Grupo tem processo de impeachment e uma CPI como instrumentos de pressão. Presidente tem sua gestão na pandemia reprovada por 54% das pessoas

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia em Brasília no dia 10.
O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia em Brasília no dia 10.UESLEI MARCELINO / Reuters
Brasília

A dramática crise da saúde aliada ao aumento da impopularidade do presidente Jair Bolsonaro tem assanhado a fome do Centrão por novos ministérios. Nesta quarta-feira, pesquisa Datafolha mostrou que 40% dos entrevistados acreditam que ele faz um Governo ruim ou péssimo, sua gestão da pandemia de covid-19 é reprovada por 54% das pessoas e 56% acreditam que ele não tem condições de liderar o país. Antes mesmo de ter esses números em mãos, mas calculando também o impacto da reentrada em cena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o grupo fisiológico de legendas de centro-direita já tinha aumentado o seu preço pelo apoio ao Planalto. Agora, quer a indicação para ao menos cinco pastas: Casa Civil, Secretaria de Governo, Minas e Energia, Relações Exteriores e Educação. É um avanço claro sob dois campos que são os alicerces do bolsonarismo, o militar e o ideológico. Os três primeiros ministérios são comandados por membros das Forças Armadas. Os outros dois tiveram indicações de sua base ideológica.

É uma aposta alta. Os cargos dos ministros-generais Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Governo) dificilmente serão trocados. Mas o grupo aposta na velha negociação política, pede mais do que tem chances de ganhar para depois dizer que abriu mão de algo. Além disso, os parlamentares do Centrão querem aproveitar a chegada do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para indicar substitutos para funções estratégicas de segundo e terceiro escalões que hoje são ocupadas por militares na pasta. Há ao menos 15 cargos em comissão que os deputados negociam. As informações são de três lideranças do Centrão entrevistadas pelo EL PAÍS entre terça e quarta-feira.

A gota d’água para os membros da base parlamentar de Bolsonaro foi a não nomeação da médica Ludmilla Hajjar para a Saúde. Eles entendiam que a posse dela no cargo era uma sinalização de mudança de fato no ministério. E não uma só de nome, como ocorreu com a chegada do médico Marcelo Queiroga em substituição ao general Eduardo Pazuello, com o discurso de continuidade dos trabalhos.

No Centrão, o principal padrinho de Hajjar era o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o mesmo político que viu o Planalto prometer quatro ministérios para ajudar em sua eleição em fevereiro passado. Apenas uma pasta foi entregue, a da Cidadania para o deputado João Roma (Republicanos-BA), o que na atual situação aumentou o interesse do grupo por cargos. O ministro Fábio Faria (PSD-RN) também é outro membro do Centrão no Governo Bolsonaro, mas a sua indicação teve mais caráter pessoal do que um apadrinhamento de seu partido.

Dois instrumentos de pressão devem ser usados pelos parlamentares na tentativa de ampliar os seus tentáculos na gestão: o início de um processo de impeachment contra Bolsonaro e a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a gestão da pandemia de coronavírus. O primeiro caso depende principalmente de Lira. Até o mês passado, ele sempre negava que acataria um dos 60 pedidos de impeachment contra o presidente.

Uma tímida mudança de postura de Lira ocorreu na segunda-feira, quando já se sabia que Hajjar não seria ministra. Ao invés de negar que abriria um processo de impeachment, ele afirmou que não teve tempo para analisar os processos. Lira ocupa o cargo desde 2 de fevereiro. “Não tive ainda tempo. Tempo que o presidente anterior [Rodrigo Maia] teve. Ele teve quase cinco anos de mandato, recebeu 60 pedidos e não achou nenhum tipo de motivação maior para seguir em frente.” A afirmação foi feita em debate promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico.

 
O que pesa contra uma destituição presidencial é o tempo, o calendário eleitoral e a ausência de sessões presenciais no Congresso por causa da pandemia de covid-19, que impede aglomerações, principalmente em ambientes fechados. No caso de Dilma Rousseff (PT), foram quase nove meses entre o momento em que o processo foi aceito por Eduardo Cunha (MDB-RJ) e quando o Senado votou pelo seu impeachment. E em 2022 os próprios deputados e senadores estarão empenhados nas campanhas eleitorais em que vários deles concorrerão à reeleição.

Já no Senado, o presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que tem relativa proximidade com Lira, tem se equilibrado entre rejeitar a abertura da CPI da Covid e aceitá-la. O documento pedindo a abertura do trabalho já foi assinado por 31 senadores, quatro a mais que o mínimo necessário. Antes, Pacheco dizia que seria contraproducente iniciar essa investigação neste momento. Agora, não a descarta. “Decidiremos sobre uma CPI em um momento oportuno, tão logo possamos esgotar as medidas mais urgentes: auxílio emergencial, leito de UTIs credenciados e vacinação em maior escala para a população brasileira”, afirmou no mesmo debate do qual participou o presidente da Câmara.

Os próximos passos do grupo devem ser dados nas próximas semanas, quando começarem a aparecer os resultados das primeiras ações do novo ministro Queiroga. Uma sinalização de que o pavio está curto pode ser resumida na manifestação do deputado Marcelo Ramos (PL-AM) em sua conta no Twitter. “A situação do país não permite que ministro da Saúde tenha tempo pra aprender a ser ministro. As respostas terão que ser rápidas e efetivas. Passar mensagens claras de compromisso com as políticas de prevenção e acelerar o processo de vacinação devem ser ações imediatas.” Ramos é o primeiro vice-presidente da Câmara. Tem sido uma espécie de porta-voz de seu grupo em assuntos espinhosos.

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“Hier Encore”, Charles Aznavour : a bela canção francesa aqui em formidável interpretação de Aznavour de uma das músicas da fabulosa trilha da novela das 9h, “Amor de Mãe”, de volta ao ar na tela da Globo, depois de período de recesso por causa da pandemia e que ontem apresentou um de seus capítulos mais emocionantes e de alta qualidade técnica e interpretativa de seu elenco fora de série. Viva.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
18
Posted on 18-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-03-2021
 

Foto: EVARISTO SÁ/ AFP

A demissão do general Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde pelo presidente Jair Bolsonaro está causando constrangimento no alto escalão do Exército. A visão predominante entre os generais é de que não há espaço para o retorno dele à Força. A torcida é para que ele vá direto para a reserva.

Generais dizem que a estrutura do Exército está toda montada. Portanto, seria um transtorno ter de acomodar Pazuello na Força. “Como ninguém quer abrir mão do cargo que ocupa atualmente, o melhor é que Pazuello vá para a reserva”, diz um militar. “Mas ele tem o direito de voltar, se quiser”, acrescenta.

Outro ponto que pesa contra a volta do quase ex-ministro ao Exército é a questão política. Pazuello na Força significa trazer para dentro do quartel todo o desastre que foi a gestão dele no Ministério da Saúde.

Prazo obrigatório para a reserva

Segundo informações de dentro do Exército, Pazuello, automaticamente, terá de passar para a reserva no próximo ano. É que completará o tempo dele como general intendente. Ele é general três estrelas, não tem mais como ser promovido. Pelas regras, ele pode ficar, no máximo, quatro anos como general três estrelas ou oito, como oficial general.

“O quadro ideal é que Pazuello entre logo para a reserva, sobretudo se quiser continuar no governo”, acrescenta outro militar. Ele acrescenta que a exoneração de Pazuello do Ministério da Saúde deve ocorrer em um ou dois dias, no máximo.

A meta de Bolsonaro é manter Pazuello no governo. Um dos postos cogitados é a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), vinculada à Presidência da República, que é um cargo de natureza limitar. Bolsonaro quer arrumar um jeito de manter o foro privilegiado do quase ex-ministro, que responde a vários processos na Justiça.

 

“Dentro do Exército, pouco importa se Pazuello ficará no governo, ou não. O que os generais querem é que ele vá rapidamente para a reserva, para descolar a imagem dele da Força”, enfatiza um terceiro militar ouvido pelo Blog. “Queremos que ele deixe de ser problema. Será um alívio vê-lo fora do Ministério da Saúde.

mar
18
Posted on 18-03-2021
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Sid, NO PORTAL DE HUMOR

 

mar
18
Posted on 18-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 18-03-2021

 

DO CORREIO BRAZILIENSE

James Levine morreu de “causas naturais” em 9 de março em Palm Springs, Califórnia

Agência France Presse

 (crédito: MIGUEL MEDINA / AFP)

(crédito: MIGUEL MEDINA / AFP)

O maestro James Levine faleceu, aos 77 anos, três anos após um escândalo de abuso sexual que encerrou e manchou sua carreira, marcada por quarenta anos na direção musical da Metropolitan Opera de Nova York.

Nomeado maestro da Metropolitan Opera, popularmente referida como ” Met Opera”, em 1976, reformou a desacreditada instituição até colocá-la entre as grandes óperas do mundo.

Enquanto se deliciava com o repertório dos clássicos, foi incorporando obras contemporâneas e compositores até então menosprezados.

Com seus exuberantes cabelos cacheados, óculos redondos de metal, estilo expressivo e personalidade extrovertida, Levine se estabeleceu como uma das figuras mais reconhecidas no mundo da música clássica.

Em 2016, ele aceitou deixar a direção musical do Met por causa do Parkinson que sofria há anos. Porém, continuou sendo maestro honorário até sua suspensão em dezembro de 2007, após a publicação nos jornais The New York Times e New York Post de relatos que o acusavam de abuso sexual.

Os dois jornais divulgaram o caso de um homem que acusou o maestro de molestá-lo de 1985 – quando tinha apenas 15 anos – até 1993.

Em março de 2018, o Met publicou as descobertas de sua investigação, que confirmaram a existência de “evidência credível” de que o músico efetivamente estava envolvido “em assédio e comportamento sexualmente abusivo”.

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