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Posted on 28-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-03-2021

        

 

 

 

Fernanda Montenegro será homenageada por Fausto Silva

Bahia em Pauta » Blog Archive » Janio Ferreira Soares: o choque de gerações no embalo da farra à beira do Rio São Francisco

CRÔNICA 

 Janio Ferreira Soares

Dia desses o Spotify divulgou que a busca por músicas antigas aumentou 54% durante a pandemia. Essa informação só reforça a tese de Jônatas Manzolli, especialista em Cognição Sonora, que defende a função terapêutica das canções em meio ao isolamento, já que elas têm o dom de despertar certos prazeres que dormem no silêncio do breu.

Desde sempre músicas nos trazem momentos que, soubéssemos quão rápidos seriam e certamente teríamos descido com mais lentidão as curvas da estrada de Santos, só saído pra pescar nas velas do Mucuripe nos últimos versos cantados por Fagner, ou pedido a Caetano que modulasse a contagiante risada de Irene num ritmo igual ao das mãos da minha amiga Mabel Veloso quando catava maturis pra dona Canô preparar a moqueca favorita de seu filho mais famoso.

O problema é que do mesmo modo que determinadas músicas suavizam noias e trazem lembranças perdidas, outras podem causar uma tortura sonora inimaginável, como no caso que conto a seguir.

Semana passada, empolgado pela matéria que o querido (e cada vez melhor) Claudio Leal fez com o compositor e violonista Cézar Mendes, na Folha de São Paulo, este locutor resolveu conferir a interpretação de Fernanda Montenegro para Aquele Frevo Axé, primorosa melodia de Cézar que Caetano, inspiradíssimo, poetizou.

E enquanto nossa atriz maior andava por uma Castro Alves vazia vendo o clarão se extinguir por trás da mão do poeta (tentando refazer a trama de uma paixão que durou apenas os 4 dias em que Moraes Moreira pedia ao pombo-correio que voltasse ligeiro com sua carta de amor), o som de um paredão vindo de um sítio com uma foto do mito colada bem na porteira impediu que estrelas brilhassem no Céu da baía preta, com o seguinte diálogo protagonizado (me informa o Google) pelo Rei da Cacimbinha e Nêgo Jhá, que narro a seguir.

“Vou ligar aqui pro Nêgo Jhá; alô, Nêgo Jhá, dá uma solução na minha vida aí pelo amor de Deus!”, no que Jhá lhe aconselha: “Ei, parceiro, tá precisando é ficar solteiro. Cê passando raiva com sua mulher e eu me divertindo num puteiro”. Cacimbinha então se anima e diz: “Ô Nêgo Jhá, bota meu nome na lista e avisa as novinhas do baile que eu tô solteiro na pista”. Animadão com a anuência do amigo, Jhá dá início a um poema, diria, pós-concretista, com inúmeros: “Vem pro cabaré, vem pro cabaré, vem vem vem pro cabaré, vem pro cabaré”, seguidos do revide de Cacimbinha que, num desenho rítmico-formal de matar Augusto de Campos de inveja, declama: “Eu vou pro cabaré, eu vou pro cabaré, vou vou vou pro cabaré, eu vou pro cabaré”.

No final, já emboletados com as novinhas, eles repetem vários: “Toma! Toma! Toma!” de uma forma tão incisiva, que procurei uma dose de cicuta pra satisfazê-los, mas só achei uma taça rachada vazando vertigem.

Janio Ferreira Soares. cronista, é secretário de Cultura de Glória, ne beira baiana do Rio São Francisco.

“Aquele frevo axé”, Caetano Veloso: Não existe canto mais belo, nem mais apropriado, que este do filho ilustre da Santo Amaro da Purificação, para trilha sonora do majestoso artigo de Janio Ferreira Soares, que o Bahia em pauta publica neste domingo de março. Dia seguinte à data de meu casamento com Margarida, há 45 anos, no salão de matrimônios do Fórum Rui Barbosa. Data memorável para mim. VIVA!!!

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares) 

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DO CORREIO BRAZILIENSE

‘Timóteo necessitou entrar em ventilação mecânica invasiva’, diz comunicado sobre o estado de saúde do cantor

Agência Estado
 

 (crédito: Arquivo Pessoal)

(crédito: Arquivo Pessoal)
Agnaldo Timóteo, de 84 anos, foi intubado após apresentar complicações no quadro de saúde dele por causa do novo coronavírus. Em 17 de março, ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Casa São Bernardo, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
“Agnaldo Timóteo segue internado na UTI no Hospital Casa São Bernardo, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e tem uma pequena melhora da covid-19. A família agradece o apoio e a solidarização de todos”, disse no início da semana.
Agora, a família informa que Agnaldo Timóteo teve de ser intubado na manhã deste sábado (27), por causa da covid-19. “Por se tratar de uma doença traiçoeira, altos e baixos, a idade e com o intuito de tentar preservar a evolução positiva clínica e laboratorial até o momento e tentar melhorar a lenta recuperação dos pulmões, Timóteo necessitou entrar em ventilação mecânica invasiva, a partir de hoje às 7 horas manhã, para ser tratado de forma mais segura”, diz a nota.

mar
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 Sid, no portal de humor

 

DO EL PAÍS

Manifestantes desafiam a junta golpista na celebração do Dia das Forças Armadas. Foto de bebê de apenas um ano atingido por uma bala de borracha quando estava em sua casa causa indignação

Ativista em uma barricada improvisada pelos manifestantes neste sábado em Rangum.
Ativista em uma barricada improvisada pelos manifestantes neste sábado em Rangum.STRINGER / Reuters
Singapura

As forças de segurança de Mianmar cumpriram sua ameaça de atirar “pelas costas e na cabeça” dos manifestantes se continuassem desafiando sua autoridade nos protestos que crescem desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro. A advertência, feita na sexta-feira, concretizou-se neste sábado em um dos mais ferozes dias de repressão contra os participantes dos atos convocados em pelo menos 40 cidades do país, com um saldo de mais de 110 mortos —entre eles, uma criança de cinco anos— pelos ataques da polícia e dos militares, segundo a agência de notícias independente Mianmar Now. Ao mesmo tempo, a junta militar celebrava o Dia das Forças Armadas com um desfile na capital, Naypayidaw, ignorado amplamente pela comunidade internacional, exceto por países como a Rússia.

As Forças Armadas chegaram neste sábado a um ponto de delírio. Enquanto seu comandante em chefe, Min Aung Hlaing, líder do golpe, prometia em um discurso de 30 minutos feito por ocasião da efeméride militar —o 76º aniversário da revolta contra a ocupação japonesa em 1945— que o Exército “protegeria o povo de Mianmar e defenderia a democracia”, viviam-se cenas similares às de uma guerra por todo o país. Cumprindo a advertência feita na sexta-feira pelos militares, soldados e policiais atiraram para matar contra os manifestantes em dezenas de cidades, entre elas as principais, Rangum e Mandalay, mas também em localidades remotas, como mostraram imagens divulgadas pela mídia local e por cidadãos nas redes sociais.

Um vídeo dilacerante mostra um pai gritando desconsolado que mataram seu filho, enquanto o carrega nos braços dentro de um carro; a fotografia de um bebê de apenas um ano com um olho ensanguentado após ser atingido por uma bala de borracha quando estava em sua casa em Rangum também causou indignação. Uma criança de cinco anos está entre os 29 mortos, pelo menos, deste sábado em Mandalay, a segunda maior cidade do país. Mais 24 pessoas morreram na capital comercial, Rangum, além de dezenas em várias outras cidades de todo o país, segundo veículos de comunicação locais, como Mianmar Now.

As equipes de emergência e resgate preveem que o número de mortos aumente nas próximas horas, depois de um dia em que dezenas de milhares de pessoas voltaram a sair às ruas para protestar contra os golpistas, apesar das ameaças da junta militar transmitidas na véspera pela rede estatal MRTV.

Funeral de um manifestante de 19 anos em sua casa em Dala, um subúrbio de Yangón, este sábado.
Funeral de um manifestante de 19 anos em sua casa em Dala, um subúrbio de Yangón, este sábado.Getty Images / Getty Images

Com as últimas vítimas, o número de civis mortos desde o golpe de fevereiro passa de 440, segundo a Associação de Assistência aos Presos Políticos de Mianmar. Um manifestante, Thu Ya Zaw, denunciou na cidade central de Myingyan: “Estão nos matando como frangos, até mesmo dentro de nossas próprias casas”, informou a Reuters. “Vamos continuar protestando, apesar de tudo. Lutaremos até que a junta militar caia”, acrescentou.

Os ataques das forças de segurança ocorreram simultaneamente à comemoração do Dia das Forças Armadas, que vem sendo comemorado em Naypyidó com um desfile militar presidido por Min Aung Hlaing, 64 anos. “Atos violentos que afetam a segurança e a estabilidade são inadequados”, disse o novo homem forte birmanês em um discurso na televisão, enquanto as forças de segurança mergulhavam o país em uma espiral de violência.

Militares espancam homem caído em uma rua de Sanchaung neste sábado.
Militares espancam homem caído em uma rua de Sanchaung neste sábado. VIDEO OBTAINED BY REUTERS / Reuters

Em um discurso televisionado, o general Min Aung Hlaing afirmou que as autoridades buscam restaurar a paz no país, perdida desde o golpe. “O Exército quer estender a mão a toda a população e proteger a democracia”, garantiu o general, acrescentando que as autoridades procuram restabelecer a paz no país (53 milhões de habitantes), perdido desde o golpe de fevereiro. Um golpe que pôs fim a 10 anos de transição democrática e impediu a inauguração do novo Parlamento, liderado pela Liga Nacional para a Democracia (NLD) de Aung San Suu Kyi, vencedora das eleições de novembro passado, rotulada de fraudulenta por os militares, seu pretexto para realizar o golpe. Suu Kyi está detida desde então e é acusada de vários crimes, incluindo a aceitação de subornos no valor de 500.000 euros, acusações que o seu ambiente considera de motivação política.

“Hoje é o dia da vergonha para as Forças Armadas”, denunciou por sua vez Dr Sasa, porta-voz do Comitê para a Representação da União Parlamentar (CRPH, na sigla em inglês), o autoproclamado Governo civil mianmarense. Formado por deputados da NLD ainda em liberdade, o comitê tenta ser reconhecido como representante legítimo de Mianmar pela comunidade internacional. O Movimento de Desobediência Civil, outro grupo de oposição ao golpe, recebeu um apoio simbólico na sexta-feira, ao ser indicado por um comitê de acadêmicos noruegueses para o Nobel da Paz, que já foi concedido a Suu Kyi em 1991.

Cartuchos de balas disparadas durante os protestos neste sábado.
Cartuchos de balas disparadas durante os protestos neste sábado. HANDOUT / AFP

Embora a maioria dos países não tenha enviado ninguém para o desfile militar, segundo o Asia Nikkei, Rússia, China, Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã, Laos e Tailândia mandaram representantes. “A Rússia é um amigo de verdade”, elogiou neste sábado Min Aung Hlaing. Moscou enviou seu vice-ministro da Defesa, Alexander Fomin, para o desfile. A maioria das guerrilhas étnicas também rejeitou o convite para participar do evento. Um desses grupos, a União Nacional Karen, que combate o Tatmadaw —como é conhecido o Exército de Mianmar— há décadas, anunciou ter atacado um posto militar do país perto da fronteira com a Tailândia, matando 10 membros do Exército.

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