Gama Livre: Jânio Ferreira Soares, no Bahia em Pauta: O Rio São Francisco, mesmo com milhões de metros cúbicos sem oxigênio, manda de Paulo Afonso um recado de vida e resistência
CRÔNICA

 

Quando John Lennon nos chamou para sonhar

Janio Ferreira Soares

Numa dessas raras e felizes coincidências – provavelmente arquitetada por algum Deus que ama os Beatles, os Stones e a Democracia -, na mesma hora em que milhares de insanos saíam às ruas empunhando armas e bandeiras de um país que desconheço, o verso “Imagine all the people living life in peace” (Imagine todas as pessoas vivendo em paz) era projetado na Catedral de St. Paul e no Parlamento, em Londres, e em prédios de Berlim, Tóquio e Liverpool, cidade natal de seu autor. É que nessa semana o mundo civilizado festeja 50 anos do lançamento de “Imagine”, obra prima que John Lennon nos presenteou antes de ontem, 9 de setembro, só que em 1971.

Na ocasião, quando de férias em Salvador, eu vivia ligado na Rádio Cruzeiro, pois nela havia um locutor que traduzia sua letra enquanto a música rolava. E você não tem ideia do que representava para um jovem ávido, em plena ditadura militar, saber que o genial ex-beatle o chamava pra sonhar junto a ele um mundo sem paraíso nem inferno (portanto, sem religiões), sem nações a provocar guerras, sem motivos pra matar ou morrer, com todos vivendo em paz e harmonia sob o firmamento que, em noites sem luzes, até hoje, assemelha-se a um lindo escudo celestial pronto a nos blindar de nossos medos.

Pois bem, meio século depois, eis-me aqui no meu cantinho protegido pelas rezas das tias que me restam e por entes alados que me amparam toda vez que tentam sabotar as cordas do meu trapézio, ainda sonhando, sim, em voltar a viver num país onde as músicas possam soar na cadência das águas de março, na alegria daquele abraço, no galope de um coração alado ou no mistério de algum objeto não identificado.

Onde os livros tenham aquele jeito itaparicano e erudito do velho João Ubaldo ou então a picância exata do nosso Jorge Amado; onde as poesias exalem o perfume das begônias de Adélia Prado e espalhem as deliciosas insignificâncias dos jardins de seu Manoel de Barros; onde as crônicas que nunca fiz me acordem bem cedinho, tanto faz se no grito duma suindara rasgando mortalhas ou se num canto de um raro passarinho.

Onde o navio de Fellini passe lentamente nesse meu rio, levando no seu convés Brigitte e Lollobrigida; Django e Cantinflas; Deneuve e Sophia; Glauber e Macunaíma, todos me acenando e gritando: “Tchau, bambino, Janio!”, enquanto Morricone rege um trio formado pelo bom, o mau e o feio, executando o tema de Cine Paradiso.

Onde o futebol seja movido pela doce ingenuidade de um Baiaco (“A gasolina pode subir todo dia, que eu só boto 50 contos”!), pela coragem do punho cerrado de Reinaldo, por um golaço de Zico num Maracanã lotado ou por qualquer verso de Pelé rabiscado no gramado, pois o Rei, como bem disse outro cracaço de nome Romário, “Foi nosso poeta maior”, desde que… calado.

Você me acha um sonhador, querido leitor e amada leitora? Pois saiba que não sou o único. Viva Lennon e, pra manter a chama acesa, bye, bye, Bozo!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beirada baiana do Rio São Francisco.

“Imagine”, John Lennon: maravilhoso convite musical de paz e felicidade de um setembro de sonhos da juventude e da humanidade, que atravessa o tempo para a infelicidade e desassossego de poderosos arrogantes dos tristes dias que correm no setembro brasileiro. Ótima companhia para a leitura dominical do artigo de Janio que o BP publica hoje(12). Confira.

BOM DOMINGO!

(Vitor Hugo Soares) 

set
12
Posted on 12-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-09-2021

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Vinte anos após atentados, a volta do Talibã ao poder no Afeganistão ascende o medo do país se tornar terreno para novos ataques e para violação de Direitos Humanos

TM
Thays Martins
 

 (crédito: Aamir QURESHI / AFP)

(crédito: Aamir QURESHI / AFP)

Após o 11 de setembro de 2001, o mundo nunca mais seria o mesmo. Como consequência do atentado, os Estados Unidos, junto a um grupo de outros países, deram a partida para a chamada Guerra ao Terror. De lá para cá, o mundo assistiu a uma batalha travada entre o Ocidente e o Oriente Médio em uma disputa que parece interminável. Vinte anos após aquela data fatídica, a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão parecia que já tinha passado da hora. Porém, a saída desastrosa das tropas trouxe ao país um cenário de incertezas muito parecido ao que existia no pré-2001.

A volta do Talibã ao poder acende o alerta para a possibilidade de infração aos direitos humanos e também o medo de ataques terroristas. A nova crise humanitária que o país começa a enfrentar, sem ao menos ter se recuperado, também acende o alerta para como o mundo irá lidar com os refugiados e com a xenofobia já tão presente.

Para especialistas, são vários os caminhos possíveis que o país pode trilhar daqui para frente. No cenário otimista, o Talibã tentará assegurar direitos humanos básicos para conseguir a legitimidade do governo. Mas por outro lado, estudiosos temem que essa ideia fique só no papel e que o país sirva de berço para associações terroristas. “Sem dúvida não serão tempos fáceis. Se o Talibã cumprir a palavra que não vai ter vingança contra aqueles que estavam vinculados ao governo dos Estados Unidos e garantir direitos humanos básicos, eles vão conseguir ter uma certa legitimidade e ser incorporados ao fluxo financeiro e mercado”, avalia Felipe Cordeiro, coordenador do curso de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP).

“Mas tem um conjunto de cenários menos otimistas. Já há indícios de que essas lideranças têm controle reduzido nas áreas rurais do país e têm relatos de que violações sérias de direitos humanos estão ocorrendo. O regime voltando como era no fim da década de 1990 vai aumentar o isolamento internacional do país o que vai trazer mais problemas para a população com condições econômicas ainda piores”, lamenta.

Segundo o coordenador do curso de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Antônio Jorge Ramalho da Rocha, é muito difícil que o Talibã assuma a mesma postura de 20 anos atrás. “Eles hoje têm mais maturidade, mais recursos e mais consciência da necessidade de se apresentar ao mundo como um grupo de poder com o qual se pode dialogar e negociar em termos razoáveis. A maioria dos vizinhos tem interesse na estabilidade que eles podem produzir na região e estará disposta a colaborar, desde que eles não adotem posturas extremistas e absurdas que tenham muita visibilidade”, afirma. São exatamente esses apoios que podem ajudar o país a se reerguer. “É difícil fazer uma projeção. Mas é possível que a China dê apoio ao governo e também o Paquistão, que já é um parceiro, o que facilitaria a reestruturação”, avalia Yann Duzert, professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor do livro Negociação Internacional.

set
12
Posted on 12-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 12-09-2021



 

Sid, NO PORTAL DE HUMOR

 

O novo filme da aclamada diretora, teve estreia mundial nessa sexta-feira (10), fora de competição, na mostra Orizzonti do Festival de Veneza, que encerra neste sábado (11) à noite

Foto: Marilla Sicilia / Primeiro Plano
Credit…Foto: Marilla Sicilia / Primeiro Plano

Por MYRNA SILVEIRA BRANDÃO

“Ato”, novo filme da aclamada diretora, teve estreia mundial nessa sexta-feira (10), fora de competição, na mostra Orizzonti do Festival de Veneza, que encerra neste sábado (11) à noite. Estrelado por Alessandra Maestrini e Eduardo Moreira, conta a história de um casal que passa por um momento distinto. Ele está em processo de travessia e ela é uma profissional do afeto.

“Em um mundo onde a solidão foi a maior protagonista, com palcos vazios e o medo constante da morte, “Ato” é o afeto, a fuga, o desejo fundamental da sobrevivência”, disse a diretora quando o filme foi selecionado.

A premiada atriz, produtora e diretora já havia roubado a cena na abertura do festival, no último dia 1/9, com um protesto impactante, potente e consequente frente à crise climática que vivemos na atualidade.

Bárbara entrou na cerimônia usando uma mochila de oxigênio com uma planta nas costas para denunciar a crise climática e o desmatamento. A mochila transparente com a planta era ligada a uma máscara que remetia às usadas em kits de respiração com cilindros.

A foto correu o mundo e foi postada em seu Instagram: “A Amazônia é o pulmão do mundo e a humanidade tem o direito de respirar”.

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