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10

Demonstrando firmeza, sem ser agressivo, o ex-juiz enviou recados a todos os rivais e transformou seus pontos fracos em ativo político, seguindo o manual do marketing político.

“Não tenho uma carreira política e não sou treinado em discursos políticos (…) o Brasil não precisa de líderes que tenham voz bonita. O Brasil precisa de líderes que ouçam a voz do povo brasileiro”, disse, logo no início.

Como reza a cartilha eleitoral, especialmente em tempos de mídias sociais e informação descentralizada, Moro aposta na autenticidade e reforça a impressão de que não será um candidato domável. Não vestirá, portanto, o figurino “paz e amor” para ser aceito no debate.

Antes, usará a campanha para defender o legado da Lava Jato e sua própria biografia. “Eu sempre fui considerado um juiz firme e fiz justiça na forma da Lei”, afirmou, ao enaltecer os números da operação — que recuperou R$ 4 bilhões e ainda deve resgatar mais R$ 10 bilhões desviados dos cofres públicos. “Isso nunca aconteceu antes no Brasil.”

Isso ficou bem claro ao repetir que foi “boicotado” pelo governo Bolsonaro quando ministro da Justiça. “Continuar como ministro seria apenas uma farsa. Nenhum cargo vale a sua alma.”

Também ficou evidente que, para o ex-juiz, todas as mazelas (ou quase todas) do Brasil decorrem da absoluta ausência de moralidade pública, da corrupção entranhada nas estruturas, de uma máquina que não serve à sociedade, mas a um pequeno grupo de privilegiados que a ocupam.

“Precisamos falar sobre corrupção. Muitos me aconselharam a não falar sobre o assunto, mas isso é impossível (…) Está tudo está conectado (…) Todo mundo sabe que o dinheiro desviado é o hospital e a escola sucateadas (…) As estruturas do poder foram capturadas. A busca do interesse público foi substituída pela busca egoísta dos interesses próprios e dos interesses pessoais e partidários.”

Com a ideia de ser o legítimo candidato antissistema, Moro lança mão da fórmula de sucesso que elegeu Lula em 2002 e Bolsonaro em 2018. Mas promete não repetir o estelionato dos antecessores, seus rivais. “Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha. Chega de emendas secretas! Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar a população.”

Inspirado no modelo de força-tarefa da Lava Jato, o ex-juiz também promete oxigenar o debate com ideias concretas, e até inovadoras, para lidar com problemas antigos. Disse que, caso eleito, montará uma “Força-Tarefa de Erradicação da Pobreza”espécie de agência independente formada por servidores e especialistas. E criará uma “corte nacional anticorrupção”.

Moro também escapou da armadilha do discurso identitário, que domina o debate público sobre inclusão. “Somos todos irmãos, amigos e vizinhos”, disse, prometendo um governo “para todos” e não só para a militância barulhenta. De forma estratégica, acenou para as Forças Armadas (“pertencem aos brasileiros, não ao governo”), defendeu o meio ambiente (“o Brasil pode ser não só o celeiro do mundo, mas também a liderança e o exemplo na preservação da floresta”) e o livre mercado (“precisamos abrir e modernizar nossa economia”) com solidariedade e compaixão.

Diante de políticos de diferentes legendas, como União Brasil e Novo, Moro aproveitou para expor suas precondições para futuras alianças, citando o necessário compromisso com a volta da prisão em segunda instância, com o fim do foro privilegiado e da reeleição para o Executivo.

O novo e mais célebre filiado do Podemos, porém, pecou ao não direcionar palavras e gestos às lideranças dispostas a encampar sua candidatura até o fim, como prevê o protocolo de eventos partidários. Acostumado à letra fria da lei, Moro ainda precisa dominar os códigos do mundo político, a fim de agregar aliados necessários para aquela que promete ser a luta mais difícil de sua vida.

 

nov
10
Posted on 10-11-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-11-2021

Foto: Alan Santos/PR

DO CORREIO BRAZILIENSE

Economia

Aliados do ex-juiz Sergio Moro dizem que ele viu com “satisfação” a associação do presidente Jair Bolsonaro com o “corrupto” Valdemar da Costa Neto. Para Moro, ao se filiar ao PL, Bolsonaro rasgou de vez o discurso contra a corrupção.

 

Na avaliação do entorno de Moro, quanto mais Bolsonaro associar sua imagem ao que há de pior no Centrão, mais eleitores de direita que votaram no presidente em 2018 vão abandoná-lo. E o caminho natural, acreditam, será a adesão à candidatura do ex-juiz.

 

A filiação de Bolsonaro ao PL foi confirmada pelo próprio Valdemar da Costa Neto, por meio de um áudio (ouça abaixo) que ele vazou. Na gravação, Costa Neto diz que Bolsonaro negociou tudo com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, do PP, para evitar um racha no Centrão.

https://anchor.fm/cbpoder/embed/episodes/Valdemar-Costa-Neto-confirma-filiao-de-Bolsonaro-ao-PL-e1a0knd

 

Moro, que foi ministro da Justiça de Bolsonaro, se filiará ao Podemos nesta quarta-feira (10/11). A perspectiva é de que ele seja o candidato à Presidência da República em 2022 pela legenda. Há um grupo, porém, que defende que o ex-juiz saia ao Senado por São Paulo.

 

O desejo de Moro, no entanto, é tirar Bolsonaro do segundo turno das eleições e derrotar Lula, do PT, na disputa final. O ex-juiz da Lava-Jato já começou a montar sua equipe. Convidou, por exemplo, Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura de Lula, para elaborar propostas econômicas.

 

Apesar da filiação ao Podemos, não está descartada uma adesão do União Brasil, fusão do DEM com o PSL, à candidatura de Moro. O deputado Luciano Bivar, presidente do PSL, tem conversado muito com o ex-ministro da Justiça.

nov
10
Posted on 10-11-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-11-2021
DO SITE O ANTAGONISTA
Veja outros nomes da chamada Terceira Via que receberam o convite para participar do ato marcado para amanhã, em Brasília
Doria e Mandetta na filiação de Moro; veja outros nomes da Terceira Via convidados
Foto: Governo do Estado de São Paulo

 

 

João Doria (foto) e Luiz Henrique Mandetta são, até agora, presenças confirmadas no ato de filiação de Sergio Moro ao Podemos, amanhã, em Brasília. Doria já deu essa informação publicamente, como registramos. Mandetta confirmou presença a O Antagonista por meio de sua assessoria.

O governador de São Paulo disputará as prévias, no próximo dia 21, para a escolha do candidato tucano ao Planalto. O ex-ministro da Saúde está atualmente no DEM e tem mantido contato com o ex-juiz desde que deixou o governo Bolsonaro.

 Eduardo Leite, que briga com Doria pela vaga do PSDB, não irá à cerimônia. Segundo a assessoria do governador gaúcho, houve incompatibilidade de agendas. Arthur Virgílio Neto, que corre por fora nas prévias, não deve ir, pois está em viagem pelo Nordeste.

Bruno Araújo, presidente do PSDB, se reuniu na semana passada com Moro, como registramos, e já antecipou a ele que não conseguiria estar presente no evento, pois estaria em viagem. Institucionalmente, o PSDB estará representado por Domingos Sávio, primeiro-vice-presidente.

Leia também: Quem do Novo vai à filiação de Moro ao Podemos

Leia também: Filiação de Moro: “Não vai ter bebida nem bolo, mas será um dia de júbilo”

O senador Alessandro Vieira, que foi apresentado como pré-candidato ao Planalto pelo Cidadania, disse a O Antagonista que terá, no mesmo horário do evento de Moro, uma votação importante na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas vai se esforçar para conciliar a agenda e ir ao local “desejar boa sorte” ao ex-juiz.

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado e nome de Gilberto Kassab, presidente do PSD, para a Presidência da República, também não vai aparecer na filiação de Moro porque ainda estará fora do Brasil — hoje ele participou, em Glasgow, na Escócia, da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26). Kassab está em Lisboa, para participação em evento do IDP de Gilmar Mendes.

José Luiz Penna, presidente do PV, que vinha participando das conversas da chamada “turma do centro”, afirmou a este site que não vai à filiação do Moro nem enviará representantes do partido. Para ele, que se diz “preocupado”, “a situação está muito confusa”.

O deputado Baleia Rossi, presidente do MDB, foi convidado por Moro, mas até a tarde desta terça-feira não sabia se poderia ir. A senadora Simone Tebet, possível presidenciável emedebista, também recebeu o convite, mas estará em São Paulo, cumprindo agenda com colegas da CPI da Covid.

À Folha, Baleia disse:

“Sempre que surge um nome e um partido disposto a construir uma alternativa é positivo. (…) E a Renata [Abreu, presidente do Podemos] tem conversado muito com os outros partidos. A saída da Terceira Via, de uma candidatura alternativa aos extremos, é que todos, até março do ano que vem, consigam sentar numa mesa e ter uma união para não dividir o campo.”

O ato de filiação está marcado para começar às 9h.

“Razon de Vivir”, Mercedes Sosa: marcante interpretação de Mercedes Sosa da canção de ausência e saudades composta por Victor Herédia em homenagem à sua irmã desaparecida nos anos loucos da ditadura argentina. Sem perder a esperança.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
10

O apresentador e jornalista narrou o texto durante uma série de homenagem a cantora na edição do último domingo do Fantástico (7/11)

PG
Pedro Grigori
 

 (crédito: TV Globo/Reprodução)

(crédito: TV Globo/Reprodução)

A morte prematura da cantora Marília Mendonça continua arrancando lágrimas de fãs e admiradores da música sertaneja. No último domingo (7/11), foi a vez do jornalista e apresentador Pedro Bial emocionar os brasileiros com uma homenagem à “rainha da sofrência”.

“Marília, por que tanta pressa? Por que tão rápido?”, questiona Bial no texto que fez parte da série de homenagens que a cantora recebeu no Fantástico, da Rede Globo. “Você ainda tinha tanta história pra viver e ouvir e depois em versos nos contar, tanto canto a doar”, completa.

 
 Os fãs ficaram emocionados com as palavras do jornalista:
 

Confira a íntegra da crônica de Pedro Bial

Hoje, a gente olha pro céu e clama, “pra que tanta pressa? “; e reclama, cambaleante, sem o chão de tua voz.

Marília, por que tanta pressa? Por que tão rápido?

 

Você ainda tinha tanta história pra viver e ouvir e depois em versos nos contar, tanto canto a doar.

Por que tão rápido, pra que a pressa?

Que versos você escreveria pra explicar isso? Como termina essa canção, interrompida pelo estrondo de silêncio? Que música é essa em descompasso e desafino, onde dó é só padecimento?

Como toda história, uma canção tem começo, meio e fim. E alguém já disse que toda canção começa buscando um meio de chegar ao fim. A canção de sua vida parece foi interrompida antes de encontrar o meio. É tão anti-natural, chegar ao fim, sem nem acabar de começar. Arrancaram a flor, ficou seu sonoro perfume a consolar um jardim entristecido.

 

Pois, agora, você que falava das coisas fugidias da vida, essas coisas de amores e dores, encontros e adeuses, você que libertava as palavras, deixando que voassem passarinhas pra nos consolar e pra que a gente as acolhesse no ninho de nossas solidões; agora, Marília, seus versos se aquietaram, imóveis, como mão de mãe, suave, sobre cabeça de menino, pousados sobre nossa memória.

Hoje, a gente lhe pergunta: “Nunca mais, Marília?”.

E, com um sorriso mais manso do que triste, você nos responde que não, não é “nunca mais”. Dedilha o violão, compondo uma canção pros anjos, e diz, “É para sempre”.

“Marília está viva em todos nós!”

Além de Pedro Bial, uma série de artistas da música e da TV prestaram homenagens a Marília no Fantástico. Uma delas foi a cantora Roberta Miranda. Ao ser informada sobre a morte da amiga na última sexta-feira (5/11), Roberta passou mal e teve que ser internada às pressas em um hospital.

 

“A Marília não vai morrer, através da canção dela, da arte dela, a Marília tá viva em todos nós”, disse a cantora no programa da Rede Globo. Roberta recebeu alta do hospital ainda na sexta-feira.

nov
10
Posted on 10-11-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-11-2021



 

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