Bahia em Pauta
Bahia em Pauta » Blog Archive » Maria Aparecida Torneros: A Espanha “de moda” e a que pulsa permanentemente no sangue e no coração da jornalista e escritora carioca
AOS LEITORES  E OUVINTES: Texto publicado na área de comentários do Bahia em Pauta, pela jornalista, escritora e professora de Comunicação no Rio de Janeiro. Um escrito sobre o artigo  de Janio Ferreira Soares , “Roberto Carlos tem gosto de Fratelli Vitta”, publicado domingo, neste site blog, a propósito dos 80 anos do Rei. O comentário de Cida tem o sabor de suas melhores crônicas de seu livro e das publicadas no BP desde a origem. Riqueza de estilo em fabulosa mistura carioca de informações e leveza essencial. Cida Torneros, portanto, de novo no palco principal de informação e opinião. Merecidamente. Bravo! (Vitor Hugo Soares, editor).
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                           A Musa da Cantareira
                           Maria Aparecida Torneros 

Cônica com gosto de juventude. No final dos anos 60 e início dos anos 70 eu e o querido Joaquim éramos companheiros de UFF e voltávamos juntos na barca, trocando muita informação sobre música. O danado pegou meu LP do Caetano gravado em Londres e nunca devolveu. Maria Bethânia, please send me a letter…na praça XV pegávamos nossos ônibus para o subúrbio. Ao longo da vida profissional nos cruzamos muitas vezes. Vi o seu casamento com minha amiga Sandra e acompanhei o nascimento das filhas do casal. Mas era notório que o querido Joa seria mesmo um excelente cronista ligado principalmente às artes. Num lançamento de um livro seu ele me fez uma dedicatória me chamando de ” musa da Cantareira”. Nosso tempo de faculdade era uma busca constante para equilibrar a alegria de viver com a repressão que nos rondava. A cada semana alguém da turma era preso ou sumido. Mas o Roberto Carlos cantava para neutralizar nossos medos. Havia esperança de acabar com a ditadura e redemocratizar o Brasil. O tal gosto da Mocidade ainda volta às nossas línguas em arremessos de maturidade preservada. Aquela viagem da turma São Paulo em 69 para ver a Bienal, é inesquecível.
O grupo fez de tudo um pouco. Cruzamos com os hippies da praça da República, nos hospedamos no dormitório dos atletas no estádio do Pacaembu, vimos Pelé de perto, passeamos no Ibirapuera, tiramos fotos escalando o monumento dos Bandeirantes. Tudo passou depressa. Como pedir a alguém: please send me letter? Melhor acordar com o Rei, e amar de manhã, no aconchego de lembranças , algumas inenarráveis. Mas todos estamos a caminho dos 80, com vacina sim, e com saudades de abraços presenciais também.

Maria Aparecida Torneros é jornalista, escritora, cronista e professora  universitária de Comunicação. Autora do livro “A Mulher Necessária”, é colaboradora da primeira hora do Bahia em Pauta, e um dos pilares intelectuais de sustentação deste site blog.

 

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Comentários

Maria Aparecida Torneros on 27 Abril, 2021 at 5:57 #

Vitor, obrigada. Janio me fez relembrar o gosto da juventude. O Fratelli vita aqui no Rio nunca vi e nunca tomei. Depois pesquisei. Vi que os irmãos italianos fabricaram em Salvador e Recife. Em Niterói, com o Joaquim, tomamos muito o Mineirinho, refrigerante feito com a planta chapéu de couro. Haja história pra contar e e emoções para viver com essa trilha octagenaria do bicho Roberto Rei das nossas mocidades. Beijo


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