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Postado em 03-04-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 03-04-2021 00:23

há 17 horas

VEJA
Bolsonaro define novos comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica
Bolsonaro entre os novos comandantes
das Forças Armadas.
 ARTIGO DA SEMANA

História e farsa: Bolsonaro erra o golpe

Vitor Hugo Soares

Conheço, desde a juventude estudantil, a frase famosa do barbudo pensador socialista alemão, Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Ainda assim, senti alguns arrepios no 29 de Março, do tempo amargo da pandemia,que avança para a marca medonha das mais de 330 mil vidas ceifadas até aqui. Isso ao ver a manobra imprudente e rude – do capitão reformado por mau comportamento, no Exército, atual chefe do mando no Palácio do Planalto – , ao promover, de uma canetada só, a troca de seis ministros, incluindo o das Relações Exteriores, Ernesto Araújo (que decidiu trombar com a deputada ruralista, Kátia Abreu, osso duro de roer, e desabou).

Além da impulsiva e insolente mexida no alto comando das Forças Armadas, ao demitir (a la Donald Trump) o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva – militar que lidera, e não só ordena, segundo a tropa e colegas de rango– alçando ao posto o general Braga Neto, notório “coringa”, que joga em qualquer posição, mas não atua bem em nenhuma – além da retórica.

Agora já é possível ao rodado jornalista, acreditar que deu errado o golpe do capitão. Basta verificar os modos, movimentos e as recentes declarações do vice, Hamilton Mourão, comparadas com a cara de poucos amigos, nas imagens recentes do “mito” e o silêncio envergonhado da incendiaria deputada Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que tentou tocar fogo na capital baiana ao estimular o levante da Polícia Militar, contra o governador Rui Costa (PT), querendo transformar em herói nacional o PM surtado, que apareceu “do nada”, vindo de outra cidade, Itacaré, com o rosto pintado de verde e amarelo e aos gritos começou a disparar tiros de fuzil contra companheiros de farda, que em reação o feriram de morte, no Farol da Barra, um dos mais belos e movimentados recantos de Salvador, que celebrava na data(29) seu aniversário de 472 anos de fundação.

Passageiro noviço nos idos do golpe militar e civil de 1964, e viajante escaldado da repetição da história, como tragédia, no pós Ato Institucional nº 5, do emblemático 1968 – quando fui preso, com mais seis colegas, dentro da sala de aula, durante impensável invasão, pela Polícia Federal (seu comandante na Bahia à frente), da Faculdade de Direito da UFBA, de onde saímos, todos algemados, para a sede da PF. Daí para o QG da VI Região Militar e, por fim, após amedrontadora viagem na noite da capital baiana, fomos todos despachados em uma cela do Quartel do Décimo Nono Batalhão de Caçadores do Exército, o 19 BC, no então distante bairro do Cabula. Nas vésperas, como agora, das comemorações do “movimento”. 

Lembrei então do pensamento do filosofo nascido em Triers, território da Prússia, área na época dividida, da hoje unificada e pujante Alemanha, conduzida com sabedoria e equilíbrio pela estadista Ângela Merkell. Mas, ao fazer  comentário postado no Facebook, optei pela frase mais atual do também famoso falecido e influente colunista Ibrahim Sued: “Olho vivo, que cavalo não desce escada”, escrevi.

Cético que sou prefiro duvidar que instituições como as Forças Armadas e a PF estejam inclinadas e dispostas a embarcar em inconstitucional aventura, como nos idos de 60 e 70. Sou mais propenso a crer , ser mais um jogo palaciano da família instalada no poder. Em síntese, uma ópera bufa. Uma farsa. Na qual o capitão presidente foi buscar lã e saiu tosquiado. A conferir.
  Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitors.h@uol.com.br

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