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Quem é Douglas Souza, atleta que quase quebrou a cama da Vila Olímpica
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CRÔNICA

                   Douglas Souza corta na cara do preconceito

 

                 Janio Ferreira Soares

No começo dos anos 70 eu sempre me inscrevia no time de vôlei pra participar dos Jogos Estudantis de Paulo Afonso, mesmo não jogando nada. “Mas então, pra que se aventurar por águas nunca dantes, ô seu velho ribeirinho?”. Além da farra em si, preocupado leitor e curiosa leitora, minha motivação era a dispensa das aulas no período das competições, que compensava a dura preparação física. Explico.

Como vivíamos numa área de segurança nacional e em plena ditadura, os treinadores eram militares da 1ª Companhia de Infantaria do Exército, instalada aqui em 1954 com a finalidade de proteger o complexo hidrelétrico dos comunistas (ui, que meda!).

Assim, nosso técnico era o sargento Teixeira, que nos treinava com os métodos aplicados aos recrutas, ou seja, longas baterias de polichinelos, agachamentos e flexões, finalizando com voltas ao redor do campo, pro meu desespero.

Lembro-me de que certa vez, aproveitando que ele anotava algo na prancheta, comecei a diminuir meu percurso me aproximando cada vez mais do círculo central, quando ouvi aquele característico brado da caserna: “Ei, mocinha do cabelo encaracolado, trate de voltar pro meio da tropa!”. E aí, a “mocinha” aqui, com a cabeleira de Moraes antes de ser Moreira e já devorando O Pasquim, lendo os poetas e ouvindo velhos e novos baianos, apenas sorriu e pensou: “Ah, se ele me visse de Caetano no Carnaval que passou, botando pra quebrar com uma bata plissada sobre um shortinho de malha colado nessas coxas de sibito!”.

Recordei dessa história no começo das Olimpíadas, quando minha filha Júlia me mostrou as performances de Douglas Souza no Instagram. Admito que não o conhecia, pois meu interesse pelo vôlei terminou com aquela genial geração do primeiro ouro olímpico em 1992, cuja narração de Luciano do Vale já valia uma medalha.

Mas diante de um gay assumido arrasando dentro e fora das quadras voltei a ver alguns jogos, principalmente pra ficar imaginando a raiva desses homofóbicos que perderam completamente a vergonha de externar seus trogloditismos depois da posse do capitão – aí incluindo alguns jogadores do time. Sim, porque ao vê-lo como se fora um resolvido tio de Bambi bloqueando a intolerância e acertando uma bolada bem na cara do preconceito, os reaças de plantão devem ficar loucos pra imitar Elvis Presley, que quando se revoltava com algo na TV pegava o revólver e metia bala na tela, como se tiros pudessem eliminar de sua vida tudo aquilo que não refletisse seus conceitos.

Portanto, mil vivas a Douglas e, por que não?, àquela “mocinha”, que depois do treino passou pelo sargento assoviando Besta é Tu, uma canção recém-lançada por uns cabeludos baianos que, por ele, estariam de nuca raspada e trotando pelas ruas ao som de: “Quando eu Morrer Quero ir de FAL e de Beretta”. Já eu, agora “velhinha”, continuo avoando bem cedinho, pra dar milho aos passarinhos e pra ver o Sol nascer.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na beira baiana do Rio São Francisco.

“Besta é Tu”, Novos Baianos: ritmo, instrumentos, arranjos, letra, música e interpretação: a incrível e revolucionária atualidade do imortal Moraes e sua turma baiana de primeira linha. Tudo de bom para acompanhar a leitura da crônica de Janio deste domingo no BP. Bravíssimo!

BOM DOMINGO!

(Vitor Hugo Soares)

DO CORREIO BRAZILIENSE

Prédio sofreu um incêndio de grandes proporções em 21 de dezembro de 2015 e teve que ser completamente reformado

AB
Agência Brasil
 

 

O Museu da Língua Portuguesa, instalado na histórica Estação da Luz, foi reinaugurado hoje (31) com a presença de representantes de países lusófonos, entre eles os presidentes de Cabo Verde e Portugal. O português Marcelo Rebelo de Sousa condecorou a instituição com a Ordem de Camões, a honraria foi concedida pela primeira vez. O público poderá visitar o espaço a partir deste domingo (1º).

O prédio sofreu um incêndio de grandes proporções em 21 de dezembro de 2015 e teve que ser completamente reformado. Além do conteúdo das exposições, que foi revisto e ampliado, o museu contará, a partir da reabertura, com um novo terraço, com vista para o Jardim da Luz e a torre do relógio, e instalações de reforço da segurança contra incêndio.

“Aqui viemos para dizer que uma língua é uma alma feita de milhões de almas, pela qual se ama, se sofre, se cria, se chora, se ri, se pensa, se escreve, se fala”, celebrou Sousa. O presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, destacou a união dos países lusófonos e as contribuições de escritores. “Uma língua que foi cada vez mais apropriada e reconstruída e acarinhada, afagada pelos deuses, os deuses da nossa língua comum são, para além dos nossos povos humildes, aquelas que a melhor a trabalham e divulgam.”

Foram investidos cerca de R$ 85 milhões nas obras de reconstrução com diversos apoiadores privados e do governo do estado de São Paulo e do governo federal, pela Lei de Incentivo à Cultura. As obras começaram em 2017 e foram acompanhadas pelos órgãos federais, estaduais e municipais de proteção do patrimônio histórico e artístico.

“Este é o primeiro museu do mundo dedicado a um idioma e que está de volta depois de um longo período de reforma. (…) Voltou melhor, com mais recursos, mais tecnologia, ampliado e fortalecido com todos os cuidados que foram objeto dessa reconstrução do museu”, declarou o governador de São Paulo, João Doria.

Exposições

Novas instalações entre as exposições de longa duração marcam a reabertura do museu. Elas ficam dispostas no segundo e no terceiro andar do prédio. Entre as novidades, está a “Línguas do mundo”, na qual mastros se espalham pelo hall com áudios em 23 diferentes idiomas. Foram escolhidas línguas, entre as mais de 7 mil existentes, que tenham relação com o Brasil, incluindo expressões originárias, como yorubá, quimbundo, quéchua e guarani-mbyá.

Os sotaques e as expressões do português no Brasil ganham espaço na instalação “Falares”. E os “Nós da Língua Portuguesa” mostram os laços e a diversidade cultural entre os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). O idioma é falado em cinco continentes por 261 milhões de pessoas.

Continuam a ser exibidas, assim como nos quase 10 anos em que o museu esteve ativo, a instalação “Palavras Cruzadas”, que mostra influências históricas no português falado no Brasil e a “Praça da Língua”, que homenageia a língua falada, escrita e cantada com um espetáculo de som e luz. A praça, uma espécie de planetário, traz poemas e músicas interpretados por nomes como Maria Bethânia e Matheus Nachtergaele. 

O museu tem curadoria de Isa Grinspum Ferraz e Hugo Barreto e contou com a colaboração de artistas, músicos, linguistas, entre outros profissionais.

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Posted on 01-08-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 01-08-2021


 

 

 Sid, NO PORTAL

 

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DO CORREI BRAZILIENSE

“Desde 2018 tenho viajado pelo Brasil e muitas pessoas falam que votaram na chapa JB-Mourão por confiar em mim. Em respeito a essas pessoas e a mim mesmo, pois nunca abandonei uma missão, não importam as intercorrências, sigo neste governo até o fim”, escreveu o general.

AE
Agência Estado
 

 (crédito: Wilson Center)

(crédito: Wilson Center)
O vice-presidente Hamilton Mourão foi às redes sociais neste sábado, 31, para afastar a possibilidade de renunciar ao cargo e dizer que segue o governo Jair Bolsonaro “até o fim”, apesar das críticas do chefe do Planalto.
“Desde 2018 tenho viajado pelo Brasil e muitas pessoas falam que votaram na chapa JB-Mourão por confiar em mim. Em respeito a essas pessoas e a mim mesmo, pois nunca abandonei uma missão, não importam as intercorrências, sigo neste governo até o fim”, escreveu Mourão no Twitter.
Na última segunda-feira, 26, Bolsonaro fez críticas à atuação do vice e afirmou que “por vezes” ele atrapalha o governo. Em entrevista à rádio Arapuan, da Paraíba, o presidente disse que a função de vice é similar a do cunhado: “Você casa e tem que aturar, não pode mandar embora”, afirmou.
Conforme a CNN informou, Mourão foi aconselhado por um general da reserva próximo a ele no início desta semana a renunciar ao cargo. Mourão teria respondido que não seria ainda o momento para deixar o governo. O vice-presidente, escolhido por Bolsonaro para compor a chapa da candidatura presidencial em 2018, tenta agora emplacar uma candidatura ao Senado no próximo ano e já flertou com a possibilidade de se lançar ao governo do Rio Grande do Sul.
A relação entre o presidente e o vice ficou mais complicada após Bolsonaro anunciar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como ministro-chefe da Casa Civil, levando um dos caciques do Centrão para o Palácio do Planalto. Na semana passada, ao comentar a escolha, Mourão disse que parte dos eleitores de Bolsonaro, aqueles que teriam votado no presidente por uma questão programática, “podem até se sentir um pouco confundidos”.
No Executivo, o vice-presidente ficou responsável por conduzir as ações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia, após pressão internacional sobre o Brasil, mas viu sua função ficar esvaziada. Em abril, a operação Verde Brasil, coordenada por ele, foi encerrada. Além disso, Mourão ficou de fora das reuniões ministeriais promovidas por Bolsonaro no Planalto, até voltar a ser chamado para as conversas no início do mês.

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