DO CORREIO BRAZILIENSE

Com a decisão da Segunda Turma, as investigações contra o ex-presidente Lula são invalidadas e os processos deixam de ter sustentação legal

Renato Souza
 

 (crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

(crédito: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou o voto e entendeu que o ex-juiz Sergio Moro atuou parcialmente nos processos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a decisão da magistrada, se formou maioria para suspender os processos e investigações contra o petista. As diligências devem ser iniciadas novamente, o que pode gerar prescrição das ações penais.

Em um dos trechos das mensagens, Moro sugere uma testemunha de acusação contra Lula para o procurador Deltan Dallagnol. Em outras, comemoram quando a Justiça indefere pedidos de entrevista de jornalistas com Lula, quando ele disputava a eleição para presidente da República, em 2018. Os diálogos foram publicados pelo site The Intercept, na série de reportagens conhecida como “Vaza Jato”.

Cármen, que já tinha votado contrária a suspeição, entendeu que foram incluídos elementos novos que revelam perseguição contra Lula pelo poder público. “Neste caso o que se discute basicamente é algo que pra mim é basilar, que está na pauta desde o primeiro momento, foi mudando o contorno, o cenário e a compreensão do que se tinha. comprovado que há uma parcialidade, isso deixa a declaração dos direitos do homem e do cidadão de 1979 todo homem tem o direito a ter um julgamento justo. Se deu relevo a uma série de dados que não se tinha no primeiro momento”, disse.

Ela entendeu que o processo reduziu direitos de defesa do então investigado. “Todo mundo tem direito de imaginar-se julgado e processado pelo Estado, e não pelo voluntarismo de um juiz ou tribunal”, concluiu. Ela entendeu que a decisão não se estende para outros réus da operação.

Aos seus amigos e amigas no Brasil, o escritor, poeta e biógrafo especialista em autores musicais – a começar pela obra sobre o autor e cantor Jacques Brel – enviou de Portugal, onde vive nestes dias temerário de pandemia covid-19, o texto de Bernardo Carvalho, publicado na Folha de S. Paulo, que este site blog Bahia reproduz a seguir seguir, com recomendação de leitura atenta e crítica aos seus leitores e ovinte. Com agradecimentos a Paulo Martins. (Vitor Hugo Soares)  
“Amigas e amigos,
Segundo Bernardo Carvalho, “a estratégia de Bolsonaro é o incêndio, insuflar a sociedade contra si mesma.” Vejam que primor de artigo, publicado na Folha de São Paulo:
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Cada um por si' de Bolsonaro equivale à morte de todos - 19/03/2021 - Bernardo Carvalho - Folha
 ARTIGO
‘CADA UM POR SI” DE BOLSONARO EQUIVALE À MORTE DE
TODOS
 Bernardo Carvalho
“Numa entrevista recente ao jornal Libération, em resposta a uma pergunta sobre o confinamento na pandemia, o lendário diretor de teatro inglês Peter Brook, 95, relembrou os bombardeios de Londres durante a Segunda Guerra. Ao toque dos alarmes antiaéreos, as pessoas corriam para os abrigos subterrâneos, onde ficavam confinadas até soar de novo a sirene que as liberava, às vezes oito horas depois.
‘Quando saíamos, éramos engolfados pela destruição, a paisagem mais cotidiana já não existia, e nos dávamos conta de que a sirene tinha nos salvado.’
No Brasil nós nos recusamos a ouvir a sirene. E, mesmo quando a ouvimos, não somos capazes de reconhecer a destruição ao sair do abrigo, simplesmente porque continuamos vivos. E é só o que conta.
A indiferença diz muito sobre nossa relação com o que é público. Bolsonaro se elegeu com uma ideia da coisa pública baseada na mesquinharia de sua experiência pessoal. Sua eleição evidenciava uma impossibilidade de nação e supunha um suicídio (nosso, é óbvio): cada um por si (e todos contra todos).
Desde o início o presidente deixou claro (até para quem agora alega que não sabia do que ele estava falando) que não pretendia construir nada. A ideia não era erguer mas demolir. E o método, cuja simplicidade cristalina ele já havia aventado bem antes de se candidatar à Presidência, era a guerra civil.
Qual o sonho bolsonarista? Implodir o Estado e com ele o Estado de Direito, o controle de armas, o meio ambiente, as multas, o SUS, a educação pública, a Justiça, a liberdade de imprensa. Auxiliado por um exército de arrivistas ressentidos em busca de um lugar ao sol (ao qual a própria mediocridade até então não lhes havia permitido o acesso), o presidente conclamou uma cruzada contra a inteligência, a competência, as leis e o bem comum.
Seria absolutamente contraditório (e até absurdo) que, durante uma pandemia, ele fosse a favor da ciência, da vacinação ou de medidas que protegessem a população de um vírus mortal.
Foda-se o outro. A arma no lugar do voto. O objetivo é sabotar a própria possibilidade de República.
É assustador que uma parcela da população se sinta representada por uma escória mafiosa no poder. É repugnante como essa escória se retrai sempre que se vê confrontada com contratempos e desafios, voltando atrás por pura tática oportunista, recorrendo à dissimulação e à mentira sem-vergonha, para em seguida retomar seus objetivos.
Mas é, acima de tudo, inconcebível que aliados de primeira hora, entre juízes, militares, banqueiros, empresários, economistas, políticos, procuradores, policiais e até médicos, continuem se prestando a esse jogo de manipulação diante de uma ameaça de proporções bíblicas. A crise da saúde pública deveria bastar para fazê-los ouvir as sirenes. Só que não.
Há limites a serem impostos por lei ao oportunismo corporativo e individualista para que uma sociedade possa existir e prosperar. E nós ultrapassamos todos eles, pelas mãos de Bolsonaro. Só a hipocrisia e a má-fé ainda nos impedem de gritar abertamente, lambuzados no próprio sangue: “Viva a barbárie!”
A suposta estupidez do presidente é na verdade resultado de um longo trabalho de observação e reconhecimento intuitivo das fragilidades e contradições da democracia brasileira, comungando com pares ressentidos, incompetentes e pulhas.
A orquestração destes foi o ofício que essa caricatura perversa aprendeu em suas passagens aparentemente estéreis pelo Exército e pelo Congresso. Sua estratégia é o incêndio, insuflar a sociedade contra si mesma.
A comparação com um vírus, assumida em tom de provocação e galhofa pelo próprio, não é esdrúxula. Bolsonaro sabe o material humano que tem nas mãos.
Londres manteve os teatros abertos durante a guerra. Na entrevista ao Libération, Peter Brook contou que quando as sirenes antiaéreas tocavam no início de uma representação, os espectadores eram obrigados a permanecer na sala até o dia seguinte. Como sempre havia atores profissionais e amadores entre o público, eles subiam uns depois dos outros ao palco para cantar e improvisar ao longo da noite.
‘Foi assim que, em condições terríveis, nasceu um novo teatro. As condições eram propícias para que os melhores momentos do balé, da ópera e do teatro inglês pudessem eclodir’, disse o diretor.
É esse sentido de público e de sociedade que o bolsonarismo tenta perverter. A enganação do ‘cada um por si’, sob a capa da cartilha neoliberal, equivale no final das contas à morte de todos.”
 

“Dom`s Tune”: Dom Um Romão !!! Fera na bateria !!! Bossa no Céu !!!

BOM DIA!!!

(Gilson Nogueira)

 DO CORREIO BRAZILIENSE/ESTADO DE MINAS

Bolsonarista ou lulista: pesquisa aponta preferência do eleitorado.Se as eleições fossem hoje, parte do eleitorado estaria praticamente dividido entre bolsonaristas e lulistas.Contudo, quase 50% estariam fora desses grupos

Estado de Minas
 

 (crédito: Marcos Correia/PR - Carl de Souza/AFP)

(crédito: Marcos Correia/PR – Carl de Souza/AFP)

Se as eleições fossem hoje, o eleitorado estaria dividido entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entretanto, quase 50% dos 2.100 entrevistados disseram que não se consideram bolsonarista nem lulista.

27,6% responderam que são bolsonaristas, enquanto 22,3% são lulistas. Em contrapartida, quase 50% disseram que não se enquadram em nenhuma das duas categorias. Ou seja, 46,3% afirmaram não se alinham a nenhum dos dois e outros 3,8% não sabem ou não responderam à pergunta.

mar
23
Posted on 23-03-2021
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Amarildo, NA

 

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Posted on 23-03-2021
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DO JORNAL DO BRASIL

Piora em pesquisa é apurada após aliança de presidente com centrão, revelações sobre ‘rachadinhas’ e mansão de Flávio

AP Photo / Silvia Izquierdo
Credit…AP Photo / Silvia Izquierdo

Por Jornal do Brasil 

É o que aponta pesquisa feita pelo Datafolha em 15 e 16 de março, na qual foram ouvidas por telefone 2.023 pessoas. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

De dezembro para cá, caiu de 14% para 8% o índice de pessoas que acham que a corrupção vai diminuir, e oscilou de 27% para 23%, queda dentro do limite da margem de erro, o número daqueles que acham que o problema seguirá como está.

Os dados acompanham a consolidação da aliança entre Bolsonaro e o centrão, além da exposição no noticiário de mais detalhes de práticas suspeitas associadas à família do presidente e o episódio da compra de uma mansão de R$ 6 milhões por seu filho Flávio, senador pelo Republicanos-RJ.

Como as cobranças acerca da política de combate à pandemia mostram, é uma aliança bastante instável, mas garantiu numericamente apoio a Bolsonaro —principalmente contra ameaças de abertura de processo de impeachment, que legalmente começam na Câmara.

O combate à corrupção era uma pedra basilar da campanha de Bolsonaro em 2018, que buscou associar-se à então popular Operação Lava Jato. Sergio Moro, o juiz-símbolo da ação anticorrupção, acabou virando ministro da Justiça.

Saiu no começo de 2020, apontando interferência ilegal de Bolsonaro na Polícia Federal. Com efeito, ao longo do ano passado o presidente minou a Lava Jato apontando Augusto Aras como procurador-geral da República.

Aras, por sua vez, enterrou a Lava Jato de vez, encerrando a sua força-tarefa.

Bolsonaro, pressionado pelas políticas erráticas de combate à pandemia e pelo ensaio de crise institucional do primeiro semestre de 2020, quando apoiou atos golpistas contra outros Poderes, aproximou-se do centrão e de siglas como o PSD.

Isso foi catalisado pela prisão de Queiroz, em junho. Cargos foram distribuídos, e um ministério, recriado. Isso assentou o caminho para a eleição de Lira, um aliado que abriu a principal comissão da Câmara, a de Constituição e Justiça, para uma bolsonarista radical.

O pessimismo aferido pelo Datafolha é pior entre mulheres (74%) e os mais pobres (73%). São grupos importantes em termos estatísticos, somando respectivamente 52% e 53% da amostra do Datafolha.

A expectativa é menos pior entre os mais ricos (51%), mas isso não se transmuta em otimismo: cresce ali a ideia de que tudo ficará como está, em 37%. É um grupo influente, mas de apenas 4% do universo dos pesquisados.

Há homogeneidade na avaliação pelo país, uma curiosidade dado que em outros itens pesquisados na mais recente rodada do Datafolha houve um acirramento de divisões regionais.

Nela, a rejeição a Bolsonaro cresceu para 44%, enquanto a aprovação segue nos 30% a que ele se acostumou desde que assumiu como piso de popularidade.

No grupo que acha o presidente ótimo ou bom, 53% acham que haverá mais corrupção, e 17%, que ela diminuirá. É um resultado melhor que o global, mas longe de níveis mais confortáveis registrados anteriormente. (Folhapress)

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