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Posted on 07-11-2021
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Gama Livre: Jânio Ferreira Soares, no Bahia em Pauta: O Rio São Francisco, mesmo com milhões de metros cúbicos sem oxigênio, manda de Paulo Afonso um recado de vida e resistência

                                     Poemas que nascem da chuva

Janio Ferreira Soares

 

A história é velha, mas vale um bis. Conta Fernando Sabino que ele, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga (“três condenados à crônica diária”) costumavam se ajudar quando faltava assunto pra produzir seus textos. Numa dessas ocasiões, detalhada em “O estranho ofício de escrever”, Rubem lhe perguntou: “Será que você teria aí uma crônica pequenininha pra me emprestar?”, no que Sabino, já pensando na torna, lhe mandou “O preço da sopa”, contando o caso de um menino que lhe pedira um cruzeiro pra tomar uma que custava exatamente esse valor numa espelunca da Lapa.

Como grande mestre-cuca que era, Rubem então lhe acrescentou alguns ingredientes, elevou o pardieiro à condição de restaurante, aumentou seu preço pra cinco cruzeiros e saciou seus famintos leitores publicando-a sob o título de: “A sopa”.

Tempos depois, foi a vez de Sabino lhe pedir emprestado um de seus famosos quitutes. E após ouvir do capixaba um “vou ver o que posso fazer”, recebeu de volta sua requentada crônica com o malandro argumento de que “as outras estão muito gastas”. Mas como todo bom mineiro tem sempre um torresmo guardado na manga, ele então a refogou com umas folhas de ora-pro-nóbis no azeite, dobrou seu preço pra dez cruzeiros e liquidou de vez o assunto, dando-lhe o sugestivo título de: “Essa sopa vai acabar”.

Pois bem, sem ninguém pra me emprestar sequer um insosso caldo de chuchu, só me resta lhe servir esse escalfado repleto dos temperos que colho no entorno do meu condado, enriquecido por uma bela gema caipira boiando entre coentros e vírgulas, que deve ser bebido bem naquela estranha hora em que nem a noite se decide escura, nem a tarde se convence de que é hora de partir.

Dito isto, semana passada, depois de uma inesperada chuva, o barulho das suindaras no telhado me despertou antes dos pardais. Ainda no escuro, iniciei minha peregrinação matinal que consiste em dez passos até o banheiro, seguidos de mais trinta e quatro até o começo dos quinze degraus que me levam a uma pequena curva à esquerda de quem desce, onde de lá dou mais dezenove chineladas até finalmente abrir a porta que me joga na cara versos fixos e poemas de ocasião.

Por fixos entenda-se um pacato rio, que se de manhã reflete garças e gradações do céu, de noite centelha a lua se ela for cheia, ou dorme breu se ela minguar. Em seguida, um vasto horizonte cheio de torres e fios leva a energia das hidroelétricas, que entre outros benefícios tem o dom de restituir à vida do Deus de led, cujo brilho da luz entorpece olhos e estanca a sangria desatada de viciadas mãos.

Já os inesperados poemas, esses dependem da cumplicidade do tempo, como agora, quando a chuva embranqueceu de flores os galhos das juremas, que por apenas três dias encantaram os que nunca viram neve e iludiram os abonados a enxergarem pedaços de Aspen nesse sertão de Ariano, de Graciliano e, só pelo prazer de fazer parte da rima, deste velho Janio.

 

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, nas barranca baianas do Rio São Francisco.

 

“A Woman`s Love”, Willie Nelson: o estilo Willie, romântico e original de tocar e cantar country music, para embalar o domingo no Bahia em Pauta. Doce e apaixonadamente.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares).

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07

DO SITE O ANTAGONISTA

Sergio Moro não tem chance contra Jair Bolsonaro, segundo “assessores palacianos” ouvidos pela Folha de S. Paulo.

Para não deixar a menor dúvida sobre o assunto, a reportagem repete os mesmos argumentos por 32 parágrafos. O jornal só não diz se os tais “assessores palacianos” foram investigados ou não pela Lava Jato, como Ciro Nogueira, por exemplo.

 Diz a Folha de S. Paulo:

“Esses aliados ressaltam que Moro deve ter pouco espaço para crescer. O principal argumento é que o ex-juiz dificilmente conseguirá construir uma aliança partidária com congressistas e prefeitos que lhe dê sustentação para avançar na disputa.

Uma das consequências, dizem assessores palacianos, é que Moro não deve ter acesso a um tempo de televisão competitivo (…).

A demissão de Moro não rachou o bolsonarismo e, dizem interlocutores do presidente, não teria como arrematar parcela considerável de apoiadores em 2022 — o que é visto como outra razão para a descrença de que uma eventual candidatura do ex-aliado possa ameaçar a de Bolsonaro”.

O que o eleitorado vai fazer ou deixar de fazer no ano que vem é uma questão que, neste momento, me interessa relativamente pouco. O que de fato me interessa é a campanha em si, durante a qual Sergio Moro poderá expor um monte de farsantes, não apenas na política e nos tribunais superiores, mas também na imprensa.

Como eu disse na Crusoé, ele nem precisou fazer nada para isso: bastou desembarcar no Brasil. O desespero que sua candidatura provocou em assessores palacianos, em assessores de criminosos e em assessores de imprensa é a prova de que eu tenho razão.

Sergio Moro entrou no jogo seis dias atrás. Mas já valeu a pena.

nov
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Posted on 07-11-2021
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 Sid, no portal 

 

nov
07
Posted on 07-11-2021
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DO EL PAÍS

As composições da ‘rainha da sofrência’ começaram a chamar atenção quando ela ainda tinha 12 anos e cantava na Igreja em Goiânia. Menos de 10 anos depois, conquistou o Brasil

Marília Mendonça durante sho em São José dos Campos, no dia 25 de setembro.
Marília Mendonça durante sho em São José dos Campos, no dia 25 de setembro.Will Dias (AP)
Yago Sales
Goiânia –
 
 
 “Todo mundo vai sofrer”, escreveu Marília Mendonça em um de seus maiores sucessos. O verso ganhou um sentido ainda mais profundo nesta sexta-feira, quando a queda do avião bimotor em que viajava para Minas Gerais encerrou de forma trágica a carreira meteórica de uma cantora de apenas 26 anos. Conhecida primeiro como compositora, adentrou o mundo da música pelas vozes de grandes nomes do sertanejo, como Cristiano Araújo, coincidentemente vítima de outra tragédia fatal, aos 29 anos, num acidente de carro em 2015. Dela, Araújo gravou É com ela que eu estou; Jorge & Mateus cantaram Calma; e Henrique & Juliano celebrizaram Cuida bem dela.

Marília nasceu em Cristianópolis, a uma hora de distância de Goiânia. Foi na capital goiana que ainda menina começou a chamar a atenção por sua voz e pelas letras das músicas que já compunha. Logo estava se apresentando em bares e, por fim, em shows que atraíam milhões de fãs, um público que nunca a deixava cantar sozinha. Ao lançar Infiel, em 2016, se estabeleceu como rainha da sofrência, o grande expoente do feminejo —o fenômeno das cantoras de música sertaneja que tomou o país— e a psicóloga dos bares.

Em 2018, iniciou a parceria com a dupla Maiara & Maraísa, com o disco Agora é que são elas 2, e se preparava agora para sair em turnê com as duas pelo projeto Patroas em 2022. Nos últimos meses, respeitou as limitações impostas pelas autoridades por conta da pandemia de coronavírus, mas não deixou de consolar seu público de desiludidos amorosos. No dia 8 de abril do ano passado, estabeleceu um novo recorde para sua carreira de prodígio: se tornou a artista mais assistida em uma live, com 3,3 milhões de visualizações simultâneas.

Na era das redes sociais, os números falam por si: 39 milhões de seguidores no Instagram, 22 milhões no YouTube, 15 milhões no Facebook, 7,8 milhões no Twitter. Nesta sexta-feira, sua morte levou o Estado onde nasceu a guardar três dias de luto. Tirou mensagens de pesar do presidente da República e de seu maior adversário político, o ex-presidente Lula da Silva. Foi reverenciada por gigantes da música nacional, como Caetano Veloso e Gal Costa, e homenageada por jogadores do futebol e por ministros do Supremo Tribunal Federal.

Escritas para evocar amores, decepções e o medo diante das agruras da paixão, as canções de Marília devem ganhar novos significados a partir de sua morte. Músicas como Supera, De sexta a sexta, Ei, saudade e… seus fãs sabem que a lista é muito mais longa. Marília era a intérprete dos brasileiros que amam, perdem e superam. Ao menos é o que, cercada pelo coro de sua plateia, hoje boquiaberta diante da televisão, ela tentava ensinar em suas letras. Resta aos fãs, ainda chocados, repeti-la: “Ei, saudade/ Precisamos conversar/Tão covarde, quando você vai passar?”.

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