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Postado em 11-08-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 11-08-2021 00:16

DO CORREIO BRAZILIENSE

Blindados da Marinha passaram em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto, sob a justificativa de entregar um convite a Bolsonaro. O ato foi visto como tentativa de intimidação, por ocorrer em dia que proposta de voto impresso pode ser votada

ST
Sarah Teófilo

 (crédito: Edilson Rodrigues)

(crédito: Edilson Rodrigues)

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), fez um pronunciamento nesta terça-feira (10/8) com fortes críticas ao desfile de militares da Marinha em Brasília. A passagem dos blindados ocorreu sob a justificativa de entregar um convite ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Braga Netto, para comparecerem a um treinamento em Formosa (GO). O ato provocou amplas críticas de parlamentares e foi interpretada como uma tentativa de intimidação, por ocorrer no dia em que a Câmara deve votar proposta de voto impresso auditável.

“Em apenas dois anos e meio de mandato, Bolsonaro colocou o país nessa situação vexatória, degradou as instituições e rebaixou as Forças Armadas, formada em sua grande maioria por homens sérios e honrados, como pude presenciar de perto no meu Amazonas”, afirmou Aziz. Após concluir a leitura do pronunciamento, o senador ainda frisou que a democracia é inegociável, e que o “Congresso não pode se curvar”.

“Quem está apoiando esse tipo de ato contra a democracia brasileira não pode passar impune”, afirmou. O parlamentar lembrou que em 1984 estava em Brasília quando o general Newton Cruz colocou tanques nas ruas contra votos diretos. “Não houve enfrentamento. E está acontecendo de novo. Por isso, o Congresso não pode se curvar a isso. É necessário que se tomem providências, com punição àqueles que mesmo brincando, que falam de golpe como se fosse coisa normal”, disse.

Intimidação

Omar Aziz ainda chamou o desfilo de “lamentável” e que é uma “clara tentativa de intimidar parlamentares e opositores”. “Bolsonaro imagina com isso estar mostrando força, mas na verdade está evidenciando toda a fraqueza de um presidente acuado pelas investigações de corrupção, inclusive desta CPI, e pela incompetência administrativa que provoca mortes, fome e desemprego em meio a uma pandemia ainda sem controle. O presidente cria uma encenação, uma coreografia, para mostrar que tem o controle das Forças Armadas e pode fazer o que quiser com o país”, afirmou.

O presidente da CPI frisou que “defender o fim da democracia precisa ser punido com o rigor da lei”. “Não haverá voto impresso, não haverá nenhum tipo de golpe contra a nossa democracia — as instituições, com Congresso à frente, não deixarão que isso aconteça. A democracia tem instrumentos para defender a própria democracia contra arroubos golpistas. Agressões à Constituição não são legítimas. Defender golpe não é aceitável”, apontou.

Na última segunda-feira, a Marinha informou que, a caminho para um treinamento anual em Formosa, passaria em Brasília nesta terça-feira (10) em veículos blindados e com armamento, sob a justificativa de que levaria um convite ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Braga Netto. Pela primeira vez, desde 1988, o referido treinamento será em conjunto com o Exército e a Força Aérea Brasileira (FAB). Também é a primeira vez que os militares vão em veículos blindados fazer o convite, o que eles chamam de “ação promocional”.

Ameaça às eleições

A questão provocou ampla repercussão, em especial pelo momento: além de ser a semana de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso auditável, há um cenário de reiterados ataques do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bolsonaro disse diversas vezes que sem voto impresso auditável, não haveria eleições em 2022.

Além disso, como lembrou pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS), a proposta que revoga Lei de Segurança Nacional (LSN) deve ser votada nesta terça-feira. A LSN é considerada um “entulho” da ditadura, e foi utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro contra opositores.

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