DO EL PAÍS

Tornaram-se parte de nossa vida, estamos irremediavelmente presos a elas. Acreditamos ter, nelas, amigos a quem contamos nossos segredos. Quando algo sai errado, nós as abandonamos. Mas a maioria volta. Assim são os vícios

Roberta Vázquez

O YouTube tem quase 2,3 bilhões de usuários registrados, o Instagram 1,22 bilhão, o TikTok 800 milhões e o Twitter 350 milhões. As redes sociais crescem a cada dia e em todas fabricamos um personagem com o qual somos conhecidos por aqueles que, com maior ou menor probabilidade, jamais cruzarão fisicamente o nosso caminho. Precisamos dessa vida virtual para nos refugiar de nossa própria vida. Ou pelo menos é assim que nos comportamos quando usamos essas plataformas.

O círculo de amizades nas redes sociais se transformou naquele café para nos encontrarmos todas as tardes com os amigos. O comportamento é o mesmo. Percorremos as redes sociais, em média, duas horas e meia por dia, que poderia muito bem ser o tempo que gostaríamos de passar naquele café tão agradável para ser vistos, conhecer rostos novos e contar a vida para desconhecidos. Belo plano. Essa é a classificação mental que fazemos toda vez que recorremos ao smartphone em busca de companhia. Em nossa conta do Facebook, costumamos ter amigos e familiares, se é que não a dedicamos a fazer negócios; na do Twitter, nós nos exibimos sem mesura, e na do Instagram, depois das confusões das outras duas, colocamos um cadeadinho, no afã de nos proteger. Assim como com todos os nossos parceiros, com as redes sociais acreditamos controlar a situação. Achamos que sabemos quem nos ama e quem nos odeia, que conhecemos as intenções dos que se aproximam de nós. Temos lido tanto sobre sua periculosidade que até alardeamos saber escolher muito bem quem nos acompanha. Aceitamos as solicitações acreditando escolher os melhores e, antes que percebamos, algum deles terá nos traído.

Não importa a finalidade do aplicativo, antes de perceber, alguém rondará você, principalmente se for mulher e pretender ter certa relevância. O problema se agrava quando essa visibilidade se transforma em perseguição. Nada menos que 73% das mulheres jornalistas reconhecem ter sofrido assédio nas redes sociais por exibir sua condição de mulher, profissionalismo ou feminismo. São estabelecidas relações sem a necessidade de ver os rostos. Pode-se ter sexo sem tocar na carne. O modelo de comunicação ao qual sucumbimos sabe mais de algoritmos que de emoções, mas, enquanto estamos condenados ao primeiro, ponderamos o segundo. Querem me ver perdendo o controle? Já devo ter feito isso em uma rede social. Façam uma busca. Participem de qualquer emoção que os provoque, do amor ao escárnio. De fato, farão isso assim que me virem. É isso que ocorre nas redes sociais: exibimos sem pudor o que escondemos dentro. Da melhor das virtudes até o pior dos defeitos.

Raro é quem não está em alguma rede social. Do já antigo (por longevidade) Facebook até o inovador e curioso TikTok. Com 2,74 bilhões de usuários, o Facebook continua sendo o rei, embora em declínio. Só na Índia, perdeu no ano passado 10 milhões de usuários registrados. E não parece que a coisa vá melhorar. Cada vez mais, ele é utilizado de uma perspectiva comercial e menos social, embora ainda seja a melhor rede para localizar aquele namorado do qual você perdeu todos os vestígios. E também para intoxicar. Poucos resistem a subir fotos de sua nova vida, em uma exibição de triunfo. E poucos resistem a saber onde foi parar aquele amante do qual ainda lembram. Parte do sucesso das redes sociais se deve ao fato de sermos muito fofoqueiros.

Dar uma grande mancada em uma rede social e ter de abandoná-la é comum. O número de seguidores alimenta a prepotência e a soberba do dono da conta. Ele acredita ter poder. Imune e impune. O linchamento também será proporcional à magnitude da relevância adquirida; as barbaridades custam caro. Essa é uma das razões, no entanto, pelas quais menos desistimos das redes. Poucos chegam ao abandono depois de refletir sobre a magnitude dos acontecimentos. A maioria aperta o botão de deletar devido ao assédio que sofre quando sua atitude não é inadequada. A jornalista Cristina Fallarás e o músico James Rhodes são dois exemplos de pessoas que abandonaram recentemente o Twitter precisamente pelo ódio que sua mera existência provocava. Nenhum dos dois voltou, mas a maioria dos que abandonam a rede volta.

Nós nos familiarizamos com pessoas apenas por seu nickname, seu codinome na rede, e conhecemos seus detalhes mais íntimos, com sexo, erros e dramas incluídos. Não temos nem seu número de telefone, porque não precisamos. Se virem as DMs, as mensagens diretas, já está bom. O bom do smartphone é que ele condensou todas as possibilidades de comunicação na palma da nossa mão. O LinkedIn elimina perfis profissionais que incomodam a ultradireita. O Twitter recupera tuítes de anos atrás pelos quais já se implorou perdão. O Facebook faz uma prima ficar sabendo o quanto o marido dela nos cai mal. O Instagram permite saber de quem gosta a pessoa que você pretendia seduzir. E o TikTok faz você expor seu lado mais perverso.

Sofremos e desfrutamos na mesma proporção excessiva. É a magia das drogas e o que vicia.

“Veracruz”, Placido Domingo. Esplêndida interpretação do tenor espanhol do belo hino do grande nome da música latina Agustin Lara, à linda cidade portuária mexicana onde ele nasceu e partiu para ganhar o mundo com seu notável talento de músico, compositor e intérprete. Vai dedicada a Natasha, Fabrício, Gigi e Gabriel, que esta semana terão a ventura de andar por Veracruz em dias de merecido descanso e lazer. Viva Veracruz, cidade irmã de Salvador.

BOM DIA!!!

(Hugo e Ila)

nov
21
Posted on 21-11-2021
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DO CORREIO BRAZILIENSE

Em nota à imprensa, a Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou que “repudia e não aceita” a suposição de seu envolvimento no transporte do auto proclamado filósofo

CG
Camilla Germano

 (crédito: Reprodução/Telegram)

(crédito: Reprodução/Telegram)

Neste domingo (21/11), a Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou uma nota à imprensa negando ter envolvimento na ida de Olavo de Carvalho para os Estados Unidos. Na noite de ontem, a escritora Daniela Abade, por meio de suas redes sociais, relatou que o ex-guro do presidente Jair Bolsonaro estaria em solo americano após usar voo da FAB que seria utilizado pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria.

A nota da FAB reitera que a Instituição não transportou qualquer passageiro, incluindo Olavo de Carvalho, e que os únicos passageiros dentro da aeronave eram os tripulantes que cumpriam missão a bordo, como exposto pela escritora. Além disso, esclarecem que a divulgação de inverdades, sem a devida apuração, deve ser combatida. 

“Ao contrário do que tem sido mencionado sobre o transporte no dia 11 de novembro, a FAB não requisitou sigilo algum aos voos designados para o transporte de Ministros de Estado com intuito de omitir a visualização em sites de monitoramento, que é perceptível mediante a presença, nas aeronaves, do  equipamento ADS-B (Automatic Dependent Surveillance – ou, em português, Sistema de Vigilância Aérea Automático)”, diz o texto. 

Em outra parte do comunicado, a FAB também contrapôs os argumentos do pouso no aeroporto de Mac Arthur em Long Island dizendo que este já era o programado justamente porque no aeroporto JFK, em Nova Iorque, por ser um local de grande movimentação, há restrições e as autoridades americanas solicitam que o tempo de permanência no pátio de aeronaves internacionais seja, no máximo, de 2 horas, o que inviabilizaria o trajeto direto ao aeroporto.

nov
21
Posted on 21-11-2021
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J. Bosco, NO JORNAL

 

nov
21
Posted on 21-11-2021
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DO CORREIO BRAZILIENSE

Atriz apresenta a peça ‘O Pior de Mim’, no Cine Theatro Brasil Vallourec, no Centro de BH

Ed
Estado de Minas

 (crédito: Helvecio Carlos//EM/DA Press)

(crédito: Helvecio Carlos//EM/DA Press)

A atriz Maitê Proença se apresentou de muletas neste sábado (20/11), no Cine Theatro Brasil Vallourec, com a peça ‘O Pior de Mim’. Após uma salva de palmas a atriz se mostrou feliz em voltar ao teatro presencial. Apesar de a peça ser feita em formato híbrido, Maitê afirma ter sido “deprimente” e “péssimo’ ter feito apresentações em lives, sem o público presente na plateia, durante a pandemia.

Maitê ainda agradeceu a presença do público e brincou com a concorrência com o jogo entre Atlético e Juventude, no mesmo horário da peça. “Ainda tinha o jogo do Atlético, vocês ganharam?” Após a plateia responder positivamente, ela respirou aliviada: “Ai, que bom!”

A apresentação foi apontada entre as melhores de 2020 pelo jornal “O Globo”, pelo portal Observatório do Teatro, e indicada ao Prêmio Arcanjo de Cultura. O evento que terá sua última exibição em Belo Horizonte no próximo domingo (21/11) conta com interpretação de libras. A programação é realizada em formato híbrido, e os ingressos presenciais estão disponíveis a R$60 (inteira) e R$30 (meia-entrada). Para assistir à transmissão, o valor é de R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada). Para ambos os formatos, a compra pode ser feita pelo site do teatro ou nas bilheterias.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, a atriz mostra as muletas e diz: “Olha só a situação, viram que beleza. Arrembentei tudo, não está dando para pisar. Três semanas que eu tô assim e agora piorou. Tive que apelar para cortisona apesar de eu ser natureba total”, contou.

Vista da Ilha do Urubu (2) | Mapio.net
 Ilha du Urubu e a hidrelétrica pioneira de Delmiro Gouveia.
Gama Livre: Jânio Ferreira Soares, no Bahia em Pauta: O Rio São Francisco, mesmo com milhões de metros cúbicos sem oxigênio, manda de Paulo Afonso um recado de vida e resistência

CRÔNICA

 Gil já era entidade antes de ser imortal

 

Janio Ferreira Soares

 

Seguindo um conselho de Claudio Leal, afiadíssimo escriba da nova geração de baianos com a pegada daqueles que batucavam maravilhas em suas Remingtons e Olivettis, este ribeirinho ia escrever sobre “Vento Vadio”, mais um belo livro que reúne 185 crônicas de Antônio Maria, gigante pernambucano com 120 quilos de talento e boemia.

Mas aí, diante da eleição de Gil pra Academia Brasileira de Letras – e após ler uma matéria do próprio Claudinho sobre ele na Folha de São Paulo -, tive que girar a luneta pro nosso Pai Véio, que foi como o saudoso baixista Artur Maia o chamou num delicioso caso ocorrido há mais de 20 anos, que conto no fim. Antes, uma doce lembrança acontecida no mesmo 23 de junho de 2001, quando tive o prazer de trazê-lo pra se apresentar aqui bem na noite das fogueiras de São João.

Na época ele aproveitou a viagem pra gravar cenas que comporiam o documentário “Viva São João”, dirigido por Andrucha Waddington, fato que se deu na linda tarde do dia do show, quando todos seguiram pra Ilha do Urubu, um belíssimo cenário onde encontra-se a hidrelétrica de Angiquinho, inaugurada em 1913 pelo visionário Delmiro Gouveia. E aí, de posse dessa preciosa informação, peguei Helinho Gadelha e mestre Jackson, dois velhos companheiros que também já dormiram num sleeping-bag, e fomos pra lá.

Ao chegarmos, uma inesquecível cena. Sozinho, empunhando o violão e em profundo silêncio, Gil contemplava a imensidão dos cânions, certamente tomado pelo mesmo alumbramento que Castro Alves e D. Pedro II tiveram diante das cachoeiras, cujas águas, na ocasião ainda livres das barragens, roncavam soltas pelos paredões como lavas frias de um majestoso vulcão.

Em seguida, ele cantou a música de Luiz Gonzaga e Zé Dantas em homenagem à construção das usinas, que diz: “Delmiro deu a ideia/ Apolônio aproveitou/ Getúlio fez o decreto/ e Dutra realizou”. E como ela, infelizmente, não entrou no documentário, somente os urubus rasgando o vento e “los três amigos” tiveram o privilégio de vê-lo seguir cantando: “Olhando pra Paulo Afonso/ eu louvo nosso engenheiro/ louvo nosso cassaco/ caboclo bom verdadeiro”.

À noite, já com as fogueiras acesas nas calçadas, ele arrematou: “Olha pro céu meu amor, veja como ele tá lindo”, no que uma garota gritou da plateia: “Lindo é você, meu preto!”. Isso porque ela não o viu sob a tarde lilás, envolto pelo invisível halo lunar que só os Budas nagôs têm.

Quanto a história de Artur Maia, conta um fã, também baixista, que antes do show ele quis conhecer mais detalhes da famosa erva da região. Prevenido, o amigo então lhe presenteou com um maravilhoso “camarão”, o que levou Arturzinho a esbugalhar ainda mais os olhos e exclamar: “Vixe Maria, esse aqui é pra Pai Véio!”. A dúvida é se no caminho até a luminosa entidade, alguma parte do crustáceo foi cremada ou se a linda flor do quereres chegou inteira ao genial destinatário. Viva Gil!

Janio Ferreira Soares é secretário de Cultura de Paulo Afonso, nas barrancas baianas do Rio São Francisco.

“Momento de Fraquez”, Paulinho da Viola: a nobreza popular do grande sambista da Portela e seu jeito único e universal de cantar sambas que atravessam o tempo, como o deste clip raro. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
21
Posted on 21-11-2021
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Do Correio Braziliense

O processo é mais um desdobramento da decisão do tribunal que, em abril, declarou a incompetência da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, comandada até 2018 pelo ex-juiz Sérgio Moro, para processar e julgar as ações abertas contra o petista na esteira da Operação Lava Jato

AE
Agência Estado
 

 (crédito: CarlosMoura/SCO/STF)

(crédito: CarlosMoura/SCO/STF)

Os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram a favor do desbloqueio de bens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A validade da medida está sendo analisada pela Segunda Turma do STF no plenário virtual – plataforma que permite aos ministros depositarem seus votos online, sem necessidade de reunião presencial ou por videoconferência.

O processo é mais um desdobramento da decisão do tribunal que, em abril, declarou a incompetência da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, comandada até 2018 pelo ex-juiz Sérgio Moro, para processar e julgar as ações abertas contra o petista na esteira da Operação Lava Jato.

A defesa de Lula contesta uma decisão do juiz Luiz Antônio Bonat, sucessor de Moro em Curitiba, que, mesmo após o julgamento do STF, manteve a ordem para bloqueio de bens do ex-presidente. Na avaliação dos advogados, a revogação da medida deveria ser consequência da declaração de incompetência.

O julgamento começou em agosto com o voto do relator, ministro Edson Fachin, contrário ao pedido de Lula, mas foi interrompido por um pedido de vista (mais temo para análise) de Lewandowski, que agora abriu divergência e foi acompanhado pelo colega Gilmar Mendes. Resta o voto de Kassio Nunes Marques.

De um lado, Fachin argumenta que a ordem para bloquear os bens do ex-presidente tem caráter acessório e, por isso, não viola a decisão do STF que declarou a incompetência do juízo de Curitiba e, na avaliação do relator, ficou restrita aos atos decisórios. “Admitindo-se a convalidação dos demais”, escreveu Fachin.

“Aliás, as providências de natureza cautelar, dentre as quais se inclui o sequestro de bens, são regidas pela cláusula rebus sic stantibus, em função da sua finalidade instrumental, razão pela qual não estão sujeitas ao fenômeno da preclusão e, por isso, podem ser revistas a qualquer momento”, diz outro trecho do voto do relator.

Na outra ponta, Lewandowski concluiu que a decisão afrontou de modo direto o entendimento do STF. Para o ministro, a partir do momento que a 13.ª Vara de Curitiba foi declarada incompetente para os processos, não poderia emitir mais qualquer juízo de valor.

“A autoridade reclamada, ao manter o bloqueio dos bens do reclamante, sob o frágil argumento de que a declaração de nulidade teria atingido apenas os atos decisórios proferidos no bojo das mencionadas ações penais, descumpriu flagrantemente a decisão desta Suprema Corte”, afirma o ministro.

Alvo da Operação Lava Jato, conduzida com mão de ferro pelo então juiz federal Sérgio Moro, o ex-presidente foi condenado e ficou preso 580 dias, o que o impediu de disputar as eleições de 2018. Seus bens foram bloqueados no âmbito de processos criminais que o Supremo Tribunal Federal acabou anulando ao decretar a incompetência do juízo de Curitiba e a suspeição de Moro, agora filiado ao Podemos e provável candidato à sucessão de Jair Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto em 2022

nov
21
Posted on 21-11-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-11-2021


 

 

 J. Bosco, NO JORNAL

 

nov
21
Posted on 21-11-2021
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DO CORREIO BRAZILIENSE

Em entrevista à ISTOÉ, a ativista afirmou que a ordem de mudar o foco dos protestos para o STF veio do ministro general Augusto Heleno

CB
Correio Braziliense
 

 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Na última sexta-feira (19/11), a ativista Sara Winter, 29 anos, revelou detalhes de sua relação com o governo Bolsonaro e as articulações do “Acampamento dos 300”, instalado em maio de 2020, em Brasília. Em entrevista à ISTOÉ, a ativista apontou nomes de parlamentares, ministros e do presidente Bolsonaro na orientação para atacar a imprensa, o Supremo Tribunal Federal (STF) e, o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Sara não revelou quem teve a ideia dos ataques e afirmou que a iniciativa do acampamento partiu dela e de Osvaldo Eustáquio “que se transformou numa histeria coletiva”. No entanto, disse que diversos parlamentares como Daniel Silveira (PTB-RJ), Carla Zambelli (PSL-SP), Sargento Fahur (PSL-PR) e Bia Kicis (PSL-DF) foram muito presentes na organização do acampamento, incluindo o ministro-chefe do Gabinete de Segurança, general Augusto Heleno.

Segundo a ativista, a deputada Carla Zambelli era a parlamentar que mais interagia com o acampamento. Também teria partido de Zambelli o direcionamento dos protestos contra Rodrigo Maia. A presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Bia Kicis, tinha o papel de ajudar na estrutura da organização. De acordo com Sara, a deputada teria cedido um assessor de seu gabinete para acompanhar as reuniões com a Secretaria de Segurança do Distrito Federal. Além disso, durante a entrevista, ela disse que a influência do presidente Bolsonaro sobre o grupo era direta, mas que ele não poderia ser o “protagonista para não sofrer represálias”.

Ao se referir a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, foi cautelosa com as palavras. Sara chegou a morar com ela e era comum que a filha de Damares ficasse na casa de sua mãe. A ministra teria orientado Sara à abandonar o acampamento. “A Damares já sabia que eu ia ser presa e o governo orientou a não falar mais comigo”. As duas não se falam desde 27 de maio de 2020.

Quando questionada sobre o funcionamento da milícia digital, ela revelou que depois que saiu da bolha bolsonarista suas mídias perderam força, mas que o boato mais comum é que os deputados utilizam as emendas em esquemas para criar perfis falsos, especialmente nesse momento. “Ainda tem gente ganhando muito dinheiro com isso”, admite.

A ex-defensora de Bolsonaro se declara desiludida com o presidente. Entre os motivos da indignação, a censura dentro do bolsonarismo, a falta de apoio e uma dívida de mais de R$ 3 milhões, referente à processos judiciais. A ativista se diz arrependida de ter feito o acampamento. “Não tem mais como defender Bolsonaro. Mas se ele pedir para os bolsonaristas comerem merda, as pessoas vão comer”. 

Com medo de retaliação, tanto da esquerda quanto de bolsonaristas, a militante reconhece que usa a imprensa como um meio para conseguir alguma proteção e planeja se mudar para o México com o filho.

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