Após ameaças, Sérgio Reis será investigado por pelo menos três crimes
  Sergio Reis:  cantor sertanejo em maus lençóis
ARTIGO DA SEMANA

Berrante Sérgio Reis, conciliador Mourão (com Barroso)

Vitor Hugo Soares

Dois passos e dois fatos recentes destes dias de agosto – ao lado do tombo do “mito” na nova pesquisa do XP – com sinalizações inversas, mas significativas, dão o tom das movimentações no tabuleiro de xadrez da política e das instituições no País. Mexidas tensas e de alto risco (mas também de acomodamento e refluxo) no jogo de guerra e poder entre Executivo X Judiciário, tendo pedras movidas de um lado pelo irado ocupante do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (e seus peões, torres e rainha) e do outro, dois estilistas na arte dos embates no Supremo Tribunal Federal, ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre Moraes, respectivamente atual e futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para  desespero do mandatário, em campanha escancarada e permanente para continuar no cargo.

No meio do conflito, dois outros nomes se destacaram.  De um lado, o cantor sertanejo, Sérgio Reis, ex-deputado de pacata e inexpressiva atuação parlamentar que, no ocaso de carreira, virou um berrante e incendiário militante do bolsonarismo mais radical e de pavio curto, a ponto de pretender conduzir caminhoneiros a uma greve improvisada e inoportuna, e ameaçar invadir a sede do STF e do Congresso, caso não seja atendido em seu pleito: aprovação do voto impresso para 2022, até o próximo 7 de Setembro. Do outro, o general vice-presidente, Hamilton Mourão, no papel de esfinge moderadora da República, conversa fora da agenda com o ministro Barroso, enquanto tanques desfilavam em Brasília.

No primeiro caso, uma “entidade” estranha e maléfica, parecia ter-se apoderado do cantor e ex-parlamentar, famoso por suas líricas e bem comportadas canções, que se transmuda em incendiário pretenso líder, com palavras de ordem radicais, provocadoras e aventureiras.Em vídeos, o cantor do “Menino da Porteira” comporta-se como “dono das estradas do país”, convocando caminhoneiros e a população a se manifestarem, no feriado nacional da Independência, “em defesa do presidente Bolsonaro”, pelo fechamento do Supremo Tribunal Federal“ e destituição de todos os ministros”. Mais: esperaria 48 horas e, caso não fosse atendido, iria invadir a sede do STF em Brasília. Ficou só, com o seu berrante, perdido na estrada, entrou em depressão, dizendo-se usado por amigos, “que desapareceram”. Com Sérgio Reis recluso, calado e arrependido, a mulher do deputado foi direto ao ponto, em entrevista à colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Ângela Bavin, disse que o marido “teve uma crise de diabetes e está muito deprimido”, depois da repercussão negativa de sua fala. O resto é segredo, ainda. Mas a Polícia Civil do Distrito Federal instaurou inquérito e apura o que está por trás desta insensata história. E o artista dê-se por satisfeito, se ficar só no nisso, e que o ministro do STF, Alexandre Moraes não resolva também tirar a limpo esta nebulosa ameaça ao Judiciário e às instituições democráticas.  

Na outra banda do tabuleiro, vale destacar o encontro do vice-presidente Hamilton Mourão com o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, na terça-feira do desfile dos tanques. O Estadão revelou que o general descartou qualquer possibilidade de golpe militar – “chance zero” – na conversa na casa do jurista. Barroso saiu “aliviado” do encontro, segundo outras fontes qualificadas. É o que importa, por enquanto.No mais, “vida que segue”, diria o dsudoso João Saldanha.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Downtown”, Petula Clark: um sucesso mundial de Petula para lembrar sábados dançantes e felizes na juventude. Viva.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 21-08-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 21-08-2021
DO CORREIO BRAZILIENSE

O documento foi protocolado por um auxiliar do mandatário no final da tarde. O chefe do Executivo está em São Paulo, em visita a familiares. Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, viajou para Minas Gerais, sua terra natal para passar o final de semana.

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Ingrid Soares
 

 (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

(crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro protocolou nesta sexta-feira (20/08) o pedido de impeachment ao Senado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O documento foi protocolado por um auxiliar do mandatário no final da tarde. O chefe do Executivo está em São Paulo, em visita a familiares. Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, viajou para Minas Gerais, sua terra natal para passar o final de semana.

A entrega dos processo, além de um gesto político é ainda um aceno do presidente ao eleitorado ao ver cumprida sua promessa. Ainda hoje, o ministro da Corte, Moraes proibiu o cantor Sérgio Reis e outros oito investigados pela Polícia Federal de se aproximaram da Praça dos Três Poderes, dos ministros do Supremo e de senadores, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) que apura incitação a atos violentos e ameaças contra a democracia.

No último dia 14, Bolsonaro subiu o tom dos ataques à cúpula do Judiciário depois da prisão do aliado Roberto Jefferson (PTB), por ordem de Moraes. Por meio das redes sociais, Bolsonaro prometeu na data que apresentaria ao Senado, nesta semana, um pedido de abertura de processos contra os magistrados.

Na publicação, o presidente voltou a fazer ameaças contra a democracia. “Todos sabem das consequências, internas e externas, de uma ruptura institucional, a qual não provocamos ou desejamos”, escreveu. “De há muito, os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, extrapolam com atos os limites constitucionais”.

O chefe do Planalto acrescentou: “Na próxima semana, levarei ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para que instaure um processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição Federal. Lembro que, por ocasião de sua sabatina no Senado, o sr. Alexandre de Moraes declarou: ‘Reafirmo minha independência, meu compromisso com a Constituição e minha devoção com as liberdades individuais”.

O artigo 52 atribui ao Senado a competência para julgar crimes de responsabilidade de ministros do Supremo, o que pode levar à perda dos seus cargos por impeachment. Desde a promulgação da Constituição, esse dispositivo nunca foi aplicado pela Casa.

Bolsonaro concluiu a mensagem dizendo que “o povo brasileiro não aceitará passivamente que direitos e garantias fundamentais (art. 5º da CF), como o da liberdade de expressão, continuem a ser violados e punidos com prisões arbitrárias, justamente por quem deveria defendê-los”.

Apesar de ter sido aconselhado por aliados a recuar, o presidente repetiu no dia 17 que apresentaria ao Senado os pedidos, mas alegou que não vai interferir na decisão dos senadores “cooptando-os“. “Eu vou entrar com pedido de impedimento dos ministros no Senado, colocar lá. O local é lá. O que o Senado vai fazer? Está com o Senado agora, independência. Não vou agora tentar cooptar senadores, de uma forma ou de outra, oferecendo uma coisa para eles etc etc etc, para votar o impeachment deles”.

Ainda em meio à crise entre os poderes, ao desembarcar em Brasília ontem após viagem a Cuiabá, o mandatário se reuniu ontem com o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Bruno Bianco, no Palácio do Planalto para acertar os detalhes dos pedidos de impeachment de Barroso e de Moraes. O encontro não estava previsto na agenda dos dois.

No último dia 19, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que não é recomendável neste momento de retomada para o Brasil um pedido de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal ou de presidente da República. Os ministros da Corte confiam que Pacheco não dê prosseguimento ao pedido.

Ainda ontem, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), o chefe do Executivo entrou com ação no Supremo Tribunal Federal, pedindo a suspensão do artigo 53 do regimento interno da Corte, que permite a abertura de investigações de ofício, sem aval do Ministério Público Federal. Foi por meio desse dispositivo que, em 2019, o então presidente do Supremo, Dias Toffoli, instaurou a investigação sobre fake news.

Também ontem, o chefe do Executivo alegou que estava aberto ao diálogo, citando Moraes, Barroso e Salomão. No entanto, voltou a atacar os magistrados e disse que a instabilidade política causa a elevação de preços no país.

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Posted on 21-08-2021
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Amarildo, NO JORNAL

 

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Procuradoria-Geral da República afirma que houve incitação a atos violentos e ameaçadores contra a democracia. Empresários, blogueiros, políticos e cantores estão envolvidos

LP
Luana Patriolino
 

 (crédito: Câmara dos Deputados)

(crédito: Câmara dos Deputados)

Com 13 mandados autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que atendem a um pedido da subprocuradora Lindôra Araújo, da Procuradoria-Geral da República (PGR), políticos, cantores, blogueiros e empresários estiveram na mira da Polícia Federal nesta sexta-feira (20/8).

A PGR sustenta que postagens e vídeos publicados nas redes sociais nos últimos dias demonstram que os alvos da operação incitam a população para praticar atos criminosos e violentos às vésperas do feriado de 7 de Setembro. As buscas são feitas em seis estados e no Distrito Federal.

Veja quem é quem na operação conduzida pela Polícia Federal:

  • Sérgio Bavini (o cantor Sérgio Reis, no nome artístico)
    Cantor, Sérgio Reis foi deputado federal em 2014, pelo PRB de São Paulo. O cantor gravou um vídeo polêmico em que aparece convocando caminhoneiros para realizarem paralisações em todo o Brasil para pressionar o Supremo, dias antes do feriado de 7 de Setembro. Após o material viralizar e ter repercussão negativa, o cantor se arrependeu e virou alvo das investigações.
  • Otoni Moura de Paulo Júnior, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ)
    Pastor evangélico, Otoni de Paula é filiado ao PSC. Em 2018, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 120.498 votos. O parlamentar é apontado na investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) como um possível membro do núcleo político do movimento, que, nas redes sociais, sugeria usar o ato de 7 de Setembro para consolidar ameaças ao STF e ao Congresso.
  • Marcos Antônio Pereira Gomes, o Zé Trovão
    O caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, é dono do canal no YouTube “Zé Trovão a voz das estradas”. A investigação aponta que postagens e vídeos publicados na internet demonstram que ele teria convocado a população a praticar atos criminosos e violentos.
  • Alexandre Urbano Raitz Petersen
    O empresário de Joinville (SC) é conhecido por ser presidente de uma associação civil de “defesa de direitos sociais”. Ele teria recebido, segundo a PGR, doações por meio de transferências bancárias para financiar o movimento.
  • Antônio Galvan, presidente da Aprosoja Brasil
    Presidente da Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), Galvan aparece em um vídeo na sede da entidade, em Brasília, ao lado de Sérgio Reis, discursando pela mobilização. A PGR aponta Antônio como sendo um dos financiadores do movimento.
  • Bruno Henrique Semczeszm
    Bruno é articulista do site “Brasil Livre” e, de acordo com a Procuradoria, simpatizante da Sociedade de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. O bolsonarista teria dito que alertou as Forças Armadas do ato de 7 de Setembro. Em um vídeo publicado em canal no YouTube, em 12 de agosto, Semczeszm afirma que “uma equipe do movimento 7 de Setembro entregou em Brasília um documento oficial informando os comandantes das três Forças Armadas sobre a realização do evento”.
  • Eduardo Oliveira Araújo, cantor
    O cantor que integrou a Jovem Guarda aparece em vídeo no qual Sérgio Reis incentiva a mobilização.
  • Turíbio Torres
    Suspeito de pertencer ao núcleo operacional, com papel ativo na montagem das caravanas e intermediação de contatos políticos, além da logística de acampamento.
  • Juliano da Silva Martins
    Juliano da Silva Martins seria integrante do núcleo operacional com um papel ativo na organização.
  • Wellington Macedo de Souza
    O jornalista, coordenador da “Marcha da Família”, divulgou um vídeo convidando a população para o ato em Brasília.

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