mar
31
Posted on 31-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2021

DO EL PAÍS

Vice Mourão diz que Forças Armadas se pautarão pela legalidade, apesar de Ministério da Defesa comemorar golpe de 1964 pelo terceiro ano consecutivo. Deputado bolsonarista apresenta projeto para aumentar poderes do Planalto, com apoio das PMs

Bolsonaro com Fernando Azevedo ao fundo no dia 8 de maio de 2020.
Bolsonaro com Fernando Azevedo ao fundo no dia 8 de maio de 2020.Ueslei Marcelino / Reuters
Brasília

No dia em que o Brasil atingiu novo recorde de mortos por covid-19, com 3.780 óbitos nas últimas 24 horas, o Governo Jair Bolsonaro demonstrou mais uma vez que não está entre suas prioridades as estratégias para frear o avanço do coronavírus. O Palácio do Planalto dedicou seu tempo a amplificar a crise política-militar provocada pelo próprio presidente, com a demissão do ministro da Defesa, seguida da saída em protesto dos três comandantes das Forças Armadas, Marinha, Exército e Aeronáutica, algo inédito desde a redemocratização. Acuado pelo Congresso e de olho em sua base mais radical, o objetivo do presidente, ao longo de todo dia, foi enviar a mensagem de que estava enquadrando as forças militares, e não sendo um alvo de protesto do alto escalão castrense.

 
Foi nessa toada que o bolsonarismo insistiu em quatro estratégias diversionistas: 1. difundiu a informação de que Bolsonaro foi severo e demitiu os três comandantes militares, enquanto que, na realidade, foram eles quem entregaram seus cargos por discordarem da demissão do então ministro da defesa, Fernando Azevedo e Silva da Defesa; 2. costurou estratégias para furar a fila de promoção no Exército e encontrar um novo comandante; 3. usou um de seus fiéis aliados na Câmara dos Deputados, o major Vitor Hugo (PSL-GO), para tentar colocar em votação um projeto de lei que ampliasse os poderes do presidente durante a pandemia e pudesse impedir decretos estaduais de lockdowns. 4. Determinou, como tem feito desde que chegou ao poder, que seu novo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, assinasse um expediente chamado “ordem do dia” a ser lido nos quartéis de todo o país nesta quarta-feira exaltando positivamente o golpe militar de 1964 ?o texto é sempre celebrado pela base do presidente, que defende abertamente a volta de um regime militar, em torno de 10% da população nas pesquisas.

Logo pela manhã, o ministro-general Braga Netto, comunicou aos comandantes das Forças, o general Edson Pujol (Exército), o almirante Ilques Barbosa (Marinha) e o tenente-brigadeiro do Ar Antonio Carlos Bermudez (Aeronáutica) que eles estavam demitidos por ordem do comandante-em-chefe, o presidente Bolsonaro. O trio já estava disposto a entregar os cargos em apoio ao ex-ministro Fernando Azevedo e Silva, que saiu enviando recado de que sempre preservadou “as Forças Armadas como instituições de Estado”, deixando antever uma pressão do Planalto do contrário. Ainda assim, a reunião entre eles foi tensa. Ilques Barbosa, que tem como marca a serenidade, exaltou-se reclamou que as mudanças interferem na imagem das forças e que Bolsonaro estava levando a política para dentro dos quartéis. Braga Netto, conhecido por ser pouco afeito a gentilezas, chegou a bater na mesa e gritou com os demais presentes na reunião, conforme dois relatos feitos à reportagem.

De pronto, o novo ministro mostra uma de suas principais características. “No meio militar há os que lideram, e os que mandam. O general Fernando era um líder. Não se pode dizer o mesmo do general Braga Netto”, afirmou o cientista político, Alexandre Fuccille, professor da Universidade Estadual Paulista e pesquisador na área de Defesa.

Essa movimentação nos comandos obrigará Bolsonaro a alterar a escala de promoções no Exército. Geralmente, é promovido comandante o oficial mais antigo. Mas a intenção do presidente é promover o quinto general com mais tempo de casa, o atual comandante da região Nordeste, Marco Antônio Freire Gomes. Dessa maneira, entraria compulsoriamente na reserva remunerada os quatro generais mais antigos que Freire Gomes. Todos são muito ligados a Pujol, com quem Bolsonaro já estava rompido, ou ocuparam cargos de relevância em outros governos.

Assim, a escolha dos novos comandantes devem ser marcadas por suas posturas políticas do passado também, segundo um oficial relatou à reportagem. “O estrago que o Bolsonaro está fazendo com a hiperpolitização das Forças Armadas é tremendo. Elas deveriam deixar a política fora dos quartéis, mas não é isso que ocorre”, avaliou o pesquisador Fuccille.

Há a possibilidade de o novo comandante ser anunciado nesta quarta-feira, dia 31 de março, quando mais dois generais serão promovidos, dentro do esperado pela carreira, e os quartéis comemorarão o golpe militar. “As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos”, diz trecho da ordem do dia assinada por Braga Netto em uma mais tentativa de reescrever a história brasileira negando que tenha havido um rompimento da ordem institucional. Por fim, o ministro ainda anota: “O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”. A intenção do Governo de celebrar o golpe é tão marcada que o Planalto fez a Advocacia-Geral da União entrar na Justiça para garantir o direito dos militares e outras instituições de celebrar a chegada de 21 anos de ditadura, algo inimaginável nos vizinhos latino-americanos que também estiveram sob regimes militares

“É D`Oxum”, MPB4: primorosa gravação original da obra prima musical de Gerônomo Santa e Vevé Calazans para a trilha de “Tenda dos Milagres”, com Maravilho arranjo de Danilo Caymmi da canção que seu Dorival confessou que gostaria de ter feito e assinado. Viba a Cidade da Bahia na semana de seu aniversário.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
31
Posted on 31-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2021
DO CORREIO BRAZILIENSA

FORÇAS ARMADAS

Os comandantes das Forças Armadas entregaram os postos um dia após o chefe do Executivo ter pedido o cargo ao ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva

Ingrid Soares
 

 

O ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o presidente Jair Bolsonaro está cada vez mais parecido com os ditadores venezuelanos Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A fala ocorreu ao comentar a saída dos três comandantes das Forças Armadas nesta terça-feira (30/3).

No Exército, deixa o cargo Edson Pujol; na Marinha, Ilques Barbosa; e na Aeronáutica, sai Antônio Carlos Moretti Bermudez. Eles entregaram os postos um dia após o chefe do Executivo ter pedido o cargo ao ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

mar
31
Posted on 31-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 31-03-2021


 

Amarildo, NA

 

 

DO JORNAL DO BRASIL

Demitido da Defesa, Fernando Azevedo e Silva afirmou a ministros que não haverá respaldo a ofensivas do presidente contra a democracia

Amanda Perobelli/Reuters
Credit…Amanda Perobelli/Reuters

Por Jornal do Brasil

Alguns integrantes da corte viram com preocupação a mudança no governo, mas Azevedo procurou tranquilizar ministros do Supremo.

Um dos que conversaram com o general foi o presidente da corte, Luiz Fux. A interlocutores o magistrado lembrou que Azevedo permanece como general e afirmou que a saída dele do cargo demonstra que os membros do Exército estão comprometidos com a democracia e a Constituição.

Na avaliação compartilhada pelo ministro com pessoas próximas, Azevedo deixou o primeiro escalão da Esplanada porque estava insatisfeito por não ser ouvido por Bolsonaro e porque se recusou a politizar as Forças Armadas.

Apesar disso, Fux tem feito a análise de que o general Braga Netto, que assumirá o Ministério da Defesa, preservará uma boa interlocução com o STF.

Membros do STF também foram surpreendidos com a mudança na AGU (Advocacia-Geral da União), que é responsável pela defesa judicial do governo e atua diretamente no Supremo.

José Levi, que deixou o cargo, era bem visto no tribunal, mas ministros avaliaram que a mudança foi uma estratégia de Bolsonaro para ampliar os espaços do centrão no governo.

No lugar dele, assumirá André Mendonça, que estava no Ministério da Justiça e Segurança Pública e retornará à função que ocupava no início do governo. Ele é um dos cotados para ser indicado para a vaga do STF que abrirá em julho com a aposentadoria de Marco Aurélio.

Além dessas duas pastas, Bolsonaro alterou o comando de outros quatro ministérios nesta segunda-feira.

Para a Justiça, foi anunciado Anderson Gustavo Torres, secretário da Segurança do Distrito Federal. No Itamaraty, Ernesto Araújo foi substituído por Carlos Alberto Franco França.

Para a Casa Civil, foi deslocado o general Luiz Eduardo Ramos, que estava na Secretaria de Governo. A deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) assume a vaga de Ramos, em um aceno ao bloco do centrão na Câmara, base de sustentação de Bolsonaro na Casa.

As mudanças fazem parte de uma reforma ministerial menos de uma semana depois de o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ter subido o tom contra o governo e afirmado que, se não houver correção de rumo, a crise da pandemia pode resultar em “remédios políticos amargos” a serem usados pelo Congresso, alguns deles fatais.(Folhapress)

mar
30
Posted on 30-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-03-2021

 

Foto: Rosinei Coutinho / SCO /STF / Divulgação / CP

 

Como mostramos mais cedo, a saída de Fernando Azevedo e Silva da Defesa pegou ministros do STF de surpresa, que não gostaram da mudança. A pessoas próximas, Luiz Fux disse hoje que o general saiu porque estava insatisfeito, não era ouvido, e porque se recusou a politizar as Forças Armadas.

O presidente do STF passou a tarde em ligações para compreender essa e as demais mudanças no primeiro escalão do governo. Chegou a ligar para Azevedo e Silva para saber se estava tudo bem e saiu tranquilizado da conversa.

Considera que Braga Neto também será um bom interlocutor com STF.

A avaliação é que o Centrão ganha mais força no governo, principalmente pela entrada de Anderson Torres no Ministério da Justiça.

Fux demonstrou ainda a interlocutores que não há motivo para preocupação; entende que a reforma é um “realinhamento político do governo” e que não há risco à “estabilidade institucional”.

“Fotografia”, Nara Leão: a bela composição do maestro Jobim na voz de sua melhor e mais completa intérprete. Confira.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

mar
30

DO CORREIO BRAZILIENSE

As nomeações serão publicadas ainda nesta segunda-feira em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Ingrid Soares
 

 (crédito: EVARISTO SA)

(crédito: EVARISTO SA)

O presidente Jair Bolsonaro realizou uma reforma ministerial na Esplanada nesta segunda-feira (29/3). A dança das cadeiras envolve a troca de seis ministros, confirmada no fim da tarde pela Secretaria Especial de Comunicação Social. As nomeações serão publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

•Casa Civil da Presidência da República: General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira;
•Ministério da Justiça e Segurança Púbica: Delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres;
•Ministério da Defesa: General Walter Souza Braga Netto;
•Ministério das Relações Exteriores: Embaixador Carlos Alberto Franco França;
•Secretaria de Governo da Presidência da República: Deputada Federal Flávia Arruda;
•Advocacia-Geral da União: André Luiz de Almeida Mendonça.

mar
30
Posted on 30-03-2021
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-03-2021


 

Amarildo, NA

 

mar
30

Encruzilhada de Moro

DO CORREIO BRAZILIENSE

Analistas apontam que, no xadrez político para 2022, ele continua sendo uma peça, mas está em uma encruzilhada

Sarah Teófilo

 (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Mais um episódio, na última semana, colocou o ex-juiz Sergio Moro no centro do debate sobre o futuro político do personagem central da Lava-Jato, a maior operação no âmbito do combate à corrupção no Brasil. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a parcialidade do ex-magistrado na condenação do ex-presidente Lula no caso do triplex em Guarujá (SP). A decisão desgastou ainda mais a imagem construída por Moro durante a força-tarefa. Analistas apontam que, no xadrez político para 2022, ele continua sendo uma peça, mas está em uma encruzilhada.

Depois, pediu exoneração do cargo de ministro da Justiça, acusando o presidente Jair Bolsonaro de interferência política na Polícia Federal, o que o fez ganhar inimigos e críticos no bolsonarismo. Por fim, foi contratado como diretor de investigações de uma empresa de consultoria americana que representa a Odebrecht, um dos alvos da Lava-Jato.

Assim, Moro, outrora defendido por vários personagens na política que queriam vender a imagem de anticorrupção, hoje tem uma rede de apoio reduzida, como explica o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo. O ex-juiz não é aceito por partidos de esquerda, de centro nem em muitos de direita. “Acho que só o Podemos continua sendo um partido que sinaliza para o Moro, mas não sei se com a mesma convicção. Ele continua popular, isso é inegável, aparece bem em todas as pesquisas, mas não tão bem quanto antes”, afirma.

Segundo o professor, se a imagem de Moro já estava esgotada no âmbito político, a nova decisão do Supremo ajudou a drená-la mais, mas, desta vez, no âmbito do prestígio na sociedade. Tudo isso mostra que o ex-juiz teria dificuldade de se movimentar, caso decidisse lançar candidatura para presidente ou vice-presidente em 2022. “Antes de ele ir para o governo, era recebido em qualquer lugar. Hoje, experimenta um processo de isolamento”, diz Teixeira.

O analista Melillo Dinis, do portal Inteligência Política, vê o ex-ministro numa encruzilhada, mas afirma que o melhor seria ele continuar fora da política. “A maior contribuição ao legado dele é ficar quieto. Só vai piorar a situação”, opina, dizendo que Moro não tem habilidade na política, tampouco no Executivo.

Ricardo Ismael, cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), não acredita que sair candidato seja uma boa estratégia para Moro defender o seu legado, visto que, conforme ressalta, o embate, agora, é jurídico. O especialista ressalta que o ex-juiz está desgastado e sofre ataques de várias frentes políticas distintas, o que dificulta a aceitação dele em alguma chapa, ainda que como vice-presidente. “Moro não pode ser descartado ainda, mas as condições políticas para ele, hoje, são muito difíceis para viabilizar uma candidatura”, avalia.

De acordo com ele, caso a decisão da Segunda Turma seja mantida no plenário da Corte, deve ser o fim político de Moro; se não for confirmada, ele terá de buscar apoios e analisar os prós e contras de uma candidatura. Essa questão poderá ser revisitada pelo plenário no próximo mês, quando os magistrados vão avaliar a decisão do ministro Edson Fachin de anular as determinações da 13ª Vara Federal de Curitiba contra Lula. Isso porque, na ocasião, Fachin pediu o arquivamento da suspeição de Moro — dois dias antes do entendimento da Segunda Turma.

Na opinião de Ismael, no caso de não confirmação, Moro estará em uma encruzilhada: decidir sobre entrar ou não na política no próximo pleito. “Não dá para imaginar um candidato sob suspeição. Mesmo sem suspeição, já existe um desgaste de sua imagem. Isso terá de ser avaliado e pesado por ele lá na frente”, diz. O cientista político não vê o Legislativo como uma boa opção ao ex-juiz. “Ele teve muita visibilidade na Lava-Jato, mas, como deputado, será apenas um entre 513”, explica.

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