Sérgio Moro será recebido por ala do Podemos aliada do PT em viagem à Bahia
Sérgio Moro(Podemos): a caminho do Nordeste (Bahia e Ceará)

ARTIGO DA SEMANA

Entradas e Bandeiras de Moro: a caminho do Nordeste

   Vitor Hugo Soares

 Enquanto o ex-juiz condutor da Lava Jato se prepara para caminhar em entradas e bandeiras, pelo Nordeste, já se pode dizer: Por onde quer que tenha passado o ex-ministro Sérgio Moro, em seu aprendizado recente da arte e das estratégias do pensar e fazer política – desde que saiu da pasta da Justiça atirando no governo do presidente Jair Bolsonaro, que lhe prometera autonomia, recursos e status de super-ministro para dar continuidade ao combate à corrupção, mas nada cumpriu, e ainda atirou o simbólico magistrado aos leõe do Centrão no Congresso – dedicou-se com afinco ao aprendizado teórico e prático. Aliás, ele tem se mostrado surpreendente e exemplar, em seus muitos passos e falas mais recentes. Praticamente só tem somado avanços ao plano de conquistar a presidência da República nas eleições de 2022. 

Só nesta semana, da transição de novembro a dezembro – enquanto arruma a bagagem para visitas cruciais à Bahia e ao Ceará – Moro somou dois feitos de tirar o chapéu : na pesquisa do Atlas Político (El País), bateu na casa dos 13 pontos percentuais nas intenções de votos, firmando-se na condição de nome preferencial da Terceira Via, tirando votos de Lula, Bolsonaro e Ciro Gomes. Se isso não bastasse, jantou em São Paulo com mais de 20 pesos pesados do empresariado brasileiro, dos setores industriais e dos bancos, o que ainda tira o sono de muita gente, principalmente em Brasília. Além do dono da casa, Luiz Fernando Figueiredo (ex-diretor do BC no governo FHC), pontuaram entre os convivas, nomes do porte de Roberto Setubal, Paulo Galvão, Milton Goldfarb, para ouvir (e teve aprovação, segundo um dos presentes), planos e bandeiras do ex-ministro, para o País.

O fato – Sua Excelência o fato, no  dizer de Charles de Gaulle – é que o virtual candidato do Podemos, ao posto maior de mando do País, demonstra ter sido ágil aluno, enquanto exercia seu trabalho de consultoria em grande empresa, nos Estado Unidos. Aprendeu sobre  as funções que se espera de um homem público, na tarefa de convencer a sociedade da eficácia de um novo projeto de governo para um país à deriva. E necessita de apoios – políticos, financeiros e intelectuais – e votos de todas as regiões para levar adiante seu plano de poder e gestão.   

Antes do embarque ao Nordeste, aos sertões mais profundos e distantes, Moro se mostra cada dia mais otimista, bem humorado e confiante em seu caminhar. Bate simultaneamente (e sem tréguas) no atual mandatário (e família), à direita, e no ex-Lula, senhor do PT e tido como dono da região que o ex-juiz da Lava Jato se prepara para encarar.

De “lay out” repaginado (como dizem os soteropolitanos), sorrindo com o tempo e a cada nova pesquisa, vai agora comer poeira na Bahia e no Ceará, entradas e saídas fundamentais para qualquer candidato ao poder no país. Moro, em seu novo momento, sinaliza seguir o ditame do segundo mandamento do Decálogo Político do Estadista, de Ulysses Guimarães: TALENTO: “Não há estadista burro. Há de ser talentoso, embora possa não ter cultura. Tiradentes e Juarez não tiveram cultura, mas foram estadistas porque tiveram talento político. Como o samba, o talento não se aprende na Academia. A pessoa é gratificada com o talento. Talento é o dom de acertar. A política é a arte do bem-estar e da salvação popular. Político é aquele que tem talento de consegui-la”. Precisa desenhar?
Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Du hast den Farbfilm vergessen” (“Você esqueceu o filme colorido”),  Nina Hagen: a empolgante canção que mexe com os setimentos de Angela Merkel, no tributo do Bahia em Pauta na despedida do poder da inigualável líder alemã. Viva,

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

No último compromisso público antes de entregar o cargo ao social-democrata Olaf Scholz, na quarta-feira, Merkel pediu que a nação encare a vida “com o coração leve”

CB
Correio Braziliense

Merkel na cerimônia de despedida: 16 anos no comando da Alemanha - (crédito: AFP)

Merkel na cerimônia de despedida: 16 anos no comando da Alemanha – (crédito: AFP)

Rosas vermelhas, tochas e uma banda militar que tocou Du hast den Farbfilm vergessen (“Você esqueceu o filme colorido”), a música da cantora alemã de punk Nina Hagen, escolhida a dedo pela chanceler. A despedida de Mutti (“Mãmãe”) Merkel foi marcada pela sobriedade e por um discurso efusivo em prol da democracia. “Nossa democracia também vive do fato de que em todo os lugares onde a violência e o ódio são vistos como meios legítimos de perseguir os interesses de alguém, nossa tolerância, enquanto democratas, precisa encontrar seu limite”, declarou Angela Merkel, ao receber a mais alta honraria concedida a um civil.

Ela é a terceira liderança do país a ser homenageada com a cerimônia conhecida como Zapfenstreich. Helmut Kolh (1982-1998) foi o primeiro a ter essa honra, seguido por Gerhard Schröder (1998-2005). Depois de executarem o Hino da Alemanha, os soldados partem ao som de tambores, despedindo-se da chefe de governo. Um ritual para marcar o fim de mais um capítulo da história.

No último compromisso público antes de entregar o cargo ao social-democrata Olaf Scholz, na quarta-feira, Merkel pediu que a nação encare a vida “com o coração leve” e seja otimista em relação ao futuro. “Hoje sinto, acima de tudo, gratidão e humildade diante do cargo que há tanto tempo exerço. Estou grata pela confiança recebida, pois a confiança é o maior capital da política”, comentou. “Dezesseis anos como chanceler da Alemanha foram repletos de eventos, muitas vezes bastante desafiadores — politicamente e na condição de ser humano.”

Merkel acrescentou que as crises enfrentadas em seu governo mostraram a importância da cooperação internacional, enquanto a Alemanha combatia as dificuldades enfrentadas pelo mundo. A chanceler ressaltou que a democracia se baseia “na solidariedade, na confiança mútua, no entendimento e nos fatos”.

dez
04
Posted on 04-12-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 04-12-2021



 

 Amarildo, NO JORNAL

 

dez
04

DO EL PAÍS

Alta dos preços acumula 10,7% em 12 meses, mas o impacto nos menos favorecidos é dois pontos porcentuais maior do que para os privilegiados

Mulher observa produtos no mercado de Santo Amaro, em São Paulo, Brasil, em 25 de novembro de 2021
Mulher observa produtos no mercado de Santo Amaro, em São Paulo, Brasil, em 25 de novembro de 2021 Lela Beltrão

É quinta-feira no fim da manhã e uma feira de produtos frescos em uma rua de Santo Amaro, região de classe média baixa de São Paulo, está quase deserta por culpa de um fenômeno que o Brasil não vivia há um quarto de século: uma inflação que chega aos dois dígitos, sobe a cada mês e ainda não foi contida. O aumento dos preços que percorre o mundo após a chegada da pandemia é sentido em cheio por aqui. Afasta a clientela, obriga a fechar barracas e, em um efeito perverso, aumenta a desigualdade que corrói o país. A inflação atinge com mais dureza o estômago dos brasileiros pobres do que o bolso dos ricos. Uma cliente aqui e outra ali compram um pouco de fruta ou verdura enquanto uma terceira mulher recolhe discretamente o que encontra de aproveitável entre os produtos descartados pelos feirantes.

Dayane Ferreira, de 38 anos, era analista financeira até que a pandemia a deixou sem trabalho, então ela entende um pouco de preços e de inflação. Depois de terminar a compra, apoiada no carrinho da filha, estima que nesta feira os preços de muitos produtos subiram entre 30 e 40%. Sua receita para equilibrar as contas inclui os seguintes ingredientes. Um, comprar menos quantidade dos produtos cujos preços dispararam. “Antes pagávamos entre 9 e 10 reais por meio quilo de café, agora custa 17; o preço do tomate dobrou”, detalha. Dois, procurar todo tipo de oferta e ir onde estiverem. Três, “não desperdiçamos nada. Só compramos o que vamos comer”. Ela está procurando trabalho, até agora sem sucesso. Portanto, nem pensar em viajar ou em qualquer outro luxo que antes podia pagar.

Com aumentos mensais nos últimos 12 meses, o Brasil acumula uma inflação de 10,7%, menor do que a inflação da Venezuela ou da Argentina, mas altíssimo para um país que manteve os preços notavelmente estáveis nas últimas duas décadas — é o dobro da meta do Banco Central. Além disso, esse número médio esconde o impacto muito desigual entre os mais privilegiados, os menos favorecidos e todos os que estão entre eles. Para os mais pobres (que ganham menos de 1.800 reais), a alta dos preços é de 11,39%, como detalha Maria Andreia Lameira no último relatório de conjuntura do Ipea. Por outro lado, para os que ganham mais de 17.000 reais por mês, a inflação é dois pontos porcentuais a menos, 9,32%.

Clientes no mercado de Santo Amaro, em São Paulo, Brasil.
Clientes no mercado de Santo Amaro, em São Paulo, Brasil. Lela Beltrão

Para os mais pobres, os aumentos nas contas de luz, gás, aluguel, e os preços da batata, café ou açúcar os atinge como um míssil supersônico, levando à insegurança alimentar. Todos os dias 19 milhões de brasileiros acordam sem saber como conseguirão ou se conseguirão a próxima refeição.

Em contraste, os aumentos nos produtos essenciais afetam pouco os orçamentos dos ricos. Os aumentos que mais os prejudicam são os da gasolina, das passagens aéreas (agora que voltam a planejar férias, festas de Ano Novo ou até Carnaval) e do transporte do tipo Uber, conforme o relatório do Ipea.

Quem conheceu os tempos da hiperinflação não os esquece. Rosa Lopes Masomoto, de 77 anos, que trabalhou em um banco até se aposentar, é uma delas. “Foram terríveis, piores do que hoje. O poder aquisitivo era pequeno, tínhamos de chegar à feira correndo, antes que mudassem os preços. Era uma loucura, os aumentos eram galopantes”, recorda enquanto procura verduras frescas. As generosas pensões que os brasileiros mais favorecidos da elite recebem amorteceram para eles um golpe que impacta, como sempre, de maneira desproporcional os milhões que ganham a vida no mercado informal. São aquelas senhoras idosas que ficam nas esquinas para vender doces caseiros.

Ou os protagonistas de uma das cenas que mais horrorizou os cidadãos deste país orgulhoso de ter saído do mapa mundial da fome há alguns anos. As pessoas das filas de ossos, aquelas que aguardam em fila para receber os descartes do açougue para matar a fome.

Para milhões de famílias, como a da empresária Jéssica Batista, de 30 anos, a pandemia e a consequente queda de renda obrigou a mudar a dieta alimentar. Ela conta que em sua casa consomem “mais carne branca e menos carne vermelha”, já que a pandemia reduziu a renda familiar à metade. Mais frango e mais porco.

Mercado de Santo Amaro, em São Paulo
Mercado de Santo Amaro, em São Paulo Lela Beltrão

Arnaldo Silva, de 59 anos e 40 como açougueiro, afirma que nunca na vida tinha visto um quilo de contrafilé a 178 reais. É o produto que mais subiu. Parte dos clientes passou a comprar cortes mais baratos, outros desapareceram. No meio da manhã, seu açougue está vazio. Ele diz que as entregas em domicílio são o que os manteve a salvo.

A feira de Santo Amaro está entrando em um círculo perigoso, explica o fruteiro Rogério Fernández, de 53 anos. Sem clientela, as barracas de carne e de peixe fecharam como uma das barracas de fruta, outra de banana, outra de pastéis… “São onze horas e veja como está”, diz, apontando para o vazio deixado pelos outros feirantes. “E daqui a pouco todo mundo vai almoçar e ninguém mais virá aqui”. Seu medo é que, à medida que a oferta diminua, a clientela pare de comprar lá e leve os que ainda sobrevivem à ruína.

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