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Postado em 16-03-2021
Arquivado em (Artigos) por vitor em 16-03-2021 01:16
O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.AMB
Brasília
 O futuro ministro é ativo nas redes sociais. Em sua conta no Twitter ele costuma divulgar as ações da entidade que dirige e destaca encontros com políticos para tratar de questões de sua categoria. Neste ano, ele esteve com ao menos dois ministros de Bolsonaro, João Roma (Cidadania) e Gilson Machado (Turismo). Também em suas redes, ele deixa claro que um de seus exemplos na medicina é Adib Jatene (1929-2014), um dos mais respeitados cientistas do país que foi ministro da Saúde de Fernando Collor e de Fernando Henrique Cardoso.

Pressa de Bolsonaro e exposição nas TVs

Bolsonaro tinha pressa em anunciar um substituto de Pazuello principalmente porque a sua primeira opção, Ludhmila Hajjar, logo após rejeitar o convite, reforçou críticas ao Governo que ela já vinha fazendo ao longo da pandemia. Foi praticamente uma exposição das vísceras de Bolsonaro e Pazuello na TV. Em entrevistas para explicar as razões que a fizeram recusar o cargo, Hajjar disse que não havia convergências técnicas com o presidente Bolsonaro e afirmou que o novo ministro deveria ter autonomia para atuar.

“Acho que o cenário é bastante sombrio. O Brasil vai chegar rapidamente em 500.00, 600.000 mortes e não só isso, mas todo o impacto que esta doença terá em longo prazo, sequelas e consequências que não estão sendo pensadas”, afirmou Hajjar à emissora de TV Globo News. Antes, à emissora CNN Brasil, ela havia dito que sempre se dedicou à ciência. E, agora, não podia ser diferente. “Fiquei extremamente honrada com o convite, mas eu sou uma pessoa que pautei minha vida toda nos estudos e na ciência, vou continuar sendo assim e vou estar sempre à disposição do Brasil.” Ela disse ter sido perseguida nas redes sociais por apoiadores do bolsonarismo e que tentaram até invadir o seu quarto de hotel em Brasília.

A confirmação de Queiroga foi precedida de um ato de despedida de Pazuello, que há dias começara a perder força principalmente entre seus colegas militares que circundam o presidente. Eles querem minimizar os efeitos negativos à imagem das Forças Armadas depois da catastrófica condução da Saúde feita por ele com o aval de Bolsonaro. Dois sinais de alerta foram dados: a sinalização de que o Brasil pode assumir definitivamente a dianteira no número de mortes diárias por covid-19 ?tomando a posição dos Estados Unidos? e a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao tabuleiro eleitoral, já que o petista recuperou os seus direitos políticos e faz sombra ao presidente, com contundentes críticas ao Governo na gestão da emergência sanitária.

Pazuello sempre obedeceu Bolsonaro e está sob investigação da Polícia Federal pela crise do oxigênio em Manaus, um dos momentos mais dramáticos da crise, quando pessoas morreram sem o insumo na capital do Amazonas. Na entrevista coletiva na qual admitiu que estava de saída do cargo, o general enviou um recado: afirmou que durante uma guerra a manobra militar mais difícil ocorre quando se trocam as tropas de posição em meio a uma batalha. “A manobra mais difícil que temos de planejamento militar é substituição em posição, que é quando você está com sua tropa posicionada ou no ataque ou na defesa e você precisa substituir aquela tropa sem perder a impulsão ou sem perder a capacidade de defender. Então, eu posso afiançar a todos senhores, nós não vamos parar nem um minuto”. O presidente prevê duas semanas de transição enquanto especialistas apontam as consequência ocupação por militares de cargos estratégicos do Ministério da Saúde. Caberá a Queiroga avaliar substituição da tropa.

A troca no comando do ministério ocorre no auge da pandemia de covid-19 no Brasil. Na semana passada, o novo normal na contabilidade de mortos foi o de superar os 2.000 óbitos diários. Nesta segunda-feira, o país chegou às 279.286 mortes em decorrência do coronavírus ?são 10,5% de todos os casos do mundo, o Brasil concentra 3% da população mundial.

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