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Postado em 10-12-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 10-12-2021 00:15

DO JORNAL DO BRASIL

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Foto: reprodução
Credit…Foto: reprodução

Por GILBERTO MENEZES CÔRTES

Numa campanha eleitoral bem peculiar, para a qual usou sua “live” semanal na internet, da 5ª feira, 25 de novembro, para pedir votos a seu favor para a eleição da “personalidade do ano” da revista norte-americana “Time”, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, acabou vencendo no “voto popular”, ao receber 24% (2,1 milhões) dos 9 milhões de votos, superando o ex-presidente Donald Trump, que teve 9% dos votos (810 mil) de seguidores que, a exemplo dos “eleitores” de Bolsonaro, também se mobilizaram por mutirão na internet e recorreram a robôs.

A dupla negacionista da Covid-19 superou os “profissionais de saúde da linha de frente”, que receberam 6,3% (567 mil votos).

Na tal “live”, que fez ao lado do ministro da Integração Regional, Rogério Marinho, de quem cobrou publicamente o voto (“vou votar, vou votar”, balbuciou um Marinho, constrangido), Bolsonaro lembrou que esteve entre as 100 personalidades nos anos de 2019 e 2020. “Agora, em 2021, estamos liderando. Agradeço quem votou em mim; quem não votou, peço que entre lá no site e vote”, pediu. E se jactou de que estava “ganhando dos profissionais de saúde na disputa”.

Escolha da capa é dos editores

Nem sempre a personalidade que ganha a eleição vira a capa da revista. Os editores decidem seguir ou não o voto popular. O nome da capa será revelado na 2ª feira, 13 de dezembro. Ser capa da “Time” não é sinônimo de aprovação (nem dos leitores, nem dos editores). As pessoas viram capa por estarem em evidência ou receberem votação teleguiada, pela internet.

Hitler foi capa em 1938, ano em que promoveu a unificação da Áustria à Alemanha, trampolim para a invasão da Polônia (1939) que deflagrou a 2ª guerra.

No ano seguinte foi a vez de Joseph Stalin virar capa, após o pacto de não agressão aos alemães, facilitando a invasão da Europa, pela Polônia, a Leste e depois a Oeste pelas tropas nazistas. Stalin voltaria à capa em 1942, quando o exército russo iniciou a reação e expulsou as tropas alemãs de seu território (e foi anexando os países “libertados”).

Winston Churchill, o grande líder da resistência europeia, foi capa em 1940 e voltou a ela, em 1949. O presidente Franklin Delano Roosevelt, “Homem do ano” em 1932, quando lançou o “New Deal”, voltou à capa em 1934 e em 1941. É o recordista até hoje.

O Aiatolá Khomeini foi capa em 1979, quando o Xá Reza Palhevi foi derrubado. Nem por isso a “Time” e seus leitores apoiam o Irã dos aiatolás.

A eleição dos sonhos, nas nuvens

Mas está claro, para o bem ou para o mal, que tipo de eleição Jair Bolsonaro e seu ídolo (que o presidente brasileiro festejou ter batido no “voto” pela internet) gostariam de competir. Nada melhor do que uma eleição nas “nuvens”.

Nesta “eleição” nenhum dos dois pôs em dúvida a “fraude” no processo eleitoral. Só no sufrágio universal, voluntário, no qual os eleitores comparecem às urnas (eletrônicas ou ao complexo e extenso cardápio das eleições americanas, onde vota-se além do presidente e do vice, xerifes e em deputados e senadores que vão integrar as duas casas do Congresso, no Capitólio (EUA), a dupla coloca sob suspeita. Claro. Se pudessem limitar o comparecimento aos eleitores republicanos, ou aos conservadores e adeptos das ideias direitistas, seria a eleição dos sonhos dos dois.

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