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Bahia Notícias / Cultura / Notícia / Ópera Lídia de Oxum será apresentada no TCA em homenagem a 80 anos de Ildásio Tavares - 19/10/2019
Ildásio Tavares: força da poesia na hora do desespero.
Já vi muita gente fazer coisa perversa com o Zé Gotinha, diz criador do mascote da vacina - 12/03/2021 - Mônica Bergamo - Folha

ARTIGO

   Quando o sol perde o sentido

                Gilson Nogueira

  Nas brechas do hoje há como espiar o ontem. Digito o que filosofei com as paredes do quarto e lembro a sacada genial  do saudoso escritor e poeta Hildásio Tavares. No poema Restos, que tenho impresso e insiro a seguir, ele disse: ” Há um resto de ontem na calçada que foi dia de festa e fantasia.” A pérola brilha saudade e ecoa, como  um clarim de luz, a inspirar-me na escuridão da Pandemia.

 De repente, o brilho do sol perde o sentido e a noite é mais escura! A vida nos dá um balão na Roda da existência, como se o mundo de cada um tivesse caído, após uma rasteira do Destino. A morte nos assusta, mais e mais, na perspectiva de um novo dia. O amanhã acorda coberto de angústias. O caos ensaia um funeral nunca visto. Acorda-se em pesadelos difíceis de explicar. “Será que estarei de pé, amanhã, para aplaudir o sol?” A dor infinita da perda de vidas sem alguém junto brutaliza a existência. O pranto é pouco. Maus momentos vive a Vida, imagino.               A Humanidade, em profusão de porcarias, nos seus diversos níveis de atividade, está zonza, zanzando em ruas vazias e tortas, num redemoinho de dúvidas. A maior de todas:  “Que certeza temos que não seremos vítimas da Fatalidade?” Até quando a dor da partida de parentes, amigos, conhecidos, pessoas, gente como a gente, irá nos tontear, sem que saibamos o que fazer? Ficar em casa passou a ser medida obrigatória, a fatalidade nos prendeu, de repente.  Que crime cometemos? A televisão e o celular estão ligados, como nunca, e o silêncio torna-se brutal.

“Como será o amanhã?”, ninguém sabe. A realidade nos deixa perplexos.  Vejo-me em um funeral sem ninguém. A todo instante. Minha lágrima escorrega por dentro.                                                                                                                                 Há uma roleta sem forma, sem eu ter jogado os dados.E não gosto dela!  Giro, em mim, velozmente, tonto, boquiaberto, pedindo socorro, sem usar a voz, aguardando o que não sei. Será que estarei vivo, no tabuleiro da vida?, indago, em silêncio, enquanto Peço a Deus para Mandar a Porcaria para o Inferno. Haveremos de sair dessa! Com serenidade, sem desespero!  Certamente, veremos uma luz no fim do túnel. Desesperar, jamais! Vacine-se.           
 Gilson Nogueira é jornalista, colaborador da primeira hora do site blog Bahia em Pauta.
 

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Posted on 16-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 16-03-2021


 

 Sponholz, no

 

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O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.AMB
Brasília
 O futuro ministro é ativo nas redes sociais. Em sua conta no Twitter ele costuma divulgar as ações da entidade que dirige e destaca encontros com políticos para tratar de questões de sua categoria. Neste ano, ele esteve com ao menos dois ministros de Bolsonaro, João Roma (Cidadania) e Gilson Machado (Turismo). Também em suas redes, ele deixa claro que um de seus exemplos na medicina é Adib Jatene (1929-2014), um dos mais respeitados cientistas do país que foi ministro da Saúde de Fernando Collor e de Fernando Henrique Cardoso.

Pressa de Bolsonaro e exposição nas TVs

Bolsonaro tinha pressa em anunciar um substituto de Pazuello principalmente porque a sua primeira opção, Ludhmila Hajjar, logo após rejeitar o convite, reforçou críticas ao Governo que ela já vinha fazendo ao longo da pandemia. Foi praticamente uma exposição das vísceras de Bolsonaro e Pazuello na TV. Em entrevistas para explicar as razões que a fizeram recusar o cargo, Hajjar disse que não havia convergências técnicas com o presidente Bolsonaro e afirmou que o novo ministro deveria ter autonomia para atuar.

“Acho que o cenário é bastante sombrio. O Brasil vai chegar rapidamente em 500.00, 600.000 mortes e não só isso, mas todo o impacto que esta doença terá em longo prazo, sequelas e consequências que não estão sendo pensadas”, afirmou Hajjar à emissora de TV Globo News. Antes, à emissora CNN Brasil, ela havia dito que sempre se dedicou à ciência. E, agora, não podia ser diferente. “Fiquei extremamente honrada com o convite, mas eu sou uma pessoa que pautei minha vida toda nos estudos e na ciência, vou continuar sendo assim e vou estar sempre à disposição do Brasil.” Ela disse ter sido perseguida nas redes sociais por apoiadores do bolsonarismo e que tentaram até invadir o seu quarto de hotel em Brasília.

A confirmação de Queiroga foi precedida de um ato de despedida de Pazuello, que há dias começara a perder força principalmente entre seus colegas militares que circundam o presidente. Eles querem minimizar os efeitos negativos à imagem das Forças Armadas depois da catastrófica condução da Saúde feita por ele com o aval de Bolsonaro. Dois sinais de alerta foram dados: a sinalização de que o Brasil pode assumir definitivamente a dianteira no número de mortes diárias por covid-19 ?tomando a posição dos Estados Unidos? e a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao tabuleiro eleitoral, já que o petista recuperou os seus direitos políticos e faz sombra ao presidente, com contundentes críticas ao Governo na gestão da emergência sanitária.

Pazuello sempre obedeceu Bolsonaro e está sob investigação da Polícia Federal pela crise do oxigênio em Manaus, um dos momentos mais dramáticos da crise, quando pessoas morreram sem o insumo na capital do Amazonas. Na entrevista coletiva na qual admitiu que estava de saída do cargo, o general enviou um recado: afirmou que durante uma guerra a manobra militar mais difícil ocorre quando se trocam as tropas de posição em meio a uma batalha. “A manobra mais difícil que temos de planejamento militar é substituição em posição, que é quando você está com sua tropa posicionada ou no ataque ou na defesa e você precisa substituir aquela tropa sem perder a impulsão ou sem perder a capacidade de defender. Então, eu posso afiançar a todos senhores, nós não vamos parar nem um minuto”. O presidente prevê duas semanas de transição enquanto especialistas apontam as consequência ocupação por militares de cargos estratégicos do Ministério da Saúde. Caberá a Queiroga avaliar substituição da tropa.

A troca no comando do ministério ocorre no auge da pandemia de covid-19 no Brasil. Na semana passada, o novo normal na contabilidade de mortos foi o de superar os 2.000 óbitos diários. Nesta segunda-feira, o país chegou às 279.286 mortes em decorrência do coronavírus ?são 10,5% de todos os casos do mundo, o Brasil concentra 3% da população mundial.

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