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Postado em 16-03-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 16-03-2021 01:20
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ARTIGO

   Quando o sol perde o sentido

                Gilson Nogueira

  Nas brechas do hoje há como espiar o ontem. Digito o que filosofei com as paredes do quarto e lembro a sacada genial  do saudoso escritor e poeta Hildásio Tavares. No poema Restos, que tenho impresso e insiro a seguir, ele disse: ” Há um resto de ontem na calçada que foi dia de festa e fantasia.” A pérola brilha saudade e ecoa, como  um clarim de luz, a inspirar-me na escuridão da Pandemia.

 De repente, o brilho do sol perde o sentido e a noite é mais escura! A vida nos dá um balão na Roda da existência, como se o mundo de cada um tivesse caído, após uma rasteira do Destino. A morte nos assusta, mais e mais, na perspectiva de um novo dia. O amanhã acorda coberto de angústias. O caos ensaia um funeral nunca visto. Acorda-se em pesadelos difíceis de explicar. “Será que estarei de pé, amanhã, para aplaudir o sol?” A dor infinita da perda de vidas sem alguém junto brutaliza a existência. O pranto é pouco. Maus momentos vive a Vida, imagino.               A Humanidade, em profusão de porcarias, nos seus diversos níveis de atividade, está zonza, zanzando em ruas vazias e tortas, num redemoinho de dúvidas. A maior de todas:  “Que certeza temos que não seremos vítimas da Fatalidade?” Até quando a dor da partida de parentes, amigos, conhecidos, pessoas, gente como a gente, irá nos tontear, sem que saibamos o que fazer? Ficar em casa passou a ser medida obrigatória, a fatalidade nos prendeu, de repente.  Que crime cometemos? A televisão e o celular estão ligados, como nunca, e o silêncio torna-se brutal.

“Como será o amanhã?”, ninguém sabe. A realidade nos deixa perplexos.  Vejo-me em um funeral sem ninguém. A todo instante. Minha lágrima escorrega por dentro.                                                                                                                                 Há uma roleta sem forma, sem eu ter jogado os dados.E não gosto dela!  Giro, em mim, velozmente, tonto, boquiaberto, pedindo socorro, sem usar a voz, aguardando o que não sei. Será que estarei vivo, no tabuleiro da vida?, indago, em silêncio, enquanto Peço a Deus para Mandar a Porcaria para o Inferno. Haveremos de sair dessa! Com serenidade, sem desespero!  Certamente, veremos uma luz no fim do túnel. Desesperar, jamais! Vacine-se.           
 Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do site blog Bahia em Pauta.
 

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