LulaLivre: e agora, Sergio Moro? - RIC Mais
 Moro circula entre Curitiba e Brasília e reanima a Terceira Via.

ARTIGO DA SEMANAMoro na área: foco na corrupção anima Terceira Via

Vitor Hugo Soares

Dão ânimo e gás renovados ao debate político nacional, neste recesso de julho, notícias do ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro – que mora e trabalha nos EUA – andando na área, semana passada. O fato espantou muita gente – corruptos e corruptores – mas, principalmente, gaviões do Centrão com pendências na polícia e na justiça, que a partir da tomada da Casa Civil da Presidência da República, pelo chefe Ciro Nogueira, começam a ocupar de vez o governo de Jair Bolsonaro, que se confessa um deles. Mas enganam-se os que achavam ter-se livrado do ex-magistrado do Paraná, de naturais e justificáveis anseios políticos, até em relação ao ano que vem.

Moro esteve em Curitiba e Brasília e participou de reuniões para avaliar o futuro. Na capital do País esteve com o senador Álvaro Dias (Podemos-PR) e com a presidente nacional do partido, Renata Abreu, e ouviu deles que a legenda está “de braços abertos” para recebê-lo”. O ex-juiz foi procurado até por um líder dos caminhoneiros em busca de conselhos sobre a greve da categoria, programada para a madrugada de domingo, 25. O ex-ministro sugeriu moderação e que meditasse sobre uma paralisação geral agora, com a pandemia e as dificuldades econômicas que o país atravessa.

Há empecilhos para vôos de alto risco, de Moro, mas nada insuperável. Desde o fim de 2020, o ex-juiz mora nos Estados Unidos, onde trabalha como consultor no escritório Alvarez & Marsal. Isso pesa e faz Moro refletir sobre a decisão. Mas o fato é que ele não descarta concorrer às eleições de 2022. O ex-juiz está preocupado – segundo O Globo – com o fato de que nenhum dos nomes da chamada terceira via ter demonstrado, até aqui, nas pesquisas, densidade e força para romper a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro, à “direita” e o ex Lula, à “esquerda”. Recebeu dados, de pesquisas (internas), de que seria ele o nome, do centro democrático,  mais viável para se interpor nesse duelo, e em condições morais para romper a binária mesmice política e a indiferença que domina expressiva faixa do eleitorado. Além de deter o condão de colocar em pauta, pra valer, o tema que foi jogado no lixo: o combate à corrupção, que retoma relevância com a CPI da Covid e a chegada de Ciro Nogueira na Casa Civil.

No meio disso tudo e Moro no pedaço, o fato mais emblemático talvez tenha sido a entrevista do ex-procurador da Lava–Jato (2014 e 2018), Carlos Fernando Lima, ao “Direto ao Ponto”, na Rádio Jovem Pan (SP). Amigo de Moro, espécie de braço esquerdo do ex-juiz, Lima cumpriu à risca o que determina o programa do jornalista Augusto Nunes, ao dizer que a corrupção é atuante desde a redemocratização e financia os partidos políticos: “A ideia da Constituição de 1988 era não roubar e não deixar roubar e colocar na cadeia quem rouba. Infelizmente nós temos uma substituição das antigas lideranças – Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Tancredo Neves, Itamar Franco, Alencar Furtado… – por fazedores de dinheiro e nosso sistema eleitoral privilegia quem faz dinheiro e comanda os partidos.  Campanhas caríssimas precisam ser financiadas e o são pelo dinheiro público. O controle sobre os partidos precisa ser mais democratizado e precisamos ter mais combate à corrupção. Portanto, nunca foi tão necessário um Moro na política brasileira e um candidato como ele para disputar com Lula e Bolsonaro em 2022”, afirma Carlos Fernando. Precisa desenhar?

Vitor Hugo Soares é jornalista. Editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h.@uol.com.br    

“Just Friends”,Tony Bennett: Fique Bennett no sábado e sempre.

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

al

DO CORREIO BRAZILIENSE

Abrigo para filmes e documentos, o galpão paulistano da Cinemateca, incendiado na última quinta (29/7), traz exemplo nítido de descaso com a cultura

PI
Pedro Ibarra*
RD
Ricardo Daehn
 

Reprodução da imagem do incêndio em dependência da Cinemateca Brasileira - (crédito: Reprodução/ Internet)

Reprodução da imagem do incêndio em dependência da Cinemateca Brasileira – (crédito: Reprodução/ Internet)

Cinquenta anos de coleta de qualquer vestígio do fazer cinematográfico de Brasília passam, há 25 anos, pela Fundação Cinememória, administrada pelo diretor Vladimir Carvalho. “Lá virou um ponto de encontro: traz um acervo fotográfico e de documentação que sinaliza a ausência, na
capital da República, de uma cinemateca”, observa o paraibano que doou para a UnB o material de organizado “cinematequeiro”, ao lado de amigos do passado como Cosme Alves Netto, Carlos Augusto Calil e Rudá de Andrade. “Sinto, na pele, o que aconteceu, com o incêndio no galpão da Cinemateca Brasileira“, pontua Vladimir, nome interligado a expressões como documentário, arquivo e memória nacional.

“Veio o arremate triste: é quase um ponto final na Cinemateca, por estar muito debilitada. Participei ativamente e de forma direta, sendo conselheiro, durante 20 anos. A cinemateca tinha
acompanhado a criação da Ancine (Agência Nacional do Cinema), com movimento muito positivo para o audiovisual. Nesse governo, a cinemateca ficou entregue às baratas. Foi um declínio súbito. Tudo sem gerência ou atividades”, observa o diretor de filmes como O engenho de Zé Lins e Barra 68. Conterrâneos velhos de guerra (1992), filme que não viu duplicação de negativo, por falta de verba, tem todos os negativos arquivados na Cinemateca Brasileira. “Desde quinta-feira, estou sob essa tensão”, conta o diretor, aos 86 anos.

Vladimir Carvalho é cineasta paraibano, há 50 anos radicado em Brasília
Vladimir Carvalho é cineasta paraibano, há 50 anos radicado em Brasília (foto: Marcos Finotti/ Divulgação)

“Por trabalhar com documentário sempre valorizei muito a questão do arquivo. Com o incêndio, não foram queimados filmes de ficção; muita coisa se perdeu do cotidiano filmado. A Cinemateca esteve a todo vapor, há cerca de três anos. Antes, a cinemateca vinha de uma renovação de material; lá dentro, parecia que você tinha acessado cenário de países centrais do mundo”

Vladimir Carvalho, cineasta

Para o cineasta brasiliense Marcelo Díaz, a perda com a Cinemateca é como uma morte na cultura brasileira. “Estamos literalmente, em luto profundo, porque isso é o ápice de uma política que infelizmente pretende todo esse nosso fazer simbólico, artístico e intelectual seja destruído”, afirma o diretor. Díaz ainda acredita que o fato conduza à mensagem. “Esse incêndio, metaforicamente, revela essa crueldade, essa falta de afeto e falta de amor para com o outro, para com a cultura, com a nossa identidade e nossa diversidade. Querem tolher, reduzir o Brasil a um ou outro caminho que certamente não é o Brasil”, pontua o diretor de Maria Luísa (2019).

O ativista da Cinemateca, Leandro Pardí, relatou nas redes sociais como foram os momentos de tensão durante o incêndio na Vila Leopoldina. Entre os relatos que deu, ele afirmou que a perda ainda é imensurável, apesar de pontuar que, com certeza, documentos, rolos de filmes de 35mm figurar no material perdido para o fogo.

Cercado de estudos junto a grupos ligados à memória fotográfica e audiovisual do país, o cineasta Paulo Caldas tem acompanhado pesquisas com vislumbre da migração para arquivos digitais. “Tenho, claro, master digitais dos meus filme, numa plataforma contemporânea, mas que ainda é arriscada. Fica em HD que, periodicamente, demandam cópias. O celuloide tem durado mais do que 100 anos. Com arquivos digitais não existe um vetor tão seguro quanto negativos de um filme estarem na Cinemateca Brasileira”, conta o coautor de Baile perfumado (1996), histórico vencedor
do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

O diretor Paulo Caldas, ao lado do cineasta e amigo Lírio Ferreira: foto histórica do 29o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
O diretor Paulo Caldas, ao lado do cineasta e amigo Lírio Ferreira: foto histórica do 29o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (foto: Andre Correia/ CB DA Press)

Paulo Caldas tem negativos de filmes depositados na Cinemateca, inclusive Baile perfumado (feito com Lírio Ferreira). “Agora, há desconfiança, um medo, um pânico. Minha preocupação se estende a todos os materiais que estão por lá. Não tem como fazer um juízo de importância, dizer que este material é mais importante do que aquele”, observa. A preocupação ficou redobrada. “Quando você deposita material na cinemateca, vinha a ideia de segurança. Agora, inexistente”, diz.

Os cineastas Joel Pizzini e Paloma Rocha, ao lado do montador de 'Anabazys' Ricardo Miranda
Os cineastas Joel Pizzini e Paloma Rocha, ao lado do montador de ‘Anabazys’ Ricardo Miranda (foto: Tempo Glauber/ Divulgação)

Com a desconfiança de que tenha se perdido, para além de documentos históricos da Embrafilme, do Arquivo do Instituto Nacional do Cinema (INC) e Concine (Conselho Nacional de Cinema), dados compilados pelo Tempo Glauber (dedicado ao autor de A idade da Terra), o diretor Joel Pizzini conta das medidas de reflexo do setor audiovisual. “Através do SOS Cinemateca coordenado pela Associação Paulista de Cineasta (Apaci) virão respostas mais contundentes ainda para evitar que esse filme de terror se repita e nosso patrimônio seja novamente vilipendiado. Tratam a Cinemateca como depósito e não como acervo vivo que reflete nossa identidade. Como realizadores, produtores e trabalhadores do audiovisual nos sentimos atingidos na alma por tanta omissão e desprezo pela função civilizadora da arte na construção de nossa nacionalidade”, avalia o diretor de Anabazys (feito ao lado de Paloma Rocha) e de 500 almas, em torno de indígenas.

A cultura e em particular o cinema ê tratado em países como o EUA e em toda a Europa como questão estratégica, como artigo de primeira necessidade para expressar o caráter identitário dos povos, segundo experiências de Joel Pizzini. Ele completa: “Investe-se na preservação como forma de difundir a memória soberana que esclarece, ao contrário da mentalidade do atual desgoverno que aposta nas trevas para controlar e perpetuar-se no poder”.

A postura dúbia dos governantes se cristaliza na ótica do estudante de cinema na UnB Pedro Henrique Chaves, diretor do curta Foguete, premiado internacionalmente. “Como estudante e jovem cineasta brasileiro me pergunto sobre aonde vamos chegar e tenho dúvidas sobre o futuro do nosso cinema”, observa. Para ele, o incidente é mais uma prova de negligência com que o cinema e a cultura estão sendo tratados no país. “É muito triste ver tudo isso acontecer, a destruição da cultura no Brasil precisa parar e o incêndio na Cinemateca foi só mais um episódio de descaso com nossa história”, acrescenta o cineasta.

* Estagiário sob a supervisão de Ricardo Daehn

jul
31
Posted on 31-07-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-07-2021



Ricardo Manhães, NO JORNAL

jul
31

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

O anúncio dos teatros da Broadway surge depois de o Metropolitan Opera de Nova York ter informado que exigirá que espectadores e artistas estejam vacinados na próxima temporada

AF
Agência France-Presse
 

 (crédito: Angela Weiss / AFP)

(crédito: Angela Weiss / AFP)

As salas da Broadway vão exigir que o público esteja vacinado e use máscara em todos os espetáculos – disse a indústria teatral de Nova York nesta sexta-feira (30/7), no momento em que os Estados Unidos estendem a vacinação obrigatória contra a covid-19.

Artistas e pessoal de espetáculos e dos teatros também deverão estar imunizados, disse a Broadway League em um comunicado.

As regras serão aplicadas até outubro nos 41 teatros da Broadway, afirmou a associação.

As máscaras serão obrigatórias, salvo para comer, ou beber, em áreas específicas, acrescentou.

“Uma política uniforme em todas as salas da Broadway na cidade de Nova York será mais simples para o nosso público e deve dar mais confiança sobre a forma como a Broadway trata a segurança do público”, declarou a presidente da associação, Charlotte St. Martin.

Haverá exceções para menores de 12 anos, grupo não elegíveis para ser vacinado, e para pessoas com problemas médicos, ou fiéis de crenças religiosas que evitam as vacinas. Essas pessoas deverão apresentar um teste negativo de coronavírus para assistir aos espetáculos.

A Broadway League disse ainda que revisará sua política em setembro para as apresentações em novembro e os meses seguintes. Algumas regras poderão ser flexibilizadas, “se a ciência determinar”.

Depois de fechar quando a primeira onda atingiu Nova York, no ano passado, a Broadway reabrirá totalmente em setembro.

Antes de anunciar estas normas, os espetáculos “Springsteen on Broadway” e “Pass Over” já haviam advertido que os espectadores deveriam estar vacinados.

O anúncio dos teatros da Broadway surge depois de o Metropolitan Opera de Nova York ter informado, na terça-feira (27/7), que exigirá que espectadores e artistas estejam vacinados na próxima temporada.

Na quinta-feira (29/7), o presidente americano, Joe Biden, pediu a todos os funcionários federais que se vacinem, ou usem máscaras e apresentem teste negativo para covid-19. Também esta semana, os estados da Califórnia e de Nova York anunciaram que seus funcionários públicos precisam estar vacinados, ou terão de se submeter a testes semanais de detecção do coronavírus.

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