O G1/TV GLOBO

Por Marcela Mattos, Gustavo Garcia e Sara Resende, G1 e TV Globo — Brasília

Diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Batista de Souza Medrades. — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Batista de Souza Medrades. — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 

A diretora-executiva da Precisa Medicamentos Emanuela Medrades prestou depoimento à CPI da Covid por mais de seis horas nesta quarta-feira (14) e negou ter havido ilegalidade ou irregularidade nas negociações envolvendo a vacina Covaxin e o governo brasileiro.

Emanuela Medrades deveria ter sido ouvida nesta terça (13), mas o depoimento foi remarcado porque ela decidiu ficar em silêncio.

A aquisição da Covaxin, cujo contrato com o governo brasileiro foi firmado em R$ 1,6 bilhão para 20 milhões de doses, é alvo de investigações da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União e do Ministério Público.

A CPI apura as supostas pressões do governo para liberação do imunizante, além das suspeitas de irregularidades no contrato. A aquisição da vacina acabou suspensa.

Emanuela se apresentou como a responsável pelas negociações do imunizante com o Ministério da Saúde. Segundo ela, a Precisa atua como representante da farmacêutica indiana Bharat Biotech no Brasil. Das vacinas em aplicação no Brasil, nenhuma contou com intermediadores – as contratações se deram de maneira direta com os fabricantes.

A representante admitiu que a Precisa não tinha experiência em aquisições de vacinas. Ela foi questionada diversas vezes sobre quanto a companhia iria receber com a venda da Covaxin ao governo brasileiro, mas alegou confidencialidade do contrato e se negou a responder. Presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) disse que a comissão deve requisitar o documento (leia mais abaixo).

Durante o depoimento, Emanuela esteve acompanhada pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso e os consultou antes de responder à maioria das perguntas. Houve momentos em que as respostas dadas pelos advogados escapavam ao microfone, o que gerou incômodo entre os senadores.

“Presidente, coloca logo os advogados para responder, porque não tem uma resposta que ela dá que não tenha uma petição de orelha”, reclamou a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

VÍDEO: 'A política de precificação da Covaxin é 100% da Bharat Biotech', diz Emanuela Medrades

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Suspeita de sobrepreço

As reuniões entre a Precisa e o Ministério da Saúde começaram em novembro do ano passado. Um dos pontos centrais da investigação é se houve sobrepreço no imunizante após o início das tratativas e se a diferença entre os valores pode ser indício de corrupção e beneficiamento ilícito.

Memória do Ministério da Saúde sobre uma reunião com Emanuela em 20 de novembro registra que a dose do imunizante custaria US$ 10 e que esse valor inclusive poderia ser reduzido em caso de aquisição de quantitativo maior. O contrato firmado com o governo, no entanto, era de US$ 15, o mais caro contratado pelo Brasil.

 

“Essa memória de reunião foi unilateral, confeccionada pelo Ministério da Saúde, em que nós, parte da reunião, não tivemos oportunidade de ler, assinar ou até validar o que ali estava escrito. O que eu posso garantir é que não houve nenhuma oferta de US$10 por dose, e nós, o tempo todo, tentamos que esse produto fosse mais barato para o Brasil”, afirmou Emanuela. Segundo ela, o preço seria definido pela Bharat.

Na sequência, a diretora da Precisa disse que esse valor pode ter sido apresentado como uma “expectativa” de venda.

Diante da divergência do preço, senadores pediram à diretora que apresentasse o contrato firmado entre a empresa e a Bharat Biotech para checar o valor de pagamento previsto com a venda do imunizante ao Brasil. Emanuela, no entanto, disse que não iria mostrar esses dados.

“Na questão da participação da Precisa, ela tem cláusula de confidencialidade, e eu não tenho autorização para compartilhar aqui”, afirmou.

Ao longo da audiência, ao ser novamente cobrada pelo documento, Emanuela disse que não tinha acesso a esses dados.

CPI da Covid: Senadores questionam diretora da Precisa Medicamentos sobre datas de envio da fatura da Covaxin

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‘Invoice’

Um dos pontos abordados durante o depoimento foi a “invoice”, nota fiscal internacional, da Covaxin.

Emanuela Medrades afirmou que a primeira versão do documento foi enviada ao Ministério da Saúde no dia 22 de março.

 

De acordo com técnicos do Ministério da Saúde em depoimento à CPI, no entanto, a primeira versão do documento foi enviada no dia 18 por Emanuela e continha a previsão de pagamento antecipado de US$ 45 milhões, tendo como beneficiária uma empresa em Singapura, o que não estava previsto em contrato.

Essas incoerências foram consideradas suspeitas e, de acordo com os irmãos Miranda, relatadas ao presidente Jair Bolsonaro no dia 20 de março.

Em audiência no Senado, a própria Emanuela já havia dito que o documento havia sido encaminhado no dia 18. A versão de que o documento somente chegou quatro dias depois é encampada pelo governo e por senadores aliados da CPI. O vídeo em que Emanuela apresenta data diferente foi mostrado na sessão.

“Esse vídeo foi uma audiência do Senado, foi no dia 23 de março deste ano. E, nesse dia, eu já havia enviado as invoices, já havia enviado, já havia trocado e-mails, já havia recebido as ligações do William [Amorim, técnico do ministério] com algumas solicitações de ajustes. No vídeo, vocês conseguem ver que eu não fui detalhista. Eu estava com aquilo fresco na minha cabeça e eu acabei dizendo que encaminhamos. Sim, encaminhamos, porque já havíamos encaminhado”, disse.

“Eu provei e provo, mais uma vez, que essa invoice só foi enviada no dia 22. E eu desafio o William Amorim e o Luis Ricardo [Miranda, um dos denunciantes das supostas irregularidades] a provarem também que eles receberam no dia 18, porque eles não vão conseguir. Então, eu estou disposta, inclusive, a fazer uma acareação”, afirmou a representante da Precisa.

Líder do governo, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE) concordou com a proposta de uma acareação entre Emanuela Medrades e os técnicos do Ministério da Saúde.

O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que a acareação será feita “com certeza absoluta”.

“A comissão é inteligente, aqui não tem bestinha. Deixa eu só dizer: concordo. Ela está pedindo acareação, acho que nós devemos fazer acareação, até porque ela é que está sendo acusada e ela faz questão de fazer acareação. Então, nós iremos fazer, com certeza absoluta”, afirmou Aziz.

Relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) disse que a questão das datas não tem mais “importância”.

“Até porque o próprio presidente da República já confirmou que recebeu as denúncias. Ele não confirmou ainda, e é importante que confirme, é se ele falou do líder do seu governo [Ricardo Barros] ou se não falou”, afirmou Calheiros.

Emanuela reforçou ainda que todas as mudanças, ao serem constatadas irregularidades, foram feitas pela própria Bharat Biotech. Segundo ela, as informações sobre os arquivos já foram repassadas à Polícia Federal, que deve fazer uma perícia no material.

VÍDEO: Emanuela Medrades diz que nota com pagamento adiantado era um padrão mundial da Covaxin

VÍDEO: Emanuela Medrades diz que nota com pagamento adiantado era um padrão mundial da Covaxin

Madison e pagamento antecipado

Emanuela Medrades também foi questionada sobre a previsão de pagamento antecipado à Madison Biotech, uma empresa com sede em Singapura que não aparecia no contrato firmado com o governo brasileiro. A CPI apura se essa empresa seria de fachada.

Aos senadores, a representante da Precisa afirmou que a Madison é responsável por todos os contratos da Bharat Biotech e que atuou em todos os países nos quais a Covaxin foi comercializada.

 

“A Bharat tem o modo dela de fazer emissão dessas invoices e ela utilizou, o tempo todo, como se fosse uma minuta padrão para a confecção. A primeira que nós recebemos, que foi a enviada no dia 22, ela era com condições padronizadas para o mundo inteiro”, afirmou.

O relator da comissão, então, questionou como a Receita Federal brasileira cobraria impostos e tributos “de uma empresa que recebeu antecipadamente em paraíso fiscal”.

“Senador, não houve pagamento antecipado, e eu gostaria de concluir o raciocínio de que o contrato prevê o produto com um valor final para o ministério com os impostos inclusos. Eu não sou especialista tributária. Eu acho que, sim, vale muito a pena, depois o senhor consultar algum especialista, mas significa que esses impostos serão pagos na fonte. Onde é essa fonte? Na Índia, Singapura. Na fonte”, afirmou.

VÍDEOS: Emanuela Medrades na C

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15

“Sá Marina”, Wilson Simonal: Dá-lhe Simona!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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15
Posted on 15-07-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-07-2021
 

Na capital paulista, será avaliada a necessidade de uma nova cirurgia. Presidente já foi operado seis vezes desde que sofreu uma facada em atentado em 2018

IS
Ingrid Soares
RS
Renato Souza
 

 (crédito: Alan Santos/PR)

(crédito: Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro será levado para São Paulo para realizar novos exames para definir se há necessidade de uma cirurgia de emergência. A informação foi divulgada pela Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), por meio de nota, nesta quarta-feira (14/7).

De acordo com o texto, o médico Antônio Luiz Macedo, que operou o presidente quando ele sofreu uma facada em 2018, constatou uma obstrução intestinal e decidiu pela transferência do presidente. O cirurgião veio de São Paulo para avaliar o quadro do chefe do Executivo. 

Como adiantou o Correio, o quadro clínico do presidente inspira cuidados e chama atenção dos médicos. Ele deu entrada com fortes dores abdominais no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, e logo se suspeitou da obstrução. Caso seja realizado procedimento cirúrgico, será o sétimo a que o presidente é submetido após atentado a facada, em setembro de 2018.

“Após exames realizados no HFA em Brasília, o Dr. Macedo, médico responsável pelas cirurgias no abdômen do Presidente da República, decorrentes do atentado a faca ocorrido em 2018, constatou uma obstrução intestinal e resolveu levá-lo para São Paulo onde fará exames complementares para definição da necessidade, ou não, de uma cirurgia de emergência”, informou o governo.

Bolsonaro chegou a ser sedado e o médico Antônio Luiz Macedo, oncologista que operou o presidente após ele ser atingido com uma facada em 2018, se deslocou ao Distrito Federal para compor a equipe de avaliação. Na capital paulista, ele será internado na Rede D’or.

Internado de madrugada

Bolsonaro foi internado na madrugada desta quarta-feira (14/7), no HFA, depois de sentir dores abdominais após mais de 10 dias com crise de soluços.

O presidente já havia reclamado publicamente dos soluços em várias ocasiões, como na live da última quinta-feira (8/7), quando encerrou a transmissão mais cedo devido ao problema.

Bolsonaro sofreu um atentando a faca durante a campanha eleitoral, em Juiz de Fora (MG), em4  2018 e desde lá passou por seis cirurgias. A última foi realizada no dia 25 de setembro, para a retirada de um cálculo vesical.

jul
15
Posted on 15-07-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-07-2021



 

J. Bosco, no jornal

 

jul
15
Posted on 15-07-2021
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AF
Agência France-Presse
 

 (crédito: AFP / Filippo MONTEFORTE)

(crédito: AFP / Filippo MONTEFORTE)

O papa Francisco deixou o Hospital Gemelli, em Roma, nesta quarta-feira (14/7), após a operação de cólon, à qual foi submetido em 4 de julho – acompanhou um fotógrafo da AFP.

O pontífice argentino, de 84 anos, foi operado para retirar uma parte do cólon, em uma intervenção cirúrgica feita com anestesia geral.

Francisco deixou o hospital em um veículo preto, de janelas escuras (foto), como constataram os fotógrafos de plantão na entrada do estabelecimento.

 O papa, que circula em um automóvel Ford Focus, sem escolta, aproveitou para rezar diante da imagem da Virgem Maria na Basílica de Santa Maria Maior, no centro de Roma. Segundo a nota do Vaticano, este é um costume de Francisco, antes e depois de suas viagens internacionais.

“Ele agradeceu pelo bom resultado da intervenção cirúrgica e rezou por todos os doentes, em particular, por aqueles que saudou durante sua permanência no hospital”, acrescentou a nota.

Na chegada ao Vaticano, desceu do automóvel, sorridente, para cumprimentar a patrulha de militares e agentes que protegem a entrada do Palácio Apostólico, onde o papa reside. Estas imagens foram transmitidas ao vivo pela televisão italiana.

Ao longo de seus 11 dias internado, o papa acompanhou o noticiário internacional, enviou mensagens de pêsames pelo assassinato do presidente do Haiti e defendeu o direito de uma saúde gratuita para todos.

Também celebrou o tradicional Ângelus dominical de uma varanda do hospital, visitou pacientes com câncer no 10º andar, o mesmo onde ficou instalado, e celebrou várias missas na capela com a equipe médica e demais funcionários que o atenderam durante a internação.

Descanso e viagens

O sumo pontífice deve descansar durante todo mês de julho no Vaticano. Nenhuma audiência geral ou reunião oficial foi marcada para este período.

De acordo com sua agenda, ele celebrará o Ângelus de domingo do Palácio Apostólico da Praça de São Pedro.

Inicialmente, o Vaticano havia anunciado que o papa ficaria “cerca de uma semana” no Gemelli, “salvo por complicações”, mas ele acabou ficando mais alguns dias internado para receber um tratamento de reabilitação.

Na véspera de sua alta médica, o Vaticano divulgou várias fotos do papa caminhando e cumprimentando crianças doentes no Gemelli.

Com uma saúde relativamente boa, Francisco sofre de uma ciática crônica que lhe causa fortes dores. Em várias ocasiões, ele teve de abrir mão de participar de cerimônias oficiais.

O papa tem uma série de viagens ao exterior em sua agenda ainda este ano. Uma delas está prevista para acontecer de 12 a 15 de setembro, na Eslováquia, com uma parada de poucas horas em Budapeste, capital da Hungria.

Neste país, o chefe da Igreja Católica assistirá ao encerramento do 52º Congresso Eucarístico Internacional. Será uma visita delicada, durante a qual é possível que se reúna com o ultraconservador Viktor Orban, um polêmico opositor da abertura da Hungria aos migrantes e da comunidade LGBT.

Se o coronavírus e sua saúde não forem um impedimento, em novembro, Francisco viajará para Glasgow, na Escócia, para a cúpula mundial do clima. Este é um tema abordado em sua encíclica “Laudato Si” sobre a defesa do meio ambiente.

“Não sei se as viagens vão diminuir”, disse o papa, em março, aos jornalistas que o acompanhavam em sua histórica viagem ao Iraque.

Na ocasião, Francisco reconheceu que estava ficando mais cansado do que antes durante suas viagens ao exterior.

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