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Por Luiz Felipe Barbiéri, G1 — Brasília

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, em imagem de maio do ano passado — Foto: Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, em imagem de maio do ano passado — Foto: Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo

 

Antes crítico do bloco de partidos conhecido como “centrão“, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, disse nesta quarta-feira (19) que mudou de opinião. Segundo ele, o bloco atualmente não existe.

O Centrão é um bloco informal na Câmara dos Deputados que reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita.

O grupo é menos conhecido por suas bandeiras e mais pela característica de se aliar a governos diferentes, independentemente da ideologia, e trocar apoio político no Congresso em troca de cargos no governo.

Heleno já criticou o “centrão”. O presidente Jair Bolsonaro, criticava o “toma-lá-dá-cá” entre governo e parlamentares e ligava essa prática à ineficiência do Estado e à corrupção.

Em 2018, Heleno fez uma paródia de um samba do cantor Bezerra da Silva e insinuou que os integrantes do bloco são ladrões. “Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão”, afirmou, à época.

Porém, no ano passado, em meio ao risco de abertura de processo de impeachment na Câmara e a dificuldades para aprovação de projetos no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro se aliou ao “centrão”.

“Sobre o Centrão, aquela brincadeira que eu fiz, foi numa convenção do PSL na época da campanha eleitoral. Naquela época, existia à disposição na mídia várias críticas ao Centrão. Não quer dizer que hoje exista Centrão, isso foi muito modificado ao longo do tempo”, afirmou Heleno durante audiência da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara.

 

“Eu não tenho hoje essa opinião e nem reconheço hoje a existência desse Centrão. A evolução de opinião faz parte da vida do ser humano. Faz parte do show, do show político”, acrescentou o ministro.

O deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do bloco, foi eleito presidente da Câmara com apoio do Planalto.

Assista a reportagem de março de 2021 sobre a reforma ministerial feita por Bolsonaro.

Bolsonaro troca 6 ministros, afaga o Centrão e surpreende os militares.

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Relatório da Abin

Em dezembro de 2020, reportagem da revista “Época” afirmou que a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) recebeu orientação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no caso das ‘rachadinhas’.

O ministro criticou a imprensa por ter divulgado o caso e negou a existência deste relatório.

“Sobre esse relatório, não existiu relatório. Isso ficou claro desde a primeira intervenção sobre esse assunto. Não houve relatório da Abin sobre Flávio Bolsonaro”, disse o ministro.

Heleno explicou que esteve no gabinete de Jair Bolsonaro junto com o diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, e encontraram duas advogadas que relataram ao presidente “alguma coisa vinculada ao Flávio Bolsonaro”.

“Eu e o Ramagem ouvimos e falamos que não tinha nada a ver com inteligência de estado e saímos. Eu deletei. Nem lembro dos nomes das advogadas. Não teve relatório. É mentira”, afirmou Heleno.

 

“Em nenhum momento expressamos qualquer consentimento ou concordância com que elas falaram. Não houve diálogo. A partir daí ignoramos o assunto. Não houve participação”, disse.

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