Covid de Queiroga carimba o passaporte de Bolsonaro na ONU - Andrei Meireles - Os Divergentes
Bolsonaro e comitiva na rua em Nova York.

 

ARTIGO DA SEMANA

Macunaíma em NY: Mico na ONU e Covid de Queiroga

Vitor Hugo Soares

Ao rever cenas protagonizadas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, à frente de sua comitiva, em Nova York, às vésperas da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, onde o chefe de estado brasileiro, por praxe, fez o discurso de abertura, esta semana, restou inevitável a comparação com a cena inicial de “Macunaíma”, aclamado filme de Joaquim Pedro de Andrade, com Grande Otelo no primoroso papel do “herói sem caráter”, baseado na obra prima homônima do escritor Mário de Andrade: o dono de um caminhão pau-de-arara estaciona na periferia de uma metrópole, cobra o dinheiro da passagem de cada um dos párias, viajantes ilegais, e ordena: “Sumam todos, rápido. Agora é cada um por si, e Deus contra”.

De pronto vêm imagens do atual dono do mando e sua comitiva –  impedidos de entrar nos restaurantes, por falta de comprovante de vacinas contra Covid 19 – repartindo e comendo pedaços de pizza, com as mãos, no meio da rua, na mais cosmopolita capital do planeta. E do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tal qual um boneco de teatro mamulengo, com o dedo médio em riste – (cotoco, no dizer do senador amazonense, Omar Aziz, na CPI da Covid) – em gesto obsceno e grotesco dirigido aos manifestantes que vaiavam a comitiva. 
 
Difícil não associar este espetáculo  – antes, durante e depois da abertura da reunião anual das Nações Unidas – a uma (re)encenação de Macunaíma, o livro e o filme, com os novos e surreais personagens dos trágicos e perversos dias que correm. Triste show de fanfarronices e  mentiras do próprio mandatário em seu discurso, sobre a política desastrada (que ele tenta jogar nas costas de governadores e prefeitos); do meio ambiente de números falsos sobre queimadas, desmatamentos, saques e ações em terras indígenas; da economia degringolada e da vida severina da parte mais pobre e desprotegida da população. 

A fala do “mito”, farsa completa aos olhos do mundo, parecia ser o desfecho reles reservado à comitiva brasileira e ao seu chefe, durante os dias que frequentou NY, na expressão do diário espanhol El País. Mas nada disso pareceu o bastante nesta viagem constrangedora de Bolsonaro e sua trupe. O incrível desfecho veio quase na hora do embarque de volta ao Brasil: o ministro Queiroga testou positivo para covid-19, e teve de ficar isolado no quarto do hotel em quarentena. E voltamos a Macunaíma, o livro, o filme e as semelhanças  dos nossos governantes em Nova York, com figuras macunaímicas.
Neste caso me socorro da brilhante análise crítica de Noemi Jaffe, sobre o livro, de 1928, e o filme, de 1969. No primeiro caso, Jaffe assinala que Mário de Andrade, “ao trazer Macunaíma de volta ao Uraricoera, deixá-lo ser devorado por Vei, a Sol, e, finalmente ao transforma-lo numa constelação que só pode ser vista no hemisfério Norte, ainda dá margem a alguma especulação. Afinal, antes de virar estrela, o herói diz: “Não vim ao mundo para ser pedra”, num grito que, se aponta para a sua derrocada, também mantém  sua potência”. No filme de Joaqu im Pedro de Andrade, pontua Jaffe, na Folha, “ao contrário do livro, não resta essa dúvida. Apesar do ritmo de chanchada e das alusões ao tropicalismo, ali a antropofagia só tem sentido negativo: o mais forte engole o mais fraco, o moderno engole o arcaico, o útil engole o inútil, e Macunaíma fracassa”. Ponto. O resto a conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Trista Pena”, Gipsy King: romântica e envolvente canção cigana no sábado de setembro do Bahia em Pauta. Confira.

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

set
25
Posted on 25-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2021

DO CORREIO BRAZILIENSE

Em uma postagem no Twitter, Bill de Blasio rechaçou o comportamento de Bolsonaro em relação à vacinação contra a covid-19 e disse que as pessoas devem utilizar o príncipe Harry e Meghan Markle, como exemplo

CB
Correio Braziliense
 

 (crédito: Michael M. Santiago/Getty Images/AFP e Evaristo Sá/ AFP)

(crédito: Michael M. Santiago/Getty Images/AFP e Evaristo Sá/ AFP)

A postura negacionista do presidente Jair Bolsonaro segue rendendo críticas na esfera pública internacional. Em uma postagem no Twitter, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, rechaçou o comportamento de Bolsonaro em relação à vacinação contra a covid-19 e disse que as pessoas devem utilizar o príncipe Harry, do Reino Unido, e sua esposa, Meghan Markle, como exemplo.

“Não seja como Jair Bolsonaro, seja como Harry e Meghan. Vacine-se”, escreveu o prefeito de Nova York em uma rede social junto com a publicação de uma foto em que aparece ao lado do casal.

No início da semana, o prefeito de Nova York disse que Bolsonaro não deveria ir até Nova York para participar da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas caso não tivesse sido vacinado contra o novo coronavírus. “Se você não quer se vacinar, nem precisa vir.”

“Com os protocolos em vigor, precisamos enviar uma mensagem a todos os líderes mundiais, principalmente Bolsonaro, do Brasil, que se você pretende vir aqui, você precisa estar vacinado”, afirmou o prefeito de Nova York. Bolsonaro era o único líder das maiores economias do planeta que declaradamente não se imunizou.

Já Harry e Meghan participarão, neste sábado (25/9)), do Global Citizen Live, uma transmissão de 24 horas no Central Park, em Nova York, iniciativa cujo intuito é pressionar os países por igualdade na distribuição de vacinas, segundo a revista Vogue.

set
25
Posted on 25-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2021



 

Sid, DO PORTAL DE HUMOR

 

set
25
Posted on 25-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-09-2021
 

A artista contou ter sentido raiva por ter julgado a mãe, mas que a situação foi complicada de entender por ser muito criança na época

VO
Victória Olímpio
 

 (crédito: Arquivo CB/D.A Press e Maria Rita/Instagram/Reprodução)

(crédito: Arquivo CB/D.A Press e Maria Rita/Instagram/Reprodução)

Maria Rita surpreendeu ao falar sobre a morte da mãe, Elis Regina, que faleceu em 1982, quando ela tinha apenas quatro anos. Durante participação ao programa Drag me as a queen, do canal E!, ela contou sobre não ter entendido a situação como as coisas aconteceram. 

“Era confuso, porque eu não entendia o que era morrer. Achava que tinha acontecido alguma outra coisa. Achava que tinha alguma coisa errada, fora da ordem ali. Foi confuso também porque pintavam que estava tudo bem, normal, e isso alimentava minha sensação de confusão. Isso num viés de uma criança que perdeu a mãe cedo”, contou.

A cantora explicou que após entender a situação, tornou-se ainda mais complicado lidar com tudo.”Eu achava que ela tinha ido embora. Foi um negócio confuso até eu entender de fato. Aí depois foi a confusão de como ela morreu. Bagunçou a cabeça mais ainda, eu tinha uns 12 anos”.

“Senti muita raiva, porque eu julguei a minha mãe. A forma como ela morreu não tá certo, todo mundo sabe que isso é errado. Tá em tudo quanto é anúncio de campanha de televisão, capas de revistas. Então entrei num conflito de ‘como assim, isso aconteceu tão perto de mim’, sabe? Até eu entender o que é. É sempre um processinho, com o tempo. Eu guardava muito, interiorizava muito”, afirmou. O laudo médico de Elis Regina atestou que a cantora morreu em decorrência de uma “intoxicação exógena, causada por agente químico – cocaína mais álcool etílico”. Familiares e amigos chegaram a contestar o laudo, afirmando que a cantora não tinha histórico de abuso de drogas. 

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