É fundamental que, desde o início, Sergio Moro deixe claro a que veio, para além da sua agenda anticorrupção. E se recomenda também que comece atirando contra quem quis matá-lo politicamente
A fala de Moro no dia da filiação deveria ser uma “Carta aos Brasileiros”
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Naturalmente, políticos e jornalistas fazem contas neste momento, baseados nas pesquisas eleitorais que estão em andamento, seja para divulgação pública ou apenas consumo interno de partidos e empresas. A grande questão é saber se um candidato de Terceira Via será capaz de chegar ao segundo turno, contra um dos extremos que atualmente lideram as sondagens.

O nome mais bem posicionado é o de Sergio Moro (foto). Mas, antes de conquistar uma fatia suficiente do eleitorado, ele terá de fazer um arco de alianças políticas, para ganhar palanques estaduais. Talvez essa seja a sua tarefa mais difícil. Há muita resistência nos diferentes partidos aos seu nome, uma vez que, como juiz da Lava Jato, ele não poupou ninguém. O que se ouve é que apoiar Sergio Moro seria dar aval a um “governo de procuradores”. Como já dito, porém, se ele avançar nas pesquisas de intenção de voto e alcançar uma bela marca de dois dígitos no início do ano que vem, os reticentes poderão ser atraídos para a sua órbita durante a campanha.

Pelo fato de Sergio Moro ser quem é, um sujeito temido e também uma boa possibilidade, todas as atenções estarão voltadas para a sua fala em 10 de novembro, quando se filiar ao Podemos. Ela é decisiva para as suas pretensões eleitorais e, como tal, deveria ser encarada como a sua “Carta aos Brasileiros”. Por isso mesmo, nela não cabe improvisos. É fundamental que, desde o início, Sergio Moro deixe claro a que veio, para além da sua agenda anticorrupção. As linhas gerais para a economia, a saúde, a educação e a segurança pública (ponto que ele deveria explorar largamente) precisam estar nítidas, mesmo que o programa do candidato ainda esteja por fazer.

Por último, mas não menos importante, Sergio Moro errou ao não se defender com indignação dos ataques ad hominem que lhe foram feitos no processo de anulação das condenações de Lula e quando da sua saída do governo de Jair Bolsonaro. Pecou pelo excesso de elegância, num país que não valoriza esse atributo. O resultado é que a pecha de “parcial” e “traidor” pegou mesmo entre eleitores não-petistas e não bolsonaristas. Seria aconselhável, portanto, que ele começasse a sua caminhada atirando nos que tentaram matá-lo profissional e politicamente. O desafio é encontrar a justa medida, para que não pareça que entrou na corrida eleitoral movido pelo espírito de vendeta.

A partir do ano que vem, os números das pesquisas espelharão o discurso e a postura dos candidatos frente a assuntos concretos. Os brasileiros sabem exatamente quem são Lula e Jair Bolsonaro. Precisam saber também quem é Sergio Moro.

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