Bolsonaro surta, xinga, manda repórter calar a boca e dá chilique em entrevista - Orla Notícias
Bolsonaro em Guaratinguetá: descontrole.

ARTIGO DA SEMANA

“Mito” em surto: temor dos mortos, das ruas, CPI e Salles 

 Vitor Hugo Soares

Na visita a Guaratinguetá (SP), segunda-feira, 21, o presidente da República tirou de vez o simulacro de máscara que lhe encobria o rosto, e os brasileiros viram, sem disfarce, o ocupante do Palácio da Alvorada amedrontado por seus demônios e fantasmas, em estado de aparente transtorno, ou surto, e nem precisa ser psicólogo ou psiquiatra para chegar a esta conclusão. A dúvida é quanto à causa (ou motivos, que parecem múltiplos) de seu nervosismo e destempero, basta rever vídeos e áudios que correm pelas redes sociais e sites da internet, no Brasil e no mundo. Sintomático o acesso de fúria do mandatário ao gritar ordens, de público, para assessores e auxiliares de seu governo, mas principalmente para a repórter da afiliada da TV Globo na região, durante a caótica entrevista coletiva na pacata Guará: “Cale a boca! Essa TV Globo é uma merda”. E desfiou um desaforado, aluado e desconexo palavreado retórico, com xingamentos, ofensas e desvarios como não se tem notícia na história republicana e democrática do Brasil. Salvo, talvez, o caso do sucessor do presidente Venceslau Brás, em 1915, o mineiro Delfim Moreira, reconhecidamente amalucado, que cogitou até criar galinhas no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.

Há quem diga que, em Guaratinguetá, Bolsonaro teve uma explosão nervosa retardada. Efeito  do editorial do Jornal Nacional, lido com força máxima por William Bonner e a colega de bancada, Renata Vasconcelos, na edição para não esquecer, do sábado em que o Brasil atingiu a vergonhosa e sinistra marca de 500 mil mortos pela pandemia Covid-19. Mas logo ficou patente que havia mais incêndios sob as chamas e chispas de fogo que o mandatário do Planalto soprava pelas narinas e boca às vésperas dos festejos a São João.
 
Além de distribuir xingamentos e ofensas a jornalistas em geral, e em especial à repórteres e fotógrafos que não se pautam por seu destrambelhado e autoritário “manual de redação”, no cercado da sua claque de adeptos no Alvorada, passou a maldizer também à CNN pela cobertura das manifestações, por “vacinas no braço, comida no prato e fora Bolsonaro”, no país, em especial na Avenida Paulista, do estado governado pelo tucano João Dória JR, inimigo visceral desde sua posse no cargo. As presenças de Boulos (Psol), Haddad (PT) e Orlando Silva (PC do B) puxando o ato que tomou 9 quarteirões da monumental avenida da megalópole brasileira, e os protestos do Rio de Janeiro – com a destacada presença de Chico Buarque de Holanda usando máscara no meio da multidão – também contribuíram para deixar em frangalhos o sistema emocional do capitão presidente.

Sem falar no embrulho chamado Ricardo Salles, o pior e mais suspeito ministro do Meio Ambiente da história do Brasil, que precisou ser expurgado, na quarta-feira junina, de triturar os nervos do mandatário, em queda expressiva nas pesquisas de opinião, que tinha em Salles, amigo do peito e arauto dos desmandos no governo. Há, ainda, os efeitos da Comissão Parlamentar de Inquérito Covid-19 e a “bomba” da superfaturada compra da vacina indiana Covaxim, que causam pesadelos e novos surtos como manifestados em Guaratinguetá. E nem apareceu ainda o nome da terceira via para 2022. Haja cordas!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br.  ­­

jun
26
Posted on 26-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-06-2021

DO EL PAÍS

Um é deputado, espalhafatoso e midiático. O outro, um discreto servidor público no Ministério da Saúde. O depoimento de ambos na CPI da Pandemia arrasta o líder do Governo na Câmara, Ricardo Barros, para o imbróglio da Covaxin

Os irmãos Miranda na CPI da Pandemia
Os irmãos Miranda na CPI da PandemiaADRIANO MACHADO / Reuters
 Carla Jiménez
São Paulo

O dia que parecia balançar o Governo na CPI da Pandemia era cercado de expectativas pela presença dos dois Miranda que levantaram suspeitas de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin e de eventual omissão do presidente Jair Bolsonaro. Um é deputado, espalhafatoso e midiático. O outro, um discreto servidor público no Ministério da Saúde de fala baixa e econômica. Água e óleo que se encontraram na CPI, com um verniz Ruth e Raquel. Luis Miranda, eleito em 2018 pelo DEM, chegou com colete a prova de balas por no Senado argumentando que recebeu ameaças de morte. Horas antes havia postado uma foto em seu Instagram ao lado do presidente da Câmara, Arthur Lira, para lhe desejar feliz aniversário. Fez promessas de chacoalhar a República na CPI da Pandemia, que chegou a criticar até pouco tempo.

Já seu irmão, Luis Ricardo, veio direto do aeroporto depois de sair de Miami para desembaraçar a chegada das vacinas Janssen, doadas pelos Estados Unidos ao Brasil. Mesmo cansado, o servidor que apontou a pressão de superiores para aprovar a vacina Covaxin em prazo recorde, respondeu a todas as perguntas pausadamente, em voz baixa, mas de maneira direta. Sentando do lado direito do presidente da CPI, Omar Aziz ( PSD-AM), Miranda deu nomes dos chefes acima dele que o pressionaram de final de semana e tarde da noite — Alex Leal Marinho, Coronel Pires e Roberto Ferreira Lima —para acelerar a liberação da vacina Covaxin, ainda quando a documentação não estavam em ordem. Relatou também que outro servidor de nome Rodrigo lhe comentou que “um rapaz que vendia vacina disse que seus gestores estavam pedindo propina.”

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Miranda é chefe de Importação desde 2018, lotado no Departamento de Logística em Saúde, de onde fiscaliza contratos e responde pela execução de importação. “Somos a ponta final do processo para que os insumos estratégicos da saúde cheguem ao País”. Sua maior ousadia foi dizer “meu partido é o SUS”. De camisa azul clara e colarinho um pouco torto, manteve a calma para responder a todas as perguntas que lhe foram feitas, sem perder o fio da meada nem mesmo com as agressivas investidas dos senadores governistas, como Marcos Rogério (DEM-RO). Foi elogiado por governistas e opositores pela sua postura séria.

Já Miranda, o deputado, manteve o estilo dramático em seu relato, sentado ao lado esquerdo de Omar Aziz. Em terno impecável, leu, com sua voz de radialista, ponto a ponto a comunicação que teve com o irmão por WhatsApp quando este lhe relatava o clima desconfortável que ele e sua equipe estavam vivendo em função da pressa para aprovar a vacina indiana. Depois, a comunicação com Diniz Coelho, assessor do presidente, para cobrar que o presidente Bolsonaro ouvisse o relato seu irmão. “Pelo amor de Deus, Diniz, isso é muito sério. Meu irmão precisa saber do PR como agir!”, repetiu, sobre a insistência em falar com o presidente sobre as suspeitas na compra da Covaxin.

Não deixou de fazer marketing de si mesmo. “Cheguei de cabeça erguida com a missão de combater qualquer tipo de corrupção. Não tem partido nem ideologia”, disse ele, eleito na onda bolsonarista e que defende com unhas e dentes a pauta do Governo em suas redes sociais. Embarcou nos elogios ao irmão dizendo que mudaria de posição sobre a reforma administrativa para apoiar a estabilidade que protege servidores como ele.

Marinheiro de primeira viagem na política, o deputado democrata comprou inimigos na velocidade da luz. Foi literalmente peitado no intervalo do depoimento pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES), chamado de “picareta” pelo senador Jorginho Mello (PSC-SC), e contou ter sido chamado de “171”, referente a crime de estelionato, pelo deputado Eduardo Bolsonaro. Mas se embananou em insinuações dos nomes que estariam por trás da pressão sobre seu irmão.

O deputado relatou, por exemplo, que quando esteve no dia 20 de março com o presidente junto com o irmão, Bolsonaro teria reagido dizendo: “Vocês sabem quem que é, né? Puta merda, se mexer vai ferrar…”. Ele ouviu do presidente o nome de um deputado que teria ingerência no Ministério da Saúde, mas ao longo de horas na sessão não admitiu de quem se tratava. Àquela altura a maioria dos senadores já estavam ligando o nome do deputado Ricardo Barros (PP-PR), e o questionavam, mas Luis Miranda não admitia. “Minha memória falha”, esquivava.

Foi o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) quem o colocou no lugar quando pediu novamente para ele relatar qual era o deputado que ele tentava proteger. “O senhor não se coloca à altura da imagem que tenta vender. O senhor assumiu o compromisso de falar a verdade, mas tivesse a coragem diria o nome”, afirmou completando: “Só muda o país quando as pessoas tiverem coragem. O servidor [Luis Ricardo Miranda] sim, cumpriu sua missão, o senhor não.” Parece ter batido numa comparação freudiana e o deputado capitulou. “Já perdi a relatoria da reforma tributária, já perdi tudo”, lamentava Miranda para admitir na sequência, quando era questionado por Simone Tebet (MDB), o nome de Ricardo Barros como o deputado nomeado pelo presidente.

Ainda que por vias tortas e com estilos opostos, os irmãos Miranda colocaram uma lupa no no modus operandi de agentes do Governo no contrato da Covaxin na CPI da Pandemia e deixam algumas batatas quentes que podem incriminar nomes ligados ao presidente. Quem esperava uma bomba se frustrou, mas quem achava que se daria com os burros n’água, também. O day after dos Miranda passa a ser acompanhado de perto pelo Brasil. Por via das dúvidas, a CPI já pediu proteção policial aos irmãos depois desta sexta

“Meu Sublime Torrão/Paraíba meu amor”, Elba Ramalho: o canto junino e ardente como fogueira acesa na Oaraíba, para embalar a sexta-feira no Bahia em Pauta.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

jun
26
Posted on 26-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-06-2021

A documentação reunida pelo deputado Luis Miranda e seu irmão Luis Ricardo em uma apresentação de PowerPoint à CPI da Covid nesta sexta (25) tem vários elementos interessantes.

Confira:

1. Pedidos para licença de importação e pagamento antes de aval da Anvisa

Reprodução/Luis Miranda/via Senado

Um gerente da Precisa enviou e-mail ao Ministério da Saúde em 16 de março pedindo “auxílio na solicitação da primeira LI [licença de importação]” de embarque aéreo da Covaxin.

A primeira invoice (nota fiscal) foi recebida em 18 de março, no valor de US$ 45 milhões, equivalente a 3 milhões de doses de Covaxin. O documento está no nome da empresa Madison Biotech, que pertence ao mesmo grupo,  mas tem sede em Singapura.

Mas o extrato de dispensa de licitação, publicado no Diário Oficial em fevereiro, no valor de R$ 1,6 bilhão, cita “Contratada: Bharat Biotech, representada pela empresa Precisa Comercialização de Medicamentos LTDA”.

Essa movimentação se deu antes da primeira reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa que iria analisar o pedido de importação, avaliando a qualidade e a eficácia da Covaxin.

A reunião foi só em 31 de março, e o pedido foi rejeitado por 5 votos a 0.

2. Por que Madison?

Reprodução/Luis Miranda/via Senado

Em 22 de março, a diretora-executiva Emanuela Medrade enviou e-mail ao ministério explicando o motivo de a invoice estar no nome da empresa Madison.

“[U]saremos o primeiro embarque para realizar a validação da cadeia de transporte”, escreveu Medrade. “[A] seguradora e a regulamentação indiana não autorizada (sic) um risco maior que 50 milhões de dólares – o que nos limita a 3 milhões de doses no primeiro embarque”.

“A Madison Biotech – agente comercial responsável pela confecção da LI, possui o mesmo quadro societário e é encarregada de todas as exportações da BBIL. Estamos providenciando uma declaração com este conteúdo, mas como representantes e signatários do contrato, informamos que estamos de acordo com a Proforma invoices enviada”.

O Ministério da Saúde pediu à Anvisa autorização para importar 20 milhões de doses da Covaxin em cinco parcelas de 4 milhões cada – daí a ressalva sobre os 3 milhões de doses.

3. Mais ‘invoices’ antes de aval da Anvisa

Reprodução/Luis Miranda/via Senado

A Precisa enviou mais duas ‘invoices’ ainda antes da primeira reunião da Anvisa que decidiria seu destino. Cada uma é de mais 3 milhões de doses: uma no valor de US$ 45,9 milhões e outra de US$ 45 millhões.

4. “Veio agora à noite falar com o Elcio para agilizar”

Reprodução/Luis Miranda/via CPI da Pandemia

Luis Ricardo Miranda, chefe da Divisão de Importação do Ministério da Saúde, trocou mensagens com um ‘Cel Pires’.

Pires disse a Luis Ricardo: “O Representante da empresa veio agora a noite p falar com o Elcio p agilizar a LI [Licença de Importação] p embarcar as vacinas nesta semana 4Mi”.

Elcio é Elcio Franco – o nº 2 da Saúde na administração Pazuello.

Segundo a apresentação, essa mensagem de Pires foi em 19 de março – portanto, ainda antes da reunião da Anvisa, que só se deu no dia 31.

5. Pedido em abril de reunião com Queiroga 

Reprodução/Luis Miranda/via CPI da Pandemia

O deputado Luis Miranda, irmão de Luis Ricardo, pede em 6 de abril a Marcelo Queiroga uma reunião urgente.

Naquele momento, o contrato já estava assinado (isso aconteceu em 25 de fevereiro) e a Anvisa já tinha rejeitado o primeiro pedido de importação (em 31 de março).

Marcelo Queiroga tomou posse em 23 de março, poucos dias antes da reunião da Anvisa. O contrato de compra da Covaxin foi assinado na administração Pazuello.

jun
26
Posted on 26-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-06-2021



 

 Sid, NO PORTAL DE HUMOR

 

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26
Posted on 26-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 26-06-2021
Td
Talita de Souza
 

 (crédito: Instagram/Reprodução)

(crédito: Instagram/Reprodução)

Durante uma visita ao posto de vacinação contra a covid-19 no Mangabeira Shopping, em João Pessoa (PB), na tarde desta sexta-feira (25/6), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi surpreendido por uma pessoa caracterizada como o “coronavírus”, que o chamou para dançar ao som de um forró que tocava no local. Sem jeito, o ministro fez um gesto de que “mataria” o vírus, mas aceitou o convite da dança. Confira o vídeo:

Queiroga está na cidade para cumprir a agenda do Ministério da Saúde. Antes do episódio no shopping, ele se reuniu com o prefeito da capital, Cícero Lucena (Progressistas), o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (Progressistas) e o secretário de Saúde local, Fábio Rocha.

No sábado, ele vai se encontrar com o governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania) e o secretário de Saúde do Estado, Geraldo Medeiros. A reunião tem como foco a testagem e vacinação em massa contra a doença no município de Sousa, no sertão paraibano.

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