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Partidos articulam frente ampla para engrossar pressão contra o presidente, mas adesão da esquerda ao protesto do próximo domingo é incerta. Processo de destituição ainda tem poucas chances de ocorrer

Simpatizante de Bolsonaro em acampamento pró-Governo, em Brasília.
Simpatizante de Bolsonaro em acampamento pró-Governo, em Brasília.Joédson Alves / EFE
 Afonso Benites
Brasília

Um dia após as manifestações antidemocráticas de 7 de Setembro e os arroubos autoritários de Jair Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu de forma dura contra o presidente, e uma frente ampla de partidos iniciou articulação para tentar emplacar seu impeachment. Luiz Fux, presidente do STF, falou em crime de responsabilidade ao se referir ao mandatário nesta quarta-feria. “Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos Poderes, essa atitude, além de representar atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional”, afirmou o magistrado no início da sessão do tribunal.

O dia seguinte ao 7 de setembro em Brasília foi de reação a Bolsonaro. O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu a sessão desta quarta, devido à “permanência das restrições de acesso à região da Esplanada de Ministérios”. Até o procurador-geral da República, Augusto Aras, tão criticado por fazer vista grossa ao comportamento do presidente, se animou a discursar, ainda que em tom ameno. “A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca”, disse o procurador-geral durante sessão do STF, reverberando Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1988.

A principal barreira a qualquer punição ao mandatário é Arthur Lira (PP-AL), o presidente da Câmara, muro de contenção que evita abrir qualquer um dos mais de 120 pedidos de destituição que estão sobre sua mesa. Lira também se manifestou nesta quarta. Subiu um pouco o tom no discurso oficial, ao dizer que era o momento de dar um basta à escalada das crises e reclamar das “bravatas” propaladas nas redes sociais. Não citou nominalmente, mas era um recado indireto a Bolsonaro e à sua milícia digital. “É hora de dar um basta a esta escalada, em um infinito looping negativo. Bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque deixaram de ser um elemento virtual e passaram a impactar o dia a dia do Brasil de verdade”, reclamou o deputado, que também demonstrou incômodo com o fato de Bolsonaro ressuscitar as lamúrias sobre a urna eletrônica, um assunto que Lira julgava superado após a derrubada do voto impresso na Câmara.

Ao longo do dia, entretanto, Lira se postou como um potencial mediador da conciliação entre o Judiciário e o Executivo. Reuniu-se com os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira, e da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, assim como com o ministro Gilmar Mendes, do STF. Ainda tenta marcar um encontro com Fux e outro com Bolsonaro. Quer ser um bombeiro, não um incendiário. Seu principal interesse, na verdade, é a chave do cofre da União. Boa parte das emendas parlamentares extraorçamentárias e das indicações para cargos comissionados está nas mãos de políticos do Centrão, o grupo que Lira lidera ao lado do chefe da Casa Civil.

Sem o pontapé inicial dado por Lira, nenhum processo de impeachment andará contra Bolsonaro. Essa é uma atribuição exclusiva do presidente da Câmara. Um teste sobre o quanto o deputado está disposto a se desgastar pode ocorrer até o fim do mês. Alexandre de Moraes, ministro do STF cujas decisões Bolsonaro avisou do palanque que descumprirá, liberou para julgamento uma série de ações que questionam decretos presidenciais para flexibilizar regras de porte e posse de armas. O julgamento ocorrerá no plenário virtual da corte e deve transcorrer entre os dias 17 e 24 de setembro.

Além de Lira, outro que busca apaziguar os ânimos é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Em pronunciamento no fim da tarde desta quarta-feira, ele defendeu o diálogo entre os poderes. “Não é com excessos, não é com radicalismo, não é com extremismo, é com diálogo e com respeito à Constituição que nós vamos conseguir resolver os problemas dos brasileiros”, declarou. Antes mesmo de o 7 de setembro terminar, contudo, Pacheco anunciou o cancelamento todas as atividades do Senado nesta semana, o que foi interpretado como uma resposta aos atos promovidos por Bolsonaro. O senador por Minas Gerais é um potencial candidato à presidência em 2022.

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Frente anti-Bolsonaro

A oposição que tenta se articular, neste momento, tem sido incentivada pelo presidente do PDT, Carlos Lupi. Por iniciativa dele, representantes de outras dez legendas iniciaram diálogos para engrossarem as manifestações anti-Bolsonaro. Esses partidos podem aderir à mobilização do próximo dia 12, que, inicialmente, havia sido planejada por dois movimentos que estavam na raiz do bolsonarismo, mas o abandonaram nos últimos meses: o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua. A dificuldade em se juntar a esse grupo, majoritariamente de jovens que estiveram também nos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff entre 2015 e 2016, é que um dia já houve agressões mútuas.

Em princípio, o protesto do dia 12 de setembro tinha como mote “nem Lula, nem Bolsonaro”. A ideia era tentar viabilizar uma terceira via aos dois potenciais principais candidatos que devem polarizar a disputa presidencial em 2022. Agora, os organizadores reavaliam trocar esse lema e focar apenas no impeachment do atual presidente, para conseguir levar mais gente às ruas.

Esquerdistas que estudam se unir ao protesto avaliam que, no momento em que há ameaças autoritárias, não se pode escolher aliado. Contudo, isso ainda não é consenso. Lupi e Juliano Medeiros (PSOL) estão entre os que defendem a união. A deputada Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, é mais cautelosa. “Não se trata de aderir a atos já marcados, mas de construirmos juntos o caminho”. Ela insiste na união de legendas de esquerda que, juntas, não têm nem 200 votos na Câmara. Para se aprovar um impeachment, são necessários 342.

A preocupação de Gleisi faz sentido. Nesta quarta-feira, o PSDB decidiu que não se portará mais como um partido independente, mas como um opositor ao Governo Bolsonaro. Na nota em que divulgaram a mudança de lado, os tucanos aproveitaram para também criticar o PT. “É da união dessas forças que virá a derrota definitiva do projeto autoritário de poder que o atual ocupante do Palácio do Planalto encarna e a volta do modelo político e econômico petista também responsável pela profunda crise que enfrentamos”.

Uma outra alternativa desses partidos seria aderir a um movimento que pretende colocar os ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) lado a lado em palanque, em 25 de setembro ou em 2 de outubro. Seria algo semelhante ao que ocorreu durante a ditadura militar, quando ambos defendiam as “Diretas Já”. Desse grupo, outras figuras proeminentes que tentam encarnar a terceira via eleitoral ou articular uma chapa alternativa à polarização já demonstraram interesse de participar. Entre eles estão o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) e os senadores Alessandro Vieira (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e Randolfe Rodrigues (Rede).

O entendimento entre esses opositores deve determinar a velocidade do processo de deterioração do Governo, catalisado nesta terça-feira pelo próprio Bolsonaro. No dia seguinte ao atos em que pretendia ser coroado pelas ruas do país, o presidente viu o principal índice da Bolsa de Valores despencar 3,78% e o dólar subir a 5,326 reais, numa alta de 2,89%. Talvez isso explique a discrição de Bolsonaro nesta quarta-feira, durante a qual teve apenas um compromisso oficial fechado e pouco agitou suas tumultuosas redes sociais.

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“Your Love”, Dulce Pontes: a empolgante trilha de Morriconne na esplêndida interpretação da portuguesa Dulce Pontes. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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09
Posted on 09-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-09-2021

DO CORREIO BRAZILIENSE

De acordo com presidente do STF, a bandeira não é dos símbolos oficiais do país e não é compatível com a neutralidade de um tribunal

TM
Thays Martins
 

 (crédito: TJMS/ reprodução )

(crédito: TJMS/ reprodução )

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux, determinou que seja retirada a bandeira do Brasil Império do mastro principal do pavilhão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). A decisão foi tomada nesta segunda-feira (6/9) e se baseia no fato de que essa bandeira não é um dos símbolos oficiais do Poder Judiciário do Brasil.

A bandeira foi erguida por determinação do presidente do TJMS, desembargador Carlos Eduardo Contar, e deveria ficar hasteada entre 6 e 10 de setembro. De acordo com nota do Tribunal, o gesto foi uma homenagem aos 200 anos da Independência do Brasil.

Porém, de acordo com Fux, a bandeira não é compatível com a neutralidade e imparcialidade que um tribunal deve ter. Na decisão, o ministro também cita outras manifestações públicas do desembargador com motivações politico-partidárias. “A manutenção da situação relatada tende a causar confusão na população acerca do papel constitucional e institucional do Poder Judiciário, na medida em que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul pretende diminuir os símbolos da República Federativa do Brasil”, disse Fux na decisão.

O caso ainda foi encaminhado para a Corregedoria Nacional de Justiça para apurar eventual responsabilidade do presidente do TJMS. Após a retirada da bandeira, a página no Instagram do tribunal exaltou o início da monarquia constitucional no Brasil. De acordo com a publicação, o período foi o de mais estabilidade e progresso durante a forma monárquica de governo. Nos comentários, são muitas as críticas. 

A ordem foi dada depois que membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se manifestaram contra o ato. A bandeira do Brasil Império foi usada entre 1822, quando foi declarada a independência do Brasil, até 1889, quando foi proclamado o início da República. A bandeira tem sido constantemente usada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em manifestações.

Em janeiro desde ano, na cerimônia de posse do desembargador Carlos Eduardo Contar como presidente do tribunal, ele defendeu que não fosse adotado o isolamento social e o ‘fim da palhaçada midiática fúnebre’. 

set
09
Posted on 09-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-09-2021



 

 Sid, NO PORTAL DE HUMOR

 

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09
Posted on 09-09-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-09-2021

Luto

Do Correio Braziliense

Filho do rei Roberto Carlos estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. A notícia da morte veio logo após a divulgação do boletim médico

CB
Correio Braziliense

O promotor musical estava em tratamento para o câncer há cerca de um ano, mas quadro era irreversível - (crédito: Boninho/Instagram/Reprodução)

O promotor musical estava em tratamento para o câncer há cerca de um ano, mas quadro era irreversível – (crédito: Boninho/Instagram/Reprodução)

A morte do produtor musical Dudu Braga, 52 anos, foi confirmada na tarde desta quarta-feira (8/9), pouco depois da divulgação do boletim médico atualizando seu estado de saúde. O filho do rei Roberto Carlos estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e lutava contra um câncer de peritônio, desde setembro de 2020.

O boletim explicava que a doença dele, localizada em uma membrana que envolve toda a região abdominal, estava em um estágio irreversível e já comunicava que Dudu seguiria internado. Mas não houve tempo para mais cuidados, com a notícia da morte logo em seguida. O produtor musical não respondeu bem aos tratamentos.

Dudu Braga deixa a esposa Valeska, com quem construiu uma relação de 17 anos, e a filha Laura, de cinco anos de idade. A última postagem dele nas redes foi uma homenagem à família. “Minhas paixões! Foto de um dia muito especial!”

Amigo da família e pessoalmente muito próximo ao produtor musical, o diretor de televisão Boninho foi um dos primeiros a lamentar a perda. “Dudu você foi um guerreiro, lutou contra essa doença bravamente até o final. Vai deixar saudades. Fica em paz”, escreveu.

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