Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Credit…Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Por JORNAL DO BRASIL

 

Após a derrota da Proposta de Emenda à Constituição que permitia o retorno do voto impresso nas eleições, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que o texto será arquivado. A PEC do voto impresso foi a primeira derrota do governo com Lira à frente da presidência da Casa, que ele ocupa desde fevereiro.

“Queria agradecer ao plenário desta Casa pelo comportamento democrático de um problema que é tratado por muitos com muita particularidade e com muita segurança. A democracia do plenário desta Casa deu uma resposta a esse assunto. E na Câmara, eu espero que esse assunto esteja definitivamente enterrado”, afirmou.

A proposta do voto impresso recebeu 229 votos favoráveis e 218 contrários, além de uma abstenção. Por ser uma PEC, não bastava maioria simples: era preciso obter maioria qualificada, portanto, no mínimo 308 votos favoráveis em dois turnos de votação. Como não obteve número suficiente em primeiro turno, os destaques foram prejudicados e o segundo turno não precisou ser iniciado. (Anne Warth e Camila Turtelli/Agência Estado)

“Nieblas del Riachuelo”: extraordinário poema musical e a mais que perfeita interpretação de Susana Rinaldi, para embalar a quarta-feira depois dos tanques em Brasília.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Posted on 11-08-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-08-2021

DO CORREIO BRAZILIENSE

Blindados da Marinha passaram em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto, sob a justificativa de entregar um convite a Bolsonaro. O ato foi visto como tentativa de intimidação, por ocorrer em dia que proposta de voto impresso pode ser votada

ST
Sarah Teófilo

 (crédito: Edilson Rodrigues)

(crédito: Edilson Rodrigues)

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, Omar Aziz (PSD-AM), fez um pronunciamento nesta terça-feira (10/8) com fortes críticas ao desfile de militares da Marinha em Brasília. A passagem dos blindados ocorreu sob a justificativa de entregar um convite ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Braga Netto, para comparecerem a um treinamento em Formosa (GO). O ato provocou amplas críticas de parlamentares e foi interpretada como uma tentativa de intimidação, por ocorrer no dia em que a Câmara deve votar proposta de voto impresso auditável.

“Em apenas dois anos e meio de mandato, Bolsonaro colocou o país nessa situação vexatória, degradou as instituições e rebaixou as Forças Armadas, formada em sua grande maioria por homens sérios e honrados, como pude presenciar de perto no meu Amazonas”, afirmou Aziz. Após concluir a leitura do pronunciamento, o senador ainda frisou que a democracia é inegociável, e que o “Congresso não pode se curvar”.

“Quem está apoiando esse tipo de ato contra a democracia brasileira não pode passar impune”, afirmou. O parlamentar lembrou que em 1984 estava em Brasília quando o general Newton Cruz colocou tanques nas ruas contra votos diretos. “Não houve enfrentamento. E está acontecendo de novo. Por isso, o Congresso não pode se curvar a isso. É necessário que se tomem providências, com punição àqueles que mesmo brincando, que falam de golpe como se fosse coisa normal”, disse.

Intimidação

Omar Aziz ainda chamou o desfilo de “lamentável” e que é uma “clara tentativa de intimidar parlamentares e opositores”. “Bolsonaro imagina com isso estar mostrando força, mas na verdade está evidenciando toda a fraqueza de um presidente acuado pelas investigações de corrupção, inclusive desta CPI, e pela incompetência administrativa que provoca mortes, fome e desemprego em meio a uma pandemia ainda sem controle. O presidente cria uma encenação, uma coreografia, para mostrar que tem o controle das Forças Armadas e pode fazer o que quiser com o país”, afirmou.

O presidente da CPI frisou que “defender o fim da democracia precisa ser punido com o rigor da lei”. “Não haverá voto impresso, não haverá nenhum tipo de golpe contra a nossa democracia — as instituições, com Congresso à frente, não deixarão que isso aconteça. A democracia tem instrumentos para defender a própria democracia contra arroubos golpistas. Agressões à Constituição não são legítimas. Defender golpe não é aceitável”, apontou.

Na última segunda-feira, a Marinha informou que, a caminho para um treinamento anual em Formosa, passaria em Brasília nesta terça-feira (10) em veículos blindados e com armamento, sob a justificativa de que levaria um convite ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Defesa, Braga Netto. Pela primeira vez, desde 1988, o referido treinamento será em conjunto com o Exército e a Força Aérea Brasileira (FAB). Também é a primeira vez que os militares vão em veículos blindados fazer o convite, o que eles chamam de “ação promocional”.

Ameaça às eleições

A questão provocou ampla repercussão, em especial pelo momento: além de ser a semana de votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso auditável, há um cenário de reiterados ataques do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bolsonaro disse diversas vezes que sem voto impresso auditável, não haveria eleições em 2022.

Além disso, como lembrou pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS), a proposta que revoga Lei de Segurança Nacional (LSN) deve ser votada nesta terça-feira. A LSN é considerada um “entulho” da ditadura, e foi utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro contra opositores.

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Posted on 11-08-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 11-08-2021



 

Bruno Aziz, no jornal

 

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

Presidente exige provas de apoio e lealdade dos chefes das Forças Armadas e ato da Marinha revela proximidade política do governo. Tanques precários viraram piada na internet

RS
Renato Souza
 

 (crédito: Ed Alves)

(crédito: Ed Alves)

Utilizado como uma tentativa de intimidar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com interlocutores do Planalto, o desfile de tanques em Brasília revelou um alinhamento mais tênue da Marinha com o Poder Executivo e pressiona o comandante do Exército, Paulo Sérgio. Desde o começo do ano, o presidente Jair Bolsonaro exige atos de lealdade e apoio dos militares ao governo.

Desde que assumiu, Paulo Sérgio resiste em participar de atos políticos e endossar manifestações públicas, embora isso tenha ocorrido em notas editadas pelo Ministério da Defesa com ataques ao parlamento. De outro lado, o comandante da Marinha, Almir Garnier dos Santos, revela proximidade política com o Executivo.

A Operação Formosa ocorre todos os anos e o presidente sempre é convidado para a cerimônia. No entanto, neste ano é a primeira vez que foi realizada uma “ação promocional”, nome dado aos militares para a passagem de tanques no centro de Brasília. A sugestão da visita das tropas a Praça dos Três Poderes partiu da Marinha, foi chancelada pelo ministro da Defesa, Braga Netto e autorizada por Bolsonaro.

 O ato gerou ânimos exaltados no Congresso. O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, senador Omar Aziz, classificou o ato como tentativa de “golpismo” e intimidação do Legislativo. Até mesmo Ciro Nogueira, aliado do Planalto, disse não ver o desfile com bons olhos.

A imagem de tanques com emissão de fumaça e gases poluentes em elevada quantidade na frente do Planalto virou piada na internet. Militares ouvidos pelo Correio disseram que estão envergonhados com o evento, e dizem que as tropas foram expostas a condição política e vexatória.

O comandante do Exército evitou chamar atenção, mas agora é pressionado a mostrar apoio ao governo, como fez o comandante Garnier. Outro que decidiu se distanciar do desfile foi o vice-presidente, Hamilton Mourão, general da reserva, e que ao contrário de Bolsonaro, esteve recentemente na ativa. “Não é o perfil dele. Preferiu não ir”, disse um interlocutor do militar.

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