DO EL PAÍS

Presidente precisou se enquadrar diante das reações do Supremo e do mercado financeiro depois do Sete de Setembro, criando uma armadilha para seu Governo, que perdeu o capital político e a credibilidade

Acampamento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Acampamento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.Joédson Alves / EFE
 Carla Jiménez
São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro viu escorrer pelas mãos o plano urdido nas redes sociais de ampliar seus poderes ao deparar-se com a dura realidade pós atos de Sete de Setembro. Foi o discurso duro do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux nesta quarta, foi a reprimenda do ministro Luís Roberto Barroso, nesta quinta, ou foi o mercado financeiro que castigou o day after às manifestações. Não importa. O fato é que Bolsonaro precisou escrever uma nota pautada num tom que não é o dele. “Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar”, diz a nota assinada pelo presidente que ainda tratou respeitosamente o ministro Alexandre de Moraes, chamado de “canalha” por Bolsonaro em ato na avenida Paulista. “Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do ministro Alexandre de Moraes”, continuou a nota.

O efeito no mercado foi imediato. O dólar caiu e a bolsa subiu. Mas a sua tropa não ficou feliz. Houve uma baixa instantânea na moral de seus seguidores que passaram a questionar abertamente o recuo do presidente e inclusive a cogitar abandonar o barco, justamente o último refúgio de Bolsonaro. Era o preço a pagar para estancar a sangria que ele mesmo abriu no Brasil depois do discurso incendiário feito no dia 7. O presidente acendeu a pólvora entre os caminhoneiros bolsonaristas, que fecharam rodovias em 15 Estados mantendo artilharia contra o Supremo Tribunal. Ou os 11 ministros saíam ou eles iriam parar o país, como o fizeram em 2018.

Bolsonaro precisou mandar áudio a grupos de Whatsapp de caminhoneiros, invocar o ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas e a ministra Damares Alves para convencê-los a abandonar a paralisação. Por fim, ligar para o ex-presidente Michel Temer nesta quinta, como ele mesmo relatou em sua live. “Telefonei para Michel Temer, ele veio a Brasília, colaborou com a nota”, avisou num tom de voz ameno, que em nada lembrava o homem que sugeria tomar medidas contra o Supremo Tribunal caso não enquadrasse Alexandre de Moraes. Admitiu ter ouvido o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, expoente máximo do Centrão. Chegava ao fim um dia e que o presidente parecia reproduzir o caos da greve dos caminhoneiros, que acessa memórias golpistas na América Latina.

Suas intenções, no entanto, têm pouca credibilidade no Brasil de 2021. O presidente do PSDB, Bruno Araújo, disse à CNN que ia esperar para ver o nível de recaídas de Bolsonaro. Os tucanos anunciaram no dia 8 que iriam analisar o apoio do partido a um impeachment, junto com outras legendas. É um momento complicado para Bolsonaro. Ele perdeu o capital político que já teve das instituições, incluindo o Suprem Tribunal, e dos agentes econômicos. Os chamados juros futuros , com as projeções das taxas no curto e médio, sobem com um prêmio pela agenda de crises políticas do presidente.

Em seu discurso de abertura da sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Luís Barroso mencionou a falta de palavra do mandatário, como durante a crise que o país vivia no mês passado — também insuflada pelo presidente —sobre a volta do voto impresso. “O presidente da Câmara [Arthur Lira] afirmou que após a votação da proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra”, lembrou Barroso sobre a derrota do projeto na Câmara no dia 10 de agosto. “O presidente do Senado [Rodrigo Pacheco] afirmou que após a votação da proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O presidente da República, como lembrou o presidente da Câmara, afirmou que após a votação da proposta o assunto estaria encerrado. Não cumpriu a palavra.”

Barroso foi duro e incisivo, chamando Bolsonaro de “farsante” por ter voltado a semear dúvidas sobre o voto eletrônico em discurso na avenida Paulista para milhares de pessoas. ‘Hoje em dia, salvo os fanáticos cegos pelo radicalismo, e os mercenários, cegos pela monetização da mentira, todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história”, seguiu o ministro.

Em sua live, Bolsonaro não resistiu a dizer que não acreditava que venceu com 57 milhões de votos, o que deixa claro que não vai abandonar suas pautas virtuais tão cedo. Mesmo diante do resultado da inflação divulgado nesta quinta, 0,87% pelo IPCA, a maior para o mês de agosto desde 2000, o presidente buscou uma explicação simplista, ao afirmar que a alta era influenciada pelos alimentos, uma vez que as pessoas comiam mais porque estavam confinadas. O resultado do índice em 12 meses se aproxima de 10%, um número que impacta o consumo das famílias, e por consequência, a retomada da economia. É a segunda maior do continente, perdendo somente para a Argentina, onde a inflação é alta historicamente.

“É preciso lidar com a realidade”, dizia Bolsonaro na live para a sua audiência, num conselho que vale para si mesmo. O presidente, contudo, se encontra numa armadilha, uma vez que nasceu e cresceu como presidente nas redes sociais com seguidores que acreditaram em seu projeto de poder. “Um presidente que traiu a classe dos caminhoneiros, deixou Zé Trovão ser preso”, gritava em um vídeo Jackson Villar, um comerciante de São Paulo, que na véspera dos atos em Brasília, chegou a falar em um possível derramamento de sangue com os indígenas acampados na capital porque os “ânimos estavam exaltados”. “Alexandre de Moraes, solte todos os que foram presos, enganados por Bolsonaro, que foram enganados por esse traidor”, dizia Villar, anunciando que queimaria sua camiseta do presidente.

Ao fim e ao cabo, o mandatário ficou sem saída. Ou assinava o divórcio com eleitores, ou sua sentença pelo impeachment. Optou pelo primeiro confiando que colherá melhores frutos nos próximos dias. Os próximos dias dirão se vai trair também a sua própria natureza incendiária para navegar no caos enquanto governa.

“Sentimental Melody”, Nat King Cole: Magnificamente Cole, voz soberana , orquestra e coro em rara canção que atravessa o tempo e os modismos. Amorosamente.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Foragido, acusado de incitar invasões ao STF e Congresso, o caminhoneiro seguiu comandando pelas redes sociais a ala mais radical do bolsonarismo na paralisação de caminhoneiros

BBC

Thais Carrança – Da BBC News Brasil em São Paulo
postado em 09/09/2021 19:10
 

 

“A minha vida está destruída, porque eu estou hoje sendo perseguido politicamente, com mandado de prisão. E passando por tudo com risco de nunca mais ver minha família, porque eu não vou para uma cadeia, porque eu não sou bandido”, diz Zé Trovão, como ficou conhecido o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes.

O conteúdo, publicado na madrugada desta quinta-feira (9/9), é um das dezenas de vídeos publicados pelo militante bolsonarista nas últimas semanas em seu canal oficial no Telegram.

O canal é parte de uma estratégia alternativa de comunicação, criada após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinar o bloqueio dos perfis no Facebook, Instagram, Twitter e YouTube de investigados por “incitação à prática de atos violentos e ameaçadores contra a democracia”, como o próprio Trovão, o cantor sertanejo Sérgio Reis e o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), entre outros.

Foragido e com ordem de prisão decretada, acusado de incitar invasões ao STF e ao Congresso, o caminhoneiro seguiu comandando pelas redes sociais e aplicativos de comunicação a ala mais radical do bolsonarismo na paralisação de caminhoneiros que se espalhou por aos menos 15 Estados após os protestos de 7 de setembro.

Como um caminhoneiro desconhecido de Joinville (SC) tornou-se o líder radicalizado de uma manifestação golpista de âmbito nacional?

São poucas as pistas, diante do anseio dos líderes caminhoneiros mais conhecidos de se afastarem do militante extremista, mas contamos aqui o que se sabe até agora.

Caminhoneiros protestam com bandeira do Brasil e cartaz favorável a Bolsonaro

Reuters
Caminhoneiros fazem paralisação e se manifestam a favor do presidente Jair Bolsonaro

‘Zé Trovão? Não conheço’

Alguns dos principais líderes da greve de caminhoneiros de 2018 dizem que desconheciam Zé Trovão até sua emergência no cenário nacional convocando as manifestações antidemocráticas de 7 de setembro junto ao grupo de Sérgio Reis.

O nome Zé Trovão faz referência ao personagem interpretado pelo também sertanejo Almir Satter, na novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, sucessora de Pantanal na hoje extinta Rede Manchete.

“Não conheço, nunca conversei, comecei a ver ele a partir de quando ele apareceu com o Sergio Reis”, diz Wallace Landim, o Chorão. Presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) e transportador há mais de 20 anos, ele foi um dos líderes que ganharam destaque no maior protesto recente da categoria, durante o governo Michel Temer (MDB).

“Nunca ouvi falar na minha vida de Zé Trovão, a não ser naquela novela. Esse cara nunca representou ninguém, não representa categoria nenhuma. Isso daí é uma cria do agronegócio”, afirma Luciano Santos de Carvalho, presidente do Sindicam (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira).

“Nunca ouvi falar dele em movimento nenhum. Esse cara precisa ser preso urgente, ele é terrorista e está junto com Bolsonaro colocando fogo no país”, diz Wanderlei Alves, mais conhecido como Dedeco.

“Caiu de paraquedas no movimento do voto impresso do mês passado e ganhou força com discursos de ódio contra a Suprema Corte”, completa o líder caminhoneiro do Paraná, que largou a boleia após 27 anos, depois de romper com o governo Bolsonaro.

Zé Trovão

Reprodução
Bolsonarista é acusado de incitar invasões ao STF e ao Congresso

De caminhoneiro autônomo a ‘celetista’

Se os líderes de 2018 buscam se afastar deste novo líder de 2021 e até questionam se ele é mesmo caminhoneiro, em Santa Catarina, caminhoneiros bolsonaristas envolvidos com os protestos de 7 de setembro confirmam que Zé Trovão é de fato parte da categoria e que está mobilizado desde 2018, ainda que sem qualquer protagonismo naquela ocasião.

“Ele já foi autônomo, hoje é celetista”, diz um caminhoneiro de Guaramirim (SC), que prefere não ter o nome divulgado e que diz que conhece Pereira Gomes há uns três anos. Celetistas são os caminhoneiros que trabalham para empresas, sob contrato, diferentemente dos autônomos, que são donos de seus próprios caminhões e prestam serviços a quem os contrata.

“[Em 2018] ele não foi a Brasília, mas esteve na luta da região aqui. Regionalmente ele esteve presente, desde 2018, na paralisação”, completa o transportador.

Segundo o motorista de Guaramirim, as pautas defendidas por Zé Trovão em seus vídeos – como o voto impresso e o impeachment dos ministros do Supremo – encontram eco nos caminhoneiros da região.

“Sempre foram as pautas que nós defendemos, na verdade. Eu estou colaborando com o movimento, não estou encabeçando, participei do 7 de setembro como caminhoneiro e como cidadão. Nós queremos o direito de voto impresso, queremos ter direito de saber em quem de fato foi votado”, afirma o caminhoneiro.

Autônomos Vs. Caminhoneiros do agronegócio

José Cícero Rodrigues, ex-presidente do Sindicam de Santos, com 14 anos de experiência como líder da categoria, também diz desconhecer Zé Trovão e é mais um que afirma que o caminhoneiro celetista está a serviço do agronegócio. Ele explica que, desde a greve de 2018, há uma divisão entre autônomos e contratados do agro.

“Na greve de 2018, nós apoiamos o Bolsonaro, acreditando que ele ia nos fortalecer em alguma coisa, mas para o caminhoneiro autônomo ele não deu nada. Então quem foi para Brasília não foi o caminhoneiro autônomo, foi o agronegócio, tem que saber dividir isso. O caminhoneiro autônomo não está com o governo, nós estamos neutros”, diz Rodrigues.

“Em 2018, nós só queríamos a baixa do óleo diesel e pedágio, era muito simples. E não houve isso, pelo contrário: aumentou o óleo diesel, aumentou os pedágios, aumentou tudo. Então autônomos e agro só ficaram juntos na greve de 2018, depois cada um se dividiu para o seu lado, porque os interesses são diferentes”, afirma o líder caminhoneiro santista.

Wallace Landim, liderança do Centro-Oeste, também avalia Zé Trovão como um representante do agronegócio e não dos interesses da categoria. “É um movimento de cunho político, que não tem uma pauta voltada para a categoria. Nesse movimento aí, está claro que o pessoal do agro está muito forte junto. Até os caminhões que estavam em Brasília, 90% são caminhões de empresa, que trabalham com o pessoal do agro.”

Segundo Landim, ainda não está claro qual o interesse do setor do agronegócio nesta mobilização, mas ele avalia que uma votação no STF prevista para 6 de outubro, referente ao Funrural (imposto que incide sobre a produção rural) pode ser um dos motivos por trás da pressão dos empresários do setor agropecuário sobre a corte constitucional.

Caminhoneiros em passeata a favor de Bolsonaro

Reuters
Bloqueio de caminhoneiros começou em resposta a discursos de Bolsonaro no 7 de setembro – e corre o risco de tomar proporção maior, mesmo contra a vontade do presidente

‘Preso político’

Sob risco de ser preso a qualquer momento, Zé Trovão já começa a referir a si mesmo como preso político.

“Em alguns momentos, eu devo ser preso, eu não vou mais fugir. Chega, eu estou cansado disso”, afirmou em vídeo desta quinta-feira (9/9). “Eu estou no México e a embaixada brasileira acaba de entrar em contato com o hotel em que eu estou. Então, em alguns momentos, provavelmente a polícia vem aqui me recolher e vai me levar preso.”

“Eu não cometi nenhum crime. Estou indo para o Brasil, provavelmente preso. Preso politicamente, por crime de opinião. Eu peço a todos os brasileiros: tudo o que eu estou fazendo é pelo nosso país, nos ajudem, pelo amor de Deus”, concluiu.

Na véspera, após receber o áudio em que Bolsonaro pedia aos caminhoneiros que encerrem as paralisações de estradas, o militante gravou um apelo emocionado ao presidente, em que se citava ainda outros alvos da Justiça tratados como presos políticos por bolsonaristas.

“Nós estamos aqui, sempre apoiamos o senhor. Eu estou na rua, estou lutando junto com o povo brasileiro pelo teu governo, pelo senhor e pelo nosso país, nossa democracia”, disse. “Então, presidente, veja bem tudo o que está acontecendo não só na minha vida, mas de tantos como Wellington Macedo, Oswaldo Eustáquio, Sara Winter, Daniel da Silveira.”

O blogueiro Wellington Macedo é, ao lado de Zé Trovão, alvo de inquéritos no STF relatados por Alexandre de Moraes, que determinou em 3 de setembro a prisão preventiva deles após pedido da Procuradoria-Geral da República. Macedo já foi preso pela Polícia Federal.

Oswaldo Eustáquio foi preso novamente na terça-feira (7/9), pós ter suas contas em redes sociais bloqueadas na segunda, por ordem de Moraes, depois de o blogueiro fazer uma live com Zé Trovão sobre os protestos do feriado da Independência.

Sara Winter, ativista do grupo armado de extrema direita “300 do Brasil”, foi presa em junho de 2020, após ataque com fogos de artifício ao prédio do STF, e solta ao fim daquele mês mediante uso de tornozeleira eletrônica.

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) foi preso por ataques ao ministros do STF em fevereiro e novamente em junho, após desrespeitar o uso da tornozeleira eletrônica.

Ao fim da manhã desta quinta-feira, Zé Trovão já dizia ter mudado de ideia quanto a se entregar. “Estou de novo tendo que fugir, porque eu queria me entregar mas ninguém quer deixar”, disse ele, sem esclarecer quem não está deixando.

“Pessoal, vamos para as ruas agora, vamos parar tudo. Empresários, fechem suas empresas, vamos para as ruas, vamos salvar o nosso Brasil, dá tempo ainda, eu conto com vocês”, concluiu o vídeo, dando sinais de que sua vida de foragido da Justiça ainda deve ter novos capítulos.


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 Amarildo, NO PORTAL

 

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IS
Ingrid Soares
 

 (crédito: Evaristo Sá/AFP )

(crédito: Evaristo Sá/AFP )

O ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, ironizou a nota de declaração à nação divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (09/09) na qual ele recua sobre os ataques e declarações golpistas do último dia 7. Mandetta brincou mais cedo com uma frase postada por ele que fazia referência à crise entre o Executivo e o Judiciário: “Já dizia minha vó: Quem brinca com fogo se queima. Ou faz pipi na cama”.

No final da tarde, com a nota do presidente, o ex-ministro postou que o chefe do Executivo acabou por “fazer pipi na cama”.

O governador de São Paulo, João Doria comentou que “o leão virou um rato”. Já o deputado federal Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados e atual secretário de Projetos e Ações Estratégicas do Governo de São Paulo destacou que o evento de terça foi um desastre para o presidente e a nota, uma humilhação: “Frouxo e covarde”, alfinetou.

 

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