BL
Bruna Lima
 

 (crédito: Leopoldo Silva/Agência Senado)

(crédito: Leopoldo Silva/Agência Senado)

Nas respostas a senadores da base governista, a depoente da sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19 desta quarta-feira (2/6), a infectologista Luana Araújo, foi enfática em refutar a existência de tratamentos precoces contra a covid-19 e reiterou que médicos que seguem essa ideia não seguem embasamentos científicos corretos. Ela foi assertiva nas defesas e, por isso, teve a participação avaliada pelos parlamentares como uma das mais importantes e técnicas até o momento.

O senador governista Marcos do Val (Podemos-ES) defendeu a vacinação como estratégia de saúde para o fim da pandemia, mas reiterou que ela “não invalida o tratamento precoce”. Disse que, pelo posicionamento de Luana, amigos médicos estariam enviando mensagens a ele indignados pela forma com que ela “se coloca como a dona da verdade. Só o tempo tem essa verdade”, disse o parlamentar, afirmando ser necessário a união e o respeito aos médicos “que receitam e os que não receitam” medicamentos que integram o kit covid (que não tem eficácia comprovada).

A infectologista respondeu não ser dona da verdade, mas afirmou que defende uma visão técnica e científica “condizentes com as maiores instituições especialistas no assunto no mundo”. “Represento uma classe enorme desse país de cientistas muito sérios que, a despeito das condições difíceis de exercício da ciência, conseguem levar com muito custo, esforço seu trabalho para frente”.

Sobre as divergências aos médicos defensores da cloroquina, ela afirmou que há respeito, mas que existe uma diferença entre isso e a responsabilização. Para a infectologista, é necessário que o conhecimento e atualizações cheguem na ponta para embasar as decisões médicas, que não podem ser tomadas com viés científico. “Informação correta também é medicação”. “Infelizmente, com muita dor, eu devo dizer que os meus colegas não estão com o embasamento correto para responder sobre isso”, disse, em outro momento, ao responder o senador Eduardo Girão (Podemos-CE).

O parlamentar que se define independente afirmou estar “convencido da validade do tratamento precoce sempre sob orientação médica”. Ele contextualizou que “cerca de 90% dos procedimentos médicos e medicamentos não possuem evidências do tipo 1A” e questionou porque o mesmo seria exigido para comprovações conclusivas dos tratamentos precoces. “Eu já citei aqui centenas de estudos científicos sérios, randomizados, duplo-cego e até prospectivos e várias metanálises”, defendeu, mostrando um gráfico em que a “metanálise está na ponta da evidência mais robusta”.

Gráfico errado

Luana rebateu o desenho. “É um gráfico errado, senador. Metanálise não é um tipo de estudo, ela é uma ferramenta estatística. Então, só para lhe deixar numa situação um pouco melhor, o que está lá em cima é revisão sistemática, que normalmente é acompanhada pela ferramenta de metanálise”, corrigiu. A infectologista afirmou que estudos apresentados por Girão não são aceitos. “Eu cheguei a citar aqui que existe uma revisão sistemática que mostra uma odds ratio, que é uma medida estatística de aumento de risco, de 1,77 para o uso da cloroquina. Isso significa um aumento de mortalidade de 77%”.

Questionada por Girão sobre o motivo do medicamento remdesivir ser aprovado para o uso no Brasil, mesmo sem recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o mesmo não ocorrer com a cloroquina ou a ivermectina, Luana rebateu. “O remdesivir é uma medicação extremamente cara, de uma aplicação bastante restrita num paciente específico. Então, uma coisa é ser aprovado num país; outra coisa é virar política pública”, disse, completando que a OMS decide por concatenar as estratégias que são possíveis para todos os países, inclusive economicamente.

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) seguiu na mesma linha dos defensores do tratamento precoce, trazendo a tona o fato de haver “28 países que adotam esse procedimento”. Luana rebateu: “São mais de 200 países, senador”. Ele insistiu no uso por parte de menos de 1/7 do mundo, e a infectologista reiterou que a maior parte não segue a linha que, em um momento anterior, definiu como a estratégia de uma “vanguarda da estupidez mundial”.

Heinze argumentou que um medicamento com composição de cloroquina chegou a ser patenteado nos Estados Unidos, sugerindo que o país norte-americano também defende o medicamento. “Importante ressaltar que patente não é comprovação de eficácia. Posso pedir patente para qualquer coisa na minha vida, mas não significa que será útil naquilo que gostaria que fosse”, respondeu Luana. Ela ressaltou, contudo, que “qualquer avanço nesse sentido é positivo para todo mundo. Se ele for comprovado, é muito bem-vindo”.

“Doce presença”, Nana Caymmi: a imponente majestade da voz de Nana e a exuberânte docura do pianos de Casar Camargo Mariano. Combinação mais que perfeita para um grande samba canção. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

 

jun
03
 

 

  • DO JORNAL DO BRASIL

Crítica – ‘Cine Marrocos’: pronto para o close final

Cotação: 3 estrelas

Reprodução
Credit…Reprodução

Por TOM LEÃO,

 

O documentário “Cine Marrocos”, de Ricardo Calil (“Uma Noite em 67”), mostra brasileiros sem-teto, imigrantes latino-americanos e refugiados africanos – moradores do histórico cinema de São Paulo – que recriam cenas de filmes clássicos, apresentados mais de 60 anos antes no local. Em quase toda grande cidade brasileira há uma grande sala assim, abandonada ou invadida, que já brilhou no passado. Como não pensar no cine Metro, na Cinelândia/RJ, fechado há 30 anos, com sua tela de 150 graus e projeção em 70mm?

O passado do Cinema Marrocos, no centro de São Paulo, foi glorioso: em 1954, foi considerado o melhor e mais luxuoso cinema da América do Sul, responsável por sediar o primeiro festival internacional de cinema do Brasil. Na abertura do documentário, vemos nomes como o do diretor Erich Von Stronheim, que veio para a exibição de “Crepúsculo dos Deuses” (“Sunset Boulevard”, 1950), de Billy Wilder, onde fez o mordomo da decadente estrela do cinema mudo, Norma Desmond (Gloria Swanson). Também vieram astros de Hollywood, como Errol Flynn e Walter Pidgeon, além do diretor francês Abel Gance. Clássicos como “A Grande Ilusão”, de Jean Renoir, “Júlio César”, de Joseph L. Mankiewicz, “Noites de Circo”, de Ingmar Bergman, e “Pão, Amor e Fantasia”, de Luigi Comencini, foram exibidos no festival. Em 2021, completam-se 70 anos desde a criação do cinema, inaugurado em janeiro de 1951.

Quando a equipe do “Cine Marrocos” pisou pela primeira vez na sala, em 2015, o local estava ocupado por dois mil sem-tetos de 17 países, depois de passar 20 anos de portas fechadas. Eles dormiam em quartos provisórios nos corredores do cinema e no prédio acima. E viviam sob a ameaça de perder suas casas do dia para a noite, devido ao pedido de reintegração de posse feito pela prefeitura. Com a ajuda dos moradores (que são o foco do doc), a equipe do filme reabriu o Cine Marrocos, exibiu os filmes do festival de 1954 e convidou os moradores para uma oficina de teatro.

jun
03
Posted on 03-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-06-2021



 

Amarildo, NO JORNAL

 

jun
03
Posted on 03-06-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 03-06-2021

DO SITE O ANTAGONISTA

Nova investigação contra governador do Amazonas reforça a tese do Palácio do Planalto de que a CPI da Covid tem que investigar estados e municípios
Wilson Lima, de aliado de Bolsonaro a boi de piranha
 

Wilson Lima era o queridinho do Palácio do Planalto, pelo menos até a abertura da CPI da Covid. Mesmo investigado, recebeu os filhos de Jair Bolsonaro várias vezes em Manaus, inaugurou ao lado do presidente um centro de convenções e chegou a homenageá-lo com o título de “cidadão do Amazonas”.

Enquanto Wilson Witzel foi logo afastado do governo do Rio a pedido da PGR e virou réu no STJ por desvios de recursos da pandemia, Wilson Lima vinha sendo poupado.

Na primeira denúncia que apurou a compra de respiradores numa loja de vinhos, a subprocuradora Lindôra Araújo chegou a dizer que o governador do Amazonas comandava o esquema, mas nunca pediu sua prisão ou afastamento.

O erro de Lima foi ter permitido que a pandemia se agravasse no estado a ponto de obrigar uma ação mais efetiva do governo federal. O crime de Lima foi ter arrastado Bolsonaro para a crise de Manaus, criando um fato determinado para a abertura da CPI.

Na semana passada, quando os senadores aprovaram a convocação de governadores, Wilson Lima comentou com interlocutores que estava se sentindo abandonado, traído até. E já esperava o pior.

Hoje, enquanto a Polícia Federal batia em sua porta, o STJ se preparava para torná-lo réu no caso dos respiradores. Mas o julgamento acabou adiado por um recurso do advogado Nabor Bulhões, que entrou na defesa do governador.

Era uma bomba relógio destinada a sedimentar a tese de que a CPI precisa investigar estados e municípios, estratégia cantada por Bolsonaro desde o início para diluir a responsabilidade do governo federal na pandemia.

O objetivo não foi alcançado totalmente, pois o noticiário da operação da PF acabou eclipsado também pelo depoimento contundente da médica Luana Araújo, que expôs definitivamente o negacionismo bolsonarista responsável por boa parte dos mais de 460 mil mortos.

É preciso ressaltar que Wilson foi alvo de buscas, quebras de sigilos e bloqueio de bens, mas não foi preso e nem a PGR pediu seu afastamento do cargo, embora o STJ tenha determinado a prisão do terceiro secretário de Saúde do estado na gestão do governador.

Tratou-se, portanto, de uma explosão controlada, uma bomba de efeito moral.

  • Arquivos