O jornalista e intelectual Duarte Pereira, nascido em Salvador, morreu de câncer, em agosto deste ano de amargas perdas, na cidade de São Paulo (quinta-feira, 12/8), aos 82 anos. Intelectual militante de reconhecida cultura e talento jornalístico e texto brilnante, Duarte Pereira, morreu em tratamento, estava internado no Hospital Oswaldo Cruz, em SP. Participou da criação da revista Realidade (do  grupo Abril) e foi um dos principais colaboradores do jornal Movimento, que combatia a ditadura militar.

Nascido em 1939, em Salvador, formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia. Em 1962, teve atuação decisiva na criação do movimento revolucionário Ação Popular, importante grupo da esquerda católica no movimento estudantil. Um ano depois, foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes.

É autor de artigos sobre diversos temas, publicados na clandestinidade e sob pseudônimo na imprensa alternativa, durante a ditadura. De 1966 em diante, escreveu sobre socialismo revolucionário, questões políticas, ideológicas e sociais em diferentes conjunturas políticas brasileiras e internacionais.

Em texto publicado no site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Frei Betto, jornalista e frade dominicano, escreveu que visitou Duarte no hospital no mesmo dia 12 de seu falecimento. O intelectual contou que passou os 21 anos da ditadura sem ser preso “graças ao silêncio dos que caíram em mãos da repressão e sabiam, mas não disseram, onde eu me escondia”.