúde e a previdência privada”, como denunciou Boric, nas ruas que agora o consagram.Experiência individual, sim. Mas o exemplo e os signos são continentais. Válidos para candidatos diversos nas presidenciais de 2022 por aqui: de Lula a Bolsonaro, de Moro a Ciro, de Dória a Tebet e Pacheco. É como ensina Paulinho da Viola em seu samba: “As coisas estão no mudo, só que é preciso aprender”. 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitors.h@uol.com.br
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Boric, Lula, Bolsonaro: novos sinais sopram do Chile

Vitor Hugo Soares

Partiu de Gabriel Boric, eleito no Chile, domingo 19, com 55% dos votos válidos, – ex-líder estudantil, 35 anos, fã dos roqueiros K-Pop e Taylor Swift, com tatuagens no braço e anunciando investimentos maciços na área Cultura, depois de ter recebido menos votos que o ultra direitista José Antonio Kast, no primeiro turno – o grito inesperado e cheio de signos políticos e de comunicação que vem dos novos ares que sopram de Santiago, ao pé da Cordilheira dos Andes. Sinais de comportamento e de fala que repercutem no Brasil, a caminho de eleições do ano que vem: “Sou da Patagônia Austral, onde começa o mundo e onde se fundem todos os contos e o imaginário do planeta, no Estreito de Magalhães, que inspirou tantos romances” disse Boric, ao comemorar a chegada ao mando, como mais jovem mandatário da história de seu País. Sinalização que vale para Lula, Bolsonaro, Moro, Miro, Dória, Simone…

E não ficam nisso os sinais merecedores de atenção na campanha brasileira. A começar pelo líder nas pesquisas, ex-presidente Lula, que, domingo mesmo fazia discurso na base do “já ganhou”, – na eleição que ainda se dará em 2 de outubro de 2022 – em jantar com o tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo. Outro sinal do vitorioso chileno, depois da larga caminhada pelas ruas e palanques de todas as regiões: ”Vou ser presidente de todos os chilenos. Acho importante ter interlocução com todos e os acordos devem ser entre todas as pessoas e não entre quatro paredes”, disse Boric, que chega limpo, solteiro e sem amarras aparentes ao comando da nação andina.

Mal (ou bem?) comparando, o joven presidente eleito parece saído das páginas do livro autobiográfico do poeta Nobel de Literatura, Pablo Neruda, “Confesso que Viví”. Em particular no caítulo em que o poeta fala das mudanças em seu destino e na sua obra, a partir de seu ingresso na política, quando foi eleito senador. Á política veio como um trovão desviar-me dos meus trabalhos. Regressei uma vez mais à multidão. A multidão humana foi a maior lição da minha vida… Solidão e multidão: Na solidão, a minha vida enriqueceu-se com a batalha da ondulação no litoral chileno, mas aprendi muito mais com a grande maré das vidas, com a ternura vista em milhares de olhos que me viam ao mesmo tempo. Esta mensagem pode não ser possível a todos os poetas, mas quem a tenha sentido guarda-la-á no coração e na sua obra. É memorável e desvanecedor para o poeta ter encarnado para muitos homens, durante um minuto, a esperança”.Ponto.

Ex-líder acadêmico, roqueiro que gosta e fala de música, poesia e cultura, seguramente Boric terá bebido desta motivadora inspiração intelectual e política, marcante em seu País e no continente. O jovem presidente eleito, porém,  representa uma esquerda renovada e revitalizada, desde os grandes protestos da classe média e baixa sufocada no Chile, endividada, “ para pagar a educação, a saúde e a previdência privada”, como denunciou Boric, nas ruas que agora o consagram.Experiência individual, sim. Mas o exemplo e os signos são continentais. Válidos para candidatos diversos nas presidenciais de 2022 por aqui: de Lula a Bolsonaro, de Moro a Ciro, de Dória a Tebet e Pacheco. É como ensina Paulinho da Viola em seu samba: “As coisas estão no mudo, só que é preciso aprender”. 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitors.h@uol.com.br

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 25 dezembro, 2021 at 17:13 #

Que os ventos que sopraram no Chile, venham também sobrar sobre nossa Pátria tão maltratada, vilipendiada, roubada. Que os ventos de lá nos traga uma verdadeira democracia, nos livrando dessa falsa que existe hoje no Brasil.


Taciano Lemos de Carvalho on 25 dezembro, 2021 at 17:14 #

Correção: …venham também soprar sobre nossa…


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