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Postado em 17-05-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-05-2021 00:13

Avanço do ex-presidente Lula na disputa para 2022 acirra a polarização com Bolsonaro e diminui as chances de candidatos de centro. Analistas acreditam, no entanto, que há tempo para romper o radicalismo nas urnas

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Ingrid Soares
 

Doria: governador de São Paulo precisa escolher entre disputar reeleição ou tentar alçar voo para o Planalto - (crédito: Nelson Almeida/AFP)

Doria: governador de São Paulo precisa escolher entre disputar reeleição ou tentar alçar voo para o Planalto – (crédito: Nelson Almeida/AFP)

O retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jogo político trouxe de volta a polarização e tornou-se um obstáculo considerável para a formação de uma terceira via no cenário eleitoral de 2022. Analistas políticos ouvidos pelo Correio avaliam, entretanto, que ainda há tempo para possíveis candidatos como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) tentarem romper a barreira criada por Lula e Bolsonaro nas urnas.

O cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Prando afirma que o cenário revelado pelo Datafolha, com Lula à frente de Bolsonaro, permite algumas conclusões. “Essa pesquisa joga um balde de água fria não apenas nos bolsonaristas que tinham, há seis meses, quase uma garantia absoluta da reeleição de Bolsonaro; mas, especialmente, nessa terceira via ou nesse polo democrático. Qualquer candidatura que queira escapar da polarização lulismo e bolsonarismo está seriamente comprometida. Mas até 2022, há uma estrada a ser percorrida e as questões podem mudar”, alerta.

O especialista observa as dificuldades de nomes que representariam o centro, particularmente Doria e Ciro. “Esses dois veem cada vez mais distantes a possibilidade de conquistar poder nesse cenário polarizado. Pode ser que Doria permaneça na tentativa de ser governador, mas também enfrentará dificuldade com a força que pode vir de Haddad e Guilherme Boulos. O cenário do Doria é mais difícil porque o Ciro não tem cargo hoje. Doria pode não ser reeleito e, se sair para concorrer a presidente, não deslanchar. Nesse momento, os dois principais candidatos, numa análise realista, são Bolsonaro e Lula”, conclui.

 Especialista em direito constitucional, Vera Chemim ressalta que um candidato de terceira via, além de neutralizar a polarização, precisará acenar para um projeto político, econômico e social capaz de alavancar o desenvolvimento do país. Ela considera que a chegada desse jogador na briga ainda pode acontecer. “É possível, sim, a entrada mesmo que tardia de um terceiro jogador, a despeito do pouco tempo”.

Um dos fatores que contribuirão para o fortalecimento de uma terceira candidatura, emenda Chemim, é a exaustão da sociedade quanto à polarização ideológica. “O cenário ainda se encontra embaralhado, sem qualquer definição sobre o perfil que deverá conquistar o eleitorado brasileiro. Mas não se descarta uma alternativa de última hora, que reúna carisma, popularidade e, sobretudo, retidão de caráter e credibilidade perante a opinião pública. Essas, sem dúvida, serão as características que serão cobradas para o futuro presidente do país”, conclui Vera Chemim.

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