Elifas Andreato assina a capa do álbum que apresenta 12 letras inéditas de Aldir Blanc | Blog do Mauro Ferreira | G1
Depois dos tiros | ZÉducando

         CRÔNICA

       A saideira de um gênio chamado Aldir Blanc                                              

       Janio Ferreira Soares

Primavera enfim legitimada por dezenas de caraibeiras amarelando o sertão, leio que saiu “Inédito”, novo disco de Aldir Blanc, que pelo padrão dos lançamentos póstumos tinha tudo pra ser uma daquelas homenagens recheadas de canções adormecidas no limbo dos acordes imperfeitos, que pra não manchar a biografia do autor só saem depois de sua morte. Mas dessa vez, que feliz decepção!

Provando-se um fértil produtor de versos devolutos cultivados por velhos meeiros que sabem o adubo exato pra que eles não desandem, não sei se por essas cores provocadas pelo equinócio cruzando o equador celeste ou se pelos foguetes que ora louvam o santo que batiza meu rio, mas pouquíssimas vezes a primeira audição de um disco me comoveu tanto, a ponto de só me lembrar da água borbulhando no fogo ao ouvir “O café tá pronto?”, dito pela voz daquela que, mesmo nos vendavais, nunca deixou de me chamar na hora em que a Lua vai nascer.

E enquanto a água escorria coador abaixo e ela voltava da horta com berinjelas nas mãos, eu ouvia “Castelo de Lágrimas”, onde Aldir peregrina através da voz de Bethânia por estradas, mesquitas e santuários, desde o dia em que “você se foi de mim”. E mesmo ganhando no caminho água de poço, mel e pão, nada, absolutamente nada, sacia a ânsia no seu coração. No fim, de mãos vazias e ao mesmo tempo cheias de um amor sem ilusão, ele conclui, no jeito Blanc de rimar, que: “Não tem fim esse querer/ De saudade, areia e sal/ Com lágrimas ergo a você/ Um novo Taj Mahal”.

Em seguida, já lavando a louça diante de uma janela que nessa época certamente faria Monet emoldurar seu parapeito e assinar no basculante, a voz absurdamente grave de Dory Caymmi faz vibrar facas na pia e então começa “Provavelmente em Búzios”, como bem disse o querido Claudio Leal – num belo texto publicado na Folha de São Paulo -, a melhor do disco.

Composta por Cristóvão Bastos no mesmo piano que humilhou a dissonância ao nos dar “Resposta ao Tempo”, Aldir, tal uma Fênix baleada flanando pelos bares da Tijuca, diz não conhecer a palavra perder, tampouco dá a mão ao desgosto e, mesmo com a vida a lhe ferir, volta das cinzas “com um riso no rosto”.

Infelizmente me falta espaço pra falar da belíssima “Mulher Lunar” (“E me ocorre/ que eu nem cantava e você já sorria/ eu nem sonhava e você já sabia/ que viria a ser minha inspiração”), nem da loura sambando entre a coxinha e o camarão ao violão de João Bosco em “Agora Sou Diretoria”, muito menos do tango amineirado “Virulência”, inesperada parceria com o “comendador” Alexandre Nero, que fecha o disco lembrando que um vírus nos virou do avesso e, na falta de ar, nos acudiu “um governo deserto”.

Em dezembro de 2020, o projeto Bosque da Memória plantou uma goiabeira com seu nome. Pelo tempo, “passarinhos estradivários” já cantam em seus galhos e bicam suas sementes que, filhas de quem são, certamente nascerão poesias no próximo verão. Mil vivas a Aldir!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

 

Provavelmente em Búzios”, Dory Caymmi: provavelmente o momento maior de um disco excepcional, segundo o jornalista Cláudio Leal, na Folha, citado no belo texto de Janio, neste domingo no Bahia em Pauta. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

Comitê Norueguês premia os jornalistas Dmitry Muratov, da Rússia, e Maria Ressa, das Filipinas, pela defesa da livre expressão e por confrontarem o autoritarismo e o abuso de poder. Ao Correio, o russo homenageou seis colegas assassinados

RC
Rodrigo Craveiro
 
 

Muratov, editor do Novaya Gazeta: assassinatos não o intimidaram - (crédito: Natalia Kolesnikova/AFP)

Muratov, editor do Novaya Gazeta: assassinatos não o intimidaram – (crédito: Natalia Kolesnikova/AFP)

Do outro lado da linha, ao ser informada por Olav Njostad, secretário do Comitê Nobel Norueguês, de que foi uma das agraciadas com o Nobel da Paz, a jornalista filipina Maria Ressa, 58 anos, deu um grito e chorou. “Oh, meu Deus! Estou sem palavras! Muito obrigada!”, reagiu. A 8.252km de Manila, em Moscou, o também jornalista Dmitry Andreyevich Muratov, 59, recebeu a notícia, pouco depois, de que é o outro laureado. Surpreso, o russo afirmou que teria dado o prêmio a Alexei Navalny, um dos principais opositores do presidente Vladimir Putin. Pela primeira vez na história, o Comitê homenageou dois jornalistas “por seus esforços para salvaguardar a liberdade de expressão, pré-condição para a democracia e a paz”.

Cofundador e editor do Novaya Gazeta, Muratov dedicou o Nobel da Paz aos seis colegas assassinados por seu trabalho: Igor Domnikov, Yuri Shchekochikhin, Anna Politkovskaya, Stanislav Markelov, Anastasia Baburova e Natasha Estemirova. As janelas da sede do Novaya Gazeta, na capital russa, trazem estampadas as fotos dos funcionários mortos. Em comunicado, o ex-presidente da extinta União Soviética, Mikhail Gorbachev, comentou que o prêmio “eleva o significado da imprensa no mundo moderno a uma altura maior” e referiu-se a Muratov como um homem “corajoso, honesto e amigo”. Por meio do porta-voz do Kremlin, o atual presidente russo, Vladimir Putin, felicitou Muratov. “Trabalha sem cessar, seguindo seus ideais, mantendo-os. Tem talento e coragem”, declarou Dimitri Peskov.

Segundo o Comitê Nobel, há décadas Muratov tem defendido a liberdade de expressão sob condições cada vez mais desafiadoras. “Desde sua fundação, em 1993, o Novaya Gazeta publica artigos críticos sobre temas que vão desde corrupção, violência policial, prisões ilegais, fraudes eleitorais e ‘fábricas de trolls’ (mensagens controversas e irrelevantes) até o uso das forças militares russas dentro e fora da Rússia”, diz a nota.

Viúva de Yury Shchekochikhin, Nadezhda Azhgikhina saudou o Nobel para os jornalistas. “Muratov tinha em mente que o prêmio era para todos os jornalistas honestos, não apenas para ele. E foi dado no dia seguinte ao aniversário de 15 anos do assassinato de Politkovskaya. Foi simbólico”, afirmou ao Correio a jornalista de 61 anos. “Yury recebeu muitas ameaças de morte ao longo de vários anos. Quando nos conhecemos, em 1984, ele me confidenciou que seria assassinado por sua escrita.” Nadezhda contou que o marido morreu em 3 de julho de 2003, acometido de uma síndrome alérgica extremamente rara. “Ele jamais tinha apresentado alergia. Yury foi o primeiro jornalista a escrever sobre a corrupção e a máfia na União Soviética, em 1988”, disse.

 

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10
Posted on 10-10-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-10-2021


 

 

 J. Bosco , NO JORNAL

 

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10
Posted on 10-10-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 10-10-2021
“Caldeirão” entrou duas horas mais cedo no ar para a Globo encaixar a transmissão de Sport 1 x 0 Corinthians
Marcos Mion mantém liderança em dia de futebol
Reprodução/TV Globo

A programação alternativa armada pela TV Globo neste fim de semana não trouxe grandes problemas a Marcos Mion, de acordo com a pesquisa preliminar da Kantar Ibope Media em São Paulo.

Exibido duas horas mais cedo, o “Caldeirão” marcou 12 pontos de média na região, superando com folga a Record (6) e o SBT (4). 

 A facilidade com que Marcos Mion se adaptou ao “Caldeirão” tem surpreendido os executivos da Globo. Se o SBT não mexeu um dedo para atrapalhar o novo contratado da rival, o mesmo não pode ser dito da Record, que tem escalado alguns de seus melhores filmes para atrair os telespectadores da rival.

Por enquanto, um esforço em vão.

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