Bahia em Pauta » Blog Archive » Janio Ferreira Soares: o choque de gerações no embalo da farra à beira do Rio São Francisco

CRÔNICA

                        As portas de Marisa Monte e as minhas

Janio Ferreira Soares

 

A casa de minha avó Aristéia era mais ou menos no padrão das que existiam em Glória e nas demais cidades violentamente varridas do mapa pelas represas erguidas no sertão do São Francisco (“Adeus Remanso, Casa Nova, Sento Sé, adeus Pilão Arcado vem o rio te engolir”).

Do lado direito de quem chegava havia uma sala com sofá, cadeiras, centro e um quadro do Sagrado Coração de Jesus na parede. Na sequência, um corredor com duas portas à esquerda e três à direita antecedia um quartinho onde eram guardados os foguetes pra festejar Santo Antônio. Do lado, a sala de jantar, um alpendre com panelas penduradas tilintando ao vento, cozinha, quintal e um portão que dava num rio correndo solto pra despencar nas cachoeiras de Paulo Afonso e de lá, tibum no mar.

Lembrei-me disso ao ouvir “Portas”, música que nomeia o novo disco de Marisa Monte e que me fez azeitar com óleo Singer as enferrujadas dobradiças do passado pra poder escancará-las de novo sem o risco de acordar velhos fantasmas que, de vez em quando, puxavam a ponta do meu lençol. Antes, porém, um miniparágrafo wikipediano.

Marisa é uma dessas raras exceções no meio artístico. Extremamente discreta, no lugar de ficar postando fotos de biquíni pra ganhar espaços nas redes ela aproveita o tempo pra descobrir novos talentos, a exemplo da artista plástica Marcela Cantuária – autora do belo conceito visual do disco -, e de Chico Brown, filho de Carlinhos e neto de Chico Buarque, que na companhia de outros músicos e compositores da pesada dão o tom exato no seu último e ótimo trabalho.

Pois bem, se você chegou até aqui é porque está interessado em saber aonde essas portas vão dar. Na canção (composta por Marisa, Arnaldo Antunes e Dadi) a tendência inicial é escolher a melhor. Mas depois vem à sábia decisão de experimentar todas, já que, de alguma forma, elas vão dar em algum lugar. E mesmo que lá na frente bata um arrependimento por ter girado a maçaneta errada, há sempre à alternativa da volta. Porém, o mais importante é deixá-las constantemente abertas, pra que o vento renove a atmosfera do nosso corredor.

Quanto às minhas, a maioria dava nos quartos por onde passaram avós, tios, tias, maridos e agregados. E das lembranças que ainda pulsam, me vem o cheiro de alfazema das solteiras sonhando com o altar da igreja ao lado; a angústia daquelas que partiam de branco e depois voltavam enlutadas com as alianças dos maridos nos dedos; o ruído das contas dos terços tentando aplacar pecados e serenar desejos; o cheiro de pólvora na hora em que os foguetes subiam; o som dos flandres das bacias assim que os primeiros pingos das goteiras caíam.

“Portanto, meritíssimo, já que meu cliente ribeirinho espontaneamente admite que as portas de sua infância foram cúmplices na sua formação, aproveito a chance da rima e, diante de vossa linda e esvoaçante toga, imploro: prenda ele não!”.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.

“Portas”, Marisa Monte: bela e significativa canção que dá nomr ao novo álbun de Marisa Monte, em mais que perfeita interpretação da autora. Confira, antes, durante ou depois de ler o artigo de Janio este domingo de fim de agosto no Bahia em Pauta.

BOM DOMINGO!

(Vitor Hugo Soares)

IS
Ingrid Soares
 

 (crédito: Reprodução / TV Brasil)

(crédito: Reprodução / TV Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado (28/08) que existem três alternativas para seu futuro: ser preso, morto ou ter a vitória. Em seguida, emendou que “não existe” a chance de ser preso. A declaração ocorreu no 1° Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos da Convenção Estadual das Assembleias de Deus Madureira (Conemad), em Goiânia.

“Eu tenho três alternativas para o meu futuro. Estar preso, ser morto ou a vitória. Podem ter certeza, a primeira alternativa, preso, não existe. Nenhum homem aqui na Terra vai me amedrontar. Tenho a consciência de que estou fazendo a coisa certa. Não devo nada a ninguém”, bradou. Bolsonaro emendou ainda que “não deseja e nem provoca ruptura”, mas que “tudo tem um limite”. 

O chefe do Executivo reclamou de decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em indireta, citou o corregedor-geral do Tribunal, Luis Felipe Salomão que suspendeu o repasse da monetização de canais que propagam desinformação sobre o sistema eleitoral.

“Uma pessoa ou duas tentam perverter a ordem pública com medidas arbitrárias, medidas revanchistas extrapolando aquilo que seria seu direito, passando por cima até mesmo do seu compromisso de zelar pela Constituição brasileira. Nós não podemos admitir isso. Quando um presidente de um TSE desmonetiza páginas de apoiadores do governo ele abre brecha para que presidente de TRES façam a mesma coisa para defender seu respectivo governador. Isso não é democracia. A liberdade de expressão tem que valer para todos”, acrescentou.

“Temos um presidente que não deseja e nem provoca rupturas, mas tudo tem um limite em nossa vida. Não podemos continuar convivendo com isso”, apontou.

O chefe do Executivo falou também sobre o 7 de setembro. “Sei que a grande maioria de líderes evangélicos vão participar desse movimento de 7 de setembro e assim tem que fazê-lo. Está garantido em nossa Constituição. Espero que não queiram tomar medidas para conter esse movimento. A liberdade de se manifestar vedado o anonimato está garantido em nossa Constituição. Não depende de regulamentação. O Brasil precisa de tranquilidade, paz para poder prosseguir. É impressionante como alguns querem evitar esse movimento espontâneo do povo”, disse.

Ontem, Bolsonaro afirmou que o “câncer” chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que é preciso colocar um “ponto final”. “Não sou machão, não sou o único certo. Agora, do outro lado não pode um ou dois caras estragarem a democracia do Brasil. Começar a prender na base do canetaço, bloquear redes sociais. E agora o câncer já foi lá para TSE, lá tem um cara também que manda desmonetizar as coisas.Tem que botar um ponto final nisso. E isso é dentro das quatro linhas”, alegou na data.

“Só Deus”

Ainda durante o evento, ele repetiu que só Deus o tira da presidência. “Não pensem os senhores que muitos querem me tirar daqui em nome da normalidade e da democracia. Querem me tirar daqui pelo poder. A abstinência do dinheiro fácil os torna belicosos, os fazem reunir, os fazem conspirar. Digo uma coisa a eles: Deus me colocou aqui e somente Deus me tira daqui. Ameaças não me atingem”.

O presidente voltou a defender o inexistente tratamento precoce e, por fim, disse que a cadeira presidencial tem kriptonita. “Aquela cadeira que eu sento é verde, eu digo que nela tem kriptonita, mas o antídoto eu consigo quando estou no meio de vocês”. “Preso jamais, vivo dependo de Deus. Com a vitória, ao lado de vocês”, concluiu.

Aglomeração

Na chegada ao local, o mandatário não usou máscara e cumprimentou apoiadores com apertos de mãos, abraços e tirou selfies em meio à aglomeração. Ele também parou para tomar caldo de cana em uma barraca.

ago
29
Posted on 29-08-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-08-2021



 

Fred, NO PORTAL

 

 DO EL PAÍS

Segundo a Casa Branca, um dos alvos era responsável pelo planejamento de ações do ISIS-K, braço local do grupo jihadista que reivindicou a autoria das explosões em Cabul

Um talibã em meio a restos de roupas ensanguentadas depois do atentado na entrada do aeroporto de Cabul na quinta-feira.
Um talibã em meio a restos de roupas ensanguentadas depois do atentado na entrada do aeroporto de Cabul na quinta-feira.WAKIL KOHSAR / AFP
Nova York

Os Estados Unidos lançaram na madrugada deste sábado sua primeira operação de punição contra alvos do braço local do Estado Islâmico no Afeganistão, o ISIS-K. O ataque, em represália pelo brutal atentado cometido na quinta-feira pelo grupo jihadista em Cabul, que matou dezenas de pessoas, foi lançado com um drone e teve como alvo uma base de operações do grupo terrorista no leste do Afeganistão, informou o Pentágono. Dois alvos de “alto nível” da organização foram mortos no ataque norte-americano e outra pessoa ficou ferida, de acordo com o general do Exército William “Hank” Taylor, entrevista coletiva. No início, o Pentágono relatou apenas a morte de um membro do grupo jihadista. O porta-voz do Pentágono, John Kirby, se recusou a especificar o papel dessas pessoas dentro da organização.

“Forças militares dos Estados Unidos realizaram uma operação antiterrorista contra um planejador do ISIS-K”, havia declarado mais cedo o capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos EUA. O ataque ocorreu na província de Nangarhar, a leste de Cabul. “Não há registro de vítimas civis”, acrescentou o porta-voz. Os EUA assinalaram que o ataque foi dirigido contra um membro do ISIS-K que planejava as atividades do grupo, mas não esclareceram imediatamente se ele havia sido o cérebro do atentado de quinta-feira.

A represália ocorreu 24 horas depois que o presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu caçar os autores do atentado de Cabul, que matou 13 militares americanos e feriu quase 20. “Não vamos perdoar nem esquecer. Perseguiremos os terroristas e os faremos pagar por isso”, disse Biden. Seu objetivo de vingar a morte dos soldados foi confirmado na sexta-feira pela porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki: “O presidente não quer que [os terroristas] voltem a pisar na face da Terra”.

Um funcionário americano, citado pela agência Reuters sob condição de anonimato, detalhou que o drone decolou do Oriente Médio e atacou o militante quando ele estava em um carro com outro membro do Estado Islâmico. Acredita-se que os dois tenham morrido, segundo essa fonte. Em Jalalabad, capital da província de Nangarhar, um ancião da comunidade, Malik Adib, disse que três pessoas morreram e quatro ficaram feridas no ataque aéreo da zero hora deste sábado. “Entre as vítimas há mulheres e crianças”, disse Adib à Reuters, sem dar informações sobre suas identidades.

A resposta dos EUA ocorreu horas depois que o Pentágono alertou para a possibilidade de um novo atentado na área do aeroporto de Cabul. “Estamos preparados, na expectativa de futuros ataques”, disse o porta-voz dos militares americanos, John Kirby, a jornalistas. “Acompanhamos bem de perto essas ameaças, concretas, em tempo real. Nossas tropas estão em perigo”, acrescentou, referindo-se aos 5.800 soldados destacados no aeroporto para garantir as operações de retirada, que serão oficialmente encerradas na terça-feira. Em reunião com os membros do Conselho de Segurança Nacional, Biden foi informado sobre os planos em andamento para identificar os possíveis alvos do ISIS-K, assinalou Psaki.

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