DO CORREIO BRAZILIENSE

Impacto da covid para os jovens brasileiros foi pior que o esperado e, segundo a presidente do Instituto Ayrton Senna, é preciso fomentar uma nova competência nos alunos para que enfrentem esses novos desafios: a motivação

JG
Jéssica Gotlib
postado em 16/06/2021 17:15 / atualizado em 16/06/2021 17:51
 

Na foto, crianças assistem desinfecção no Rio de Janeiro para conter a covid-19. Maior parte das escolas públicas no país está fechada desde o início da pandemia - (crédito: Mauro Pimentel/AFP)

Na foto, crianças assistem desinfecção no Rio de Janeiro para conter a covid-19. Maior parte das escolas públicas no país está fechada desde o início da pandemia – (crédito: Mauro Pimentel/AFP)

“Quanto mais pobre a criança ou adolescente for, mais ele vai precisar de uma motivação intrínseca”, disse em entrevista exclusiva ao Correio a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna. Há quase 30 anos trabalhando pela melhoria da educação no Brasil, a psicóloga fez essa constatação — tão dura quanto verdadeira — em uma conversa depois do seminário Motivação: Evidências para promover a aprendizagem. 

O evento, realizado pela organização nesta terça-feira (15/6), convidou pesquisadores, ativistas e pessoas com histórico de superação de dificuldades para entender de que forma o esforço pessoal contribui para o aprendizado e como escolas, professores e família podem fomentar esse desejo nos jovens. “A gente já previa que ia ter um retrocesso, mas não tínhamos ideia da magnitude que seria. O aluno não só deixou de ganhar, ele perdeu o que já sabia. Esses alunos vão precisar muito de motivação e muita garra para recuperar esses anos perdidos. Perdemos dez anos”, contextualiza.

Segundo ela, esse contexto evidenciou a necessidade de se abordar a motivação pessoal dos alunos como um elemento fundamental para o desenvolvimento da educação. “Fomos os primeiros a falar sobre a incorporação das competências socioemocionais na educação. Conseguimos, temos previsto em lei, na BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Mas há algum tempo percebemos que não era suficiente”, explica.

Educar para o futuro

Além das competências socioemocionais, recém-incorporadas às políticas públicas de ensino no Brasil, e das habilidades cognitivas tradicionalmente estimuladas pelas escolas, é preciso que comecemos a nos preocupar com o propósito individual das crianças e jovens. “A gente precisa parar de olhar a educação pelo retrovisor, a gente precisa olhar para frente. O que essas crianças vão precisar daqui a 20 anos, para enfrentar o mundo daqui  a 20 anos”, indaga.

Senna cita que os avanços conseguidos pela humanidade são catalisados por três grandes fatores: guerras, epidemias e inovação tecnológica. Daí o superimpacto da pandemia de covid-19 para as próximas gerações. “A pandemia acelerou muitas tendências que já existiam e, ao mesmo tempo, criou uma série de barreiras. A gente já imaginava que haveria um retrocesso no ensino, mas os primeiros estudos apontam que os alunos não apenas deixaram de aprender, como esqueceram o que sabiam”, exemplifica.

Assim, em um cenário de instabilidade, crianças e adolescentes precisarão de um componente que vá além do fator ambiental para continuar aprendendo, é o que Viviane chama de motivação intrínseca. “Competências cognitivas não serão suficientes mesmo, já não são agora. Mas as habilidades socioemocionais também não. Essas gerações vão precisar de muita musculatura emocional para lidar com mudanças cada vez maiores, contextos cada vez mais adversos. E isso tem a ver com propósito, é uma bússola interna de cada um”, defende.

Ciência, políticas públicas e incentivo

E como conseguir motivar uma geração que cresce em um cenário tão adverso? Essa é a pergunta de um milhão de dólares. “Antes da pandemia nós já vínhamos notando essa necessidade, que se intensificou depois desse um ano e meio sem aulas presenciais. É por isso que fomos buscar na ciência e nos exemplos de sucesso respostas para essas perguntas. Porque se sentir motivado em um ambiente favorável é mais fácil, essa é a motivação extrínseca. Mas em um cenário como o atual, em que tudo é imprevisível, mutante, todo o seu esforço pode virar água de batata. E se a gente não estiver lastreado em uma motivação intrínseca muito forte, vamos ter problemas”, detalha.

A psicóloga defendeu que essa terceira fronteira pode ser observada em casos reais “de pessoas que viveram em cenários completamente adversos”, mas que conseguiram atuar com resiliência e concentrar os próprios esforços para alcançar um objetivo que as inquietava. Um dos exemplos apresentados no seminário foi o de Laura dos Santos Dias, de 17 anos.

Aluna da rede estadual de ensino de São Paulo, ela descobriu um asteroide e ganhou reconhecimento da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa, na sigla original). “A Laura fala que era apaixonada por astronomia desde pequena, era o sonho dela. Isso é como a ignição de um motor. Ninguém vai a lugar nenhum se não estiver motivado. É o que a ciência está descobrindo e o que a experiência humana mostra”, aponta.

Trilhas possíveis

Nesse sentido, os pesquisadores ouvidos durante o evento apontaram caminhos nos quais escolas e famílias podem seguir para apoiar os sonhos dos jovens. O desenvolvimento das habilidades cognitivas e socioemocionais, já previsto na legislação brasileira, é fundamental, mas também é preciso flexibilizar currículos para que isso seja feito de maneira intencional no ambiente escolar.

A formação dos professores, outro ponto recorrente nos debates sobre a educação no Brasil, é algo que também precisa ser repensado para que esteja alinhada com as necessidades das crianças. Ficou interessado no conteúdo? Todas as palestras do seminário e os materiais complementares estão disponíveis na página do Instituto

“Carro de Boi (Cacaso), Os Cariocas na estrada do BP, via YouTube!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

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Posted on 17-06-2021
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DO SITE O ANTAGONISTA

Rui Costa disse que doses autorizadas pela Anvisa com condicionantes chegam em julho
Fundo russo não confirma data para chegada de Sputnik V na Bahia
 

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), disse nesta terça (15) que o estado vai receber 300 mil doses da Sputnik V no mês que vem, mas o Fundo Russo não confirma.

A assessoria de imprensa do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), procurada hoje, disse a O Antagonista não haver informações sobre datas de entrega.

Procurado, o governo baiano não soube dizer se Costa recebeu algum ofício ou comunicação dos russos sobre a chegada das doses.

Em 4 de junho, a Anvisa aprovou a importação da vacina russa, mas com várias condicionantes. A Bahia foi autorizada a importar exatas 300 mil doses, o suficiente para aplicação em cerca de 1% da sua população com as duas doses.

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Dodô, NO PORTAL

 

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DO CORREIO BRAZILIENSE

Estado atingiu nesta segunda-feira 70% da população adulta vacinada com ao menos uma dose

Fogos de artifício no horizonte de Manhattan onde celebra-se a meta de vacinação da primeira dose de 70% dos adultos, em 15 de junho de 2021.
Fogos de artifício no horizonte de Manhattan onde celebra-se a meta de vacinação da primeira dose de 70% dos adultos, em 15 de junho de 2021.ED JONES / AFP
 

As últimas restrições impostas para conter a propagação da pandemia no Estado de Nova York são história a partir desta terça-feira graças a uma taxa de vacinação que atinge total ou parcialmente 70% da população adulta. Embora a cidade tenha voltado à normalidade quase completa em meados de maio, incluindo a reabertura do metrô 24 horas por dia, o governador do Estado, o democrata Andrew Cuomo, anunciou, com efeito imediato, o fim das limitações pendentes, exceto em estabelecimentos de saúde, creches e meios de transporte público, onde ainda deve ser usada máscara. O anúncio acontece no mesmo dia em que os Estados Unidos ultrapassaram as 600.000 mortes por coronavírus.

Orgulhoso da adoção de medidas “que demonstraram ser corretas”, o governador Cuomo destacou que o Estado atingiu a meta de vacinar pelo menos 70% dos adultos com uma dose “antes do previsto”, o que foi anunciado nesta segunda-feira. “70% de vacinação é a meta nacional. 70% significa que podemos voltar à vida como a conhecíamos”, disse Cuomo em uma coletiva de imprensa frequentemente interrompida por aplausos.

Embora o veterano governador seja objeto de várias investigações ?uma, especificamente, pela disparidade no número de mortos de covid-19 em residências de idosos?, sempre exaltou sua gestão da pandemia. De fato, o fim das limitações será comemorado nesta noite com fogos de artifício em diferentes pontos do Estado, um espetáculo que, segundo ele, servirá também como homenagem aos trabalhadores essenciais.

O anúncio, porém, é um tanto enganoso. As restrições do Governo Federal, determinadas pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC na sigla em inglês), permanecerão em vigor. O que acaba hoje são as restrições em espaços públicos, shopping centers e lojas de varejo e instalações esportivas e recreativas. “As lojas podem abrir, porque as ordens estaduais não estão mais em vigor, nem há restrições de fluxo ou capacidade, nem é necessário medir a temperatura nem é necessário continuar com os protocolos extraordinários de limpeza e desinfecção”, como os que mantiveram, por exemplo, o metrô, que fechou durante meses no horário da madrugada.

A taxa de positividade do coronavírus atualmente é de 0,4% no Estado, o menor número do país, segundo Cuomo. Um panorama radicalmente diferente da cidade ?e do Estado? como epicentro da pandemia nos Estados Unidos há exatamente um ano, em abril e maio de 2020, quando a prevalência do vírus obrigou a fechar a economia. A atividade não se recuperaria brevemente até o outono, antes da segunda onda no início de 2021.

“Na vida não se deve voltar ao ponto em que estava porque a vida continua. Aprendemos muito durante este ano, também conquistamos muitas coisas e agora o desafio deve ser reimaginar Nova York para que seja melhor do que nunca. Temos que capitalizar este momento para transformar e refazer Nova York”, disse Cuomo, que deixou a critério das pessoas e de algumas empresas a adoção de medidas preventivas.

O governador lembrou que o Estado continuará incentivando a população ainda não imunizada a se vacinar. O ritmo de vacinação diminuiu em todo o país, e a evolução da pandemia, com a variante delta ou indiana predominante no país, não está decidida. Especialmente quando nos meios de transporte era mais do que frequente encontrar viajantes sem máscara, mesmo antes de grande parte das restrições serem levantadas em maio.

No olho do furacão durante semanas devido a acusações de assédio sexual, a suposta maquiagem de dados de falecidos em asilos e algumas irregularidades em torno do livro em que narrou sua bem-sucedida gestão da pandemia, Cuomo fez hoje uma entrada triunfal em um edifício emblemático da cidade, o World Trade Center, para comemorar o que definiu como “um dia para recordar”. Trabalhadores essenciais e de saúde compareceram à encenação, ao menos oficial, do fim da pandemia em Nova York, para aplaudi-lo freneticamente. O Empire State Building e outros edifícios icônicos do Estado foram iluminados na noite de terça-feira com luzes azuis e douradas, as cores de Nova York. O Estado se junta assim à Califórnia, onde medidas como a distância de segurança de 1,8 metro, o uso de máscaras e a limitação de capacidade em comércios e restaurantes, também terminaram na terça-feira.

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