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Postado em 13-11-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 13-11-2021 03:27

 

Moro diz que Brasil precisa escapar dos extremos ao se filiar ao Podemos - ISTOÉ DINHEIRO

Moro no ato de filiação ao Podemos, em Brasília;

ARTIGO  DA SEMANA

Moro no Podemos: Coragem, signos e planos na 3ª Via

Vitor Hugo Soares 

Certamente não foi obra do acaso a escolha do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, para receber, na quarta-feira, 10, a expressiva festa política de filiação, ao Podemos, do ex-juiz federal Sérgio Moro – viga mestra de sustentação e prestígio da Lava Jato. Quem estuda e analisa os signos da comunicação e do poder – jornalistas, marqueteiros e políticos, principalmente – observou, de saída: nada da linguagem e da representação simbólica escapou aos organizadores do evento e à sua maior atração. Do jeito de corpo e da fala (severo mas sóbrio e leve), ao local da cerimônia, e nome do partido escolhido para a difícil e desafiadora empreitada que o ex-magistrado acaba de assumir.

“Não tenho uma carreira política e não sou treinado em discursos políticos (…) o Brasil não precisa de líderes que tenham voz bonita. O Brasil precisa de líderes que ouçam a voz do povo brasileiro… Precisamos falar sobre corrupção. Muitos me aconselharam a não falar sobre o assunto, mas isso é impossível (…) Está tudo conectado (…) Todo mundo sabe que o dinheiro desviado é o hospital e a escola sucateados (…) As estruturas do poder foram capturadas. A busca do interesse público foi substituída pela busca egoísta dos interesses próprios e dos interesses pessoais e partidários”, disse Moro nos trechos mais simbólicos e aplaudidos de sua fala.

Assim ele entra nas presidenciais de um tempo temerário, até esta semana polarizadas nos nomes do atual presidente, Jair Bolsonaro (pelo PL do notório Waldemar da Costa, de contas a acertar na polícia e na justiça), à direita, e do ex, Lula, à esquerda, que dispensa comentários sobre sua folha corrida, e dificuldades de sair dos bastidores, para encarar palanques e falar para multidões como é do seu gosto e talento.

Moro entrou para valer na corrida de 2022. Diga-se, a bem dos fatos: outro signo que assenta à perfeição no novo perfil (o político) do ex-condutor da Lava Jato é o Decálogo do Estadista, de Ulysses, senhor da Constituição de 1988 (agora atacada por todos os flancos pelo governo Bolsonaro e seus seguidores no Congresso).A começar pelo primeiro mandamento: A Coragem.
Já o citei  outras vezes, mas não custa  repetir o ditame da tábua do doutor Ulysses, – até para contextualização dos fatos: “O pusilânime nunca será estadista. Churchill afirmou que das virtudes a coragem é a primeira. Porque sem ela, todas as demais, a fé, a caridade, o patriotismo desaparecem na hora do perigo. Há momentos em que o homem público tem que decidir, mesmo com risco de sua vida, liberdade, impopularidade ou exílio. Sem coragem não o fará… O medo tem cheiro. Os cavalos e cachorros sentem-no, por isso, derrubam ou mordem os medrosos. Mesmo longe, chega ao povo o cheiro corajoso de seus líderes. A liderança é um risco, quem não assume não merece esse nome”. Precisa desenhar?

O ex-ministro da Justiça desenhou plataforma de campanha, defendeu princípios e a Lava Jato, que irá levar às urnas, anunciou prioridades de governo. Mas acima de tudo fez do seu discurso um testamento de coragem e espírito público: “O Brasil pode confiar que este teu filho não fugirá à luta e que jamais deixará o seu interesse pessoal, ou de seus filhos ou de sua família, ou mesmo de seus amigos ou de seu partido político, acima do interesse do povo brasileiro”, disse Moro ao encerrar sua fala sob intensos aplausos. O resto a conferir.
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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