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Lula lidera corrida eleitoral de 2022 e marca 55% contra 32% de Bolsonaro no 2º turno, diz Datafolha - Folha PE
Lula e Bolsonaro: bicadas de galos de briga.
ARTIGO DA SEMANA

Briga de Galos: Bolsonaro, Lula, Ciro (e Dó­ria)

Vitor Hugo Soares

Na segunda – feira passada, deste inconsequente mês de junho, – dia seguinte ao domingo 13, da celebração ao português Antônio, santo mais popular do Brasil, que produziu milagres e memoráveis pregações na italiana Pádua; day after também da abertura da Copa América, em Brasília, do tempo da pandemia – o presidente Jair Bolsonaro despertou como quem “dormiu de calça jeans” (no dizer soteropolitano). Saiu do Palácio da Alvorada ainda mastigando parte de sua ração de galo de briga, com sobras para distribuir com adeptos que invariavelmente o aguardam para as selfies, palmas e risos de aprovação, seja qual for a agressão, piada de mau gosto ou a tolice que disser. Dirigida a algum advers ário político ou à imprensa e seus profissionais, na quase certeza  de estar produzindo a manchete a ser replicada pelo bando de produtores de notícias falsas e mentiras deslavadas nas redes sociais. Afinal, assim tem sido desde o início de seu governo de parcas realizações, muitas intrigas, patuscadas e xingamentos, que proliferam e se tornam mais agressivos e irresponsáveis à medida que 2022 se aproxima.

Desta vez, Antônio e outros poderosos santos de junho (João e Pedro) – de força e prestígio especiais no Nordeste – nem de longe foram lembrados pelo mandatário meio católico e meio evangélico (a depender das circunstâncias e dos interesses imediatos). As primeiras provocações, na segunda, foram dirigidas à TV Globo – com o capitão dono do poder festejando a TVS, detentora nacional dos direitos de transmissão da copa continental de futebol, que ele “empenhou o canavial da sogra” para realizar no Brasil   (depois das recusas de Argentina e Colômbia) onde a catástrofe sanitária da Covid-19 se aproxima dos 500 mil mortos. O “galo” do Planalto também distribuiu bicadas e espo radas contra seu alvo preferencial, o atual líder das pesquisas eleitorais, Luís Inácio Lula da Silva, que ele chama de “nove dedos”, e o governador de São Paulo, João Doria Jr “aquele da sunguinha e da calcinha apertada”, segundo o presidente da República.

O pior, e mais desconcertante de tudo, é a maneira agressiva, e mais própria das rinhas de galos, como o ocupante do Palácio dos Bandeirantes, o tucano João Dória Jr, agora reage a essas ofensas e agressões. Bicada por bicada. Esporada por esporada. “Estranha esta fixação sexual do presidente por minhas sungas e calças apertadas. Estranho, muito estranho”, rebate Dória, deixando de lado seu habitual comportamento sóbrio e educado, de filho do refinado intelectual e sempre cortês democrata cristão da Bahia”, João Doria, pioneiro do marketing no Brasil.  

O grupo de “galos de rinhas”, pela “esquerda”, além de Lula tem seu ex-ministro, atual adversário, Ciro Gomes ( PDT), de bico e esporões ferinos e descontrolados, à moda das brigas moralistas da UDN versus PSD. Do tipo da que o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (recém expulso do DEM) se engalfinha com o presidente nacional do partido conservador, a quem ofende com agressões do tipo “novo Torquemada inquisidor”, “malandro baiano”, “baixinho atrevido”, que Neto responde com um sonoro “perdedor recalcado”.  Mas esta história fica para depois. Quem sabe com o nome de centro (ou  terceira via) já num debate democrático, com algum programa, ideia ou projetos para discutir com a sociedade. Esperemos um pouco mais. 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E – mail: vitors.h@uol.com.br

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