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Postado em 18-11-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 18-11-2021 00:21

A imagem de Jacob Chansley usando um chapéu com chifres de búfalo deu a volta ao mundo em 6 de janeiro de 2021 e se tornou a prova da penetração das teorias da conspiração entre os seguidores de Trump

Jacob Anthony Angeli Chansley, conhecido como o xamã do QAnon, durante o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos.
Jacob Anthony Angeli Chansley, conhecido como o xamã do QAnon, durante o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos.BRENT STIRTON (Europa Press)
Iker Seisdedos
Washington
 
 

O ícone do ataque ao Capitólio já conhece sua sentença. A imagem de Jacob Chansley, de peito descoberto, usando um chapéu com chifres de búfalo como um caçador do Oeste e armado com um megafone e uma bandeira norte-americana, cujas cores adornavam seu rosto, deu a volta ao mundo no dia 6 de janeiro. Hoje foi condenado por um juiz federal em Washington a 41 meses de prisão (pouco mais de 3 anos) por tais acontecimentos.

Esse ator de 34 anos com um passado na Marinha foi imediatamente apelidado de “o xamã do QAnon” e se tornou um símbolo do ataque e da penetração das mais selvagens teorias da conspiração entre os setores extremistas dos seguidores de Trump. O então presidente convocou milhares deles naquele dia em um comício em Washington, em frente ao Capitólio. A arenga sobre o suposto roubo eleitoral, alegação sobre a qual não existiam nem existem provas, desembocou no ataque, que ofereceu a imagem de um país no limite, cuja democracia foi vista, em uma transmissão ao vivo para todo o mundo, constrangedoramente em apuros.

O promotor havia pedido uma pena maior, de 51 meses. Para a diminuição da sentença foi considerado o fato de Chansley ter se declarado culpado em setembro de obstruir um procedimento oficial: a certificação no Senado da vitória de Joe Biden. Ele foi um dos primeiros a invadir a câmara. E uma vez dentro do edifício, colocou-se à frente da multidão, fazendo poses fotogênicas a torto e a direito. Chegou a subir ao pódio, onde poucos momentos antes o vice-presidente Mike Pence tinha dirigido a sessão. O xamã do QAnon deixou inclusive um bilhete, segundo o processo, que dizia: “É só uma questão de tempo, a justiça cairá sobre você”. Pence se tornou naqueles dias a besta negra do trumpismo por se recusar a ceder à pressão do magnata para impedir a nomeação de Biden como 46º presidente dos Estados Unidos.

Durante estes 10 meses Chansley não frustrou a promessa de sua extravagante irrupção no circo da fama. Primeiro, seu advogado pediu a Trump que indultasse seu cliente, poucos dias depois de ter sido preso. E depois, aquele se ofereceu para testemunhar contra o ex-presidente em seu segundo e malsucedido impeachment.

Em fevereiro, o xamã do QAnon voltou às manchetes depois de conseguir que um juiz obrigasse a prisão da Virgínia, onde cumpriu a maior parte de sua pena até agora, a servir-lhe de uma dieta de alimentos orgânicos. Um mês depois deu uma entrevista ao 60 minutes, programa considerado uma instituição informativa da CBS no horário de maior audiência, na qual alegou razões religiosas para justificar seus atos naquele dia. Enquanto esteve detido, os médicos da prisão diagnosticaram que sofria de esquizofrenia transitória, transtorno bipolar, depressão e ansiedade.

Seus comparecimentos perante o juiz também não decepcionaram: citou tanto Jesus Cristo quanto o juiz da Suprema Corte Clarence Thomas ou o drama carcerário Um sonho de liberdade, estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman. “O pior de tudo é ser consciente da minha culpa. Olhar-me no espelho todos os dias e pensar: ‘Você realmente pôs tudo a perder’”, declarou durante o processo. “Estive em confinamento solitário por minha causa. Por minha decisão. Violei a lei… Deveria fazer o que Gandhi faria e assumir a responsabilidade. Isso é o que os homens honrados fazem.”

Até o momento as investigações sobre o ataque ao Capitólio levaram a cerca de 30 processos judiciais. O primeiro terminou na semana passada, quando o dono de uma academia em New Jersey foi condenado à mesma pena de Chansley (41 meses) por socar um policial, uma agressão que, assim como o resto das seis horas que duraram os acontecimentos, foi imortalizada por centenas de câmeras de amadores e profissionais. Cinco pessoas morreram no ataque. Um membro da polícia do Capitólio que havia sido atacado por manifestantes morreu em 7 de janeiro e quatro outros policiais do Distrito de Columbia que participaram da defesa se suicidaram posteriormente.

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