BA: Equipe de afiliada da Globo é agredida em comitiva de Jair Bolsonaro - ISTOÉ Independente
Comitiva presidencial no sul baiano:falta ajuda e sobra
agressão à imprensa.
 ARTIGO DA SEMANA


Bolsonaro na chuva: máquina mercante eleitoral na Bahia

Vitor Hugo Soares

Tremeu o chão inundado por trombas d’água, represas rompidas, pontes destruídas, estradas e cidades arrasadas no extremo sul da Bahia, neste dezembro de desastres climáticos. Para culminar, o presidente Jaír Bolsonaro desembarcou na região, com sua comitiva de ministros de verbo enganoso e pastas recheadas de recursos públicos para situações emergenciais como esta. Cumpria-se assim destino atávico e perverso, descrito com perfeição no poema “Triste Bahia”, do “boca de brasa” Gregório de Matos, no tempo do Império: “A ti trocou-te a máquina mercante/ Que em tua larga barra tem entrado/ A mim foi-me trocando, e tem trocado/ Tanto negócio e tanto negociante”.

 No lugar dos antigos barcos, aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), usados agora para transportar o presidente e auxiliares, além de políticos aliados e troncudos seguranças, para impedir que profissionais de imprensa mostrem, à sociedade, as vergonhas da nudez política e ética do “mito” e os arranjos locais de seus comandados – o ministro da Cidadania, João Roma, postulante à governador do estado, na proa. Tudo à propósito “de levar ajuda e uma palavra de solidariedade e tranquilidade do governo às populações de mais de 50 localidade atingidas pelas cheias no estado”. Mas o que as cidades devastadas e o país assistiram, foram absurdos inimagináveis – não fosse a Bahia a terra dos maiores absurdos que se possa pensar, no dizer do sábio governador Otávio Mangabeira.

Já em Porto Seguro – cidade do Descobrimento – em lugar de cuidar do drama presente, Bolsonaro tentou justificar erros recentes, vários apontados como criminosos, no relatório final da CPI da Covid. Em coletiva, depois de sobrevoar as áreas mais atingidas, culpou a política de isolamento social adotada por vários governadores nos momentos mais críticos da pandemia. Indagado sobre como o governo ajudaria as populações atingidas, aproveitou para remoer os efeitos do fechamento da economia. “Nós tivemos uma catástrofe no ano passado, quando muitos governadores, pessoal da Bahia (governador Rui Costa (PT) e ex-prefeito da Salvador, ACM Neto (União Brasil) fechou todo o comércio e obrigou o povo a ficar em casa. O povo, em grande parte, informais, condenados a morrer de fome dentro de casa”, bradou, na visita para tratar das desgraças trazidas pelas chuvas.

Em Itamarajú foram ainda mais graves as atitudes do mandatário, com repercussão nacional e internacional. A aglomeração selvagem, e sem proteção contra a pandemia, estimulada pelo chefe da nação, resultou num festival de abusos e agressões a jornalistas, impedidos de trabalhar. Um segurança agarrou pelo pescoço a repórter Camila Marinho, da TV Bahia (afiliada da Rede Globo), aplicando-lhe um golpe “mata-leão”, que causou protestos até de alguns integrantes da comitiva. Outros brutamontes fizeram o mesmo com profissionais da TV Aratu (afiliada da TVS). Houve repúdio nacional das empresas, e das entidades de classe e de defesa da liberdade de imprensa. Da visita ficaram marcas gritantes de um fim de semana de vergonha na Bahia. E sem Gregório de Mattos para denunciar em versos contundentes, como os de Triste Bahia: “Deste em dar tanto açúcar excelente/ Pelas drogas inúteis que, abelhuda/ Simples aceitas do sagaz Brichote. /Oh se quisera Deus que de repente/ Um dia amanheceras tão sisuda/ Que fora de algodão o teu capote”. Grande Boca de Brasa!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blob Bahia em Pauta.. E-mail: vitors.h@uol.com. br

“Ternura Antiga”, Tito Madi: o maestro gaúcho do samba canção interpreta um de seus maiores e mais românticos sucessos de sempre, neste sábado de quase fim de primavera no Bahia e Pauta. Preciosidade musical. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

dez
18
Posted on 18-12-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-12-2021

CadernoB/ Jornal do Brasil

 .JB
Credit…JB

Por CAIO BUCKER

Essa foi mais uma daquelas colunas que, embora tivesse muitas opções e ideias para desenvolver, nenhuma batia com o momento que sentei para escrever. Resolvi fazer um café, acender um incenso e ligar o som, nada diferente do meu ritual de muito tempo. Fiquei escolhendo playlists e zapeando álbuns, mas queria ouvir Belchior. Quase sempre eu quero ouvir Belchior. A primeira música que entrou foi “Comentário a respeito de John”, que começa com um grito: “Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho, deixem que eu decida a minha vida. Não preciso que me digam, de que lado nasce o Sol, porque bate lá meu coração.” Aí minha vontade imediata foi de responder para o mestre que “sonho e escrevo em letras grandes de novo, pelos muros do país.” Belchior, o tempo andou mexendo com a gente, sim, e eu não esqueço que a felicidade é uma arma quente. Que pedrada! Eu tinha tanta coisa pra comentar com o rapaz latino americano que estudou filosofia e gostava de pintura. A poesia musical que ele fez é realmente necessária para exorcizar nosso coração selvagem.

Macaque in the trees

O cantor e compositor Belchior (Foto: Foto: Folhapress)

O cara é tão genial com sua dose de loucura, que nos últimos anos de sua vida, ficou desaparecido, recluso e fazendo um detox da vida social. Acho que ele até fez bem, só exagerou um pouco no tempo, a meu ver. Você fez falta, cara! Todo mundo te procurando entre galos, noites e quintais, e querendo saber, cadê você? Enquanto vivia seu exílio voluntário e que nunca teve explicação, suas músicas eram tocadas sem parar em bares, shows, fones de ouvido e nas minhas playlists. Diziam que ele acumulava dívidas – inclusive com seus dois carros, abandonados em estacionamentos – e acumulava também mistérios e suposições de todos os lados. Acho que a última aparição em show foi ao lado de Tom Zé, e depois sumiu de vez. Sempre tinha alguém dizendo que tinha visto Belchior aqui ou ali, mas tudo de forma vaga e sem comprovação. Foram parar até no Uruguai para entrevistá-lo, e depois uma equipe de jornalistas rodou o Ceará. Ele brincava de Elvis mesmo estando vivo. Infelizmente, a certeza de onde estava Belchior se deu no dia 30 de Abril de 2017, com sua morte, em Santa Cruz do Sul (RS). Foi uma comoção nacional, porque o esconde-esconde acabava ali, e o ídolo brega romântico sumiria do pequeno mapa do tempo de vez. A não ser por sua obra, que continua viva. Mais viva do que nunca.

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em Sobral (CE), e brincava dizendo que literalmente era um dos maiores nomes da MPB. De família grande com 23 irmãos, foi programador de rádio, estudou Filosofia e completou seus estudos no colégio de padres. Optou por viver um período religioso, numa comunidade com frades italianos em um mosteiro, onde aprimorou o latim, o italiano e o canto gregoriano. Após esse período, regressou a Fortaleza e estudou Medicina, mas largou para se dedicar à vida musical. Se juntou a um grupo de jovens promissores, como Ednardo, Amelinha e Fagner, conhecidos depois como o “Pessoal do Ceará”. Tocando em festivais pelo Nordeste, em 1971, venceu o 4º Festival Universitário de MPB com a composição “Na Hora do Almoço” No ano seguinte, fez a canção “Mucuripe”, gravada por Elis Regina, o que chamou atenção de sua carreira. Em 1974 lançou um disco homônimo, e anos depois, o álbum “Alucinação”, com todos seus hits, alcançando o auge da carreira, que se manteria por anos e anos. Já contaram sua história em regravações, livros, filmes, podcasts e até em peças. Nosso sujeito de sorte falava – e continua falando – de temas universais, como amor, juventude, política e reflexões sociais, indústria cultural, alienação e relações mercantis, embora alguns tenham diminuído seu trabalho como um mero cara romântico. E se fosse?

Belchior apresentou a verdade existencial de uma geração. Uma premonição sabida de tempos sombrios que estavam por vir. “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” ressoam aos quatro cantos com versões e mais versões, inclusive por jovens artistas. Ele era contra a “arte alegre”, moda na época. O filósofo Adorno já dizia que “a arte se utiliza de elementos da vida enquanto material, e se a vida social é cindida pela divisão do trabalho, que separa o homem de sua produção e da natureza, e impede a felicidade enquanto reconhecimento recíproco entre sujeito e objeto, a arte que imita essa vida deve ser triste, como a própria vida. A arte alegre seria, então, ideológica, uma falsa verdade”. O cantor até brinca com a alegria de Caetano, dizendo: “Veloso, o sol não é tão brilhante pra quem vem do Norte e vai viver na rua”, em “Fotografia 3×4”. O colega jornalista Dellano Rios comentou que “ele foi tomado como uma espécie de herói romântico, radicalmente lúcido em seu disparate. Afinal, o desejo de se apartar do mundo é universal. Uma hora ou outra, se insinua para todos.” E completou: “Ele fez em vida o que outros sonharam em canções. Raul Seixas pediu “pare o mundo, que eu quero descer”, em “Eu também vou reclamar”. Roberto Carlos, uma década antes, havia cantado “Quero que você, me aqueça nesse inverno, e que tudo mais vá pro inferno”. Até sua transgressão se tornou poesia.

Mas ele, assim como muitos gigantes, viveram o hiato e o esquecimento depois de uma sequência de sucessos, shows e mais shows, prêmios e discos de ouro. Suas canções marcaram a vida de muitos, seja com “Apenas um rapaz latino americano”, seja com “A palo seco” ou “Como nossos pais”, um hino gravado por Elis. Belchior usa de uma retórica sentimental que toca em nossas feridas e em nossos medos com sua potência lírica. Ele mesmo disse: “Eu tenho medo de abrir a porta, que dá pro sertão da minha solidão. Apertar o botão: cidade morta; placa torta indicando a contramão. Faca de ponta e meu punhal que corta, e o fantasma escondido no porão.” Tudo é tão profundo! Lembro da primeira vez que ouvi sua música, e senti uma mistura de angústia por me identificar com aquilo, e conforto em poder compartilhar. Sempre foi muito bom. Seu trabalho tornou-se atemporal e nunca deixou de ser relevante. São versos que nos agarramos até hoje, mesmo perplexos em colocá-los em prática. Mas Belchior seguirá nos movendo com canções e o mistério da vida a se levar. Até porque, viver é melhor que sonhar.

dez
18
Posted on 18-12-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-12-2021



 

 Amarildo, NA

 

dez
18
Posted on 18-12-2021
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DO CORREIO BRAZILIENSE
coluna
Brasília-DF

 

Preso na Lava Jato em novembro de 2015, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, é visto em São Paulo como o maior cabo eleitoral às avessas para o ex-juiz Sergio Moro. Esteves, que ficou quase um mês em Bangu 8 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tem dito a alguns interlocutores que uma vitória de Moro fará com que o Ministério Público se sinta “empoderado” para novas investidas contra políticos, banqueiros e empresários. E o país entrará na mesma curva descendente que entrou em 2015.

Até aqui, o mercado tem ouvido todos os postulantes, mas ainda não fechou apoio a ninguém. Se Moro não conseguir emplacar um projeto lastreado em propostas de desenvolvimento econômico e diálogo, vai ficar difícil convencer “a turma da Faria Lima” — que olha com simpatia para personagens como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Que paz, que nada

As cobranças do PSDB de Minas Gerais, leia-se Aécio Neves, para que Doria consiga alianças e melhore sua performance na eleição, é mais um sinal de que os tucanos não estão pacificados no pós-prévia tucana. Isso porque, dizem alguns, a hora é de se unir para buscar esses dois requisitos.

Por falar em alianças…

Pré-candidata do MDB ao Planalto, a senadora Simone Tebet (MS) esteve com Doria na sede do governo paulista, num encontro com a participação dos presidentes dos dois partidos, Baleia Rossi (MDB) e Bruno Araújo (PSDB). Na avenida entre os extremos, a ordem do momento é que todo mundo converse com todo mundo.

Quem perde
O relatório do Comitê de Fiscalização da execução orçamentária deste ano aponta 15 mil obras paradas no Brasil por falta de recursos. As creches em pequenos municípios são as mais atingidas pela carestia.

As mais vistosas primeiro

Justiça seja feita: o governo de Jair Bolsonaro tem investido bastante na conclusão das obras inacabadas. Aposta, prioritariamente, naquelas que faltavam pouco para terminar e, especialmente, nos grandes empreendimentos, como a transposição do São Francisco.

Arriar da mala

A chegada de André Mendonça ao STF seguida de entrevista em que reforçou a liberdade de imprensa é sinal de que qualquer projeto de controle da mídia, se depender dele, não terá vez.

Timing é tudo/ Aliados de Geraldo Alckmin já fizeram as contas e concluíram que, antes das prévias do PSDB, ele levaria consigo um número capaz de mal encher uma kombi. Agora, levará um ônibus de dois andares lotado. Não é um Boeing, mas faz vista. O “ônibus”, porém, só deve partir na janela partidária, em março. E, se estará lotado ou não, dependerá da capacidade de Doria de aglutinar o partido.

É Natal / O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia e o presidente do DEM, ACM Neto, entraram em modo reaproximação. Mas a ida de Maia para o União Brasil está descartada.

É pauleira/ O União Brasil no Rio de Janeiro estará nas mãos de Eduardo Cunha e de Sergio Cabral. Afinal, estão de malas prontas para a legenda Daniele Cunha e Marco Antônio Cabral.

Convidado especial/ O general Fernando Azevedo e Silva, ex-ministro da Defesa da administração Bolsonaro, é o convidado de hoje da live “Perspectivas para as eleições de 2022”, promovida pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE). O ex-ministro assumirá em fevereiro o cargo de diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Participam também do bate-papo o presidente do IREE, Walfrido Warde, e o diretor Rafael Valim

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