Quem precisa se preocupar com Moro é Bolsonaro, diz Lula | Exame
 Moro, no centro, para combater Bolsonaro e Lula nas presidenciais.
ARTIGO DA SEMANA

 

Moro contra Bolsonaro e Lula­­: hora da 3ª Via
­­
Vitor Hugo Soares

Depois dos protestos de 12 de setembro, contra o governo Bolsonaro, com destaque para a Avenida Paulista (estetoscópio da vez dos batimentos da política brasileira e suas contradições) duas evidências ficaram latentes para gregos e baianos. A primeira, o mais recente sinal do ditame de que “as esquerdas, no Brasil, só se unem na prisão”. A segunda, evidência delineada há tempo, nas pesquisas de opinião, que o ex-juiz condutor da Lava – Jato, Sérgio Moro, é nome essencial para estabelecer o confronto político e ético esperado, de fato, no surrado jogo entre o mandatário da vez, à “direita” (Jair Bolsonaro) e do ex à “es querda” (Lula). Mesmo com o apelo de alguns discursos e personagens dos atos em São Paulo (Ciro Gomes, Henrique Mandetta, João Dória Jr e Simone Tebet) – além do forte simbolismo dos bonecos do atual presidente e do ex, abraçados – restou o sentimento de que sem Moro a Terceira Via não decola.    

Há um sopro de alento no ar, para oposicionistas de centro esquerda, e chances de endurecimento do embate, na perspectiva de alguns observadores e analistas dos atos, de parcos e desunidos integrantes das oposições, entre os prédios do MASP e da FIESP, semana passada: A  notícia de que Moro – atualmente nos Estados Unidos onde mora e trabalha – virá ao País antes do final deste mês, para reunião com lideranças do Podemos, em Curitiba, quando deverá decidir sobre sua filiação partidária e candidatura em 2022. É o fio de esperança, com vistas ao futuro da via alternativa, nos próximos atos de rua, já convocados para 2 de outubro: a presença do ex-magistrado da Lava Jato  – nome simbólico do combate a corruptos e corruptores, bandeira axial para as presidenciais que se aproximam. Ainda mais depois das descobertas de tantos malfeitos e tantos malfeitores enfronhados no governo do “mito”, postos à nu (a exemplo de Marconny Albernaz, na quarta-feira, 15) pela CPI da Covid 19 no Senado.

Na mais recente passagem por Curitiba e Brasília, o ex-juiz disse a interlocutores (senador Álvaro Dias entre estes) que decidiria seu futuro político e filiação partidária no começo do mês que vêm. Falta pouco. E isso é que anima defensores da Terceira Via, para as presidenciais de 2022, cuja campanha Lula e Bolsonaro já estão quilômetros na frente, principalmente em regiões cruciais e decisivas, como o Nordeste. 

Além disso, não pegou bem a constrangedora ausência de público – em contraste com excesso de candidatos,  desencontros políticos e brigas, nas manifestações de 12 de setembro, em cima e em baixo dos vários palanques e nos grupos condutores dos atos – a ponto do atual presidente ironizar: “senti dó de meus adversários”, e do PT – PSOL puxar o coro: “fique em casa com Lula”.  Tudo isso – e muito mais – cobra “das oposições” reflexão e conversa decisiva entre seus quadros internos e com Moro, antes do próximo encontro nas ruas no País. Depois do 12 de setembro, é praticamente senso comum que, sem o ex-juiz condutor da Lava Jato, com força moral para bater em Lula e Bolsonaro, o carro da terceira via não engrena. Moro seria o nome capaz de empolgar – com a bandeira de combate à corrupção e de reformas sérias e de verdade – e estabelecer o elo de engajamento de grandes faixas da população, em especial a “maioria silenciosa” de classe média, ausente dos protestos até aqui. A situação como está só serve ao atual dono do poder e ao ex. Ou não?

 Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog
Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br­­­­

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“Outra Vez”, Nara Leão: a encantadora estrela da bossa em uma de suas mais belas e competentes interpretações. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 18-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-09-2021
O emedebista comentou o diálogo entre o presidente da República e o ministro do Supremo Tribunal Federal por telefone na semana passada
Temer diz que Moraes não recuou “um milímetro” em conversa com Bolsonaro
Fernando Aguiar/Casa Civil da Presidência da República

 

Michel Temer comentou nesta sexta-feira (17) sua atuação para apaziguar a tensão entre Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes. O ex-presidente foi o responsável por elaborar a carta em que o atual recuou dos ataques que fez ao ministro na semana passada.

Temer afirmou que a conversa foi “amigável”, mas Moraes não recuou “um milímetro”.

 

“Eles conversaram amigavelmente depois que o presidente apresentou um documento em que apenas coloquei alguns tópicos. Percebi uma conversa muito amigável, fraternal e adequada. Sem que o Alexandre recuasse um milímetro daquilo que juridicamente ele faz. Foi uma conversa útil naquele momento para distensionar”, disse o ex-presidente em um fórum virtual sobre liberdade e democracia, do Instituto de Formação de Líderes de São Paulo.

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18
Posted on 18-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-09-2021



 

 Cellus, NO PORTAL DE HUMOR

Não pode ser copiada nem reproduzida com qualquer outra finalidade.

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18
Posted on 18-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-09-2021

DO JORNAL DO BRASIL

Colunistas | Entre realidade e ficção

Por ÁLVARO CALDAS

Num processo silencioso, em meio à tensão, ao desemprego e à fome, os brasileiros estão se mandando para o exterior. Há uma debandada forçada de pessoas, grupos de amigos e de famílias inteiras tomando o rumo das fronteiras e aeroportos, dispostos a sair de qualquer jeito para tentar sobreviver ou trabalhar no estrangeiro. Não se trata de uma fuga de cérebros, cientistas e pesquisadores que não encontram mais espaço, são pessoas comuns, descrentes do Brasil, que perderam completamente as esperanças.

As dores e perdas são pessoais ou vividas em famílias, não dá tempo nem de explicar aos filhos o que está acontecendo. Vizinhos não ficam sabendo. De repente, aquela família do 302 desapareceu. Pesquisas mostram que o número de brasileiros que decidiu ir morar no exterior, mesmo correndo grandes riscos e aceitando qualquer trabalho, cresceu de uma forma assustadora. Um sentimento contagiante que se espalha, atingindo milhares de pessoas.

Gente de classe média, de classe média baixa, pequenos e grandes empresários. Excluídos e sem oportunidades de trabalho, os mais pobres são dizimados silenciosamente aqui mesmo. Independente das restrições de fronteiras impostas pela pandemia do covid 19, os fluxos migratórios cresceram mais de 35% entre 2018 e 2021. Quando fenômenos desta grandeza acontecem, envolvendo parte considerável da população, eles se conectam diretamente com o processo histórico.

Associado a este longo período de desagregação trazido pelo capitalismo neoliberal, impulsionando movimentos extremistas de direita mundo afora, as pessoas tendem a se isolar. Passam a ter medo dos outros, dos vizinhos. Nada mais se conversa entre eles nas poucas vezes em que se encontram no elevador. Nem mesmo aquela pergunta banal se o tempo vai mudar e se virá chuva à noite.

O outro pode ser pode ser um inimigo. E, pior, pode estar armado, como recomendam manuais bolsonaristas. A ação deste vírus, acoplado ao medo da pandemia, criou um ambiente de pânico. Nota-se um certo cansaço, as palavras tornaram-se secas e raras, estamos desaprendendo de falar. Os laços de sociabilidade se dissipam ao mesmo tempo em que os empregos se vão, a carreira acadêmica é interrompida, os filhos deixam de ir às escolas, falta comida na mesa e a obsessão pela sobrevivência se instala.

 Parlamentares e autoridades agem de forma farsesca e irracional, praticam ações e atos que no dia seguinte são negados. Integram um governo de extrema direita corrupto, que se tornou uma ameaça às instituições e à vida dos brasileiros. O país virou uma espécie de pária no cenário internacional. Não serve mais aos interesses de investidores e do mercado financeiro, seus fiadores que lhe dão sustentação. Criou-se uma sensação de instabilidade e ruptura.

A qualquer momento um golpe pode ser anunciado, os tanques descerão da Vila Militar para as ruas. Cabe ao chefe deste poder sufocante e policialesco determinar a hora em que desfechará o ataque. Mas ele pode recuar no dia seguinte, numa manobra inescrupulosa e repulsiva. Trata-se de um frustrado capitão em guerra contra seus adversários, os brasileiros, deixados na expectativa da iminência de um ataque.

Algo semelhante ao que sentiam os habitantes de Londres, durante a Guerra. A qualquer momento podiam ser surpreendidos pelas sirenes do sistema de alarmes. Andando pelas ruas, corriam em desespero para os abrigos, enquanto os caças nazistas despejavam bombas incendiárias.

Há a secreta esperança de reunir forças e pressionar pela abertura de um processo de impeachment. É claro que será necessário não dar tréguas aos indesejáveis, romper com os silêncios, falar novamente com os vizinhos, sair às ruas. Estender as mãos para uma grande mobilização, capaz de vencer a truculência de um poder autoritário defendido por fiéis fanáticos.

Nenhum país pode ser humilhado e derrotado desta maneira, inclusive este, que desde o inicio foi marcado pela discriminação e violência contra indígenas, negros e homossexuais. Uma província que Darcy Ribeiro chamou, num de seus sonhos, de “a mais bela do mundo”. Sedutor e adorável, Darcy tinha razão, mas eles não deixaram que seguisse seu destino.

 Um país amado por seus habitantes. Passou por muitas transformações, agora não é mais o mesmo, parece que não estamos no mesmo lugar. Acuadas, famílias estão sendo levadas a vender seus móveis, geladeiras, suas bicicletas, seus livros e até suas casas, para pagar as despesas de uma viagem inescapável. Ao contrário de outras vezes em que emigraram, não pretendem voltar. Barrados nas fronteiras ou nos aeroportos, percorrerão outros caminhos e tentarão de novo.

Sentem-se sem perspectivas, como acontece quando a pessoa é atingida por uma desgraça. Mas relutam e insistem ainda, tentam se reaproximar. A palavra da vez é resistência, dar uma reviravolta. Se nada que tentarem der certo, resta então a chance de começar tudo de novo. Levantar aos céus o clamor de uma nova era dos descobrimentos. Convocar os navegadores formados pela Escola de Sagres, com as caravelas saindo do porto do Restelo, em Lisboa, de onde partiram Vasco da Gama, em 1497, e Pedro Álvares Cabral, em 1500. Rumo a um novo mundo desconhecido.

*Jornalista e escritor

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