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Postado em 11-06-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 11-06-2021 00:17

Em sessão virtual extraordinária, seis ministros votaram a favor da realização do torneio em meio à pandemia de covid-19. Campeonato começa domingo, em Brasília

Cármen Lúcia é relatora de dois pedidos contra a realização do torneio, mas votou pela sua liberação.
Cármen Lúcia é relatora de dois pedidos contra a realização do torneio, mas votou pela sua liberação.Fernando Bizerra Jr. / EFE
São Paulo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal formaram maioria para liberar a realização da Copa América no país. Dos 11 ministros do STF, seis já votaram a favor da manutenção do torneio, que foi rejeitado por Argentina e Colômbia e se tornou alvo de críticas por conta do descontrole da pandemia de covid-19 no país: Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Edson Fachin, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Os votos dizem respeito a dois pedidos que têm Cármen Lúcia como relatora, colocados na pauta pelo PSB e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), que pediam a suspensão da competição. A sessão ainda vai até às 23h59 (horário de Brasília). Se não houver mudanças, a Copa América está confirmada para começar no próximo domingo, em Brasília, com o jogo entre Brasil x Venezuela.

O debate agora é acerca do terceiro pedido contra o torneio, que foi feito pelo PT, tem Lewandowski como relator e ainda não foi votado pela maioria. Em sua proposta, o ministro condicionou a realização do torneio à apresentação de estratégias pra evitar a disseminação do novo coronavírus como consequência dos jogos. Ao longo dos últimos dias, a edição de 2021 da competição sul-americana também foi tema de um manifesto publicado pelos jogadores da seleção brasileira que, apesar de não especificarem razões, não citarem a pandemia e confirmarem a participação deles como representantes do Brasil, se colocam contra a organização da Conmebol.

Relatora de duas das ações, a ministra Cármen Lúcia se manifestou a favor da liberação, assim como o ministro Marco Aurélio Mello. Ambos pontuaram, no entanto, que os governadores tem autonomia para vetar os jogos em seus Estados. “Se nenhum dos gestores estaduais autorizar, por exemplo, a realização de jogos de um campeonato em seu espaço de autonomia, não poderá se sobrepor ordem de qualquer natureza, nem administrativa, caso do presidente da República, menos ainda de entidade desportiva”, disse a ministra. Relator da terceira ação, o ministro Ricardo Lewandowski não votou contra a Copa, mas determinou a condição de que, em ate? 24 horas antes do ini?cio dos jogos, o Governo “divulgue e apresente a esta Suprema Corte um plano compreensivo e circunstanciado acerca das estrate?gias e ac?o?es que esta? colocando em pra?tica, ou pretende desenvolver, para a realizac?a?o segura da Copa Ame?rica 2021 em territo?rio nacional, especialmente as relacionadas a? adoc?a?o de medidas preventivas e terape?uticas, nos moldes daquelas previstas na Lei 13.979/2020, a fim de impedir o avanc?o da covid-19, potencializado pelo evento em questa?o”.

Na decisão, Lewandowski também se dirige diretamente aos Estados e municípios que sediarão os jogos. “Voto, ainda, para determinar aos Governos do Distrito Federal e dos Estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goia?s, bem assim aos munici?pios do Rio de Janeiro, Cuiaba? e Goia?nia, os quais aquiesceram, expressa ou tacitamente, em sediar os jogos da Copa Ame?rica 2021, que divulguem e apresentem ao Supremo Tribunal Federal, em igual prazo, plano semelhante, circunscrito a?s respectivas esferas de compete?ncia.” O ministro já havia pedido, na semana passada, um esclarecimento ao Governo federal sobre a liberação para que o Brasil sedie a Copa, mas não divulgou nenhuma resposta. No quarto voto divulgado, Edson Fachin ressaltou que “não cabe ao Poder Judiciário decidir sobre a assunção dos riscos que envolvem a realização de uma política pública, ou mesmo dos riscos decorrentes da realização de um evento desportivo”, apesar de classificar a decisão do Governo federal como “temerária”. Ele também concorda com as medidas preventivas pedidas por Lewandowski, enumerando planos de emergência e de contenção de surtos como condições para que os jogos aconteçam no país. Gilmar Mendes acompanhou os relatores, sem apresentar o voto escrito, assim como Dias Toffoli.

A Copa América virou pauta no STF desde o dia 8 de junho, quando o presidente do Supremo Luiz Fux aceitou um pedido de sessão extraordinária feito pela ministra Cármen Lúcia. A justificativa de Cármen Lúcia aceita por Fux diz que a sessão extraordinária é necessária pela “excepcional urgência e relevância do caso e da necessidade de sua célere conclusão, considerando que se noticia o início da competição desportiva questionada para o próximo dia 13 de junho”. No debate, os posicionamentos contrários se baseiam nas críticas à realização do torneio em meio à crise sanitária. “Trata-se de verdadeiro contrassenso sediar um vento desta magnitude num momento tão delicado, como se não bastassem as dificuldades atuais que já são enfrentadas”, afirma Delgado, que pauta um dos pedidos. Por sua vez, o Governo federal —representado na sessão pela Advocacia Geral da União (AGU)— não só autorizou a competição no país, que tornou-se trunfo político e cortina de fumaça num momento em que Bolsonaro enfrenta crises, como a defendeu publicamente desde a confirmação. “Está tendo Libertadores, Eliminatórias, campeonato brasileiro (…) Essa bronca toda é porque a Globo não tem o direito de imagem”, argumentou o presidente Bolsonaro em conversa com apoiadores.

A Copa América já tem sedes, datas e tabelas confirmadas e, além de Brasília, onde a seleção brasileira estreia no domingo, também terá partidas em Cuiabá, Rio de Janeiro e Goiânia. A final está prevista para o dia 10 de julho, no Maracanã.

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