Caramurê

ARTIGO

Geração Mapa e a História da Literatura Baiana

Lucia Jacobina

 

Quis o destino que Geração Mapa, último livro de João Carlos Teixeira Gomes, ficasse como um testemunho dado pelo autor sobre a reviravolta causada por um grupo de jovens no Colégio Central, que se notabilizou como prova da eficiência do ensino público. Dentre os remanescentes, dois continuam em franca atividade, os poetas Florisvaldo Mattos e Fernando da Rocha Peres. 

A partir daquela experiência, esses jovens foram integrar a redação de jornais, fazer cinema e escrever livros. Sua figura mais importante foi o cineasta Glauber Rocha, líder do grupo por sua capacidade de criar As Jogralescas, recitais de divulgação poética, com a participação de declamadores e cenógrafos recrutados entre seus próprios colegas. O livro exibe um amplo registro fotográfico dos espetáculos montados, do qual a própria capa é uma homenagem a seu amigo Fernando Rocha, um dos jograis. Por sua vez, Glauber seguiu sua trajetória pelo mundo, ficando conhecido como o maior representante do Cinema Novo. Sobre ele, Teixeira Gomes escreveu a biografia “Glauber, esse Vulcão”, considerada a mais completa já escrita sobre o cineasta, infelizmente com edição esgotada. 

Para situar a Geração Mapa em seu contexto histórico, o autor traça um panorama do movimento modernista baiano que surgiu de forma retardatária e teve como característica o agrupamento, em torno de revistas, de escritores que depois ficaram famosos em todo o mundo, a exemplo de Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, na ficção, Luiz Alberto Moniz Bandeira no ensaio político e Glauber Rocha, no cinema.  

Estudioso e professor de literatura, Teixeira Gomes não se detém no modernismo e visita o sec. XVII, para discorrer sobre Gregório de Mattos e Antônio Vieira. Com relação ao primeiro, Teixeira Gomes já tinha lançado o livro Gregório de Matos, o Boca de Brasa – Um estudo de Plágio e Criação Intertextual, reputado pelos especialistas como a mais completa análise da obra do poeta realizado no Brasil. Em Geração Mapa, volta a definir Gregório como “maior poeta satírico que a língua portuguesa já produziu em qualquer época e um dos maiores poetas barrocos do sec. XVII, seja no Brasil ou em Portugal.” De Vieira, afirmou: “Não fossem as barreiras da língua e seria considerado um dos maiores vultos da eloquência sacra em todo o mundo”. 

Em seguida, avança para o sec. XIX, outro grande momento da literatura baiana, citando Castro Alves, Junqueira Freire e Ruy Barbosa. O primeiro, como possuidor de “momentos da mais alta criatividade pessoal que o distinguem de todos os poetas de seu tempo”, Junqueira Freire como aquele que antecipou na poesia a negação da loucura como enfermidade, o que mais tarde seria tese grata a certas correntes da psiquiatria moderna. E, finalmente Ruy Barbosa, a quem reconhece o mérito de ter representado um “momento único na vida política do país”, pois sem ter “realizado obra de ficção, incorporou-se definitivamente à história da literatura brasileira pela inventividade dos seus dotes expressionais”. E conclui com sua peculiar eloquência: “no campo das ideias, sua mensagem liberal até hoje incomoda os autoritários, os liberticidas, os déspotas e os obscurantistas, o rebotalho político da humanidade”. 

O escritor Edmilson Caminha ressaltou em “A geração que deu um mapa à cultura da Bahia”, elogioso artigo publicado no jornal Tribuna da Bahia, em janeiro de 2020 que, “a pretexto de registrar o que ficou da geração a que pertence, João Carlos Teixeira Gomes oferece ao leitor o que bem se poderia chamar uma história concisa da literatura baiana”. Com toda razão. Eis que, se a este derradeiro livro juntarmos os estudos “Da ideologia do pessimismo à ideologia da esperança”, sobre Jorge Amado e “João Ubaldo Ribeiro e a saga do talento triunfante”, veremos que o “Pena de Aço” do jornalismo brasileiro cumpriu a promessa feita desde “Apontamentos sobre a evolução da literatura baiana”, ensaio inicial que definiu como “núcleo embrionário de uma futura história da literatura baiana”.  

Lúcia Jacobina é ensaísta e autora de Aventura da Palavra.

Itabuna Centenária Artes & Literatura - ICAL: ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA PROMOVE SEMINÁRIO SOBRE OBRA DE JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES
João Carlos Teixeira Gomes, Joca:pena de aço partiu
há um ano.

 

 

“Speak Low”, Gato Barbieri: Fantástica performance do mago argentino do sax, de reconhecimento mundial, na homenagem de saudade do Bahia a Pauta a João Carlos Teixeira Gomes, o notável jornalista, poeta, escritor e cidadão do mundo, que amava e sabia de música como poucos. Saudades!

BOM DIA!

(Vitor Hugo Soares)

jun
18
Posted on 18-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-06-2021
 
LC
Luiz Calcagno
JM
Jonatas Martins*
 

 (crédito: Karlos Geromy / Agência Maranhão de Notícias)

(crédito: Karlos Geromy / Agência Maranhão de Notícias)

O governador do Maranhão, Flávio Dino, anunciou que irá se desfiliar do PCdoB. A informação foi publicada nas redes sociais do político na tarde desta quinta-feira (17/6). Publicamente, Dino, que está no segundo mandato à frente do estado, desejou êxito à legenda, na caminhada “em defesa de uma Pátria Livre e Justa”.

“Uma grande Frente da Esperança é um vetor decisivo para um novo ciclo de conquistas sociais para o Brasil. A tal tarefa seguirei me dedicando. Agradeço ao PCdoB a acolhida fraterna nesses 15 anos de militância. Diferenças que hoje temos, de estratégia e tática políticas, são menos importantes do que o meu reconhecimento ao papel histórico do partido na defesa de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil”, postou Dino.

A expectativa é de que Dino se filie ao PSB O governador já vinha participando de sucessivos encontros com o presidente do partido, Carlos Siqueira. O último deles ocorreu há cerca de 15 dias. O governador do Maranhão também escreveu uma carta à presidente do PCdoB, Luciana Santos, onde ele declara que tem “visões diferentes” sobre o caminho que o partido vem tomando. O texto, no entanto, foi escrito em tom de rompimento cortês.

“Registro minha gratidão pela fraterna convivência por 15 anos”, escreveu o governador. Os motivos dessa decisão já foram apresentados às instâncias partidárias, reiteradamente. Meu apreço pelo PCdoB e pela sua militância me impõe respeitar ritmos e processos internos em relação aos quais tenho visões diferentes. Desejo êxito ao PCdoB na sua caminhada com a qual, em larga medida, sigo convergindo, em defesa de uma pátria livre e justa”, afirma Dino no texto.

O governador encerra a carta fazendo referência ao governo Bolsonaro. “Derrotar o projeto antinacional e antipopular que se instalou no Brasil é tarefa central e emergencial, que seguirá nos unindo sempre”, afirmou.

Siqueira disse ao Correio que há a expectativa de filiação de Flávio Dino, mas não há data definida. Ele também admitiu que conversa com outros parlamentares, de diversos partidos, mas não entrou em detalhes sobre nomes e legendas.

A saída

O anúncio acontece no mesmo dia em que o governo maranhense divulgou que Alcântara (MA) é a primeira cidade brasileira com 100% da população adulta vacinada com pelo menos a primeira dose pelo Programa Nacional de Imunização. “Esperança vencendo as trevas e a tristeza”, escreveu o governador nas redes sociais. A marca foi possível porque o município é formado, em sua maioria, por grupos quilombolas, grupo prioritário da vacinação contra a covid-19.

Pelo partido, Flávio Dino também foi deputado federal em 2007. Em 2010, desistiu da reeleição e concorreu ao governo do Maranhão, sendo derrotado por Roseana Sarney. Sem mandato, Flávio Dino foi nomeado para o cargo de presidente da Embratur. Em 2014, foi novamente candidato e conseguiu se eleger ao governo do estado. Nas eleições de 2018, o político foi reeleito.

O deputado Marcelo Freixo, que deixou o PSol para concorrer ao governo do Rio de Janeiro em 2022, também irá se filiar ao PSB. A solenidade ocorrerá em 22 de junho, às 11h. Ele anunciou a saída em 11 de junho último. Como Dino, Freixo destacou que encerra um ciclo e que seguirá “na mesma trincheira de defesa da vida, da democracia e dos direitos do povo brasileiro”.

Reações

A saída de Dino da legenda gerou reações entre políticos e eleitores. Orlando silva (PCdoB-SP), deputado federal e ex-ministro do Esporte, comentou: “Com emoção, vivi momentos sensíveis, pra ele e pra mim. Triste com a saída do PCdoB! Partido Comunista é como um trem, tem um destino. Avante, camaradas! Abraço, Flávio!”

Deputados da esquerda comentaram a saída de Dino do PCdoB nas redes sociais. A colega de partido, Perpétua Almeida (AC), destacou que o governador do Maranhaõ construiu, com o partido, “uma página de luta e beleza na história centenária do PCdoB”. “Sua decisão indica a necessidade de atitudes urgentes pela honra do legado, pela luta presente e pelo tributo ao futuro que cabem ao Partido Comunista do Brasil. Seremos sempre camaradas”, afirmou. O petista Reginaldo Lopes (MG) desejou sorte.

O perfil oficial do PCdoB no Instagram publicou uma nota da ex-deputada Manuela D’Ávilla, lamentando a decisão do colega de partido. “Lamento a saída de meu amigo Flávio Dino do PCdoB. Sei que nos encontraremos na luta em defesa de um Brasil justo e desenvolvido. Alguns perguntam e especulam sobre o meu destino: não acredito em saída individual para dilemas coletivos. Sou dirigente do PCdoB e sei que encontraremos solução para os nossos desafios”, afirmou.

O presidente do PCdoB no Maranhão, Márcio Jerry, disse que “diferenças de leituras e rumos em dada conjuntura não nos afastam de objetivos e compromissos comuns”.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) também se pronunciou sobre o assunto e afirmou que o governador é um dos melhores do país. “Desejo boa sorte ao Flávio Dino na sua nova casa e vamos lutar pela aprovação da federação, em defesa do PCdoB”, disse Teixeira.

*Estagiário sob supervisão de Ed Wanderley

jun
18
Posted on 18-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-06-2021



 

Adnael, NO PORTAL

 

jun
18
 DO CORREIO BRAZILIENSE

Por G1

Tiago Leifert substitui Faustão aos domingos da Globo até estreia de Luciano Huck

 

 

Tiago Leifert substitui Faustão aos domingos da Globo até estreia de Luciano Huck

Tiago Leifert vai substituir Fausto Silva e assumir as tardes de domingo da TV Globo até a estreia do novo projeto em desenvolvimento com Luciano Huck.

Segundo comunicado enviado pela emissora na tarde desta quinta-feira (17), “por razões estratégicas e internas, a Globo tomou a decisão de antecipar a saída de Fausto Silva do programa, e juntos decidiram formalizar o distrato”.

Fausto Silva confirmou em janeiro que deixaria o “Domingão do Faustão” e a TV Globo no fim de 2021. Em nota na época, a emissora afirmou que Fausto decidiu “encerrar sua jornada à frente de programas semanais” neste último ano de seu contrato. Foram 32 anos comandando o programa.

 
Tiago Leifert vai apresentar o 'Domingão do Faustão' neste domingo (13) — Foto: TV Globo

Tiago Leifert vai apresentar o ‘Domingão do Faustão’ neste domingo (13) — Foto: TV Globo

Tiago já havia ocupado o lugar de Faustão no último domingo (13), após o apresentador ficar afastado da atração por causa de uma infecção urinária.

Nesta terça-feira (15), Luciano Huck confirmou em entrevista ao programa “Conversa com Bial” que será o responsável por assumir o horário deixado por Fausto Silva.

“Tenho enorme respeito pelo Faustão. Ele sempre foi muito generoso. Será um privilégio enorme ocupar o horário dele”, afirmou Huck.

Ele ainda estuda a fórmula para o novo programa e o fato de trocar o sábado pelo domingo. O nome da nova atração também não está definido.

“É página em branco. Vamos trabalhar. Mas vamos respeitar o hábito do telespectador”, disse Luciano.

Vecchia, Nelson Freitas, Sophia Abrahão e Robson Caetano.

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