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Postado em 14-08-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 14-08-2021 00:22
Não precisamos falar dos tanques de fumaça de Bolsonaro

Tanques e fumaça em Brasília: à moda de república banaeira.

ARTIGO DO DIA

Via Bolsonaro: Moto circo, tanques à vista e Auxilio Brasil

Vitor Hugo Soares

Com arcaicos e fumacentos tanques de guerra, da Marinha, desfilando em Brasília, dia 10 de agosto, foi derrotada e arquivada, na Câmara, a proposta de emenda constitucional (PEC), da tentativa de retorno, nas eleições que se aproximam, ao “voto impresso” de vergonhosa memória, em disputas eleitorais com digitais históricas de corrupção e fraudes escabrosas, em passado recente. Com estas e outras manobras – mal ou bem sucedidas – o governo Bolsonaro e sua tropa de choque de apoio (o  Centrão de Ciro Nogueira à frente) delineia a estratégia da campanha do atual ocupante do Palácio da Alvorada, para continuar por lá mais quatro anos, depois de 2022. Esquema montado sobre três pilares principais de sustentação: o circo das motociatas, em substituição aos proibidos showmícios, para animar palanques no País; a imposição do temor, às oposições, através da ostensiva exibição de tanques, baionetas caladas e coturnos militares em desfile nas ruas, e a promessa de pão amanteigado nas casas de eleitores de bolsões mais carentes, com alguns trocados a mais e mudança do nome do Bolsa Família (marca da esquerda petista) para Auxilio Brasil (ao jeito e gosto da direita bolsonarista).

Maquiavelismo misturado com malandragem da grossa é pouco, mesmo que primários e patético nos dois casos. À  exemplo do teste fracassado, dos veículos de guerra em desfile na “cidade do Arquiteto”, em dia também de depoimento na CPI da Covid 19 – que apura omissões e malfeitos do governo federal no combate à pandemia a caminho das 570 mil vidas ceifadas no país – e da votação, na Câmara, contra as urnas eletrônicas – com 25 anos de eleições limpas e seguras.

Ato estranho (para dizer o mínimo), promovido a pretexto de entregar um convite ao atual ocupante do Palácio do Planalto, para as manobras militares em treinamento dos Fuzileiros Navais na região de Formosa (GO), a 80 km da capital federal, que acontecem periodicamente, mas, desta vez, utilizado com o fito político mambembe de amedrontar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. Olhando bem, a ostensiva “demonstração de força” não passou de mais um triste e grotesco espetáculo de truculência do governo do capitão, do tipo que se costuma ver em repúblicas bananeiras da América Central e Caribe – também na Venezuela sob o mando de Maduro e seus selvagens grupos milicianos de sustentação, como alertou o ministro do STF, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, em entrevista ao programa Manhattan Connection, na TV Cultura.

Registre-se, a bem dos fatos: os três comandos militares participaram, mas a bravata governista deixou evidente um alinhamento mais próximo do comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, com Bolsonaro e seu modus operandi autoritário e de choque. Desde o começo do ano, o presidente cobra “provas de fidelidade”, dos chefes de tropas, aos atos políticos do governo. Mas o capitão quer bem mais que simples condescendência aos seus desvarios. Direto em sua reação foi o vice, Hamilton Mourão, que decidiu, claramente, se distanciar do vexame de terça–feira no DF.
Falta testar agora o terceiro pilar da estratégia do “mito” para 2022: transformar o Bolsa Família (fonte de votos nos governos petistas) em Auxílio Brasil (que vira braço de apoio eleitoral bolsonarista) nas presidenciais do ano que vem. Ô, Brasil! Mas isso é outra história, e fica para depois. 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br 

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Comentários

Taciano Lemos de Carvalho on 14 agosto, 2021 at 19:47 #

Um defensor escancarado do golpismo e da implantação de regime ditatorial, torcedor do Vasco da Gama (dizem), agora torce em Bangu. Numa cela de Bangu.

Quem sabe se um outro fanfarrão, golpista, racista e, certamente, outros “ista” não venha acabar —para o bem do Brasil— também em Bangu.


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