Manhattan Connection recebe o ministro Luís Roberto Barroso - Famosidades
Ministro Barroso de tirar o boné no Manhattan Connection…

 

 

 

ARTIGO DA SEMANA

Barroso no Manhattan Connection: de tirar o boné

Vitor Hugo Soares

De tirar o boné a entrevista do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, na nova fase do programa Manhattan Connection, agora na TV Cultura e afiliadas. Doa em quem doer – da esquerda, centro e direita – mas é indispensável reconhecer, diante do fato relevante: Foi uma rica e brilhante conversa jornalística. Diversificada, firme e descontraída do início ao fim. Além de pedagógica  e desconcertante (do ponto de vista da comunicação), a começar pela abertura: No último bloco do programa – que já apresentara três marcantes entrevistas, com Sérgio D’Ávila, editor chefe da Folha de S . Paulo, jornal que celebra 100 anos, fiel aos embates que marcam sua história; do repórter Fernando Gabeira, que comemora 80 anos, festejado por colegas de profissão, sem perder o brilho e vigor do começo da carreira, e do economista Pérsio Arida, ex-ministro da Fazenda que, em poucos minutos, esfacela os castelos de areia construídos pelo colega “liberal” Paulo Guedes, “Posto Ipiranga” do ensandecido governo de Jair Bolsonaro –  quando o telespectador praticamente não espera mais nada, além do boa noite, aí vem a cwewja do bolo.

Eis que aparece o ministro Luis . Roberto Barroso, na janela de seu gabinete – no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde participava de uma sessão do pleno – de onde, segundo ele,  desfruta uma das mais belas vistas de Brasília. O sempre afiado âncora Lucas Mendes, de Nova York, pergunta de pronto: “Ministro, daí o senhor está vendo Caracas? Está enxergando a Venezuela?” Precisa desenhar? Simplesmente sensacional e fora do fardamento burocrático, como se dizia no Jornal do Brasil e na VEJA, quando eu labutava em suas redações.

O hábil e sutil – até sarcástico com ele próprio em momentos da conversa – membro da suprema corte de justiça do país não se perturba nem sai do prumo. Sorri e parece agradecido pela opo rtunidade que enxerga à sua frente, para esclarecer pontos que ficaram mal compreendidos na polêmica conversa com o historiador Marco Antônio Villa, e que ainda repercutiam nas redes de impropérios lançados contra ele. Agrupando “esquerda” e “direita” desorientadas tal e qual birutas de aeroporto.

“Eu disse, então, que a Venezuela é de direita, e o mundo desabou sobre a minha cabeça. Gostaria de explicar, aqui, como eu vejo isso: Nós tínhamos um coronel, latino-americano, golpista e que instituiu um sistema apoiado na cooptação e corrupção das forças armadas, que hoje é apoiado pela Rússia, de Putin, que trabalhou para impedir a ascensão de Hillary Clinton e colocar Donald Trump no poder. De modo que a minha visão do bolivarianismo, e do próprio Bolivar, era de um ditador, um sujeito que tinha pretensões ditatoriais, contra a democracia representativa e a distribuição de terra. Hoje a Venezuela é só um desastre humanitário, não é mais de esqu erda ou de direita. Aliás, eu não entendo porque a esquerda brasileira se agarrou ao mastro deste naufrágio”

Acertou no alvo, o ministro Barroso,  estribuche  quem quiser e ponha a carapuça quem se julgar atingido.

Quatro entrevistas de encher as medidas em um só Manhattan Conection. Parabéns  Lucas Mendes e Caio Blinder, de NY, e Diogo Mainardi, de Veneza, pelo programa remodelado, ágil e ainda mais atraente. Sem perder o foco do velho e bom jornalismo político. De deixar muita gente com sorriso de satisfação nos lábios, e outro tanto de orelha em pé. Viva!
Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

“Unicórnio”,  Mercedes Sosa: uma sentida canção de perda na interpretação inigualável da saudosa voz da Argentina, que encantava o Brasil. Vai aqui em memória de saudade da especial amiga deste site blog – em especial de seu editor – que inesperada e prematuramente se foi, deixando entristecidos e inconsoláveis a todos que a conheceram ou com ela conviveram, principalmente no jornalismo da Bahia, onde Celeste Aida sembre brilhou .

SAUDADES! BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

Diogo Mainardi: 95 semanas
Foto: Reprodução

 

Na Crusoé desta semana, Diogo Mainardi promete “dedicar as próximas 95 colunas à disputa presidencial. Até a posse do sucessor de Jair Bolsonaro”.

“Resolvi fazer isso depois da morte de minha mãe, na semana passada. (…) Desde 2018 (…), Jair Bolsonaro invariavelmente acabava invadindo nossa conversa, associado a um desgosto crescente de minha mãe pelo Brasil. Eu respondia que, em 2022, outra pessoa seria eleita, e Jair Bolsonaro sumiria de nossas vidas. Não era uma previsão: era só uma maneira de tirar o energúmeno de nossas conversas, porque ele já emporcalhava — e ainda emporcalha — o meu dia a dia, em O Antagonista.”

mar
06
Posted on 06-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 06-03-2021


 

J. Bosco no jornal

 

mar
06

DO CORREIO BRAZIENSE

Presidente testa de novo estratégia que até agora tem sido eficaz para manter sua popularidade em torno de 25%. A seu favor, Planalto tem ainda cúpula do Congresso. No entanto, atraso na gestão da vacina pode cobrar preço econômico e mudar jogo com empresários e investidores

O presidente Jair Bolsonaro durante inauguração de trecho da ferrovia Norte Sul em São Simão (GO).
O presidente Jair Bolsonaro durante inauguração de trecho da ferrovia Norte Sul em São Simão (GO).Alan Santos/PR
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro voltou a investir na sua política de confronto e de discursos diversionistas assim que confrontado com situações incômodas. O mandatário brasileiro dobra a aposta chamando de “frescura” e “mimimi” as práticas de distanciamento social quando há um recrudescimento da pandemia com mais de 1.600 mortos ao dia e após aumentarem as cobranças de governadores e prefeitos por uma coordenação nacional no combate à covid-19. O ultradireitista choca e atrai para si os holofotes na semana em que seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigado por lavagem de dinheiro, comprou uma mansão de 6 milhões de reais em Brasília. Nem tudo, porém, cabe no script do ultradireitista. Diante da volta dos panelaços nas grandes cidades contra seu Governo, ele desistiu por dois dias seguidos de fazer um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão. E, apesar de ironizar a vacinação, tenta agora recuperar o tempo perdido para a compra dos fármacos sob a pressão de empresários que contam com imunização em massa para fazer a economia escapar de nova retração.

Desde meados de fevereiro, diversos Municípios e Estados brasileiros passaram a intensificar políticas de distanciamento social, com o fechamento do comércio e escolas para conter a circulação da população e frear a circulação do coronavírus, já que ainda não há vacinas para todos os brasileiros. Menos de 5% da população foi vacinada no país. Com o discurso contrário, Bolsonaro tenta empurrar para prefeitos e governadores o custo político de medidas impopulares, além de atrapalhar as campanhas de conscientização pelo isolamento social.

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Para um conjunto de juristas e segundo uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da USP e da Conectas Direitos Humanos, Bolsonaro implementa uma política deliberada para sabotar ações contra a pandemia, e deveria ser punido penal e politicamente por isso. O presidente, porém, segue escudado por uma fisiológica base de apoio no Congresso Nacional ?recentemente reforçada por sua bem-sucedida operação ajudar a eleger a nova cúpula do Parlamento? que dificilmente apoiará um dos 60 processos de impeachment. Também conta, até agora, com um Procuradoria-Geral da República que não enxerga irregularidades em seus atos.

Seja como for, o presidente, contudo, tem tomado alguns cuidados. Ao mesmo tempo em agita sua extremista base de apoio, ele libera os seus subordinados a minimamente agirem contra a pandemia, sob pena de ver a economia naufragar e seus adversários políticos surfarem demais. Depois de o presidente e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticarem por dois meses as exigências feitas pela farmacêutica Pfizer, o Governo Federal decidiu avançar nas tratativas para a compra de 100 milhões de doses do imunizante dela até dezembro deste ano. O primeiro lote seria entregue em maio. Se aceitasse o contrato no passado, o país já teria recebido 70 milhões de doses em dezembro.

A corrida global pela vacina não é simples e o Planalto começa a colher reveses. Nesta quinta, ao conversar com apoiadores em Uberlândia (MG), ele reclamou das cobranças que recebe para adquirir os imunizantes. “Tem idiota nas redes sociais, na imprensa, [que fala] ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe! Não tem para vender no mundo!”. É bem distinto da fala feita em 28 de dezembro do ano passado, quando afirmou que eram os vendedores quem deveriam buscar o governo brasileiro, e não o contrário. “O Brasil tem 210 milhões de habitantes, um mercado consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para a gente? Por que eles não apresentam documentação na Anvisa?”, indagou a um grupo de apoiadores no Palácio da Alvorada. “Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, quem quer vender (que tem). Se sou vendedor, eu quero apresentar”, completou.

Jogo até 2022

A fórmula caótica de Bolsonaro tem lhe rendido lucros mínimos. Se ainda não tem ameaças graves no campo político um dos motivos é justamente a sua popularidade, com índices superiores a 25%. Além de ser um patamar considerado alto para que um presidente seja tido como descartável pelo mundo político, isso também quer dizer que, caso a eleição presidencial fosse hoje, muito provavelmente Bolsonaro estaria em um segundo turno. “As variáveis que tornaram possíveis a ascensão do bolsonarismo foram a crise econômica do Governo Dilma Rousseff [PT] combinada com a Operação Lava Jato. Esse movimento não se dissipa de um dia para o outro”, avalia o cientista político Antônio Lavareda, do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), que produz levantamentos frequentes atualmente para a corretora de investimentos XP.

Na visão de Lavareda, no entanto, a disputa eleitoral de 2022 pode mudar a equação porque acabará colocando quatro temas na mesa, todos em que Bolsonaro pouco progrediu: a atuação na pandemia, que tem sido catastrófica; a retomada da economia, ameaçada pela falta de vacinação em massa; o combate à criminalidade violenta; e a redução da corrupção. No mês passado, o levantamento XP-Ipespe mostrou que o presidente patina nos quatro grandes assuntos. Na condução do enfrentamento à pandemia, 53% consideram seu desempenho ruim ou péssimo. Com relação à corrupção, 48% acreditam que há a expectativa de aumentar a prática. Na percepção de 62% a violência e a criminalidade violenta aumentaram. E, para 57%, a economia segue no caminho errado. “A preço de hoje o presidente tem problemas importantes em três desses temas. E perdeu a grande dianteira que tinha no combate à corrupção, por causa de suas alianças atuais, pelo fim da Lava Jato e por causa dos casos mal explicados de seus filhos”, disse Lavareda.

Ao notar esses movimentos, o presidente persiste na radicalização de seu discurso e, como jamais desce do palanque eleitoral, espera confrontar algum adversário do campo da esquerda em um segundo turno. “Ao que parece, o presidente vai precisar ressuscitar os fantasmas de 2018, da corrupção, do descalabro econômico do Governo Dilma e da falsa ameaça comunista”, avaliou o cientista político.

De momento, o custo Bolsonaro não parece incomodar a Câmara dos Deputados, atualmente presidida pelo líder do Centrão e neobolsonarista Arthur Lira (PP-AL). Até agora poucos são os deputados fora do campo da oposição que defendem qualquer tipo de enfrentamento contra o presidente. A nova tentativa de atingir o Governo vem do pedido de criação da CPI do Auxílio Emergencial, que ainda colhe assinaturas para investigar fraudes que atingem o montante de 50 bilhões de reais na concessão do benefício.

Já no Senado, passaram a circular nos últimos dias conversas para que o presidente da Casa, Rodrigo Pachedo (DEM-MG), outro aliado tático de Bolsonaro, autorize a abertura da CPI da Saúde, que tem como objetivo investigar toda a atuação do Governo federal. Pacheco tem buscado argumentos para impedir a abertura desse grupo por entender que a apuração seria contraproducente no momento. Por ora, essa parede ainda protege Bolsonaro.

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