Presidente Jair Bolsonaro assina contrato para concessão da Fiol — Português (Brasil)

Bolsonaro em Tanhaçu: entrega da concessão da Fiol à Bamin e comício na Bahia


ARTIGO DA SEMANA

Bolsonaro nos trilhos do PT: Bahia antes do 7 de Setembro

Vitor Hugo Soares

Guiado por velhos e novos rastreadores do Centrão, – de faro refinado nas matas, nas estradas e nos bolsões eleitorais urbanos, conhecedores há muitos governos (incluindo os do PT) dos caminhos mais fáceis e rápidos para alcançar os butins do tesouro federal e os votos dos baianos – o presidente Jair Bolsonaro desembarcou nesta sexta-feira, 3, no aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista, seguindo  as pegadas do ex – Lula que, na semana passada, palmilhou praias baianas, além de promover aglomerações no Centro Administrativo (CAB) com participação do governador Rui Costa e dos senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, na sua mais andança no Nordeste.

Nesta sua terceira viagem ao estado, este ano – em meio à forte tensão no País em torno das comemorações do 7 de Setembro, que o capitão mandatário tem fomentado, espalhando discórdia, ameaças e outros “combustíveis” inflamáveis contra o STF e o Congresso – o candidato à reeleição, já em campanha, veio agora precedido da propaganda de “bolsa cheia”, para participar em Tanhaçu, sudeste do estado,  do comício de formalização do contrato de concessão do trecho de 537 km da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).Obra estratégica, que se arrasta desde o tempo do falecido deputado e engenheiro Vasco Neto (autor do projeto) e volta à ordem do dia a cada nova campanha, a exemplo da transposição do Rio São Francisco, outro sorvedouro de recursos públicos, que Bolsonaro – para não dar o braço a torcer ao inimigo da esquerda – afirma que vem do tempo  do Imperador D. Pedro II, autor da ideia originalmente.

Na ponta do anzol do chefe do poder da vez, o acordo do governo com o grupo privado Bahia Mineradora (Bamin) para a construção do trecho final, tão esperado quanto polêmico, da estrada de ferro, ligando os ricos campos de grãos do agronegócio do oeste e valiosos terrenos, já mapeados, recheados de minérios do leste, ao porto de Ilhéus, com investimentos previstos de R$3 bilhões. Do mesmo jeito (ou quase) que os governos petistas fizeram em períodos de caça ao voto no Nordeste. Desta vez, o abridor de caminhos na Bahia é um noviço da política estadual, de lábia afiada, nos moldes dos antigos e matreiros parlamentares do gênero no NE, agora com visibilidade nacional: o deputado do Republicanos (BA), João Roma, ministro da Cidadania, que apareceu “como um raio” durante a guerra bolsonarista pela conquista do comando do Congresso, com Arthur Lira na Câmara e Rodrigo Padilha no Senado. Embate que resultou no rompimento dos amigos e companheiros do DEM, Rodrigo Maia, derrotado na eleição da Câmara, e ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e presidente nacional do partido. Roma, do nada, largou a mão de Neto, “padrinho” e amigo do peito, e foi abraçar Bolsonaro no Palácio do Planalto, nomeado para chefiar uma das mais bem servidas pastas do governo federal, para “completo desagrado” de Neto (segundo afirma o ex-prefeito, candidato de peso ao governo do estado em 2022). Um caso ainda mantido sob sete chaves, quanto a sua origem e motivações. Em Salvador, semana passada, Roma, além de anunciar a visita de Bolsonaro, confidenciou a amigos, que pode ser ele o candidato do Planalto para disputar o governo da Bahia com o petista Jaques Wagner. Ontem, Roma estava, sem máscara, debaixo das asas de Bolsonaro em Tanhaçu.  Tem mais, bem mais, mas isso fica para depois.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:­ vitors.h@uol.com.br

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