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Postado em 03-06-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 03-06-2021 00:02

DO SITE O ANTAGONISTA

Nova investigação contra governador do Amazonas reforça a tese do Palácio do Planalto de que a CPI da Covid tem que investigar estados e municípios
Wilson Lima, de aliado de Bolsonaro a boi de piranha
 

Wilson Lima era o queridinho do Palácio do Planalto, pelo menos até a abertura da CPI da Covid. Mesmo investigado, recebeu os filhos de Jair Bolsonaro várias vezes em Manaus, inaugurou ao lado do presidente um centro de convenções e chegou a homenageá-lo com o título de “cidadão do Amazonas”.

Enquanto Wilson Witzel foi logo afastado do governo do Rio a pedido da PGR e virou réu no STJ por desvios de recursos da pandemia, Wilson Lima vinha sendo poupado.

Na primeira denúncia que apurou a compra de respiradores numa loja de vinhos, a subprocuradora Lindôra Araújo chegou a dizer que o governador do Amazonas comandava o esquema, mas nunca pediu sua prisão ou afastamento.

O erro de Lima foi ter permitido que a pandemia se agravasse no estado a ponto de obrigar uma ação mais efetiva do governo federal. O crime de Lima foi ter arrastado Bolsonaro para a crise de Manaus, criando um fato determinado para a abertura da CPI.

Na semana passada, quando os senadores aprovaram a convocação de governadores, Wilson Lima comentou com interlocutores que estava se sentindo abandonado, traído até. E já esperava o pior.

Hoje, enquanto a Polícia Federal batia em sua porta, o STJ se preparava para torná-lo réu no caso dos respiradores. Mas o julgamento acabou adiado por um recurso do advogado Nabor Bulhões, que entrou na defesa do governador.

Era uma bomba relógio destinada a sedimentar a tese de que a CPI precisa investigar estados e municípios, estratégia cantada por Bolsonaro desde o início para diluir a responsabilidade do governo federal na pandemia.

O objetivo não foi alcançado totalmente, pois o noticiário da operação da PF acabou eclipsado também pelo depoimento contundente da médica Luana Araújo, que expôs definitivamente o negacionismo bolsonarista responsável por boa parte dos mais de 460 mil mortos.

É preciso ressaltar que Wilson foi alvo de buscas, quebras de sigilos e bloqueio de bens, mas não foi preso e nem a PGR pediu seu afastamento do cargo, embora o STJ tenha determinado a prisão do terceiro secretário de Saúde do estado na gestão do governador.

Tratou-se, portanto, de uma explosão controlada, uma bomba de efeito moral.

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