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Postado em 09-07-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 09-07-2021 00:54
DO EL PAÍS

O torneio pandêmico marcado por gramados ruins, surtos de covid-19 e pouca audiência entregará, em seu último ato, uma final única e inesquecível

Messi e Neymar na última vez que se enfrentaram num jogo oficial de seleções, em 2016.
Messi e Neymar na última vez que se enfrentaram num jogo oficial de seleções, em 2016.ANTONIO LACERDA
São Paulo
 

Sabendo que o duelo entre as duas seleções tradicionais é a melhor atração que seu torneio pode proporcionar, a Conmebol construiu o regulamento da Copa América para ter uma final entre elas. Ao contrário da Eurocopa, onde o equilíbrio e o sorteio permitem um grupo com Alemanha, França e Portugal, o torneio sul-americano começou com dois grupos de cinco seleções cada, onde Argentina integrava o grupo A e o Brasil está no B. São 20 jogos na primeira fase apenas para eliminar duas seleções —Bolívia e Venezuela, no caso, que são as duas piores do continente. Seguiu-se então o mata-mata onde, desde que brasileiros e argentinos tivessem se classificado em primeiro lugar, bastava ganhar quartas e semifinal para se cruzarem na decisão. E foi exatamente o que fizeram.

O esforço da Conmebol em promover o clássico na decisão se justifica pela história que envolve os dois países. Somados, brasileiros e argentinos ganharam sete Copas do Mundo e metade das 46 Copas América disputadas. E, se o torneio ficou banalizado com quatro edições nos últimos seis anos, o clássico como final vai no caminho contrário. Ele aconteceu somente três vezes, em 1937, 2004 e 2007, com uma vitória argentina e duas brasileiras. Uma das duas seleções sempre chega na final, mas dificilmente se encontram nela, o que engrandece a partida de sábado. Afinal, foi com as camisas dessas seleções que Pelé e Maradona despontaram como maiores estrelas da história do esporte, que também vestiram Garrincha, Mario Kempes, Passarella, Zico, Batistuta, Romário, Ronaldo, Riquelme, Ronaldinho, Messi, Neymar e tantos outros craques. Os dois últimos, que se enfrentaram de forma oficial com as suas seleções pela última vez em 2016, farão o primeiro duelo em uma final. “Não podíamos morrer sem ver isso”, como resumiu o argentino Diario Olé.

Morrer sem ver isso estava mais próximo do que imaginávamos, dados os 34 anos de Messi. Um dos melhores jogadores da história está em seus últimos anos em campo e tem uma de suas oportunidades finais de ser campeão com a Argentina. São 28 anos de jejum para os hermanos; ou seja, toda a carreira do camisa 10 que cansou de erguer taças com o Barcelona. Messi perdeu quatro finais pela albiceleste —na última, quando também perdeu um pênalti, disse que se aposentaria da seleção.

Voltou com uma postura mais maradoniana, assumindo o papel de líder dentro e fora de campo. Na semifinal que eliminou a Colômbia, teve a jornada do herói completa: fez a jogada do gol de Lautaro Martínez; levou uma entrada no tornozelo e continuou jogando com uma mancha de sangue no meião; converteu seu pênalti decisivo; provocou o adversário que perdeu sua cobrança; e terminou comemorando a vitória em campo com músicas da hinchada argentina. Messi é o jogador da Copa América 2021 com mais gols, assistências, chances criadas, chutes ao gol e dribles. Sua possível última chance de ganhar com a Argentina, com o desafio de acabar com o jejum do país e homenagear o ídolo Maradona, terá como palco o Maracanã —estádio mais famoso do mundo que, pela primeira vez, recebe um Brasil x Argentina numa final.

Do outro lado, Neymar também busca sua primeira Copa América, apesar de já ter vencido outros títulos com seu país. Em 2019, uma lesão o deixou de fora do Brasil que acabou campeão em casa. Agora, ele é o líder espiritual da equipe, artilheiro e responsável direto pelas melhores jogadas da seleção. Com uma sólida defesa e uma inesperada parceria de sucesso com Lucas Paquetá, Neymar conduziu uma seleção invicta há 13 jogos —a última derrota foi justamente para os argentinos, em 2019— que, apesar de ainda não ter atingido todo o seu potencial, joga num ritmo suficiente para passar por cima dos rivais sul-americanos e chegar como favorita ao bicampeonato em casa. Não há dúvidas, no entanto, de que a decisão será o maior desafio brasileiro antes do Mundial de 2022.

 Tantos fatores históricos e esportivos explicam como uma murcha Copa América conseguirá entregar uma final empolgante. Depois do torneio todo perdendo em audiência na TV aberta para a Globo e na TV fechada para a Eurocopa, a competição sul-americana já fez o SBT assumir a liderança do Ibope em São Paulo na noite desta terça-feira, 6 de julho, com a disputa de pênaltis entre Argentina e Colômbia. O mesmo cenário deve se repetir no sábado. E, se a Copa passou o mês inteiro gerando menos interesse ao brasileiro do que a Euro, agora ela vence o duelo no fim de semana decisivo. O Brasil x Argentina valendo taça no Maracanã, no sábado à noite, é mais atrativo do que a final entre Itália x Inglaterra, no domingo, em Wembley. E tem tudo para ser o fechamento inesquecível de um campeonato inoportuno.

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